Palavras chave:educaçãointeratividade cibercultura aprendizagem TIC |
Autor(-a/s):Isabel Andréa Barreiro PintoAlexandra Cristina Moreira Caetano Maristela Midlej de Silva Araujo |
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Resumo:O texto trata da importância das tecnologias digitais como potencializadoras da interatividade no universo on-line, onde a produção coletiva e a escrita colaborativa são o grande trunfo para a construção da aprendizagem. O próprio texto é produto de uma construção coletiva e colaborativa de alunos que estão realizando um curso on-line, onde os participantes encontram-se nas mais diversas regiões do Brasil em diferentes estados. Os partiicipantes realizam o curso exclusivamente online e toda produção ocorrida se dá através das interfaces: fórum e e-mail, a inferface síncrona chat não foi utilizada para esse fim. |
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Texto da comunicação:
INTRODUÇÃO A produção colaborativa on-line do conhecimento torna-se possível atualmente em virtude não apenas do desenvolvimento das tecnologias digitais, mas especialmente pela interatividade característica da utilização destas em situações de ensino-aprendizagem. Mesmo que as tecnologias digitais, apesar de permitirem a interatividade, não sejam utilizadas de modo interativo, observa-se atualmente um movimento a favor de sua promoção, estimulando a rede de conexões no ciberespaço. Pastre Oliveira (2004) lembra que em todo o mundo as pessoas se comunicam por meio de conexões a fontes remotas de dados, que estão conectadas às memórias de bancos de dados dispersas geograficamente. A comunicação entre pessoas é feita por meio de envio de mensagens, participação de congressos, seminários ou similares, interação em ambientes virtuais, participação em competições virtuais, ou mesmo enquanto estudam, trabalham, em tempos e espaços diferentes, de forma síncrona e/ou assíncrona. É nesta rede de conexões que o ser humano interage e recria seu espaço, utilizando-se da combinação de tecnologias de informação e comunicação. Oliveira arremata afirmando que a utilização desta infra-estrutura comunicacional e informacional, leva o homem a aderir e a completar o mapa ciberespacial. Na Educação a distância, na modalidade on-line, a presença das interfaces permite a colaboração. Estas interfaces integram os ambientes virtuais de aprendizagem - os AVAs e possuem ferramentas que possibilitam a produção por meio de questionamentos e respostas, das mensagens trocadas pelos fóruns, chats, listas de discussão, ou seja, pelo uso constante e interativo de interfaces síncronas e assíncronas. Em EAD, evidencia-se a correlação entre a colaboração, a produção e o compartilhamento do conhecimento tácito e explícito. Ou seja, ao contrário do que alguns pensam, a produção do conhecimento nestes cursos deve basear-se, prioritariamente, na interação entre os conhecimentos dos alunos e professores e não no estudo, predominantemente, individualizado e unidirecional (professor como emissor e aluno como receptor). (SOUZA e BURNHAM, 2005, p.70) A colaboração e conseqüentemente produção colaborativa se dão por meio da interação de professor, alunos, conhecimentos adquiridos, conhecimentos compartilhados por meio do uso das ferramentas disponíveis no AVA. Desenvolve-se um processo de co-autoria, seguindo a dialógica da comunicação bidirecional, na qual professor e alunos lado a lado disponibilizam conhecimentos que são (re)construídos a cada intervenção. É um processo que envolve múltiplas interações no sentido de entender o que o outro sugere, refletir, propor desafios e construir respostas colaborativamente. É muito impressionante ver um trabalho tão grande que surge sem que haja reunião presencial e que funciona como se houvesse. As trocas de idéias, as discordâncias e, depois, concordâncias, utilizam-se do virtual para virem à "baila", fato que exige esforço pessoal e empenho colaborativo de cada um dos membros envolvidos.