IV Congress of CiberSociety 2009. Analog crisis, digital future

Work Team A-6: Recursos educativos abertos

Entre ditos e mitos: a utilização da informática nas escolas e a produção do conhecimento

Abstract

Inequivocamente quando pensamos em recursos educativos abertos, ou na possibilidade de apropriação cultural por parte da humanidade no contexto hodierno, uma das primeiras proposições que vem em nossa mente é a potencialidade oferecida por espaços tecnológicos em promover o acesso universal ao conhecimento. No espaço retratado por este trabalho - esculpido mediante revisão de literatura e apontamentos de idéias fincadas no materialismo-histórico-, que procurou ser o da necessidade da escola se voltar ao conhecimento como alvo de suas empreitadas, certamente a informática, desde que interpretada como um recurso aberto disponível a toda a população, atua em posição de destaque quando pensamos na historicização dos conteúdos escolares trabalhados cotidianamente. Espaço de destaque consubstanciado pela velocidade e possibilidade de armazenamento oferecido por este recurso, todavia, a efetuação deste mecanismo apenas poderá ser consubstanciada nas escolas não apenas quando os alunos utilizarem o recurso, mas, sim, quando o utilizarem da melhor forma possível, ou seja, como facilitador ou ponte dialética entre o concreto e o abstrato na produção do conhecimento, elemento que inevitavelmente coloca a necessidade de um processo de formação docente voltado para tal intento, tarefa custosa, árida, mas de resultados extremamente proveitosos, por isso, insistimos tanto em sua valorização. Nesta teia de conjecturas nosso trabalho desenvolve suas principais idéias, tendo por objetivo a produção de necessidades nos seres humanos para além das esferas cotidianas e fetichizadas, ou seja, produzir o humano histórico ao indivíduo, ponto nodal da educação sistemática e de qualquer recurso tecnológico.

Paper contents

Introdução

Inequivocamente quando pensamos em recursos educativos abertos, ou na possibilidade de apropriação cultural por parte da humanidade no contexto hodierno, uma das primeiras proposições que vem em nossa mente é a potencialidade oferecida por espaços tecnológicos em promover o acesso universal ao conhecimento. Todavia, também o é inegável que estes espaços ainda estão longe de serem utilizados em sua completude, na medida em que a imensa maioria dos habitantes da Terra permanece não apenas sem acesso aos recursos tecnológicos e dialógicos ofertados por meios digitais, mas sem o básico de acesso ao conhecimento e as condições mínimas para a subsistência. O presente para muitos continua a ser a única projeção temporal visível, sendo que o futuro, por diversas vezes, é encarado como o dia posterior. Nessa quase absoluta anomia antitética, entre um futuro rico de possibilidades (desde que estendidas a todos os seres humanos, independentemente de sua raça, credo, opção sexual, classe econômica, etc.) e o futuro do aqui e agora este trabalho se insere, procurando destacar os aspectos profundamente positivos na reordenação da situação social contemporânea, que passa certamente pela possibilidade em nos apropriarmos dos múltiplos saberes acumulados pela humanidade.

Repensando o espaço do conhecimento na sociedade

Como ressalta Duarte (1993), vivemos atualmente em um contexto de crise. Crise analógica, crise do capital, crise do conhecimento, das escolas e demais instituições sociais, enfim, nunca o substantivo crise foi tão adjetivado como nas eras contemporâneas. Como se tudo o que é sólido se desmanchasse no ar, estamos imersos em um período no qual os mais diversos fenômenos nos aparecem sob a alcunha da fugacidade, do devaneio, do fluído e móvel. A nova realidade marcada pelo discurso pós-moderno, e insistimos que ele será sempre um discurso, pois não se materializa no seio da sociedade, contamina negativamente os mais diversos setores que atuam de forma projetiva para com a sociedade.

Exatamente isso acontece com a instituição escolar nos dias atuais, escola que vê do dia para a noite a perda de sua funcionalidade social e dos próprios objetivos que a fundam como importante espaço para toda a sociedade. Devido a isto, mais do que nunca é preciso reavivar a posição de Lênin (1979) quando este destaca que o conhecimento não pode ser entendido meramente sob uma forma ilustrativa, pois nunca é demais lembrar que apenas transformamos aquilo que conhecemos em sua plenitude. Nesse contexto, a escola ainda assume para si uma função basilar no que tange a possibilidade de construção de uma sociedade mais digna e libertária para a imensa maioria da população e não apenas para um pequeno grupo detentor dos poderes hegemônicos.

