IV Congreso de la CiberSociedad 2009. Crisis analógica, futuro digital

Grupo de trabajo C-20: Recursos sócio-técnicos para a participação política

A cobertura do New York Times frente aos cidadãos americanos e aos cidadãos do mundo: eleições presidenciais de 2008

Ponente/s


Resumen

O objetivo desta comunicação é discutir como se dá a cobertura do jornal The New York Times sobre as eleições presidenciais americanas de 2008, tendo em vista os dois principais candidatos " Barack Obama e John McCain " e buscando verificar se o periódico esclarece os cidadãos americanos e de outras partes do mundo sobre questões que fazem parte de seu cotidiano. Fundamenta-se nos Estudos do Jornalismo praticados por Sousa e Traquina e tem como instrumental metodológico a Análise do Discurso, nos moldes de Charaudeau, Maingueneau e Lago & Benetti. Aponta os esclarecimentos efetuados no tocante às características pessoas dos candidatos, a guerras, a seguridade social, a planos de saúde, a hipotecas imobiliárias e a pesquisas eleitorais, sinalizando que o candidato democrata Barack Obama deve ser conduzido ao cargo de presidente.

Contenido de la comunicación

Introdução

Este trabalho visa mostrar como o New York Times, em sua versão on-line, contribuiu para o esclarecimento dos cidadãos americanos e dos cidadãos do mundo, com relação aos perfis e propostas dos dois principais candidatos nas eleições presidenciais de 2008 – Barack Obama e John McCain.

Nesse sentido, selecionam-se alguns tópicos pautados pelo jornal, no período da campanha eleitoral, que dizem respeito aos interesses cotidianos dos cidadãos, americanos ou de outras partes do globo, uma vez que as diretrizes adotadas pelos Estados Unidos, dada a sua participação na política e economia mundiais, repercutem muito além de suas fronteiras.

Assim, neste espaço, discute-se o enfoque do periódico no tocante às características pessoais dos dois postulantes à presidência, a guerras, a seguridade social, a planos de saúde, a hipotecas imobiliárias e a pesquisas eleitorais. Vale observar que as questões econômicas – eleitas pelo New York Times como a principal preocupação do cidadão americano – e as estratégias de campanha adotadas pelos referidos candidatos foram alvos específicos de dois outros estudos conduzidos em separado (DOTA, 2009a e 2009b).

Esta discussão se fundamenta nos Estudos do Jornalismo, principalmente nos trabalhos de Sousa (2004 e 2006) e Traquina (2004) e tem como instrumental metodológico a Análise do Discurso, em contribuições de Lago e Benetti (2007), Charaudeau (2006) e Maingueneau (2000). Nessa linha:

Dizer e interpretar são movimentos de construção de sentidos, e, assim, como o dizer, também o interpretar está afetado por sistemas de significação. A AD [Análise do Discurso] está preocupada com este movimento de instauração de sentidos, que exige compreender os modos de funcionamento de um discurso (LAGO & BENETTI, 2007: 109).

A análise levará em consideração a disposição da informação dentro da matéria, isto é, aquilo que foi destacado e o que foi minimizado ou silenciado, bem como os recursos discursivos empregados, tais como as escolhas lexicais, a modalidade, a ironia, a intertextualidade e a interdiscursividade.

O corpus da pesquisa foi obtido por meio de uma coleta estratificada semanal, ou seja, a segunda-feira da primeira semana, a terça-feira da segunda semana e assim sucessivamente, conforme sugere Jorge Pedro Sousa (2004: 52), efetuada nos meses de agosto, setembro, outubro e início de novembro, ou seja, nos 90 dias que antecederam as eleições presidenciais americanas de 2008. Utilizou-se a ferramenta de busca do site do jornal The New York Times, disponibilizada em www.nytimes.com, inserindo-se as palavras “Obama” e “McCain”. Obtiveram-se 99 matérias que abordaram as eleições presidenciais em geral, sendo que 20 (notícias em sua grande maioria) referem-se às temáticas acima mencionadas.

Dessa forma, tendo por base o referencial teórico-metodológico apontado e na perspectiva de que “as notícias ajudam a construir a própria realidade” (TRAQUINA, 2004: 168), procede-se, a seguir, à análise das matérias coletadas, trazendo a título de exemplificação, fragmentos desses textos produzidos nas páginas do New York Times e divulgados em sua versão on-line, disponibilizada gratuitamente na Internet.