(PRATA-LINHARES, 2004,s/p.) O aumento da demanda por educação a distância impulsionou o desenvolvimento deste novo estilo de escrita. Resultante da interatividade proposta pelas atividades, a produção colaborativa pode ser vista tanto como um recurso como uma conseqüência da própria relação estabelecida entre os alunos destes cursos. A produção colaborativa de um texto é um passo importante para a disseminação da cooperação na internet. Uma vez que o indivíduo aprende a criar um texto coletivamente, saberá também participar, interagindo com outros usuários na criação de quaisquer outras atividades presenciais ou a distância. Percebe-se, neste momento, um senso de colaboração, que é demonstrado através da tomada de decisões e o respeito pelo outro, mesmo nas suas diferenças. A percepção colaborativa do usuário está diretamente ligada a participação em socializar as suas idéias a um tema específico, e indiretamente induz a uma pesquisa individual ou uma auto-reflexão destas idéias. Souza e Burnham (2005, p.79) afirmam que "o movimento para criação do conhecimento é caracterizada pelo incentivo à postura colaborativa, por parte dos alunos e professores, durante o processo de criação e compartilhamento do conhecimento". É no modelo de comunicação todos-todos baseado na comunicação bidirecional e na interatividade presente nestas comunicações que prevalece o estímulo e o incentivo à produção colaborativa. Okada (2003), pautada em autores como Chritiansen e Dirckinck-Homfeld (1995) e Palloff e Pratt (1999), apontam que, ao trabalharem colaborativamente e interagirem, os aprendizes constroem conhecimento de modo mais significativo, desenvolvem habilidades intra e interpessoais, passam da condição de independentes para serem interdependentes. O conhecimento é, então, construído conjuntamente, ou seja, co-construído, porque existe interatividade. Nos espaços que permitem essa construção colaborativa, todos podem participar e intervir no processo através da criação e reconstrução das mensagens, dos trechos que estão compondo um texto, tornando-se todos co-autores, podendo selecionar, combinar e permutar estas informações, além de produzir outras narrativas. Através desta participação, o usuário contribui com a Inteligência Coletiva, conceito amplamente discutido por Lévy, agregando elementos e pontos de vista variados a determinada temática. Assim mais uma vez exercitamos a passagem do modelo um-todos, comum nos compêndios/enciclopédias para o modelo todos-todos, formando co-autores nesse processo coletivo. Além de ressaltar sua importância no desenvolvimento de competências que geram a inclusão, como podemos ver no trecho: Quanto mais os processos de inteligência coletiva se desenvolvem [...], melhor a apropriação, por indivíduos e por grupos, das alterações técnicas, e menores são os efeitos de exclusão ou de destruição humana resultantes da aceleração do movimento tecno-social.(LÉVY, 1999, p.29) É preciso absorver as transformações contínuas da sociedade da informação para acompanhar as possibilidades tecnológicas que nos permitem fazer parte da obra, inserindo-nos em seu contexto, a hibridação traz a idéia de fusão, de intervenção na mensagem do outro, de co-criação, de modificação. É preciso derrubar as fronteiras entre autor/leitor, emissor/receptor na medida em que é através da interatividade e da intervenção que as mensagens vão se formando, se modificando a cada novo contato com o outro. O conhecimento tácito de cada um, produto individual e internalizado de vivências, leituras e reflexões, se enriquece e se modifica a cada possibilidade de troca com o outro e com os muitos registros do conhecimento explícito. É da ação coletiva que surge a escrita colaborativa, ação e reflexão de muitos autores que por meio da interatividade colocam sua criatividade e conhecimento em favor da construção de saberes não antes imaginada. A INTERATIVIDADE NA PRODUÇÃO COLABORATIVA A construção colaborativa de Pallof e Pratt, (2002, p.141) entendida sob a perspectiva de "quando os alunos trabalham em conjunto, isto é, colaborativamente, produzem um conhecimento mais profundo e, ao mesmo tempo, deixam de ser independentes para se tornarem interdependentes", justifica a construção deste texto, onde pessoas diferentes com opiniões diferentes, direcionadas para o objetivo de escrever como funciona este tipo de escrita se viram motivadas a produzi-lo. Portanto este foi elaborado colaborativamente a partir de proposta apresentada em um dos fóruns do curso "Sala de Aula Interativa", oferecido pelo SENAC-SP (Brasil), elaborado e realizado pelo Prof. Marco Silva, autor da obra "Sala de Aula Interativa"(2002)- Rio de Janeiro: Editora Quartet. Trata-se de um curso de extensão ministrado totalmente a distância. O programa visa oferecer condições aos educadores para que se discuta o conceito de interatividade, oriundo da comunicação. E a partir de seus fundamentos