Para tanto, compactuamos com Saviani (2000) quando este ressalta que a função escolar se corporifica quando ela incorpora o humano ao indivíduo, ou seja, quando permite ao sujeito reconhecer o longo processo ontogênico pelo qual fomos formados. Assim, cometem um erro crucial as concepções pedagógicas, metodológicas e filosóficas que destacam o papel de centralidade do sujeito escolar ora no professor, ora nos alunos, pois na verdade a proeminência desta atividade é realizada na intersecção entre professor e aluno com o saber produzido pela humanidade. É o conhecimento o centro de atenção e de todas as intervenções realizadas nas escolas. Ele é o motor de arranque e combustão quando pensamos na educação como ferramenta libertária e progressista. Mas, qual a relação deste elemento com o tema recursos educativos abertos e o pensar projetivo em um futuro digital? Haverá mesmo está relação?

Ponto de encontro entre a educação escolar e os recursos digitais

Primeiramente é preciso destacar que não acreditamos em qualquer espécie de revolução sem a presença da humanidade em sua totalidade. Assim, por mais que a internet e os novos recursos da informática tenham mudado efetivamente o modo social pelo qual nos relacionamos e comportamo-nos cotidianamente, não a encaramos como uma revolução social, na medida em que quase 2/3 da humanidade ainda segue sem poder contar com as benesses desta tecnologia.

Claro está que isso também não significa, em hipótese alguma, desvalorizar todas as possibilidades ofertadas por este avanço tecnológico, mas apenas em direcionar olhos críticos para a enormidade da tarefa na qual nos encontramos. A tecnologia, tal como uma série de outras ferramentas, faz parte do processo evolutivo do trabalho humano, ou seja, materializa, quer queiramos ou não, uma forma de relação entre o homem e a natureza.

Inegavelmente nesta nova relação social, às possibilidades de apropriação, fruição, objetivação e criação cultural são elevadas exponencialmente, permitindo-nos efetivamente assumir um diálogo vivo com toda a história do gênero humano. Acreditamos ser este exatamente o objetivo dos mais distintos sistemas educacionais, logo, existe um vínculo orgânico entre a educação e as novas ferramentas tecnológicas na consubstanciação do objetivo de humanização do homem, ou melhor, de sua elevação para além das esferas cotidianas e fetichizadas.

Também é inegável que, pelo menos no Brasil, este objetivo está longe de ser alcançado, e não estamos aqui sequer falando em um alcance em toda plenitude. Cada vez mais, infelizmente observamos a substituição do conhecimento sistemático pelo conhecimento cotidiano nas escolas. O partir do cotidiano ficou interpretado como protoforma do saber escolar, aliás, também como ponto de chegada, com isso, a escola perdeu o pouco de qualidade que possuía em alguns anos anteriores. Contra esta situação profundamente denegridora devemos lutar, buscando formas de articular elementos que valorizem novamente a função escolar, que é a do trabalho com o conhecimento sistematizado e não com qualquer tipo de saber.

Para tanto, acreditamos que a utilização dos novos recursos propiciados pela informática, desde que abertos a imensa maioria dos seres humanos podem se converter em interessante campo de humanização. Claro que não estamos negando ou descartando as críticas que se fazem a utilização da informática na escola, mas acreditamos que estas críticas têm sido fundadas sob o alvo errado, pois o que se deve combater não é o recurso da informática, mas, sim, seu uso, na maioria das vezes desuso, extremamente equivocado e alienante.

Se existe o recurso da informática efetivamente disponível para todas as crianças nas escolas, situação longe de representar uma verdade absoluta, ele deve ser usado como incremento das práticas pedagógicas. Sendo assim, é errônea a posição de que a informática substituirá a atividade docente, muito pelo contrário, pois ela precisa exatamente dessa orientação para fazer com que as crianças retirem do computador as melhores informações possíveis.