1.Características pessoais

Com referência às características pessoais dos candidatos, que naturalmente tangenciam outros assuntos, McCain é apresentado, em uma das matérias, como “homem do passado”, rótulo que lhe é atribuído no título de uma notícia, ou seja, em posição de destaque. Pela intertextualidade, descrevendo e interpretando uma propaganda de Obama, o New York Times indica para os cidadãos leitores que McCain não acompanhou a evolução dos tempos, não entende de economia (o que, implicitamente, teria repercussões para os americanos e para outros povos) e, além disso, pretende reduzir impostos dos mais ricos, enquanto Obama diz que cortará impostos das classes baixa e média. Nessa direção, observem os trechos (1), (2) e (3) abaixo:

(1) Título: Portraying McCain as a Man of the Past (Apresentando McCain como Homem do Passado – 13 de setembro).

(2) THE SCRIPT An announcer says: “1982. John McCain goes to Washington. Things have changed in the last 26 years, but McCain hasn’t. He admits he still doesn’t know how to use a computer, can’t send an e-mail. Still doesn’t understand the economy. (O ROTEIRO [da propaganda] Um anunciador diz: “1982. John McCain vai para Washington. As coisas mudaram muito nos últimos 26 anos, mas McCain não. Ele admite que ainda não sabe usar um computador, não sabe enviar um e-mail. Ainda não entende a economia. – Ibid.).

(3) The tax argument accurately states that Mr. McCain favors reducing the corporate income tax rate. The bulk of his tax-cutting proposals would benefit those with higher incomes, while Mr. Obama says he wants much larger tax breaks for low-and-middle-income Americans. (A discussão sobre impostos precisamente afirma que o sr. McCain prefere reduzir impostos para as corporações. A maior parte de suas propostas de corte de impostos beneficiaria aqueles com rendas mais altas, enquanto o sr. Obama diz que quer maiores reduções de impostos para os americanos com rendas média e baixa. - Ibid.).

Obama, por outro lado, é apresentado como o intelectual, como aquele que tem “a capacidade de ver os dois lados da questão” e de levar seus alunos a refletirem sobre assuntos pouco atraentes, tais como escola pública fraca e falta de acesso ao crédito educativo. Também é mostrado como professor universitário que goza de prestígio entre seus alunos:

(4) As a student in Obama´s constitutional Law class in 2001, Escuder was impressed by his teacher´s ability to see both sides of an argument. (Como estudante na aula de direito constitucional de Obama em 2001, Escuder ficou impressionado pela capacidade de seu professor de ver os dois lados da questão. – Case Study, 21 de setembro.).

(5) Obama had a way of getting you to think and talk about issues people generally don´t like to think and talk about.” (“Obama tinha uma forma de levá-lo a pensar e falar sobre assuntos que as pessoas geralmente não gostam de pensar e falar.” – Ibid.).

(6)...they routinely rated him as one of the best teachers at the Law school. (…eles [os estudantes] rotineiramente o avaliaram como um dos melhores professores da escola de direito. - Ibid.).

Com relação a seus princípios políticos, Obama é enfocado mais como pragmático do que ideológico e como aquele que se alicerça no mundo real e em sua experiência pessoal:

(7) But the men and women who studied with him at Chicago echo Escuders´s observation that Obama was much more pragmatic than ideological. (Mas os homens e mulheres que estudaram com ele em Chicago ecoam a observação de Escuder que Obama é muito mais prgmático que ideológico. - Ibid.).

(8) Obama´s rootedness in the real world shaped every aspect of his teaching. (A atinência de Obama ao mundo real moldava cada aspecto do seu ensinamento. - Ibid.).

Uma das notícias coletadas aborda, no lide, as ligações pessoais de Obama, mencionadas, intertextualmente, a partir de um programa do Canal Fox News que o conectou à história do radicalismo:

(9) During a weekend of Republican attacks on Senator Barack Obama´s personal associations, Fox News Channel ran a program Sunday that made provocative assertions about similar connections, called “Obama & Friends: The History of Radicalism.” (Durante um final de semana de ataques republicanos às associações pessoais do senador Barack Obama, o Canal Fox News veiculou um programa domingo que fez afirmações provocativas sobre conexões semelhantes, chamado: “Obama & Amigos: A História do Radicalismo.” – Obama´s Personal Ties Are Subject of Program on Fox News Channel, 7 de outubro.).

