Durante muito tempo as produções teóricas no campo educacional voltaram-se especificamente para a escola, entendendo-a como o espaço privilegiado de manifestação da ação pedagógica. Na perspectiva dos Estudos Culturais, porém, passamos a considerar o caráter pedagógico de muitas práticas cotidianas, e a indagar sobre as maneiras pelas quais aprendemos, na cultura, a reconhecer certos comportamentos como adequados, certas características como naturais nos sujeitos, certos saberes como verdadeiros. Nesta direção, passamos a investigar uma ampla rede de situações vividas que também nos ensinam e que funcionam como produtoras de saberes, que chamamos de Pedagogias Culturais. Nesta rede de situações, de instituições e de práticas a internet se torna espaço privilegiado para a produção de identidades e para a promoção de certas práticas contemporâneas. Neste artigo discuto algumas representações sobre o livro e a leitura que circulam na contemporaneidade, e que se manifestam em sites de quatro editoras brasileiras que publicam e divulgam livros de literatura infantil: "Brinque Book", "Companhia das Letrinhas", "Salamandra" e "Scipione". Entre as análises que desenvolvi pude perceber como tais editoras utilizam-se de formatos variados que buscam mesclar páginas coloridas, ícones interativos, ilustrações que tradicionalmente são vinculadas à cultura infantil, figuras que lembram jogos de montar e desmontar relacionando leitura a situações de brincadeira, enfim, articulando leitura e prazer e, dessa forma, direcionando as escolhas dos pequenos leitores para determinadas obras consideradas mais adequadas. Para analisar tais práticas lanço mão de teorizações de autores como Teresa Colomer, Gilberto de Castro e Rosa Maria Hessel Silveira.
Palavras-chave: Estudos Culturais; pedagogias culturais; internet; literatura infantil; práticas de leitura.
O que é que tem um nariz azulesverdeado, dentes brancos afiados e grandes olhos amarelos? É O Grande Monstro Verde! Mas, não fique assustado. Dê uma olhada neste livro cheio de recortes e veja ele se transformar diante dos seus olhos.
Em meio a paixões, descontentamentos, aventuras, lugares estranhos, “criaturas” de outros planetas, personagens inusitados, fantasias, imaginações, gargalhadas, caricaturas, figuras coloridas, os livros são colocados e abrem-se diante de nós. A leitura é convidativa, como a aventura de explorar novos lugares, conhecer personagens, entrar e ouvir diferentes histórias, ou como sugere o título desse artigo, retirado da nota de abertura do site de uma editora de livros infantis, o livro seria como o brinquedo.
Há uma variedade estonteante de obras de literatura, oferecidas a leitores de todas as idades, explorando diversificadas temáticas, utilizando linguagens diferentes e convidando-nos a seguir as trilhas de histórias fantásticas ou cotidianas, cuidadosamente ilustradas ou compostas em cores discretas. Nesse sentido, de muitas maneiras somos convocados a assumir um lugar social de leitores, por vezes como aprendizes e estudantes ou como profissionais, professores, médicos, advogados – entre tantos outros, por vezes como viajantes que buscam aventuras infinitas ou, ainda, para tornar-nos “verdadeiramente” cidadãos.
Em nosso cotidiano, constituem-se múltiplos discursos que servem para referendar a importância da leitura e que nos impelem a praticá-la, em especial em livros, valorizando, em especial, a palavra escrita. E nessa rede de sentidos, algumas obras são tidas como os principais veículos que nos conduzem ao maravilhoso mundo da cultura, da informação, da satisfação pessoal, do aprendizado. Os livros se avolumam e se diversificam, com a expansão da indústria editorial, e eles se consagram como o artefato privilegiado no qual a leitura se realiza com toda a sua potencialidade.
Na epígrafe deste texto, que traz um recorte da obra de literatura intitulada “Vai embora, grande monstro verde!”, é possível antever algumas características que, em geral, estão presentes em obras endereçadas ao público infantil, em especial a fantasia, a imaginação, o suspense, o maravilhoso, a interatividade. Tais características estão presentes em contos de fadas, em histórias populares reescritas como parte do folclore, em obras que narram fatos cotidianos, enfim, em uma ampla gama de produções que encantam, divertem, desafiam as crianças a inserir-se no mundo da leitura.