Posso muito bem utilizar a internet na escola para ampliar uma pesquisa sobre o império romano, os astecas, incas, maias ou as mais diversas sociedades que se queira pesquisar. Não vejo problemas na utilização do recurso desta forma, aliás, quando bem mediado, o conteúdo expresso pela tela do computador pode se constituir como uma interessante ponte dialética entre o concreto e o abstrato, facilitando o processo de apropriação do conhecimento pelas crianças. Ainda neste mesmo exemplo, pode-se citar os múltiplos conhecimentos obtidos mediante o auxilio da informática, que possui uma capacidade de transmissão e armazenamento de conhecimento espantosa, e é esse conhecimento que a escola deve ir em busca quando utiliza dito recurso. Neste contexto, parece não haver contradições orgânicas entre a utilização da informática e a prática docente, muito pelo contrário, pois o que observamos é uma relação de simbiose mutuamente enriquecedora. Também aqui cabe ressaltar a importância basilar das crianças aprenderem a manejar os recursos informáticos da melhor forma possível, pois esta é uma questão fundamental não só para a pesquisa e busca ao conhecimento, mas, sim, para uma inserção ampla e crítica ao terreno cotidiano hodierno, cujos mais diversos processos começam a ser tecidos pelos véus da informática. Aprender a manejar o Word, a fazer tabelas no Excel, a utilizar o Power Point e navegar pela internet são tarefas das quais a escola não se pode furtar, todavia, isso não significa que todos os recursos são válidos.

Sinceramente, ainda não consigo observar as vantagens na utilização de linguagens abreviadas empregues por sítios de entretenimento e comunicação, pois o que ocorre aí é a verdadeira fragmentação e pauperização da língua, sendo este certamente um dos elementos que os professores devem tomar cuidado na utilização de recursos educativos. A utilização deve ser ampla, quanto a isto não tenho a menor dúvida, mas não irrestrita, portanto, é preciso tomar cuidado para que a informática não vire mais um dos conhecidos mecanismos de vulgarização do conhecimento sistemático. Conhecimento este que envolve o correto empregar da língua materna e de outras línguas, independentemente se os alunos gostam ou não de suas regras. Claro que não estamos postulando aqui o fato de as regras serem aceitas sem discussão ou a abertura de um campo de debates, muito pelo contrário, pois acreditamos que toda medida repressiva tende a gerar uma relação entre o significado e o sentido do que está sendo apreendido distorcido e equivocado.

Todavia, nunca é demais reavivar Gramsci (1981) nestes momentos, o qual destaca corretamente que o caminho da anomia para a autonomia passa certamente pela heteronomia, ou seja, o aprendiz nunca é livre anteriormente a aprendizagem dos condicionantes do fenômeno ao qual ele está se referindo. Essa é uma condição geral do processo de apropriação de qualquer fenômeno social, inclusive, da língua. Além disso, é preciso recuperar a idéia, também gramsciana, de que a escola não necessariamente é o local da alegria e do tudo é possível.

Assimilar algum conhecimento nem sempre é um processo divertido, aliás, no mais das vezes tende a envolver duras horas de estudo e dedicação, sendo que a utilização da informática certamente não abreviará este esforço, pode até torná-lo mais digerível, mas certamente não menos tortuoso. Colocado estes elementos, parece ficar nítido o caráter de não contraposição entre a escola e a utilização dos recursos gerados pela informática, todavia, eles precisam existir e se fazer disponível para efetivamente ser enquadrados na categoria de recursos abertos para a população.

Como estamos longe, e essa distância ainda se mostra um pouco grande, da situação em que todos os habitantes possuem os mais diversos recursos tecnológicos, é fundamental pensarmos em espaços que abranjam a maioria da população e forneçam a utilização destas ferramentas. A escola certamente é uma destas instituições de caráter universal, pois independente da qualidade de ensino por ela ministrada, quase todos passamos por seus muros, inclusive as pessoas oriundas dos países do chamado terceiro mundo, do qual o Brasil é representante.