No decorrer da matéria, também pela intertextualidade, a voz do referido programa aponta que a carreira política de Obama foi engendrada por Bill Ayres, um radical de esquerda atuando como professor em Chicago. Imediatamente abaixo, a própria voz do New York Times sai em defesa de Obama, afirmando que o senador democrata e Bill Ayres não eram pessoas próximas, embora tivessem pontos de contato:

(10)Various reports, including ones in The New York Times, have found no evidence that Mr. Obama and Mr. Ayres were particularly close, although they have had various points of contact. (Vários relatos, incluindo aqueles do New York Times, não encontraram nenhuma evidência de que o sr. Obama e o sr. Ayres fossem particularmente próximos, embora eles tivessem vários pontos de contato. – Ibid.).

Em 24 de outubro, ou seja, a onze dias da eleição presidencial (que ocorreu em 4 de novembro), o New York Times publica um editorial manifestando-se favorável ao candidato Obama desde o título da matéria – Obama for President (Obama para Presidente), aqui incluído para efeito de cotejamento com as matérias coletadas de forma estratificada. No decorrer desse editorial a estratégia discursiva do jornal é a comparação entre os dois principais candidatos, sempre destacando ou elogiando o democrata e apontando os pontos negativos do republicano. Essa ênfase com relação a Obama se dá pelo posicionamento explícito do jornal, que se viabiliza, principalmente, pelo uso de enunciados com modalidade assertiva, conforme exemplos abaixo :

(11) Mr. Obama has met challenge after challenge, growing as a leader and putting real flesh on his early promises of hope and change. He has shown a cool head and sound judgment. We believe he has the will and the ability to forge the broad political consensus that is essential to finding solutions to this nation’s problems. In the same time, Senator John McCain of Arizona has retreated farther and farther to the fringe of American politics, running a campaign on partisan division, class warfare and even hints of racism. His policies and worldview are mired in the past. His choice of a running mate so evidently unfit for the office was a final act of opportunism and bad judgment that eclipsed the accomplishments of 26 years in Congress.(O sr. Obama enfrentou desafio após desafio, crescendo como um líder e colocando sangue novo em suas promessas iniciais de esperança e mudança. Ele tem demonstrado cabeça fria e julgamento correto. Nós acreditamos que ele tem a vontade e a habilidade para forjar um amplo consenso político que é essencial para encontrar solução aos problemas desta nação./Ao mesmo tempo o senador John McCain do Arizona refugiou-se cada vez mais na periferia da política americana, fazendo uma campanha sobre a divisão partidária, guerras de classe e mesmo toques de racismo. Suas políticas e visão de mundo estão voltadas para o passado. Sua escolha de colega de chapa tão inadequada para o cargo foi o ato final de oportunismo e julgamento incorreto que eclipsou as realizações de 26 anos de Congresso. - Ibid.)

(12) The differences are profound. Mr. McCain offers more of the republican every-man-for-himself ideology, now lying in shards on Wall Street and in Americans’ bank accounts. Mr. Obama has another vision of government’s role and responsibilities. (As diferenças são profundas./Mr. McCain oferece mais da ideologia republicana de cada um por si, agora estando aos cacos em Wall Street e nas contas de bancos americanos. O sr. Obama tem uma outra visão do papel e responsabilidades do governo. – Ibid.).

Pautando outra mídia, o canal de TV Fox News ao qual Obama deu uma entrevista, o New York Times avalia positivamente o desempenho de Obama. Para tanto, mostra a irracionalidade e a destemperança do entrevistador Bill O’Reilly, a quem, na avaliação do jornal, Obama respondeu com calma, humor e respeito:

(13) Mr. O’Reilly then demanded that his guest admit that he was wrong to oppose military surge. Mr. Obama didn’t give in; he repeated previous qualifications but did go farther, and less equivocally, than before in acknowledging that the surge had worked. (O sr. O’Reilly então exigiu que seu convidado admitisse que ele estava errado em se opor a onda militar. O sr. Obama não cedeu; ele repetiu qualificações anteriores mas foi mais adiante, e menos equivocadamente, do que antes em admitir que a onda tinha funcionado. – Obama Steps Into O’Reilly’s ‘No spin zone’, 5 de setembro.)

