Palavras chave:Brasilciberespaço gestão do conhecimento internet jornalismo / jornalismo digital |
Autor(-a/s):Taís Marina Tellaroli |
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Resumo:O objetivo deste texto é compreender, a partir da análise da utilização de fontes no jornalismo on-line, se a busca pela informação continua pautada pelas fontes oficiais, agendamento, ou trouxe novas formas de buscar a notícia. O estudo coletou notícias publicadas durante três dias em dois portais jornalísticos de Campo Grande. As fontes foram classificadas em cinco categorias: oficiais, oficiosas e independentes, sistematização proposta por Nilson Lage (2002) e fontes não-específicas e os próprios veículos de comunicação ou a Internet. A partir da pesquisa empírica foi possível perceber os tipos de fonte mais utilizadas no período estudado e compreender detalhes da publicação on-line. |
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Texto da comunicação:
INTRODUÇÃO O jornalismo on-line começou a fazer parte do cotidiano das pessoas há pelo menos dez anos, a partir daí, a Internet como fornecedora de informação através de jornais on-line ganha audiência a cada dia. Com um novo meio para publicação de notícias disponível, muitos veículos migraram para o ambiente virtual para colocarem seus conteúdos on-line. Algumas versões on-line dos jornais tornaram-se uma mídia independente com redações próprias e autônomas, sendo adaptadas a projetos específicos para a rede. Suzana Barbosa (2002) explica que os sites jornalísticos como, por exemplo, o Jornal do Brasil, que disponibilizava as notícias impressas na rede, passaram a ser chamados de portais. Nos Estados Unidos, o surgimento dos portais decorreu da evolução dos sites de busca. No Brasil, eles nasceram dentro das empresas jornalísticas, como no caso do Jornal do Brasil (1) . A pesquisadora Luciana Mielniczuk (2003, p.48) classifica o primeiro momento da trajetória do jornalismo on-line como pouco inovador: os conteúdos jornalísticos oferecidos eram reproduções de grandes jornais impressos e a atualização do material era feita "a cada vinte e quatro horas". Nessa fase, tanto a cópia de conteúdo quanto a reprodução das rotinas produtivas de um jornal eram comuns. Há pouco mais de dez anos, pesquisadores do meio digital tentaram desenvolver produtos e modelos adequados para o jornalismo on-line. John Pavlik (apud: MIELNICZUC, 2003), por exemplo, sistematiza as fases ou gerações do webjornalismo em três. "Na primeira, dominam os sítios que publicam material editorial produzido, em primeira mão, para as edições em outros meios" (apud MIELNICZUC, 2003, p.46). Nesta fase, os critérios de apuração, enquadramento e periodicidade continuam iguais aos de um jornal impresso. Na segunda fase, há uma preocupação dos sites quanto à produção de conteúdo original e inovação nos aspectos gráficos. São características dessa fase a utilização do hipertexto, as ferramentas de busca e as enquetes criadas por cada site. Por último, a terceira fase que está emergindo caracteriza-se pela criação de projetos gráficos originais desenvolvidos especificamente para a web. A mudança no paradigma da periodicidade é fundamental: os sites passam a se preocupar com a atualização contínua em intervalos de tempo reduzidos. Percebe-se que a preocupação no jornalismo on-line, nas três fases citadas, é mais quanto à forma do que com o conteúdo. Sebastião Squirra (1998) concorda que o jornalismo on-line está em fase experimental e que muitas empresas jornalísticas migraram para o cenário cibernético apenas reproduzindo notícias impressas e televisivas, sem preocupar-se com as características do jornalismo on-line. Segundo o autor, "o mundo on-line tem sua própria forma de ser" (idem, p. 69-70). Uma forma, sem dúvida, ainda em desenvolvimento. AS FONTES NO JORNALISMO ON-LINE Comparado ao jornalismo tradicional de jornal, rádio e televisão, o jornalismo on-line apresenta diferenças marcantes