Levando em conta o contexto específico das obras endereçadas para crianças, analiso, neste artigo, algumas representações sobre o livro e a leitura que circulam na contemporaneidade, e que entrelaçam discursos pedagógicos e lúdicos. Para isso, examino os sites de quatro editoras brasileiras que publicam e divulgam livros de literatura infantil: “Brinque Book”, “Companhia das Letrinhas”, “Salamandra” e “Scipione1”, sendo que a primeira é tomada como o artefato central dessa análise e as demais como fontes que podem contribuir para as discussões.
Assim, discuto um aspecto que se sobressai nos sites examinados, concernentes às práticas de leitura, qual seja, a vinculação entre leitura e prazer. Observa-se que as obras oferecidas nos sites das editoras apelam, de modo recorrente, para a satisfação que a leitura deve proporcionar ao pequeno leitor, de modo que este possa ser cativado e desenvolva o gosto pela leitura. O enlace entre leitura e prazer configura um campo de possibilidades para a leitura e para a publicação de obras de literatura infantil, respaldando-se em saberes sobre as crianças e, ao mesmo tempo, evidenciam os poderosos investimentos sobre esse segmento de leitores.
Apontamentos Teórico-Metodológicos
A análise aqui realizada se vincula às teorizações dos Estudos Culturais – um campo com múltiplas possibilidades que nos instiga a pensar as questões educativas de modo amplo, incorporando às análises não apenas os artefatos que se vinculam diretamente a escola, como também outras produções culturais e práticas através das quais vamos instituindo adequadas maneiras de ser e de viver na atualidade.
Autores como Hall (1997), Mattelart e Neuvau (2004), Costa, Silveira e Sommer (2003), Costa (2000), Escosteguy (2004) afirmam que os estudos empreendidos nesta perspectiva teórica esforçam-se para conferir historicidade às análises, considerando centrais a cultura e as relações de poder. Interessam, especialmente, os processos pelos quais são produzidos e posicionados os sujeitos e suas práticas sociais, em contextos específicos. Pesquisar é, neste entendimento, exercitar a compreensão acerca das relações de poder e de nosso lugar dentro delas, considerando que não existe um sujeito centrado, único, coeso, dotado de vontade, mas um sujeito que é efeito de práticas e de relações de poder. Nas palavras de Veiga-Neto (2000)
a fragmentação do sujeito aponta para a necessidade de examinarmos os processos pelos quais se formam e se alteram os fragmentos em cada um de nós e como eles se relacionam entre si e com os fragmentos dos outros. Trata-se de processos em que estão sempre envolvidas relações de poder, ou seja, relações que procuram impor determinados significados (e não outros quaisquer). É como resultado desses processos que se estabelecem as identidades (p. 55 - 56).
Os Estudos Culturais dedicam-se à análise de produções na contemporaneidade, assumindo um significado mais amplo para a noção de cultura, que contraria dogmatismos e concepções que fixam e opõem base e superestrutura, bem como as distinções que se estabelecem na dicotomia entre dominantes X dominados. A emergência desses estudos possibilita também um rompimento com polaridades entre as chamadas “alta cultura” e “baixa cultura” e, especialmente, a naturalização de lugares sociais marcada por esses distintos pertencimentos, conforme argumenta Costa (2000). A atenção do pesquisador se volta muito mais para o processo de formação do sujeito e suas identidades do que em estabelecer antagonismos que determinam como e onde o conhecimento e o poder pode ser utilizado. Isso porque, neste entendimento, poder não é algo que se possui, mas algo que se exerce, e é sempre resultado de embates e jogos de força. Foucault (1999) sugere “não tomar o poder como um fenômeno de dominação maciço e homogêneo [e sim] como algo que circula, ou melhor, como algo que só funciona em cadeia” (p. 183).
Tomando esse conjunto de noções teóricas como ferramentas, analiso as representações de leitura como parte de uma rede de significados sociais que não se apresentam unicamente como imposição, mas especialmente na forma de um convite, com componentes de ludicidade, de gosto e de prazer.
Imperativo do prazer definindo práticas contemporâneas de leitura
Analisando as representações que circulam em documentos oficiais, em propagandas da mídia, em artefatos escolares, em conversas cotidianas, é expressiva a afirmação de que a leitura deve proporcionar prazer. Nesta direção, organizam-se manuais dedicados à promoção da leitura e roteiros para transformar o ato de ler em experiência prazerosa, promovem-se eventos dedicados à leitura, organizam-se atividades variadas e atrativas, e todas essas ações são fundamentadas em discursos pedagógicos e psicológicos, para assegurar que o ambiente e o acervo estejam adequados ao leitor que busca suportes para realizar suas leituras.
