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GT-19. Tecnologies digitals i Antropologia - Cultura, coneixement i media.SupraGrup
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Coordinació:
· José S. Ribeiro
· Sérgio Bairon
· Rogério da Costa

A Inteligência Coletiva: cartografando as redes sociais no ciberespaço
Autor/-a/-s/-es:
  · Rogério da Costa

Idioma original:
  · portugues
Paraules clau:
 · cibercultura
 · comunitats virtuals
 · estudis ciència-tecnologia-societat
 · relacions socials
 · societat del coneixement


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ABSTRACT
Temas como “inteligência emergente” (Steven Johnson), “coletivos inteligentes” (Howard Rheingold), “cérebro global” (Francis Heylighen), “sociedade da mente” (Marvin Minsk), “inteligência conectiva” (Derrick de Kerckhove), “redes inteligentes” (Albert Barabasi), “inteligência coletiva” (Pierre Lévy) são cada vez mais recorrentes entre teóricos reconhecidos. Todos eles apontam para uma mesma situação: estamos em rede, interconectados com um número cada vez maior de pontos e com uma freqüência que só faz crescer. A partir disso, torna-se claro que podemos hoje compreender muito melhor a atividade de uma coletividade, a forma como comportamentos e idéias se propagam.

O jogo das preferências individuais

Temas como “inteligência emergente” (Steven Johnson), “coletivos inteligentes” (Howard Rheingold), “cérebro global” (Francis Heylighen), “sociedade da mente” (Marvin Minsk), “inteligência conectiva” (Derrick de Kerckhove), “redes inteligentes” (Albert Barabasi), “inteligência coletiva” (Pierre Lévy) são cada vez mais recorrentes entre teóricos reconhecidos. Todos eles apontam para uma mesma situação: estamos em rede, interconectados com um número cada vez maior de pontos e com uma freqüência que só faz crescer. A partir disso, torna-se claro que podemos hoje compreender muito melhor a atividade de uma coletividade, a forma como comportamentos e idéias se propagam, o modo como notícias afluem de um ponto a outro do planeta etc.

Essa interconexão generalizada entre as pessoas tem chamado a atenção de muitos teóricos sobre seus efeitos no quadro de decisões individuais e igualmente na forma como os coletivos se comportam quando se constituem como redes de alta densidade (Rheingold, 2002; Lévy, 2001; Johnson, 2001). Decisões individuais e coletivas parecem estar chamando a atenção não apenas dos interessados de sempre – os que trabalham com marketing – mas também dos estudiosos de redes sociais, dos sociólogos, antropólogos do virtual, dos ciberteóricos, dos especialistas em gestão do conhecimento e da informação, enfim, de todos aqueles que pressentem que há algo de novo a ser investigado, que a interação coletiva pode ser compreendida dentro de uma certa lógica, dentro de certos padrões.

É importante salientar que todo tipo de grupo, comunidade, sociedade é fruto de uma árdua e constante negociação entre preferências individuais (Arrow, 1970). Exatamente por isso, o fato de estarmos cada vez mais interconectados uns aos outros implica que tenhamos, de algum modo, que nos confrontar com nossas próprias preferências e sua relação com aquelas de outras pessoas. E não podemos esquecer que tal negociação não é nem evidente nem tampouco fácil. Além disso, essa discussão não deixa de envolver outros aspectos que hoje mobilizam os teóricos do ciberespaço como, por exemplo, o problema da captação da atenção dos usuários em rede (Davenport & Beck, 2001; Costa, 2002), a técnica de sugestões dos agentes inteligentes (Maes, 1997; Bradshaw, 1997) ou das comunidades virtuais (Rheingold, 1996), o problema da decisão ou da escolha (Stefik, 1999), e os riscos que isso muitas vezes implica. Todos esses aspectos parecem ter como pano de fundo a negociação das preferências individuais e sua posição no coletivo. Lembrando que, via de regra, as preferências ditas “individuais” são na verdade fruto de uma autêntica construção coletiva, num jogo constante de sugestões e induções que constitui a própria dinâmica da sociedade.