(14) Mr. Obama gave no hint of rancor and remained pleasant, respectful and good-humored, but he did adjust his pace and wording to suit his speed-talking host. (O sr. Obama não deu nenhum sinal de rancor e se mostrou simpático, respeitoso e bem-humorado, mas ele ajustou o seu ritmo e palavreado, para se adequar à velocidade de fala de seu anfitrião. – Ibid.).

Neste último exemplo, cabe a observação de Fausto Neto de que a mídia direciona os eventos políticos e busca dar o tom de seu desenvolvimento:

Nesse caso, ao “deslocar” a política para determinados “gêneros” e espaços da programação televisiva – integrando-a noutra economia -, as mídias produzem duas operações distintas: “desligam” a política de sua função persuasivo-argumentativa, e asseguram a audibilidade e visibilidade da política via seu deslocamento. Tais estratégias tornam, assim, a política “refém” das condições de produção de sentido definidas pelas mídias (FAUSTO NETO, 2003: 123).

Observe-se que, nesse caso da entrevista de Obama, mencionada pelo New York Times a partir de um canal de TV, o jornal redireciona o tom do evento citado, ou seja, aproveita a entrevista com um polêmico repórter, conservador extremo, para apontar o bom desempenho e as qualidades do candidato democrata.

Ainda com referência às características pessoais dos candidatos, o periódico dá visibilidade, no lide de uma notícia, para a crítica de McCain quando aponta Obama como sendo de esquerda, bem como para a defesa apresentada pelo democrata, no decorrer da matéria:

(15) Republican presidential candidate John McCain is calling the economic policies of his Democratic rival, Barack Obama, to the far left of American politics.

In an interview Friday with ABC’s “Good Morning America,” McCain states flatly that Obama wants to raise people’s taxes – though Obama says he would seek no tax increases for 95 percent of working Americans and supports a tax cut for the middle class. (O candidate republicano à presidência, John McCain, está chamando as políticas econômicas de seu rival democrata, Barack Obama, de extrema esquerda da política americana./Numa entrevista sexta-feira, no programa “Bom dia América” da ABC, McCain afirma categoricamente que Obama quer aumentar os impostos do povo – embora Obama diga que ele não buscaria aumento de impostos para 95 por cento dos trabalhadores americanos e apoia o corte de impostos para a classe média. – McCain: Obama’s Economic Policies Are Left-Wing, 31 de outubro.)

Quando o jornal abre espaço para a crítica de Obama ligando McCain à política de George W. Bush, a defesa do republicano (seu aludido crescimento nas pesquisas), trazida intertextualmente pelo jornal, não se mostra consistente, uma vez que as sondagens de opinião variam de instituto para instituto e, além do mais, o trecho citado não especifica a que pesquisas McCain se referia:

(16) Obama continues to tie McCain to the policies of President Bush. But McCain says he has been able to shake that comparison for the most part – and he cites polls showing a closer race as evidence. (Obama continua a ligar McCain às políticas do presidente Bush. Mas McCain diz que tem sido capaz de derrubar essa comparação na maior parte dos casos – e ele cita as pesquisas mostrando uma disputa mais próxima como evidência. – Ibid.).

2. Guerras

Em função da crise econômica que obteve maior atenção dos cidadãos americanos nas eleições presidenciais de 2008, a temática referente a guerras (o que consome grande parte do orçamento do governo americano) não foi enfatizada pelo periódico no corpus coletado. Uma das menções feita diz respeito à “linha dura” de McCain no tocante à Rússia, por ocasião do conflito com a ex-república soviética da Geórgia. O New York Times abre espaço para críticas tanto daqueles que condenam a posição de McCain com relação à Rússia – e essas críticas são mais contundentes, haja vista o título da notícia (War Puts Focus on McCain’s Hard Line on Rússia – Guerra Coloca o Foco na Linha Dura de McCain sobre a Rússia); assim como abre espaço para aqueles que concordam com a posição de McCain:

