Palavras chave:ciberdemocraciaciberpolítica cibersociedade democracia digital/eletrônica participação social/cidadania |
Autor(-a/s):Ricardo Nicola |
||||||||||
|
|
|||||||||||
Esta comunicação foi visida/lida vezes |
|||||||||||
Resumo:Esta comunicação apresenta resultados de estudos obtidos até agora através de pesquisa pós-doutoral quanto ao impacto dos novos paradigmas cibersociais–legitimados pelo fenômeno comunicacional da transculturalidade e presentes nos discursos do ecossistema on-line–na caracterização e manutenção da cibercidadania. Portanto, tendo como premissa a natureza desterritorial do mundo digital, o projeto“Cibercidadania e seus discursos transculturais: a natureza do ecossistema digital em questão” - aprovado para estágio pós-doutoral/CAPES-esboça a tentativa de caracterizar a cibercidadania e aponta suas nuances identificadas.Afora esse objetivo,o projeto tem procurado investigar de forma mais rigorosa e técnica o ciberespaço, para confrontar os apelos do mercado midiático on-line e reestudar estratégias a fim de imunizar ataques à ciberdemocracia(info-inclusão),na relação mídia digital-cibercidadania. |
|||||||||||
Texto da comunicação:
"(...)A relação entre o individual e o coletivo está mudando, assim como as regras que governam as associações de indivíduos. (...) É essencial que à medida que se desenvolvem as comunicações sem rede sejam ao mesmo tempo criados mecanismos políticos para proteger o acesso universal e a liberdade de expressão, assim como o direito à privacidade na Net" INTRODUÇÃO A pesquisa "Cibercidadania e seus discursos transculturais: a natureza do ecossistema digital em questão" teve como base o campo dos estudos das tecnologias do virtual aplicados à sociedade. Ao dar seqüência à temática do mestrado em Comunicação e Poéticas Visuais (1997) e doutoramento em Multimeios (2001), que explorou os meandros da formação e da informação cibernética, este projeto (2006-2007) tem como pesquisa principal a evolução das atividades cibersociais, e, como pano de fundo, o jornalismo comunitário on-line, na busca da natureza do ecossistema digital para sua identificação, categorização, "controle e adoção de mecanismos de info-inclusão" (Valle, 2005), e, para com isso, legitimar a manutenção dos direitos e deveres do cibercidadão. Num primeiro momento, a intenção do projeto tem sido a de identificar as características da cibercidadania, elencá-las, e estudar seus impactos na cibersociedade, otimizando experiências teórico-práticas canadenses/brasileiras no setor, como contribuição significativa à construção e/ou solidificação da "identidade cibersocial" (Trurkle, 1997). Ao passo que, por objetivos específicos, identificar, caracterizar a cibercidadania na mídia on-line; além de investigar de forma mais rigorosa e técnica o ciberespaço, para confrontar os apelos do mercado midiático on-line e reestudar novas estratégias a fim de imunizar possíveis ataques à cibercidadania (info-inclusão), que tem enfraquecido a relação mídia digital-cibercidadania; pretende-se, também, estudar as reais condições que promovam a ciberdemocracia bem como finalizar na elaboração de um relatório com as linhas de atuação para o usuário seguir, permitindo o exercício mais justo e aproximado de uma cibercidadania ativa. CONTEXTUALIZAÇÃO A pesquisa teve início na cidade de Bauru, respectivo câmpus da Universidade Estadual Paulista (Unesp) em 14 de novembro de 2001 – pós-defesa do doutoramento na Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), Instituto de Artes, Departamento de Pós-Graduação em Multimeios, com a tese "Internet – Formação & Informação na Cultura Digital – Papel do Jornalismo On-Line". A partir daí, delimitei como âmbito da pesquisa um levantamento de, em média, 500 endereços eletrônicos no ciberespaço que tratassem do tema cibercidadania. Seguido deste rastreamento on-line, passei a realizar uma checagem de uma bibliografia específica sobre as discussões filosóficas (Direito, Antropologia, Sociologia etc) acerca desta temática com fichamento e participação a seminários, inclusive em Toronto (www.mcluhan.utoronto.ca - Fig.1). Figura 1 – The McLuhan Program in Culture and Technology ( www.mcluhan.utoronto.ca )
No primeiro semestre de 2004, apurei trabalhos que relatam as deficiências dos projetos on-line para regulação e controle do sistema. E, conjuntamente, ao convite ao McLuhan Program in Culture and Technology da Universidade Toronto(UofT), e a constante revisitação das fontes conceituais, verificou-se a necessidade de recortes ainda mais concretos e precisos sobre a problemática da cibercidadania, o que desembocou na carência de projetos nessa direção. Por intermédio da experiência do projeto Ombusdman On-Line das cidades canadenses, dentre as quais, Toronto, representado exclusivamente pela Toronto Ombudsman Association(TOA), linkado no International Ombudsmam Institute (Fig. 2), além dos projetos de cibercidadania do McLuhan Program (UofT) com a coordenação e supervisão do professores Derrick de Kerckhove e Mark Federman, bem como da participação dos McLuhan Fellows (Fig. 3), configurei o âmbito (Toronto, Montreal e Ottawa) e a população (cibercidadãos cadastrados) bem como suas características geopolíticas de abrangência (contribuição bi-lateral), o que será melhor detalhado no item seguinte. Figura 2 – Alguns dos McLuhan Fellows do programa.