A cartografia da Inteligência Coletiva

É nessa perspectiva que nos perguntamos a respeito da inteligência coletiva e de seu papel nas reflexões sobre comunidades e grupos, tanto virtuais quanto locais. Cabe salientar que o sentido que atribuímos aqui à inteligência coletiva é o de potencial de uma população, sua disponibilidade para a ação coletiva. A cartografia dessa inteligência ou disposição seria a fotografia simultanea do potencial de interação de um grupo ou comunidade e de seu respectivo ecossistema de idéias. E se a inteligência individual requer certas condições para fluir em cada um de nós (como, por exemplo, a saúde física, criação familiar e situação afetiva), também a inteligência coletiva deve requerer outras condições para afluir entre os indivíduos. Como sugere Pierre Lévy (Lévy, 2004), essas condições poderiam ser dadas pela situação do capital social, cultural e tecnológico de uma coletividade. Nesse sentido, o potencial de interação entre os indivíduos (capital social) constituiria um dos índices de referência para se compreender a forma de propagação das idéias (capital cultural) através de uma infraestrutura de comunicação (capital tecnológico) no interior de uma comunidade, e seu conseqüente desdobramento ou não em ações coletivas inteligentes.

Por outro lado, devemos lembrar que as inteligências individuais parecem não se prolongar naturalmente numa inteligência coletiva. O fato de indivíduos estarem em grupo não significa que haverá entre eles uma tal sinergia de idéias que resulte numa ação conjunta. Essa é a razão de nosso interesse específico no campo da ação coletiva, pois ela é a expressão genuína de uma inteligência afluente, que também chamamos de ação coletiva inteligente. Howard Rheingold, por exemplo, narra em seu último livro, Smart Mobs, como o recente movimento social nas Filipinas, que depôs o então presidente Estrada, resultou da inteligência afluente da população. No dia do julgamento do processo de impeachment do presidente, mensagens enviadas através de celulares conseguiram mobilizar em questão de minutos mais de um milhão de cidadãos diante do Congresso. É válido dizer que esse movimento de confluência de pessoas numa direção física foi também acompanhado por um fluxo de inteligência afluente, que se traduziu na percepção pública da força de uma idéia, capaz de mobilizar a tantos de forma consciente (1). A inteligência afluente é aquela que permite ao coletivo lidar com o imprevisto, que lhe dá flexibilidade na ação. Mas qual o potencial de inteligência de um determinado grupo, comunidade, nação? Seria possível mensurar essa disposição para a ação inteligente em conjunto?

Esses são apenas alguns dos aspectos que apontam para uma espécie de assimetria entre a dimensão do indivíduo (com suas preferências, interesses, inteligência) e aquela do coletivo, onde os indivíduos são convocados a agir, decidir, adotar comportamentos não apenas em função de si mesmos, mas também conjuntamente. Conhecer uma delas não necessariamente nos garante compreender a outra. Vencer essa distância é o que deve mobilizar parte de nossos esforços para entender e atuar em projetos que envolvam redes sociais e que dependem, portanto, do engajamento efetivo das pessoas.


Compreendendo as mentes coletivas virtuais

Já em 1993, Howard Rheingold, em seu livro Comunidade Virtual, percebeu que as comunidades virtuais são lugares onde as pessoas se encontram mas são, igualmente, um meio para se atingir diversos fins. “As mentes coletivas populares e seu impacto no mundo material podem tornar-se uma das questões tecnológicas mais surpreendentes da próxima década”, antecipava. Na verdade, a idéia de uma mente ou uma inteligência coletiva mediada por computadores não chega a ser uma novidade. Em 1976, o pesquisador americano Murray Turoff, idealizador do sistema de intercâmbio de informação eletrônica (EIES), considerado o ponto de partida das atuais comunidades online, prenunciava que “a conferência por computador pode fornecer aos grupos humanos uma forma de exercitarem a capacidade de ‘inteligência coletiva’ (...) um grupo bem sucedido exibirá um grau de inteligência maior em relação a qualquer um de seus membros” (Rheingold, 1996, cap. 4).

Turoff visualizou as comunidades virtuais e o potencial de inteligência coletiva que elas envolviam, mas Rheingold percebeu nelas uma relação mais profunda, motivado em especial pela questão do excesso de informação. Com efeito, um dos problemas da rede, em sua visão, era o da “oferta demasiada de informação e poucos filtros efetivos passíveis de reterem os dados essenciais, úteis e do interesse de cada um”. Rheingold estava atento ao fato de que os programadores se esforçavam para desenvolver agentes inteligentes que realizassem a busca e filtragem de informação, poupando o usuário “da terrível sensação causada pelo fato do conhecimento específico procurado estar enterrado em 50 mil páginas de informação recuperadas”. “Mas já existem”, dizia, “contratos sociais entre grupos humanos – imensamente mais sofisticados, embora informais – que nos permitem agir como agentes inteligentes uns para os outros” (Rheingold, 1996, cap.4).