(17) His hard line has been derided as provocative, and possibly dangerous, by some so-called realist foreign policy experts, who warn that isolating Russia would do little to encourage it to change. But others, including neoconservatives who deem promoting democracy a paramount goal, see Mr. McCain’s position as principled, and prescient. Now, with Russia moving forcefully into Georgia as Mr. McCain seeks the presidency, his views are being scrutinized as never before through his prism of Russia’s invasion. (Sua linha dura tem sido classificada como provocativa, e possivelmente perigosa, por alguns dos chamados especialistas realistas em política externa, os quais advertem que isolar a Rússia ajudaria pouco a encorajá-la a mudar. Mas outros, incluindo os neoconservadores que advogam promover a democracia como um objetivo supremo, veem a posição do sr. McCain como uma questão de princípio e prudência. Agora, com a Rússia se movendo forçosamente para dentro da Geórgia, como o sr. McCain busca a presidência, suas posições estão sendo escrutinizadas como nunca o foram por esse prisma da invasão praticada pela Rússia. – Ibid.).

Ao se atentar para o último período do trecho acima, observa-se que o jornal incita os leitores/eleitores a votar ou não em McCain levando em conta sua posição no conflito Rússia X Geórgia. Barack Obama, por outro lado, é apresentado como o politicamente correto, aquele que quer estreitar relações com a Rússia:

(18) While Mr. McCain has long called for excluding Russia from the Group of 8, and isolating it on the world stage, his probable Democratic opponent, Senator Barack Obama, has made clear he favors more engagement with Russia (even as speaks of reviewing relationships with Russia, including its interest in joining the World Trade Organization). (Enquanto o sr. McCain tem clamado pela exclusão da Rússia do Grupo dos 8, e por isolá-la no cenário mundial, seu provável oponente democrata, senador Barack Obama, tem deixado claro que ele é a favor de um maior engajamento com a Rússia (mesmo quando ele fala de rever as relações com a Rússia, incluindo seu interesse em fazer parte da Organização Mundial do Comércio. – Ibid.)

Embora a diferenciação entre os candidatos no tocante a Rússia X Geórgia seja citada no decorrer da matéria, ao final o New York Times aponta que nesse assunto os dois candidatos têm várias posições semelhantes, em função, talvez, segundo o próprio jornal, da delicadeza da situação:

(19) On Monday, though, Mr McCain and Mr. Obama found themselves on the same page in dealing with the current crisis, perhaps reflecting the delicacy of the situation. Both said Russia had escalated the dispute beyond its catalyst, the conflict over South Ossetia; both said the United Nations Security Council should call for an end to the violence; both called for putting Georgia on a path toward membership in NATO; and both spoke of deploying an international peacekeeping force in the disputed areas that set off the fighting.(Na segunda-feira, entretanto, o sr. McCain e o sr. Obama encontravam-se do mesmo lado ao lidar com a crise atual, talvez refletindo a delicadeza da situação. Ambos disseram que a Rússia tinha escalado a disputa além de seu catalisador, o conflito com a Ossétia do Sul; ambos disseram que o Conselho de Segurança das Nações Unidas deveria pedir o fim da violência; ambos exigiram colocar a Geórgia no caminho para participar como membro da OTAN; e ambos falaram de conclamar uma força de paz internacional nas áreas em disputa que deram início à luta. – Ibid.).

Também na temática da guerra, uma menção é registrada em notícia quando o popular e moderado senador democrata Evan Bayh estava sendo cogitado para ser vice na chapa de Barack Obama. Esse senador apoiou o uso da força militar no Iraque, ao contrário de Obama que se opôs ao conflito desde o início. Assim, a partir do título da notícia, o New York Times aponta a contradição dessa aventada candidatura e, no decorrer da notícia, sinaliza para os cidadãos leitores (tanto americanos como globais) o posicionamento de Barack Obama quanto à guerra do Iraque:

(20) Título: Indiana Senator Offers Obama Risks and Rewards (Senador de Indiana Oferece a Obama Riscos e Recompensas - 12 de agosto).