como a possibilidade de armazenamento de informações, espaço ilimitado e velocidade em tempo real, ao mesmo tempo em que conserva semelhanças como a busca por fontes, os " furos " de reportagem, a pauta do dia. Para compreender as características da produção on-line dos dois portais locais de Campo Grande, é necessário analisar alguns aspectos relacionados às fontes. São elas que garantem a qualidade da informação e dão credibilidade ao que o jornalista escreve. Para Nilson Lage (2002, pp. 25-26), as fontes podem ser classificadas como: oficiais, oficiosas e independentes. As fontes oficiais são aquelas mantidas pelo Estado e por instituições que preservam algum poder de Estado. As oficiosas são reconhecidamente ligadas a uma entidade ou indivíduo, porém não autorizadas a falar em nome dela. As fontes independentes, na terminologia de Lage, são aquelas desvinculadas de uma relação de poder ou interesse mais abrangente em cada caso, como por exemplo, moradores de bairro, proprietários de lojas, etc. Além das três classificações sugeridas por Lage, podem-se acrescentar mais duas categorias para a classificação das fontes, que são constantes nos jornais on-line. Uma delas é a utilização como fonte de outros veículos de comunicação e informação disponíveis na Internet. Sérgio Denicoli dos Santos (2005), ao estudar as fontes do jornal impresso português Público, concluiu que das 350 notícias, 48 tinham como fonte principal a Internet, notícias que já estavam disponíveis on-line. Segundo Santos, "isso mostra a importância que os jornalistas passaram a dar à Internet". A outra categoria inclui as fontes não-específicas, que aparecem em notícias em que não há atribuição clara à fonte de informação. Pode-se supor, por exemplo, que a notícia tenha vindo de um press release distribuído por assessorias de imprensa que não especifica o responsável por aqueles dados. As fontes possuem valores distintos e variáveis. Para o autor norte-americano Herbert Gans (apud WOLF, 1999, p.224), os jornalistas observam os seguintes aspectos na escolha da fonte: a) a oportunidade antecipadamente revelada; b) a produtividade (significa a prevalência de fontes institucionais, por fornecerem material suficiente para fazer a notícia); c) a credibilidade; d) a garantia; e e) a respeitabilidade. Segundo Gans, as fontes oficiais são as mais utilizadas pelos jornalistas por disponibilizarem informações completas e darem crédito à notícia. Neste estudo, a análise de conteúdo das fontes indicará as mais recorrentes, permitindo o desenvolvimento de hipóteses sobre a cobertura local, como por exemplo, a prevalência de fontes oficiais nas notícias dos dois portais. METODOLOGIA Este estudo sobre as fontes no jornalismo on-line de portal utiliza como metodologia de pesquisa a Análise de Conteúdo na tentativa de esclarecer algumas questões sobre a utilização de fontes nos portais regionais de informação www.midiamaxnews.com.br e www.campograndenews.com.br, de Campo Grande, MS. A análise de conteúdo visa à descrição sistemática, objetiva e quantitativa do conteúdo manifesto da comunicação (BAUER, 2000, p.189-217). É utilizada em comparações que revelam diferenças observadas na cobertura do conteúdo de diferentes jornais e também na construção de índices, como por exemplo, os apresentados neste estudo sobre a quantidade de fontes feitas pelos sites. A escolha dos portais locais Campograndenews e Midiamaxnews justifica-se por serem empresas independentes: não pertencem a nenhum grupo de comunicação já existente em Campo Grande e têm equipes próprias para apuração das notícias. Por essa razão, foi excluído da análise o site RMTonline, que funciona na mesma redação da emissora "TV Morena", filiada à Rede Globo. Para a realização da pesquisa foram coletadas, por ordem de atualização, todas as reportagens da editoria de geral dos dois portais regionais, pelo período de uma semana entre as 6h da manhã às 24h, pois é nesse horário que há um maior