A tendência de associar leitura e prazer pode também ser observada nos sites das quatro editoras que publicam obras de literatura infantil, selecionadas para esta análise. Ao acessar o site da Brinque Book o visitante já se depara com uma variedade de cores e de imagens sugestivas. Abre-se a tela principal, constituída por diferentes ícones, oferecendo diversas possibilidades de navegação e interação, de acordo com as escolhas de cada usuário. Chama atenção a grande quantidade de desenhos coloridos que se espalham por esse site, e que tradicionalmente se vinculam à cultura infantil – como bolas, carrinhos, balões, pipas, bonecas – e que reportam a momentos em que a imaginação e a fantasia conduz o nosso pensamento. O site lança, assim, um convite para que possamos realizar um passeio entre imagens, leituras e memórias, acessando os links e “brincando” enquanto realizamos ações de leitura.
Em uma das janelas centrais deste site há um ícone com o sugestivo nome: “livro é brinquedo?” Quando tal ícone é selecionado, abre-se outra janela, na qual a editora se apresenta, através de um breve texto introdutório no qual deixa explícitos os objetivos de suas ações. Pode-se ler: livro é brinquedo?
Por que não? Acreditando nisso, nascia a Brinque-Book há mais de dez anos, quando foram lançados títulos como Brinque-Book com as Crianças na Cozinha, Brinque-Book Canta e Dança e Brinque-Book Joga Bola de Gude. Através desses inusitados livros brinquedo, o pequeno leitor era convidado a interagir com a obra, criando a sua própria brincadeira e reinventando a história contada.
A editora realiza, nesta pequena chamada, um evidente movimento de auto-promoção, informando ao leitor que sua atenção sempre esteve voltada para a ludicidade.
Ao lado dessa janela há outro o link intitulado “Brinque”, que lança o convite para que o usuário selecione as brincadeiras de seu gosto, entre aquelas que estão disponíveis: quebra-cabeça em diferentes níveis (fácil, médio e difícil), memória, com vinte peças para serem associadas, pintar e colorir, com a possibilidade de escolha de uma entre as quatro imagens que são oferecidas para pintar e imprimir, ou ainda, wallpaper, ícone que traz sugestões de papéis de parede para salvar na tela do computador.
Em qualquer uma destas possibilidades de brincadeiras, exibe-se ilustrações de obras de literatura lançadas pela editora. Cada imagem ou cada personagem é acompanhado do nome da obra e do nome do autor, e assim a obra vai se tornando, de certa forma, conhecida, e adquire sentido para as crianças, tornado-se desejáveis. Destaco alguns exemplos:

Figura 1: Ícones interativos retirados do site da editora “Brinque e Book”
As imagens acima destacadas exemplificam cada uma das possibilidades anteriormente descritas. Este e outros sites procuram colocar em funcionamento diferentes mecanismos que possibilitem cativar os pequenos leitores, oferecendo prazer em forma de leitura.
A convocação à leitura prazerosa evidencia-se na organização desses sites, tanto em apelos como os anteriormente descritos, quanto em um amplo conjunto de estratégias para manter um ambiente virtual harmonioso, atrativo e com freqüentes modificações que buscam seduzir e cativar o público ao qual está endereçado. Entre estas estratégias destaca-se o colorido das páginas, desenhos ilustrativos, representações de crianças realizando leituras, diferentes e variadas capas de livros, fotografias de autores, mensagens e comentários sobre certas obras consulta a catálogos de obras, convites para conhecer bibliotecas virtuais, etc.
Apresento, na seqüência de imagens abaixo, as páginas de abertura de duas editoras. A primeira imagem foi retirada do site da editora “Salamandra” e a segunda corresponde à página inicial da editora “Brinque e Book”.

Figura 2: Reprodução da página de abertura do site da editora “Salamandra”

Figura 3: Reprodução da página de abertura do site da editora “Brinque e Book”
Nas duas páginas selecionadas pode-se observar um apelo ao gosto, à sedução, à sensibilidade que colocam em evidencia uma importante mudança na atitude em relação aos jovens leitores: adquiriu força um discurso que institui como imperativo o prazer e que circunscreve, desse modo, o ato de ler e o converte em algo que só se realiza quando produz contentamento.