propor uma mudança paradigmática nas relações de sala de aula, sejam elas presenciais ou on-line, uma vez que estes suscitam outras práticas pedagógicas, e que o autor ao trazer tal discussão para a área da educação chega a denominar Pedagogia Interativa. O desenvolvimento de cursos on-line interativos exige mudanças de atitude e postura, tanto por parte dos alunos quanto dos professores. A interatividade proposta para estudo é transportada para o interior da sala de aula virtual, impondo uma dinâmica de análise de informações e produção de saberes que encontra na produção colaborativa apoio para a comunicação bidirecional que se faz necessária neste exercício da interação. Impulsionados pela proposta e pela dinâmica do professor/tutor, o curso tem a maior parte das atividades realizadas envolvendo escrita colaborativa. Esta produção se realiza por meio de troca de mensagens, das respostas aos questionamentos, das réplicas, das discussões e provocações sobre o conhecimento vai sendo elaborado a partir das informações trabalhadas. Oportuniza a interação entre o sujeito e o objeto de estudo, esta interação poderá levar a aprendizagem. Vale citar que o caráter democrático deste espaço de produção, supõe atitudes de respeito à opinião do outro, neste sentido anula-se a lógica do mercado de "vença o melhor", para o ideal do "todos juntos" na construção do conhecimento. (WIKI, 2006) Para criar a partilha de conhecimentos é essencial propor lugares específicos para gerir, estruturar e focalizar essas trocas. Os ambientes virtuais de aprendizagem disponibilizam interfaces síncronas e assíncronas que tornam possível a construção colaborativa nos cursos a distância. Esses dois tipos de interfaces têm exigências diferentes, tanto no que diz respeito aos suportes tecnológicos empregados quanto à disponibilidade dos interlocutores. Assim, a comunicação síncrona recorrerá a modalidade de troca tais como nos chats, com a exigência de que os interlocutores estejam conectados no mesmo momento. Ao contrário, a comunicação assíncrona, potencializada pelo correio eletrônico ou pelos fóruns de discussão permite aos interlocutores trocar mensagens sem estar conectados no mesmo momento. Há diversas vantagens para o uso pedagógico das interfaces síncronas e assíncronas, entre elas, podemos elencar:
Apesar das interfaces síncronas, como o caso dos chats, serem eficazes na promoção da interação dos participantes dos cursos, são as interfaces assíncronas as responsáveis pela verdadeira produção colaborativa, pois é no registro de cada participante que se observa os fragmentos tornarem-se um todo. A utilização destas interfaces tem como efeito imediato abrir oportunidades das pessoas fazerem parte de grupos virtuais, que por sua vez formam verdadeiras comunidades de aprendizagem e são constituídas em função das interações sociais. O sentimento de pertencimento de um grupo ou comunidade de aprendizagem reforça a motivação e o entrosamento dos participantes necessários à produção colaborativa. Os principais recursos utilizados nas atividades inerentes ao curso "Sala de Aula Interativa" são os existentes no próprio ambiente de aprendizagem. Neste caso a plataforma utilizada é o Blakboard e as interfaces assíncronas utilizadas para a produção são especialmente os fóruns e a troca de e-mails entre os alunos. Utiliza-se também a plataforma Breeze, para a realização de chats. A interatividade é fundamental na construção colaborativa. E sobre interação pode-se reportar a Kenski Interagir com as informações e com as pessoas para aprender é fundamental. Os dados encontrados livremente na internet transformam-se em informações pela ótica, pelo interesse e pela necessidade com o que o usuário os acessa e os considera. Para a transformação das informações em conhecimentos é preciso um trabalho processual de interação, reflexão, discussão, crítica e ponderações que é mais facilmente conduzido quando partilhado com outras pessoas.