fluxo de informações recolhidas pelos sites e apuradas por equipes de reportagem na rua. Para isso, foi criada uma semana artificial como estratégia de amostra para publicações regulares proposta por Bauer e Gaskell (2000, pp.189- 217). Segundo estes autores, "as datas do calendário são um referencial de amostragem confiável, de onde se pode extrair uma amostra estritamente aleatória". Os sete dias foram selecionados entre 01 de Agosto e 18 de Setembro de 2005 da seguinte forma: a segunda-feira do dia 01/08, a terça-feira do dia 09/08, a quarta-feira do dia 17/08, a quinta-feira do dia 25/08, a sexta-feira do dia 02/09, o sábado do dia 10/09 e o domingo do dia 18/09. Dessa semana, foram escolhidos apenas três dias (segunda, quarta e sexta) para análise, devido ao grande volume de notícias coletadas: 652 no total. Os dois sites combinados publicaram no período proposto (segunda, quarta e sexta) 315 notícias de geral (local e regional) das 6h da manhã às 24h, sendo que o site Campograndenews publicou 59 notícias a mais que o Midiamaxnews. Na segunda-feira (01/08/2005), foram publicadas pelos dois sites 89 notícias, sendo que o portal Midiamaxnews publicou 31 notícias e o Campograndenews 58. Já na quarta-feira (17/08/2005) a publicação total foi de 110 notícias, Midiamaxnews com 46 notícias e o Campograndenews 64. Na sexta-feira, último dia da amostra, foram publicadas 117 notícias, 51 do portal Midiamaxnews e 66 do site Campograndenews. O material coletado foi analisado segundo a variedade de fontes. A variedade de fontes utilizadas foi computada, seguindo a sistematização proposta por Nilson Lage (2002, pp. 25-26). Segundo Lage, as fontes podem ser classificadas como: oficiais (aquelas mantidas pelo Estado, por instituições que preservam algum poder de Estado); oficiosas (aquelas reconhecidamente ligadas a uma entidade ou indivíduo, porém não autorizadas a falar em nome dela ou dele; e as independentes (aquelas desvinculadas de uma relação de poder, como por exemplo, moradores de bairro ou proprietários de loja citados como fonte). Além das três classificações de Lage, foram acrescentadas mais duas categorias: fontes não-específicas (aquelas em que não é possível identificar a fonte de informação de forma clara) e, por último, os próprios veículos de comunicação ou a Internet utilizados como fonte. CAMPOGRANDENEWS O portal regional Campograndenews surgiu em Campo Grande na mesma época em que os portais começaram a aparecer no Brasil; em 4 de março de 1999, o site disponibilizou as primeiras notícias. O jornalista Lucimar Couto e seu colega Miro Ceolim, que era dono de um provedor, tiveram a idéia de trabalhar com jornalismo online. Segundo Lucimar Couto (2005), o projeto era ousado, pois via a Internet como um veículo caro e de pouco acesso às pessoas e não acreditava que o site sobreviveria por muito tempo. Quando a Internet surgiu, os grandes veículos de comunicação ficaram temerosos quanto às novas potencialidades oferecidas pela rede e passaram a disponibilizar seus conteúdos impresso e televisivo nos sites. Já o portal Campograndenews surgiu como empresa independente de outros veículos de comunicação; a produção de conteúdos foi desenvolvida diretamente para o jornalismo online. Seis anos depois de sua fundação, a redação do Campograndenews aumentou de um para 17 jornalistas, trabalham no site dois chefes de redação e o próprio Lucimar é o editor responsável pelas publicações. Ao mesmo tempo, as agências de publicidade passaram a investir nesse novo veículo, cuja audiência vem crescendo. Um exemplo desse crescimento são os números de acesso que o site recebe diariamente. Segundo Couto, em julho de 2005, 266.297.857 pessoas acessaram o portal. No dia 29 de setembro de 2005 foram contabilizados 1.558.160 acessos, mas esse número engloba todas as vezes que um mesmo computador atualizou a página. Nesse dia, os acessos vieram de 23.356 computadores – um número relevante se comparado à tiragem