IV Congrés de la CiberSocietat 2009. Crisi analògica, futur digital

Fòrum del IV Congrés de la Cibersocietat



Assumpte: Sociologia do Metaverso

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Enviat el 12/11/2009 - 00:00 (GMT+1)

Assumpte: Re: Sociologia do Metaverso

Pedro Andrade aporta diferentes perspectivas de estudio que podemos adoptar para conocer con más profundidad las características de los Mundos Virtuales,
explicando de qué manera, diferentes teorías o corrientes investigadoras pueden ayudarnos a su estudio.

Pedro, me gustaría que nos comentases acerca de dos cuestiones que tratas en tu trabajo.

1, Dataculture

"De facto, no seio do metaverso, emerge uma nova ?dataculture?, que aponta novas vias para além das dicotomias ?indivíduo/comunidade?, ?privado/público?, ?visibilidade/invisibilidade?, ?autonomia/controlo?, etc. Inéditos empenhamentos, sociais, artísticos e científicos, são doravante possíveis."
(a) de um lado, o ciberespaço, nas suas 3 dimensões, que nunca se desliga das espacialidades reais do seu investimento (o espaço doméstico da casa, o espaço profissional do local de trabalho, o espaço lúdico do ciber-café, etc.). Do mesmo modo, o ciberespaço não se entende sem as temporalidades reais-virtuais a ele subjacentes (o tempo de escrita de um e-mail, o tempo de escrita e envio de um post ou de um comentário, num blogue, o tempo de consulta de uma web page, etc.)
(b) de outro lado, o cibertempo, que igualmente não é pensável sem os espaços reais e virtuais nem sem os tempos reais da sua activação. O resultado da intersecção de todos estes espaços-tempos, reais e virtuais, constitui uma configuração cujos efeitos ainda se afiguram insondáveis.

2, Estoy de acuerdo especialmente con este párrafo, que me parece muy ilustrador de lo que significa hacer uso de un mundo virtual.

"Com efeito, no metaverso, cada grupo de avatars possui os seus próprios conhecimento e experiência, não necessariamente coincidentes com aquelas práticas e saberes das personagens virtuais que percorreram outras vias de imersão quotidiana no metaverso. Daí que o metaverso não apresente uma única vida diária, mas múltiplas, cada uma delas correspondendo a um só actor, a um grupo de actores ou a um avatar apenas num dado momento da sua biografia digital. Por outras palavras, não existe somente um lebenwelt virtual ou mundo de esperiência digital. Isto é, não ocorre apenas uma ?Segunda Vida?, porque, no metaverso, não há apenas uma segunda via. Assim sendo, o Second Life dever-se-ia nomear ?Multiple Life?, mesmo no que respeita uma única pessoa real e a sua personagem virtual, no quadro da sua carreira metavérsica."

¿Por qué Multiple Life?

Enviat el 25/11/2009 - 10:02 (GMT+1)

Assumpte: Re: Sociologia do Metaverso

Cara Gloria

Obrigado pelas tuas perguntas. Só posso responder agora porque estive muito ocupado nestas últimas semanas fazendo entrevistas para um projecto que coordeno sobre comunicação pública da arte em museus presenciais e digitais. Assim, só hoje pude participar um pouco mais no Congresso.

1. Resposta à primeira pergunta.

O primeiro parágrafo que citas refere-se a um conjunto de dicotomias que, segundo Stefan Sonvilla-Weiss, são superáveis pela emergência de uma inédita ?dataculture?.

Por meu lado, creio que, nessa ?cultura dos dados?, como em qualquer outro fenómeno passado no ciberespaço, e retomando o segundo parágrafo citado, não podemos olvidar o cibertempo.

É simultaneamente curioso e estranho que, depois de William Gibson ter inventado o termo ?ciberespaço?, não se fala do ?cibertempo?, ou seja, o conjunto de tempos que activamos quando estamos no ciberespaço.

Propus este conceito ?cibertempo? em 1996, num Congresso Português de Sociologia.

De facto, nunca há espaço sem tempo, mesmo na Internet. Por outras palavras, existem espaços e tempos virtuais, não separáveis dos respectivos espaços e tempos reais, como indico na citação.

Por exemplo, o tempo de vida de um avatar no Second Life constitui um cibertempo, intiamente associado ao tempo de vida do respectivo usuário na vida real.