Isso, de certa forma, ampliava o conceito de mente coletiva, pois não se tratava apenas, como imaginava Turoff, de resolver problemas em conjunto, em grupo, coletivamente, como o fazem as colônias de formigas. Ao contrário, a idéia de mente coletiva que mais seduzia Rheingold era a de um grupo estimulado a trabalhar em função de um indivíduo, dos benefícios mais claros e palpáveis que ele pudesse vir a obter. Ele nos lembra que as comunidades virtuais abrigam um grande número de profissionais que lidam diretamente com o conhecimento, o que faz delas um instrumento prático potencial. “Quando surge a necessidade de informação específica, de uma opinião especializada ou da localização de um recurso, as comunidades virtuais funcionam como uma autêntica enciclopédia viva. Elas podem auxiliar os respectivos membros a lidarem com a sobrecarga de informação” (Rheingold, 1996, cap. 4). Em suma, é no horizonte do excesso de informação que encontramos as comunidades virtuais, funcionando como verdadeiros filtros humanos inteligentes. A estratégia de fornecimento e utilização de informação através do ciberespaço seria, na visão de Rheingold, uma maneira extraordinária de um grupo suficientemente grande e diversificado de indivíduos conseguir multiplicar o grau individual de seus conhecimentos (2).

Mais recentemente, Pierre Lévy tem defendido a participação em comunidades virtuais como um estímulo à formação de inteligências coletivas, às quais os indivíduos podem recorrer para trocar informações e conhecimentos (Lévy, 1998, 1999, 2001 e 2002). Fundamentalmente, ele percebe o papel das comunidades como o de filtros inteligentes que nos ajudam a lidar com o excesso de informação, mas igualmente como um mecanismo que nos abre às visões alternativas de uma cultura. “Uma rede de pessoas interessadas pelos mesmos temas é não só mais eficiente do que qualquer mecanismo de busca”, diz ele, “mas sobretudo do que a intermediação cultural tradicional, que sempre filtra demais, sem conhecer no detalhe as situações e necessidades de cada um” (Lévy, 2002). Lévy está profundamente convencido, da mesma forma que Rheingold, de que uma comunidade virtual, quando ela é convenientemente organizada, representa uma importante riqueza em termos de conhecimento distribuído, de capacidade de ação e de potência cooperativa.

Já Steven Johnson, jornalista e escritor, afirma em seu recente livro, Emergence, que os seis últimos anos da Web foram de pseudo-interatividade, e que finalmente o ciberespaço começa a nos oferecer aquilo que foi sua promessa original: alimentar uma inteligência coletiva pela conexão de todas as informações do mundo. “Podemos ver os primeiros anos da web”, diz ele, “como uma fase embrionária, evoluindo através de seus antepassados culturais: revistas, jornais, shoppings, televisões etc. Mas hoje já há algo inteiramente novo, uma espécie de segunda onda da revolução interativa que a computação desencadeou: um modelo de interatividade baseado na comunidade, na colaboração muitos-muitos” (Johnson, 2001).

Johnson não desconhece o antigo e longo percurso de comunidades como a WELL, considerada por Rheingold como um autêntico filtro comunitário inteligente. Mas o que ele tem em mente aqui são as consequências da intervenção cada vez mais ampla e complexa dos agentes inteligentes nas relações entre os membros de comunidades virtuais. Ele está interessado, acima de tudo, na performance dos filtros atuais, que aumenta na medida em que há um incremento do número de usuários e de informações. Isso quer dizer que os agentes e filtros colaborativos tornam-se mais espertos e úteis na medida em que mais informações e indivíduos fluem através deles.

Um bom exemplo disso são os softwares de tecnologia P2P, concebidos para permitir às pessoas trocar músicas, imagens e arquivos entre si através da rede. Nesse caso, quanto maior o número de usuários e de documentos disponíveis no sistema, melhor é o desempenho dos softwares e, em consequência, maiores são os benefícios para cada membro da rede.

Mas que tipo de mente, afinal de contas, deveríamos atribuir às comunidades on-line? Há algumas iniciativas que alimentam interpretações mais utópicas, e que levam as pessoas a duvidarem da possibilidade de uma inteligência ou mente coletiva. Trata-se daquelas que pressupõem graus elevados de sacrifício dos membros em função de algum objetivo ou causa maior. Com idéias formigando de todo lado, os indivíduos vão engendrando uma obra com a sinergia de suas inteligências ou de suas ações. Um dos raros casos conhecidos desse gênero na rede, e aliás com um sucesso extraordinário, é o do sistema operacional Linux, a melhor prova de resultados dessa autêntica espécie de mente coletiva. Mas a WELL também provou que uma comunidade on-line pode socorrer um membro doente num país distante, mobilizando recursos financeiros e humanos em pouquíssimo tempo (Rheingold, 1996).