Figura 3 – A Toronto Ombudsmam Association (TOA) ( www.ombudsman.on.ca )
BREVE RELATO DA METODOLOGIA DE INVESTIGAÇÃO PRIMEIRAS CHECAGENS Num primeiro momento, buscou-se a atualização de literatura específica sobre a cibercultura (tese de doutoramento) e catalogação literária para posterior rastreamento de endereços eletrônicos que tratem de cibercidadania conceitualmente. Com isso, como já apontado, a enumeração desses endereços, que redirecionam Comunidades Virtuais (CV´s) - e apresentam a participação ativa em número específico de CV´s - totalizou 500 endereços. Dando suporte, ainda, à coleta de dados, efetivou-se a classificação de projetos on-line específicos do tema em trabalhos de graduação (Unesp) e de pós-graduação (Unicamp e USP). E, de posse de entrevistas em ambiente sitiográfico (coletivas) com profissionais liberais entre outros, realizou-se um recorte mais aproximado possível do desdobramento do assunto na visão do seu público e da própria academia. CONTRIBUIÇÕES TRANSCULTURAIS TORONTO(ONTÁRIO) E MONTREAL(QUEBÉC) A observação dos fenômenos comunicacionais da transculturalidade na mídia está cada vez mais presente neste universo digital que vivemos. Entendendo por transculturalidade "diversas formas de intercâmbio cultural que vêm sendo construídas, dentro e fora das instituições, através do crescente estreitamento das relações entre diferentes sociedades, culturas e empresas (Bauman, 2005)". Enquanto que para Gadoti (2006) "aos que desconhecem esse conceito, a transculturalidade também pode ser definida como um fenômeno estudado inicialmente pela antropologia, e que consiste na formação de uma identidade comum a partir do diálogo entre diversas identidades culturais" . Desconsiderando-se, numa primeira instância, os desdobramentos dessas definições complementares, as contribuições comunicacionais alicerçadas nesses posicionamentos, manifestam-se também de forma intensa na política cibercultural e de mídia canadense. Porventura, o fato de a potencialização da tecnologia sem fio, compreendida como o porvir da era da conexão (Lemos, 2004), esteja dia a dia integrando os cidadãos das cidades daquele país, como é o caso da Grande Toronto, esse mosaico transcultural de relações multimidiáticas vem permeando a organização social do Canadá. Inicialmente, graças à navegação, mapeamento, catalogação e estudo dos principais sites que corroboram os Direitos e os Deveres do Cibercidadão na cidade de Toronto, com a apreciação dos mais destacados instrumentos de atuação da ciberdemocracia, pôde-se identificar algumas das principais necessidades do usuário do sistema on-line. Em geral, a segurança - em todas as dimensões - tem sido a tônica, seguido de rapidez no atendimento pelos sistemas on-line das reclamações do usuário, embora persistem outras questões por nós já conhecidas como acesso não autorizado, interceptação não autorizada, uso não autorizado de sistemas de informática, alteração de dado ou programa de computador, dano a dado ou programa de computador e fraude por manipulação de computador. Diante disso, os diversos links fornecidos pela Toronto Ombudsman Association (TOA) bem como as visitas e cadastro às prefeituras on-line do câmpus e das respectivas cidades tem legitimado um usuário preocupado com sua vida on-line. Para tanto, no McLuhan Program, elaborou-se um blog (Fig. 4) no qual se disponibiliza uma série de discussões da problemática dos impactos da vida digital pelo McLuhan Fellows. Neste blog, tenta-se enumerar o maior número possível de ensaios e considerações sobre o entorno desses impactos. A exemplo de projetos