2. Resposta à segunda pergunta.

Aplicando a fenomenologia sociológica aos mundos virtuais, pretendo demonstrar o seguinte:
as ?percepções? desses metaversos, a sua ?consciência? pelo usuário e o ?conhecimento? que daí advém (conceitos de Edmund Husserl), são passadas em múltiplas vidas, nesses ?mundos da vida diária? (lebenwelt) virtuais.

Esta experiência de múltiplas vidas desenvolve-se pela construção quotidiana de diversas ?províncias finitas de significado? (conceito de Alfred Schutz). De facto, cada província finita de significado corresponde a um dado lugar ou contexto social, ou a um grupo de pessoas que partilha as mesmas experiências.

Assim, se tu viajares para um dado local ou mundo da vida (por exemplo uma área do Second Life, onde vive uma comunidade local) e conheceres aí pessoas que possuem as mesmas experiências, estás a partilhar com elas uma certa vida. Esta vida será diferente de outros mundos da vida (ou lebenwelt) do Second Life para onde viajas. Daí a minha hipótese de que no Second Life existem múltiplas vidas a explorar, mesmo para uma mesma pessoa.

Um abraço

Pedro

Enviat el 29/11/2009 - 19:49 (GMT+1)

Assumpte: Re: Sociologia do Metaverso

Pedro dijo:
Cara Gloria


É simultaneamente curioso e estranho que, depois de William Gibson ter inventado o termo ?ciberespaço?, não se fala do ?cibertempo?, ou seja, o conjunto de tempos que activamos quando estamos no ciberespaço.



Propus este conceito ?cibertempo? em 1996, num Congresso Português de Sociologia.



De facto, nunca há espaço sem tempo, mesmo na Internet. Por outras palavras, existem espaços e tempos virtuais, não separáveis dos respectivos espaços e tempos reais, como indico na citação.



Por exemplo, o tempo de vida de um avatar no Second Life constitui um cibertempo, intiamente associado ao tempo de vida do respectivo usuário na vida real.



2. Resposta à segunda pergunta.



Aplicando a fenomenologia sociológica aos mundos virtuais, pretendo demonstrar o seguinte:

as ?percepções? desses metaversos, a sua ?consciência? pelo usuário e o ?conhecimento? que daí advém (conceitos de Edmund Husserl), são passadas em múltiplas vidas, nesses ?mundos da vida diária? (lebenwelt) virtuais.



Esta experiência de múltiplas vidas desenvolve-se pela construção quotidiana de diversas ?províncias finitas de significado? (conceito de Alfred Schutz). De facto, cada província finita de significado corresponde a um dado lugar ou contexto social, ou a um grupo de pessoas que partilha as mesmas experiências.



Assim, se tu viajares para um dado local ou mundo da vida (por exemplo uma área do Second Life, onde vive uma comunidade local) e conheceres aí pessoas que possuem as mesmas experiências, estás a partilhar com elas uma certa vida. Esta vida será diferente de outros mundos da vida (ou lebenwelt) do Second Life para onde viajas. Daí a minha hipótese de que no Second Life existem múltiplas vidas a explorar, mesmo para uma mesma pessoa.



Um abraço



Pedro




Grazas Pedro

O cibertempo parece entonces que é o tempo que empregamos en ciberespazos e así, compartindo tempo e espazos podemos amplificar as nosas vidas?

Saudos

Enviat el 29/11/2009 - 19:58 (GMT+1)

Assumpte: Re: Sociologia do Metaverso

Cara Gloria

Respondeste de um modo muito pertinente. Trata-se realmente de uma ?ampliação? da nossa vida para vidas plurais. Seria necessário investigar, inclusivamente em centros de pesquisa, as diversas articulações destes tempos e espaços, reais e virtuais, em múltiplas dimensões, em vista ao desenvolvimento da Web 3.0.

A Web 3.0 é uma era da Internet onde novas redes sociais e semânticas de desenvolvem, permitindo uma inédita compreensão da vida social humana, de nós e das nossas alteridades, em vista à reformulação das esferas económica, política e cultural simultaneamente do mundo real e dos mundos virtuais ou metavérsicos.

O Pierre Lévy fala destas redes sociais e semânticas na sua comunicação, e a minha pergunta a ele vai nesse sentido. Podemos transformar este diálogo em ?triálogo? com o Pierre.

O Congresso ainda não acabou.

Saudações cordiais

Pedro

Enviat el 29/11/2009 - 21:25 (GMT+1)