A segunda maneira de se interpretar uma inteligência coletiva é entender uma comunidade virtual como um excelente filtro inteligente que pode ser consultado por qualquer um a qualquer momento. Aqui encontramos a idéia de compartilhamento de recursos, conhecimentos, informações etc. E da mesma forma que no gênero anterior de mente coletiva, aqui também conta o grau de reciprocidade na rede, a capacidade de interação de cada um (capital social) e a fluidez permitida pela infraestrutura de comunicação (capital tecnológico). Haveria ainda um outro aspecto importante a ser ressaltado, que é o capital cultural de uma coletividade. Entendemos por capital cultural o ecossistema de idéias que alimenta os indivíduos e o coletivo, e que permite que o capital social possa se incrementar e que os limiares de inovação possam ser vencidos. Ele se traduz como a memória cultural de uma população, incluindo museus, redes de bibliotecas, editoras, arquivos, centros de documentação e toda instituição que colabore nesse processo de registro. O ciberespaço, por sua vez, deve ser considerado como um lugar de convergência dessa memória cultural. O papel fundamental das hipermídias, no caso dos estudos sobre inteligência coletiva, é permitir o estudo das representações semânticas da memória de uma comunidade, reunindo tanto documentações em banco de dados quanto informações no ciberespaço. O mapeamento da rede semântica de uma população é um dos requisitos para que possamos compreender seu potencial de ação coletiva inteligente. A troca e circulação de idéias alimentam o capital cultural e também o capital social.


Conclusão: As redes digitais ou o capital tecnológico

É fácil perceber por que as redes digitais são hoje um fator chave para a compreensão da inteligência coletiva e de sua evolução. Testemunhos como os de Howard Rheingold, por exemplo, vêm comprovando que a sinergia entre as pessoas via web, dependendo do projeto em que estejam envolvidas, pode ser multiplicada com enorme sucesso. As diversas formas de comunidades virtuais, a estratégia P2P, as comunidades móveis, a explosão dos blogs e wikis, a recente febre do orkut são prova de que o ciberespaço constitui um fator crucial no incremento do capital social e cultural disponíveis (Rheingold 2002, Costa 2002).

Junte-se a isso a possibilidade real de se mensurar e cartografar a atividade coletiva por meios digitais, quer seja de forma direta com pesquisas on-line, de forma indireta via agentes inteligentes ou ainda de forma concedida via tracking. Atualmente, são várias as análises de redes sociais que se valem da Internet para realizar mapeamentos e pesquisas (3).

Esse aspecto foi também decisivo para a elaboração do projeto da inteligência coletiva proposto por Pierre Lévy e que está inserido na vertente da cartografia baseada em softwares de rede. Como salientamos anteriormente, Lévy conceitua a inteligência coletiva como um jogo entre o capital social, cultural e técnico de uma comunidade (Lévy, 2004). De forma diferente, Michel Authier vem propondo também uma cartografia dos coletivos inteligentes, mas baseada na própria dinâmica dos indivíduos, em sua micropolítica, e acompanhada de análises importantes sobre a ação coletiva e a formação de comunidades (Authier, 1998).

Não se pode deixar de mencionar, igualmente, o enorme esforço de construção de uma teoria das redes empreendido por vários teóricos da atualidade, e que tem como um dos inspiradores mais conhecidos a figura do psicólogo americano Stanley Milgram. Lembremos que, nos anos 60, Milgram propôs uma descrição sobre a rede de conexões interpessoais que ligam os indivíduos numa comunidade (Milgram, 1967). Sua hipótese impulsionou as formulações matemáticas de Duncan Watts e Steven Strogatz sobre a teoria do "mundo pequeno" e a dinâmica coletiva em rede (teoria dos seis graus de distância ou seis passos) (Watts & Strogatz, 1998). Também o físico Albert-László Barabási tem se destacado por suas pesquisas sobre o papel que os nós "especialistas" (hubs) desempenham nas redes em geral e no ciberespaço em particular. Da mesma forma que Rheingold, Barabási tem se referido com frequência a uma sociologia de afluência na web, promovida pela forma como os links entre páginas se estabelecem (Barabási, 2003). Essa relação entre a sociologia e a teoria das redes tem motivado inúmeras pesquisas, como nos mostra Mark Buchanan, que em seu livro Nexus estabelece uma série de associações entre os trabalhos de Granovetter e Fukayama, por exemplo, e as teses matemáticas de Watts e Strogatz (Buchanan, 2002).