Outro recurso recorrente nos sites analisados é a reprodução de partes de obras que se pretende divulgar. As ilustrações de tais livros são colocadas em evidencia, posicionadas no centro da página, em tamanho maior, e sempre se pode encontrar o título e o autor da obra que está sendo oferecida de modo leve e agradável. Tais imagens são alternadas cada vez que entramos no site ou quando permanecemos durante determinado tempo conectados a ele.
Destaca-se a seguir uma dessas imagens, retirada do site da editora “Brinque e Book”:

Figura 4: Capa de uma das obras que aparece em destaque no site da editora “Brinque e Book”
Os sites dessas editoras são compostos, via de regra, por seções que possibilitam aos usuários interagir com os autores, tecer comentários, elogiar e sugerir, montar e desmontar virtualmente páginas de livros, utilizar as páginas de livros como papel de parede para o computador. São também freqüentes os apelos ao uso pedagógico dessas obras, quando os sites oferecem, por exemplo, indicações didáticas e suportes para assegurar um melhor aproveitamento dos livros em sala de aula, conhecer as obras em destaque, acessar o catálogo por faixa etária, entre outras possibilidades. Observa-se forte viés psicológico e pedagogizante nas indicações destes links, com pequenas variações de uma editora para outra.
Ao analisar os elementos que constituem estes sites e referem-se a práticas pedagógicas pode-se relacionar um conjunto de artefatos que evidenciam um endereçamento voltado a um público estritamente escolar. Tais direcionamentos referem-se à composição e layout dos sites, organizados de modo que se destacam links produzidos para uso de pedagogos e educadores, como por exemplo, itens de acesso denominados “sala do professor” contendo obras publicadas pela editora com “dicas” práticas para utilização do material em sala de aula, janelas interativas em formato de pop ups convocando para a participação de encontros de formação continuada, distribuição, seleção e categorização dos livros com base na seriação educacional como: educação infantil, ensino fundamental e ensino médio, entre outros. Logo, colocam-se em relevo palavras – como, por exemplo: didáticos, paradidáticos, temas transversais, níveis de ensino – que demonstram um discurso pedagógico explícito em função da organização de forma pedagógica e didática enfocando aspectos relacionados ao ambiente escolar.
Para exemplificar a organização dos itens, anteriormente descrito, apresento na seqüência abaixo excertos dos ícones endereçados aos educadores relacionados às sugestões para trabalho em aula. A primeira ilustração foi retirada do site da editora Companhia das Letrinhas, e a segunda, apresenta os links de acesso da editora Scipione. Nos dois casos coloca-se em destaque a promoção de obras de literatura infantil aconselhadas, que procurem contemplar as funções educativas e literárias, além de apresentar “receitas práticas” destinadas a formas de proceder para selecionar e trabalhar os conteúdos desejáveis. Assim, a interpelação direta ao usuário, as sugestões de como fazer e o uso de uma linguagem imperativa acentuam-se como marcas enunciativas que constituem tais sites e evidenciam a necessidade desse professor agir de maneira intencional e planejada.

Figura 5: Reprodução do link “Sala do Professor” da editora Companhia das Letrinhas

Figura 6: Reprodução da página de abertura do site da editora Scipione
Para Colomer (2003), os endereçamentos contidos nessas páginas relacionam-se a intencionalidade de um “duplo destinatário”, ou seja, os textos e obras de literatura infantil embora inicialmente sejam destinados as crianças, são interpelados pelo público adulto, nesse caso, o professor. Nas suas palavras “os autores devem elaborar textos que agradem as crianças, mas que, ao mesmo tempo, obtenham o beneplácito dos adultos enquanto textos de leitura para a infância” (p. 165). Nesse sentido, a autora destaca o uso de variadas estratégias – como os exemplos pedagógicos acima citados – de compensação para atingir seus destinatários, tendo em vista a presença de dois grupos distintos de leitores com diferentes expectativas e hábitos de leitura, que conduziriam a uma interpretação igualmente heterogênea.