semelhantes, outras universidades canadenses estão pensando a condição digital (Negroponte, 1995) como é o caso da Université du Quebéc au Montréal (Uqam) em Quebéc (www.uqam.ca) (Fig. 5), que no II Colóquio Intercom de Comunicações Brasil-Canadá, realizado em outubro de 2005, do qual participei, apresentou várias pesquisas nessa temática. Assim sendo, as postagens em rede têm contribuído muito para o debate cada vez mais acirrado das diversas correntes de pensamento acerca das constituições das CV's e suas reais distinções, além das interações entre computadores e hábitos do usuário. Em resumo, as perguntas "o que se está debatendo e qual o rumo de tais questionamentos na vida real do usuário" tem sido as bases dos objetivos centrais da varredura pelo sistema dos ataques à ciberdemocracia. Figura 4 – Blog do curso "Mind, Media and Society I".
Figura 5 – Université du Quebéc au Montreal
Acrescido ao blog "Media, Mind and Society", que disponibiliza as discussões dos colóquios, simpósios e cursos do programa, busca-se montar um acervo de arquivos. pdf,. doc entre outros, no qual se pretende veicular a edição de hipertextos de forma coletiva, permitindo a formatação de manifestos do ciberespaço. No conjunto de hipertextos, pensa-se numa futura disponibilização de produções on-line híbrida do usuário que participou do mesmo, permitindo-lhe seus respectivos controles de acesso. No Brasil, essa mesma experiência destacada vem sendo orquestrada, de forma embrionária, pela Agência Câmara de Notícias, no site www.agencia.camara.gov.br (Fig. 6), embora aconteça por intermédio de aplicativo diferente, ou seja, através da disponibilização de um chat que se discute, em tempo real, quais os recursos possíveis e prováveis para a manutenção da cibercidadania. Também tem tido papel importante nessa discussão o site da Câmara Brasileira Eletrônica (www.camara-e.net/) Fig. 7) bem como da Associação para a Progresso das Comunicações (www.apc.org) e do site sobre Direitos Humanos na Net (www.dhnet.org.br), além de outros. Figura 6 – Agência da Câmara promove chat sobre crimes na Internet.
Figura 7 – Câmara do Comércio Eletrônico
CONSIDERAÇÕES Diante do apurado até agora, este projeto tem identificado que as pesquisas comunicacionais, fundamentadas mais no campo teórico (ciberfilosofia) em detrimento dos aspectos técnico-práticos, podem estar gerando um GAP entre os reais direitos e deveres do cibercidadão, o que justifica, por hora, o aumento da info-exclusão e suas agressivas nuances nos países – em especial - do terceiro mundo. Assim sendo, a cibercidadania reelaborou a concepção dos direitos e dos deveres cibersociais, contudo, demarcou uma nova relação espaço-temporal, onde se faz necessário um código de ética mais atualizado e concernente à "real" realidade dos informatas. E já é fato consumado que as netiquetas (Lévy, 2001) atuais não dão conta mais das demandas do espaço virtual e estão demonstrando uma nova caracterização do cibercidadão, Ao retomar os diferentes posicionamentos da vida on-line, conclui-se que, todavia, a ágora informacional vem reelaborando constantemente a arquitetura do seu environment e carece de uma análise pormenorizada dos impactos da volatilidade dos conteúdos para precisar formas mais híbridas de investigação no intento de configurar estudos o mais próximo possível da realidade transcultural do discurso e das práticas do mundo cibersocial. BIBLIOGRAFÍA
PRINCIPAIS ARTIGOS
SITES REFERENCIAIS
|
|||||||||||
|
Esta obra está publicada sob licença Reconhecimento - NãoComercial - CompartilharIgual 2.5
|
Esta comunicação foi visida/lida vezes |
||||