Dentro do novo contexto de expansão das redes digitais, nota-se que os desafios colocados pela assimetria na relação indivíduo/grupo, à qual nos referíamos mais acima, apesar de persistirem, podem ser tratados segundo novas abordagens e metodologias. Isso inclui, por exemplo, a possibilidade de cartografias dinâmicas do capital social e cultural de uma comunidade, o levantamento dos limiares de decisão dos membros de um coletivo, o estímulo à formação de redes de contatos etc. Com a nova cultura do ciberespaço a assimetria indivíduo/grupo ganhou em complexidade, o que requer novas investigações dentro de uma perspectiva científica.

De qualquer modo, o caminho adotado aqui destaca o fato de que indivíduos devem negociar suas preferências pessoais no momento em que estão em grupo, em sociedade. A grande aposta que fazemos, dentro do cenário atual da ciber sociedade, é que será possível desenvolver modelos que possam nos explicar de que forma se dá essa negociação e de que maneira seria possível interferir em seu jogo.


Bibliografía
  • Albert-László Barabási, LINKED: The New Science of Networks, Plume Books, 2003
  • Amy Jo Kim, Community Building on the Web. Berkeley: Peachpit Press, 2000.
    Cliff Figallo, Hosting Web Communities: building relationships, increasing customer loyalty, and maintaining a competitive edge. Nova Iorque: Wiley Computer Publishing, 1998
  • Derrick de Kerckhove, Connected intelligence. Toronto: Somerville House, 1997.
  • Duncan Watts and Steven Strogatz, “Collective Dynamics of ‘Small-World’ Networks”, Nature 393 (1998).
  • Howard Rheingold, “Mobile Virtual Communities”. Em: www.rheingold.com, 09/07/2001.
  • Howard Rheingold, Smart mobs: the next social revolution, Perseus, 2002.
  • Howard Rheingold, A Comunidade Virtual. Lisboa: Gradiva, 1996.
  • Jeffrey M. Bradshaw (org.), Software Agents. Massachusetts: MIT Press, 1997.
  • Keneth Arrow, Social Choice and Individual Value, Yale U. Press, 1970.
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  • Mark Buchanan, Nexus: small worlds and the groundbreaking theory of networks, Norton, 2002.
  • Mark Stefik, “Focusing the Light: Making Sense in the Information Explosion”. Em: The Internet Edge. Massachusetts: MIT Press, 1999.
  • Michel Authier, Pays de Connaissances. Paris: Rocher, 1998.
  • Pattie Maes, “Agents That Reduce Work and Information Overload”. Em: Jeffrey M. Bradshaw (org.), Software Agents. Massachusetts: MIT Press, 1997.
  • Pierre Lévy, Cyberdémocratie. Paris: Odile Jacob, 2002.
  • Pierre Lévy, A Inteligência Coletiva. São Paulo: Loyola, 1998.
  • Pierre Lévy, Cibercultura. São Paulo: Editora 34, 1999.
  • Pierre Lévy, A Conexão Planetária: o mercado, o ciberespaço, a consciência. São Paulo: Editora 34, 2001.
  • Pierre Lévy, www.collectiveintelligence.info/documents, 2004.
  • Rogério da Costa, A Cultura Digital, Publifolha, 2002.
  • Stanley Milgram, “The Small-World Problem”, Psychology Today 1 (1967)
  • Steven Johnson, Emergence: the connected lives of ants, brains, cities, and software. Nova Iorque: Scribner, 2001.
  • Steven Johnson, Cultura da Interface. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 2001.
    Thomas Davenport e John Beck, A economia da atenção. São Paulo: Campus, 2001.


    Notas
  • [1] - Movimentos desse gênero são bem diferentes da ação coletiva de um exército, por exemplo, que tem suas ações espaciais determinadas pela forma altamente hierarquizada de sua organização. Esse tipo de formação dificulta a circulação de idéias e a conseqüente inteligência coletiva que daí possa afluir.Pode-se dizer que um exército possui ação organizada, mas não ação coletiva (exceção aos grupos de combate e também aos movimentos de guerrilha).
  • [2] - Rheingold atesta, contra os incrédulos que desconfiam desse tipo de troca de conhecimentos e informações, que “na comunidade virtual que melhor conheço, o conhecimento bem apresentado é uma valiosa moeda de troca (...) Quem fornece respostas rigorosas e bem escritas ganha prestígio ante toda a audiência virtual. Os especialistas entram em competição para a resolução dos problemas”. Sobre como construir comunidades virtuais, vide Amy Kim, 2000 e Cliff Figallo, 1998.
  • [3] - Pode-se consultar por exemplo os sites Social Network Analysis e Cyberatlas.
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