Pensando no sentido da escola como facilitadora da utilização das tecnologias geradas pela informática dois fatores emergem a tona no contexto brasileiro, quais sejam: a) para que essa assertiva efetivamente se materialize é preciso que todas as escolas possuam redes de informática aparelhada com computadores disponíveis a todos os alunos, e; b) que os professores saibam utilizá-los para dar os melhores direcionamentos aos alunos no processo de acumulação do conhecimento historicamente acumulado pela humanidade.

Comecemos pela análise do primeiro elemento. Falando sobre os recursos disponíveis nas escolas fica claro em nosso país o aumento da utilização da informática nos setores acadêmicos e escolares, basta para tanto citar os diversos projetos de educação à distância do qual o Brasil se faz pioneiro, embora discorde de seu formato quando utiliza a formação inicial como uma formação a distância. Todavia, esse aumento tem se dado, a meu ver, muito mais em relação aos centros universitários do que nas escolas de ensino fundamental e médio, espaço freqüentado efetivamente pela massa do povo. Não que seja contrário a utilização da informática nas universidades, muito pelo contrário, pois elas se fazem como mecanismo cardeal a formação em qualquer carreira acadêmica, no entanto, o que insisto aqui é na premente necessidade em se utilizar a informática desde as séries iniciais do ensino.

Apenas para citar um exemplo, atualmente como professor da rede pública do estado de São Paulo, o mais rico do país, constato que apenas uma minoria das crianças estão sendo contempladas com os recursos da informática, isso quando existe boa vontade por parte dos diretores. Computadores existem, mas em número flagrantemente inadequado ao número de alunos existentes nas salas de aula. Não estou com isso afirmando que cada aluno deveria ter seu computador na escola, o que certamente seria extremamente interessante, mas, sim, destacar que se uma escola tem uma média de quarenta alunos por classe, tamanho padrão no ensino brasileiro, deve existir ao menos 45 computadores nas escolas. Ou seja, o que afirmo é a necessidade da existência de uma sala de informática que contemple todos os alunos de uma possível classe. É inadmissível quarenta crianças em processo de aprendizagem ter que dividir um computador entre três ou quatro colegas por falta dos mesmos em uma sala planejada para tanto.

Não acho este processo muito custoso, aliás, é extremamente barato se considerarmos a relação existente entre o custo e o benefício de tal empreitada. Outro problema que emerge nas escolas públicas estaduais, pelo menos aquelas situadas no Estado de São Paulo (que novamente digo, é o mais rico, em termos econômicos, de nossa nação), diz respeito à presença do equipamento e sua não utilização. Não é raro observar nas escolas computadores verdadeiramente enferrujados pela falta de uso, não bastasse isso, muitas vezes, observa-se a existência de computadores coadunada com a falta de sua instalação oriunda de um processo burocrático que simplesmente impede as crianças de acesso ao recurso. Ora, deixemos de uma vez por todas de lado as burocracias e pensemos mais nas crianças e nos recursos que a elas competem em ser utilizados.

Por fim, e este talvez seja o problema mais grave em se resolver, devido à extensão de sua amplitude, é importante ressaltar também que muitas das escolas aparelhadas com sala de informática não utilizam este recurso pelo total despreparo dos professores no manejo desta ferramenta. Este despreparo pode ser interpretado sob duas óticas diametralmente opostas, a citar: a) a falta de interesse pelos professores quanto à utilização do recurso e; b) as impossibilidades históricas de apropriação de uma ferramenta massificada a pouco mais de vinte anos.

Ambas as proposições possuem seu grau de verdade, porém, inegavelmente é sobre a segunda que devem ser envidados os maiores esforços no que tange ao preparo dos professores para a utilização deste recurso. É claro que a falta de interesse mostrada por alguns professores efetivamente prejudicou e ainda prejudica a correta utilização das ferramentas fornecidas pelo domínio da informática, todavia, é preciso resgatar na memória que muitos dos professores que estamos falando se formaram em um período histórico anterior ao boom da informática, não bastasse isto, devido ao salário indigno a que recebem, diversos docentes trabalham em três períodos para sustentar financeiramente sua família.