do maior jornal impresso de Mato Grosso do Sul, o Correio do Estado, que varia de 18 a 20 mil exemplares por dia. Os acessos são feitos, em grande parte, por pessoas que moram no Estado de Mato Grosso do Sul, reforçando a idéia da proximidade como relevante para o leitor; mas são registrados também acessos provenientes da Itália, Estados Unidos e Japão. Segundo Lucimar Couto, as pessoas que já moraram no Estado ou conhecem pessoas que vivem na região acessam as notícias locais, como é o caso de um ex-morador de Três Lagoas que hoje vive na Itália. O portal regional veicula notícias em oito editorias (Política, Economia, Esporte, Geral, Cultura, Turismo, Agropecuária, Eventos), mas de acordo com Couto a editoria mais visitada e com maior número de notícias é a geral. As notícias do Campograndenews são atualizadas constantemente durante as 24 horas do dia. Couto explica que a atualização é uma ferramenta do jornalismo on-line que deve ser utilizada em "tempo real", pois um jornal on-line com atualizações de hora em hora "não teria sentido", o interessante é acompanhar os acontecimentos de um fato, como por exemplo, um incêndio, ou um acidente. E para que os jornalistas do site acompanhem as principais notícias da capital e do interior utilizam, na maioria das vezes, o contato por telefone com as fontes, as equipes que estão na rua também passam as informações por telefone aos jornalistas que ficam de plantão na redação. A localização do Campograndenews contribui para o deslocamento das equipes, pois a redação fica na principal Avenida da Capital, a Afonso Pena. MIDIAMAXNEWS O site Midiamaxnews surgiu em Campo Grande a partir da evolução de painéis eletrônicos que se transformou em um canal de notícias. Em 2000, a empresa Midiamax trabalhava com painéis eletrônicos, distribuídos em algumas ruas da Capital, que veiculavam propaganda. Os empresários perceberam o potencial de mídia e encomendaram uma pesquisa à Universidade Federal de Mato Grosso do Sul questionando a população sobre o conteúdo que gostariam de ver no painel. A maioria dos entrevistados respondeu que gostaria de ler notícias. De acordo com Carlos Naegale (2005), proprietário do site Midiamaxnews, a primeira tentativa de desenvolvimento do projeto foi firmar parcerias com os jornais diários Folha do Povo e Correio do Estado para reprodução de notícias. Posteriormente a empresa passou a captar notícias de vários veículos e, em 2001, Carlos Naegale percebeu que poderia contratar jornalistas para apurar as notícias e disponibilizá-las nos painéis. Como a Internet era um veículo de comunicação que estava em expansão, Carlos Naegale e seus sócios analisaram a possibilidade de publicarem as notícias também na Internet. No dia 16 de maio de 2002, entrou no ar o portal Midiamaxnews com atualizações de notícias das 6h às 22h30. A equipe era composta por cinco repórteres, três de manhã e dois à tarde, além de dois estagiários. Como era um ano eleitoral, Naegale percebeu que o acesso ao site era constante e crescia rapidamente. Em abril de 2003, a equipe já era formada por 20 pessoas: um motorista, um fotógrafo, uma estagiária, treze jornalistas, um editor-chefe, uma editora-assistente, um editor de política e uma editora de cultura. Todos os editores trabalham em tempo integral e hoje as notícias são atualizadas várias vezes durante as 24 horas do dia. Segundo o proprietário do Midiamax, de junho de 2004 a 30 de setembro de 2005 a audiência cresceu 400%, sendo que 65 mil pessoas estão cadastradas para receber notícias diariamente. "A minha audiência diária, número de visitas, essas coisas a gente não divulga porque é um dado muito importante quando um grande anunciante vai decidir alocar sua mídia" (NAEGALE, 2005). A editoria mais visitada de acordo com o editor-chefe do Midiamax, Daniel Pedra (2005) é a de Geral, seguida de Política, Polícia e Economia. Segundo Daniel Pedra, o site procura cobrir o que é de interesse do leitor, incluindo as