Nessa perspectiva as estratégias utilizadas para proporcionar experiências agradáveis de ler envolvem a organização do espaço e também formas de conhecer e diferenciar os leitores. A disposição das obras mescladas com interações lúdicas possibilitam que mesmo aqueles que ainda não foram alfabetizados, possam ser educados para cultivarem o hábito de leitura. O interesse não é tanto em ensinar a ler, mas sim, ensinar o futuro leitor a gostar de ler.
De acordo com as argumentações de Silveira (2001)
promover a leitura, formar o leitor (‘competente’, em alguns discursos), incentivar o hábito de ler, criar/despertar o gosto pela leitura... são sintagmas que a partir do início dos anos de 1980 vão povoar praticamente todas as publicações pedagógicas que, de alguma maneira, abordem a questão da leitura [especialmente] na escola (p. 112).
Refletindo sobre tais entendimentos pode-se dizer que os sites analisados apresentam vinculações entre leitura e prazer, e isso pode ser pensado como uma produtiva forma de divulgação das obras produzidas e como uma maneira de cativar leitores para obras específicas, que neste espaço perfilam e são oferecidas.
Algumas considerações finais
São várias as práticas de leitura, em razão de serem também variados os contextos em que ela se concretiza e as formas pelas quais se estabelece. No entanto, cada vez mais somos impelidos a pensar que ler é sempre um ato de prazer. Mesmo considerando relevante esta idéia, penso que aprender nem sempre significa gozo, uma vez que implica em inquietude, em busca, em esforço intelectual, em disciplina corporal.
A análise destes sites mostrou a produtividade de algumas vinculações que se estabelecem entre diferentes discursos – pedagógicos, literários, lúdicos, psicológicos – na constituição daquilo que consideramos adequado para a leitura da infância contemporânea.
Esse modelo contemporâneo, que pode ser associado ás práticas de leitura, não pretende abandoar a formação nem a informação, e se volta para aprendizagens de leitura mais “eficazes”, trabalhadas didaticamente e marcadas pela vinculação entre leitura e prazer. Produzem-se, dessa forma, discursos consensuais que impelem aqueles que organizam e promovem a leitura a renovar suas estratégias e reconhecer os diferentes interesses de seus leitores para, então, conduzir estratégias que os façam ler.
Dessa forma é procurando imbuir-se de um discurso pedagógico que aproxima recursos que apelam para o lúdico, que os sites analisados acionam certas estratégias para a promoção de práticas de leitura com ênfase no imaginário, em aspectos mágicos, com forte direcionamento para uma abertura a fantasia, e ações de brincar possibilitando que o público ao qual está endereçado “aprecie e com gosto” textos de literatura infantil. Além disso, ao privilegiar determinadas práticas de leitura e escrita, estes sites tencionam diversos significados a respeito de uma cultura escrita focada no livro como principal suporte de leitura.
Penso que problematizar e analisar estes artefatos veiculados pela internet, levando-se em consideração seu caráter pedagógico, permite que novos olhares sejam lançados sobre os diversos artefatos e práticas sociais – que mesmo indiretamente relacionam-se a ações escolares – por eles divulgados acerca da aquisição de hábitos de leitura.
NOTA:
1 A seleção dessas editoras se deu em função da quantia expressiva de edições e publicações no campo da literatura e, também, por concentrarem suas produções especificamente no campo da literatura infantil.
COLOMER, Teresa, 2003, A formação do leitor literário. São Paulo: Global.
COSTA, Marisa Vorraber, 2000, “Estudos Culturais – para além das fronteiras disciplinares”, in: Marisa V. COSTA (Org.), Estudos Culturais em Educação: mídia, arquitetura, brinquedo, biologia, literatura, cinema... 2ª ed. Porto Alegre: Editora da UFRGS, p. 13 – 36.
COSTA, Marisa Vorraber; SILVEIRA, Rosa M. H.; SOMMER, Luís H, 2003, Estudos Culturais, educação e pedagogia. Revista Brasileira de Educação. Campinas, nº 23, maio/jun./jul./ago. p. 36 – 61.
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Sites Consultados
http://www.brinquebook.com.br/ - Acesso em 23 de set. De 2009.
http://www.companhiadasletrinhas.com.br/ - Acesso em 23 de set. De 2009.
http://www.salamandra.com.br/ - Acesso em 23 de set. De 2009.
http://www.scipione.com.br/ - Acesso em 23 de set. de 2009.