Este fato nos indaga a perguntar: Se é fato que a maioria dos professores não sabem utilizar corretamente os recursos da informática, como acreditamos que o seja, e grande parte desta maioria foi formada em um período que não destinava muita atenção quanto à aprendizagem das variáveis correlacionadas a informática, o que também é um fato, como podemos reverter esta situação em proveito tanto dos professores como dos alunos?

O primeiro aspecto que nos vêm a mente após a concretização dessa pergunta deposita-se no fato de reconhecer a necessidade da utilização e promoção de um processo de formação docente direcionado a aprendizagem das técnicas da informática, porém, como pensar em tal resolução se os professores triplicam sua jornada de trabalho? Como fornecer formação de qualidade sem tempo disponível?

Esta é uma problemática sem resposta nas atuais condições do ensino brasileiro. Assim, apenas mediante a completa reorganização da atividade docente, que inclui um cuidado mais acurado com o processo de formação continuada, além é claro da dedicação exclusiva em uma única escola e da redução da jornada de trabalho que podemos pensar em um espaço para além da miséria gnosiológica e tecnológica que invade nossas escolas nos dias atuais. Problema sem solução? Acreditamos que não, mas é claro que essa solução é árida, complexa e custosa, como o é todo processo de formação intencionalmente dirigido.

Neste complexo estrutural inserimos nossa posição teleológica, qual seja, a de valorizar a utilização das ferramentas tecnológicas geradas pela informática como verdadeiros recursos abertos e amplos de aprendizagem, desde que, para tanto, possamos fornecer uma melhor qualidade no processo de formação docente, objetivando a elevação do humano ao indivíduo, cuja conseqüência lógica está na percepção da realidade como um todo intrincado e complexo, que apesar desses múltiplos condicionantes, pode ser transformada historicamente desde que os seres tomem consciência de que não apenas são produtos da história, mas que as produzem toda vez que estabelecem algum tipo de relação com a natureza.

Basta saber qual a medida e o sentido que almejamos para esta transformação, se é aquele no qual apenas uma minoria controla todos os recursos do planeta ou na transformação da sociedade em um palco efetivamente democrático, libertário e emancipatório, no qual as diferenças sejam acolhidas e valorizadas, enfim, um espaço onde o humano possa efetivamente se manifestar.

Considerações Finais

Esperamos que este texto, apesar de sua brevidade, possa servir como ponto de partida para a discussão de interessantes questões que afligem a escola, a produção de conhecimento e a utilização dos recursos propiciados pela informática da melhor maneira possível. Infelizmente ou felizmente, não podemos resolver a questão de forma simples, para tanto, é preciso um estudo denso e árido que efetivamente considere os múltiplos condicionantes que emergem da prática de qualquer relação social.

No espaço retratado pelo trabalho, que procurou ser o da necessidade da escola se voltar ao conhecimento como alvo de suas empreitadas, certamente a informática, desde que interpretada como um recurso aberto disponível a toda a população, atua em posição de destaque quando pensamos na historicização dos conteúdos escolares trabalhados cotidianamente. Espaço de destaque consubstanciado pela velocidade e possibilidade de armazenamento oferecido por este recurso, todavia, a efetuação deste mecanismo apenas poderá ser consubstanciada nas escolas não apenas quando os alunos utilizarem o recurso, mas, sim, quando o utilizarem da melhor forma possível, ou seja, como facilitador ou ponte dialética entre o concreto e o abstrato na produção do conhecimento, elemento que inevitavelmente coloca a necessidade de um processo de formação docente voltado para tal intento, tarefa custosa, árida, mas de resultados extremamente proveitosos, por isso, insistimos tanto em sua valorização.

Bibliography/References


  • DUARTE, Newton, 1993, A individualidade para-si: contribuição a uma teoria histórico-social da formação do indivíduo, Campinas: Autores Associados.
  • GRAMSCI, Antonio, 1981, Concepção dialética da história, Rio de Janeiro: Civilização Brasileira.
  • LÊNIN, Vladimir, Ilitch, 1979, Que fazer?: as questões palpitantes do nosso movimento, Kyra Hoppe (Trad.). São Paulo: HUCITEC.
  • SAVIANI, Dermeval, 2000, Pedagogia histórico-crítica: primeiras aproximações, 7. ed. Campinas: Autores Associados.

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