notícias que são mais importantes. Para cumprir a folha de pagamento de tantos profissionais, o site conta com a venda de anúncios publicitários como fonte de renda. A Midiamax é uma empresa de jornalismo e hoje os painéis funcionam como extensão do site, publicam as notícias apuradas pelo portal e também as propagandas dos anunciantes. Depois da folha de pagamento, o gasto mais alto do site é com telefone, sendo que o valor mensal ultrapassa seis mil reais. Segundo Naegale, a apuração das notícias no jornalismo online é em grande parte feita por telefone. ANÁLISE DOS RESULTADOS - FONTES As fontes foram classificadas em cinco categorias: oficiais, oficiosas, independentes, não-específicas e os próprios veículos de comunicação ou a Internet utilizados como fonte. Foram analisadas as fontes em 128 notícias do site Midiamaxnews e 187 do site Campograndenews (Tabela 1). Não foi possível precisar o motivo da diferença no número de notícias dos sites durante o período analisado, mas sabe-se que ambos empregam quantidade similar de jornalistas desempenhando as mesmas funções, conforme informa o capítulo sobre os perfis das empresas. A tabela abaixo representa a análise das fontes dos dois sites:
As fontes oficiais predominaram em ambos os sites por larga margem, 60,9% no site Midiamaxnews e 64,1% no Campograndenews. Nos dias analisados, a primeira notícia da manhã, em ambos os sites, referia-se ao funcionamento do Aeroporto Internacional de Campo Grande e a fonte é a Infraero, considerada neste estudo uma fonte oficial. No dia 01/08/2005, às seis horas da manhã, o site Campograndenews publicou a seguinte nota: 06:00 - Sem restrições no aeroporto de Campo Grande nesta manhã (01/08/2005) Malu Prado O Aeroporto Internacional de Campo Grande está operando normalmente na manhã desta segunda-feira, sem restrições para pousos e decolagens. Conforme as informações da Infraero (Empresa Brasileira de Infra-Estrutura Aeroportuária), não há registros de cancelamento ou atraso nos vôos da madrugada de hoje. Na mesma data, o site Midiamaxnews publicou - 31 minutos depois - uma notícia similar e com a mesma fonte: 06:31 - Aeroporto opera sem restrições para pousos e decolagens (01/08/2005) Luciene Câmara O Aeroporto Internacional de Campo Grande opera normalmente na manhã desta segunda-feira. Conforme a Infraero, não há restrições para pousos e decolagens. Nesta parte do trabalho estão classificadas apenas as fontes oficiais que mais apareceram nos sites. No Midiamaxnews, as principais fontes oficiais foram: INFRAERO - Empresa Brasileira de Infra-estrutura aeroportuária, INMET- Instituto Nacinal de Meteorologia, INSS – Instituto Nacional de Seguridade Social, PRF – Polícia Rodoviária Federal, Polícia Federal, Prefeitura de Campo Grande, Cemtec/MS - Centro Tecnológico do Tempo de Mato Grosso do Sul, SAMU – Serviço de Atendimento Móvel de Urgências, IAGRO- Agência Estadual de Defesa Animal e Vegetal, Governo do Estado, Corpo de Bombeiros, Prefeitura de Corumbá, Secretário Estadual de Cultura/Silvio Nucci, Presidente do Sindicato Rural de Dourados/Gino Ferreira, FUNASA – Fundação Nacional de Saúde e Controladoria Geral da União. Dessas, as que mais apareceram foram: Corpo de Bombeiros, Governo do Estado, Infraero, INMET – Instituto Nacional de Meteorologia, INSS - Instituto Nacional de Seguridade Social e Prefeitura de Campo Grande. No site Campograndenews, as fontes oficiais mais recorrentes foram: Governo do Estado, Assessoria UFMS – Universidade Federal de Mato Grosso do Sul, PRF - – Polícia Rodoviária Federal, Prefeitura de Campo Grande, Corpo de Bombeiros, Caixa Econômica Federal, Diário Oficial do Estado, Polícia Civil, Procurador da República em Dourados, Charles Pessoa, GARRAS – Grupo Armado de Repressão a Roubos Assaltos e Seqüestros, INFRAERO - Empresa Brasileira de Infra-estrutura aeroportuária, INMET – Instituto Nacional de Meteorologia, Cemtec/MS - Centro Tecnológico do Tempo de Mato Grosso do Sul, TRT – Tribunal