(KENSKI, apud, AMARAL et al, 2006,p.5) A interação é importante, pois como o texto é construído a partir das colocações de diferentes participantes ele se modifica a cada nova inserção e necessita de (re)adaptação aos novos fragmentos adicionados. Havendo interação, as idéias vão se tornando parecidas e complementares possibilitando construção de saberes para compartilhamento dos mesmos. Nesse sentido, Depover e colaboradores nos alerta que uma armadilha a ser evitada em matéria de partilha de conhecimentos, é considerar que, se há troca de informações, necessariamente existe aprendizagem. Para eles, (...) dois alunos que trocam as soluções de seu dever na internet estão envolvidos em uma conduta de partilha de conhecimentos do sentido (...) tudo depende da maneira como a troca se desenrola. Se o aluno A simplesmente fornece a solução ao aluno B e este a copia, diremos que há simplesmente transmissão de informações de A para B. Ao contrário, se estabelece um diálogo entre eles, de modo que o aluno B se aproprie realmente da solução e que o aluno A, mediante as explicações que teve de dar, constrói para si uma representação mais pertinente do problema e de sua solução, consideramos esse tipo de diálogo como uma solução de partilha de conhecimentos (...) e uma construção mútua de saberes. (DEPOVER et al., 2002, P. 153) A produção colaborativa permite que todos participem da criação de algo maior e, a partir da leitura do que já foi feito e da possibilidade de complementação, se possibilita a reflexão, a criação, a crítica e a construção do conhecimento. Assim: A aprendizagem colaborativa destaca a participação ativa e a interação, tanto dos alunos como dos professores. O conhecimento é visto como um construtor social e, por isso, o processo educativo é favorecido pela participação social em ambientes que propiciem a interação, a colaboração e a avaliação. Pretende-se que os ambientes de aprendizagem colaborativos sejam ricos em possibilidades e propiciem o crescimento do grupo. (PRATA-LINHARES, 2004,s/p) A produção colaborativa é fruto da aprendizagem colaborativa. A aprendizagem, por mais autônoma que se conduza, prescinde da mediação do docente. Frente as novas formas de aprendizagem colaborativa as atribuições dos docentes se renovam e se reconfiguram para atender às novas demandas. É fundamental ao professor/tutor, em sua atuação na Educação a Distância, ser presença constante, acompanhando o aluno em todo seu processo de aprendizagem, valorizando sua participação, estimulando-o, motivando-o a participar e a interagir com o ambiente virtual de aprendizagem (AVA) bem como com seus colegas, fazendo com que o aluno sinta–se à vontade em compartilhar sua aprendizagem. Neste contexto, a utilização das ferramentas de comunicação disponíveis nos AVAs pode ser importante para garantir uma tutoria de qualidade. O uso das ferramentas de comunicação visa a garantir a dinamicidade e interatividade do aluno com o ambiente virtual de aprendizagem. As ferramentas de comunicação permitem ao professor/tutor aproximar-se dos alunos e auxiliá-lo de forma mais diretiva em sua aprendizagem. A tutoria eficiente explora estas ferramentas de modo a oferecer ao aluno diferentes recursos para se expressar e descobrir como ele aprende melhor. Além de servirem de suporte para interação da turma. CONCLUSÃO A escrita colaborativa é resultado de trabalho em equipe, pois escrever em conjunto depende de disponibilidade para a comunicação bidirecional, conhecimento do conteúdo, capacidade de articulação e apresentação de idéias. Arriscar-se neste tipo de escrita requer maturidade e autonomia por parte do aluno que aprende e do professor que media o processo de aprendizagem. Durante a realização do trabalho a equipe desenvolve uma escrita característica do grupo, diferente da escrita individual de cada um dos seus membros. A produção colaborativa é um desafio comunicacional, que exige o desenvolvimento de competências docentes que torne o professor, mediador do processo, implementador de situações que motivem a criação e a co-autoria, encorajando os integrantes do processo a aceitarem o desafio da intervenção na escrita do outro. Existe a necessidade de se ter docentes habilitados técnica, pedagógica e comunicacionalmente para que a interação seja decisiva e produtiva. O resultado produtivo da parceria professor alunos é gratificante, pois remete à sensação de pertencimento ao grupo, e é mais relevante que a junção de partes isoladas, pois representa cooperação, co-participação e (re)construção. O presente texto é "fruto" dessa experiência colaborativa, onde a escrita é resultado da nova orientação comunicacional baseada na escrita hipertextual e interativa. Explorando a prática cooperativa, estimulando a co-autoria e a formação de parcerias, pois na construção conjunta o todo de torna maior que a soma das partes. BIBLIOGRAFIA
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