Regional do Trabalho, Base Aérea de Campo Grande, DOF - Departamento de Operações de Fronteira, Assessoria FUNASA - Fundação Nacional de Saúde, DETRAN – Departamento de Trânsito de Mato Grosso do Sul, Governo Federal, INSS – Instituto Nacional de Seguridade Social, Secretário Estadual do Meio Ambiente, José Elias Moreira, Sesi, IBGE – Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística e Polícia Militar. Dessas, as que apareceram mais vezes foram: Governo do Estado, Assessoria de Imprensa da UFMS- Universidade Federal de Mato Grosso do Sul, PRF – Polícia Rodoviária Federal, Prefeitura de Campo Grande, Corpo de Bombeiros, Caixa Econômica Federal, Diário Oficial do Estado e Polícia Civil. Comparando ambos os sites, destacam-se três fontes: Governo do Estado, Prefeitura de Campo Grande e Corpo de Bombeiros (Tabela 2). No Midiamaxnews a fonte Governo do Estado apareceu três vezes, a Prefeitura de Campo Grande apareceu duas vezes e o Corpo de Bombeiros registrou cinco ocorrências. O Campograndenews apresentou como fonte o Governo do Estado em seis notícias, a Prefeitura de Campo Grande apareceu cinco vezes e o Corpo de Bombeiros nove vezes. Percebe-se que ambos os sites procuraram os órgãos oficiais de governo, prefeitura e outros para se pautarem.
No site Midiamaxnews, o segundo tipo de fonte mais citada foi a oficiosa com um percentual de 14,8%, destacando-se deputados estaduais, federais e assessores. Do total de 19 fontes oficiosas, cinco estão relacionadas a políticos. O deputado estadual Semy Ferraz do PT apareceu três vezes em notícias classificadas na categoria de temas Outros e Serviços; o deputado federal Geraldo Rezende do PPS-MS apareceu uma vez citado em notícia Nacional, e o assessor parlamentar do deputado estadual Ary Rigo do PDT foi citado uma vez em notícia sobre Denúncias e Corrupção. Em terceiro lugar, registrou-se a presença de fontes não-específicas (10,9%). A hipótese é que essas notícias foram enviadas por assessorias de imprensa e, conseqüentemente, não tiveram sua fonte revelada. A quarta fonte mais utilizada pelo Midiamaxnews com 8,5% das notícias foram outros veículos de comunicação, 11 no total de 128 notícias. O site Perfilnews (2) , que veicula informações da cidade de Três Lagoas (MS), foi citado duas vezes, o site da Folha de São Paulo (3) também apareceu duas vezes com informações nacionais e o site Douradosagora da cidade de Dourados (4) (MS) foi citado três vezes. Por último, as fontes independentes foram as que receberam menor atenção no noticiário. Desvinculadas de uma relação de poder, estas fontes são constituídas por pessoas comuns como moradores de bairros ou proprietários de pequenos negócios. No Midiamaxnews as fontes independentes apareceram seis vezes totalizando 4,6%. A notícia abaixo exemplifica a utilização de uma fonte independente: a dona do restaurante Mais Sabor informa sobre as conseqüências de um incêndio ocorrido no seu estabelecimento. 15:07 - Fogo em restaurante não causou prejuízo, diz gerente (02/09/2005) Daniel Pedra A gerente do restaurante Mais Sabor, Tânia Mateus, informou agora há pouco ao Midiamax que o incêndio comunicado na manhã de hoje pelo Corpo de Bombeiros não causou prejuízos ao estabelecimento localizado no cruzamento das avenidas Ceará e Joaquim Murtinho, em Campo Grande. Conforme ela, pegou fogo apenas em parte da madeira do depósito, o que acionou o alarme contra-incêndio. Ela disse que o restaurante funcionou normalmente na hora do almoço e que o incidente não provocou o comprometimento do atendimento no local. Tânia Mateus também fez questão de ressaltar que não procede a informação de que o forno a lenha, que fica aceso 24 horas, tenha sido totalmente destruído pelo fogo. No Campograndenews, a segunda fonte mais citada foram outros veículos de informação por meio de seus sites nacionais ou regionais. Das 187 notícias analisadas no período, 30 citaram outros sites de comunicação como fonte, o equivalente a 16%. O site Corumbaonline de Corumbá (5) (MS), que veicula notícias específicas da cidade, foi citado 11 vezes, e a Agência Popular de Notícias (6) de Campo Grande, que informa sobre questões do governo do Estado, foi citada em três notícias. Dois sites de Dourados apareceram na pesquisa, quatro vezes o site Douradosnews (7) e duas vezes o site Douradosagora. O site Perfilnews de Três Lagoas apareceu duas vezes. O site Campograndenews utilizou um grande número de sites, jornais impressos, televisivos e radiofônicos como fonte, mas o destaque foi para a mídia online: muitos sites de notícia serviram de fonte de informação. A seguinte notícia é um exemplo: 07:46 - Índia encontrada enforcada pode ter sido assassinada (17/08/2005) Inara Silva A menina índia de 14 anos encontrada enforcada ontem nos fundos da empresa Mudas MS, em Dourados, no Sul do Estado, pode ter sido assassinada. O IML (Instituto Médico Legal) do município, que fez o exame de necrópsia no corpo, informou que o exame mostra que ela teria sofrido violência sexual. O delegado responsável pelas investigações Sandro Márcio Pereira disse que a índia pode ter sido violentada, depois estrangulada e em seguida pendurada na árvore. Testemunhas disseram ter visto a menor de camiseta e short horas antes do ocorrido, e não com a roupa que ela foi encontrada. As informações são do site Dourados News (grifo da pesquisadora). As fontes oficiosas representaram 8,5% do total do noticiário do site Campograndenews, ficando em terceiro lugar. Três presidentes de sindicatos rurais de municípios no interior de Mato Grosso do Sul serviram de fonte oficiosa para o noticiário online. O presidente do Sindicato Rural de Dourados, Gino José Ferreira, foi citado em duas notícias sobre Protestos e Greve, os de Caarapó e Douradina, uma vez cada também em notícias sobre Protestos e Greve. O deputado estadual Semy Ferraz do PT apareceu duas vezes e o deputado Valdenir Machado do PTB uma vez em notícias referentes a Denúncias e Corrupção. Um boletim médico foi utilizado como fonte em duas notícias sobre Saúde. A presidente do Sindicato Nacional dos Técnicos da Receita Federal, Iliana Maria Oliveira, também prestou informações em notícia relacionada ao tema Protestos e Greve. A quarta fonte mais utilizada pelo Campograndenews foram as não- específicas, com percentual de 7,4% das ocorrências. E, por último, as fontes independentes registraram um percentual de 3,7% no Campograndenews. No exemplo abaixo, classificado como produto de fonte independente, resultado de enquete com a opinião dos internautas é publicada como notícia. 09:42 - Internauta não acredita em punição pela CPI dos Correios (01/08/2005) Thaísa Bueno Os internautas do Campo Grande News não acreditam que a CPI que investiga o esquema de corrupção envolvendo a empresa de Correios e Telégrafos vá punir algum envolvido. Em resposta a enquête do site, que perguntava se você acredita na punição de alguém pela CPI dos Correios? 60% dos que responderam ao questionamento disseram que não acreditam na punição, ou seja, 270 pessoas duvidam da eficiência do trabalho dos parlamentares. Já os demais internautas que participaram da pesquisa, 40%, ou seja, 180 pessoas, defendem que a CPI não vai "acabar em pizza" e que os envolvidos serão punidos. Esta semana a pergunta da enquête quer saber se uma guinada do PT rumo à esquerda ajudaria o partido a resgatar a imagem junto à opinião pública. A análise das fontes mais recorrentes em ambos os sites indicam a forte relação existente entre jornalistas do Campograndenews e do Midiamaxnews e os órgãos governamentais. O estudo sugere que há uma preferência pelas fontes oficiais, seguidas pelas oficiosas. Tais fontes podem ser facilmente contatadas por telefone sem que os repórteres deixem as redações on-line. As fontes independentes registraram o menor índice de ocorrências nos dois sites, sugerindo que pessoas comuns pouco contribuíram para o noticiário no período analisado.
CONSIDERAÇÕES FINAIS A análise dos resultados contou com o suporte teórico sobre fontes proposto por Nilson Lage (2002), de acordo com o pesquisador existem três tipos de fontes: oficial, oficiosa e independente, porém foi encontrado nas notícias mais dois tipos de fontes: as não-específicas e outros veículos de comunicação. A análise das 315 notícias dos sites em questão (128 notícias do Midiamaxnews e 187 notícias do Campograndenews) mostrou que 60,9% das notícias do Midiamaxnews e 64,1% das notícias do Campograndenews utilizaram fontes oficiais, ou seja, órgãos do governo e prefeitura. A presença de fontes independentes foi mínima. Um dado interessante e preocupante foi a utilização de outros veículos de informação como fonte, prática comum no jornalismo on-line estabelecida pela cópia de conteúdos de um portal para o outro. As características detectadas por este estudo revelam que os veículos on-line regionais têm um longo caminho a percorrer no que tange à qualidade da informação oferecida ao leitor. Os dois veículos estudados aqui desenvolveram um modelo precário que esbarra em várias dificuldades operacionais e de produção que se refletem no produto final. A concentração em poucas fontes oferecidas aponta a necessidade de um maior conhecimento do que verdadeiramente interessa ao leitor de informações nos sites de Mato Grosso do Sul bem como uma compreensão mais abrangente do funcionamento das redações on-line. A predominância de fontes oficiais, ou seja, a consulta freqüente de assessorias de impressa, uso de press releases reforça a idéia de que o jornalismo on-line está carente de um trabalho jornalístico que se paute pela busca da notícia nos vários setores da sociedade e não apenas na consulta do Corpo de Bombeiros, Prefeitura e Governo. Esse constante agendamento é chamado por Francisco Sant'Anna (2006) de "Mídia das Fontes". O pesquisador explica que há uma inversão dos papéis na difusão de informação onde as fontes passam a ser difusoras de conteúdo. "As fontes não se limitaram a tentar intervir sobre a agenda da imprensa tradicional e partiram para difundir, elas mesmas, diretamente à opinião pública, constituindo para tanto seus meios de comunicação, as Mídias das Fontes" (2006, p. 25). Esta pesquisa teve como objetivo despertar idéias de como o jornalismo on-line poderá no futuro ser menos passivo e mais relevante para o público repensando conceitos básicos sobre jornalismo, como a busca pela notícia. REFERÊNCIAS
[ 1] www.jb.com.br [2] http://www.perfilnews.com.br [ 3] http://www.folha.uol.com.br [ 4] http://www.douradosagora.com.br [ 5] http://www.corumbaonline.com.br [ 6] http://www.apn.ms.gov.br [ 7] http://www.douradosnews.com.br |
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