(21) Mr. Bayh’s support of authorizing force in Iraq stands in sharp contrast to Mr. Obama’s oft-stated view that he showed the good judgment to oppose the conflict from the start. (O apoio do sr. Bayh para a autorização da força no Iraque caracteriza-se como um nítido contraste em relação à visão de Obama, frequentemente declarada, que ele demonstrou uma boa decisão ao se opor ao conflito desde o início. – Ibid).

Atentando-se para os grifos acima, observa-se que, pela intertextualidade - uma modalização avaliativa do próprio Obama -, o New York Times encampa a sua postura opondo-se à utilização da força militar americana na Guerra do Iraque e, dessa forma, aponta-o como o politicamente correto, ou seja, aquele que não se apresenta favorável ao envolvimento de seu país em tal conflito armado.

Nessa linha, Obama é aquele que, nas palavras de Hillary Clinton – uma abalizada fonte a ser creditada -, vai encerrar a guerra no Iraque com responsabilidade. Pela forma com que a citação das palavras da senadora Clinton foi inserida no contexto da matéria, implicitamente tem-se a sugestão de que McCain não porá fim à guerra com responsabilidade, ou simplesmente não porá fim à guerra do Iraque, conforme o trecho abaixo:

(22) She said that Mr. Obama would “end the war in Iraq with responsibility.” On that, like so many aspects of foreign policy, Mr. Obama and his opponent, Senator John McCain, have profoundly different visions that American voters need to understand in detail. (Ela [Hillary Clinton] disse que Obama “terminaria a Guerra no Iraque com responsabilidade.” Nesse caso, como em tantos aspectos de política externa, o sr. Obama e seu oponente, o senador John McCain, têm visões profundamente diferentes que os eleitores americanos precisam entender em detalhe. – Mr. Obama’s Moment – 28 de agosto).

O trecho acima está inserido em um editorial que o New York Times intitula o “Momento de Obama”, isto é, uma eleição em que suas características pessoais e as circunstâncias da ocasião (apoios recebidos, o desgaste do mandato de George W. Bush) o favorecem. Nessa direção, ao mesmo tempo em que aponta a posição de Obama com relação à Guerra no Iraque, o jornal, nos grifos acima, exorta os cidadãos eleitores para que fiquem atentos às profundas diferenças entre os dois principais candidatos. O título da matéria, porém, já define que o jornal quer direcionar os eleitores para Barack Obama, o que vai ao encontro das observações do estudioso Jack Lule: “A linguagem – na forma com que aparece nas manchetes e nos lides – é uma das formas pelas quais os jornais ajudam a guiar e estruturar a leitura (LULE, 2001: 69).

Por outro lado, a posição de McCain com relação à guerra do Iraque é apontada pelo periódico através de suas próprias respostas em uma entrevista concedida no mês de setembro e publicada em 6 de outubro. O candidato republicano contrapõe-se a Obama, que quer marcar uma data para a retirada das tropas americanas do Iraque:

(23) _What I was arguing against was setting a date for withdrawal, which I believe would lead to catastrophic consequences: a wider war, Iranian increase in influence, al-Qaeda establishing a base, and perhaps other nations being pulled into the conflict in the region, and maybe the return of the United States of America. (O que eu estava argumentando contra era o estabelecimento de uma data para a retirada, que eu acredito levaria a consequências catastróficas: uma guerra maior, aumento da influência iraniana, a al-Qaeda estabelecendo uma base, e talvez outras nações sendo arrastadas para o conflito na região, e talvez o retorno dos Estados Unidos da América [para o Iraque]. – Transcript of McCain Interview – 6 de outubro).

Em relação à guerra no Afeganistão, o New York Times indica que as posições dos dois candidatos são semelhantes:

(24) Both Mr. Obama and Mr. McCain have promised to increase the number of American troops in Afghnistan. (Tanto o sr. Obama como o sr.McCain prometeram aumentar o número de tropes americanas no Afeganistão. – McCain and Obama Advisers Briefed on Deteriorating Afghan War, 31 de outubro.)

Nesse caso, o periódico sugere ao próximo presidente reflexões sobre posturas que devem assumir quanto à referida guerra, escolhas que envolvem não somente os americanos, mas também cidadãos do Afeganistão e do seu entorno geopolítico:

(25) The next president will also face what could be politically fraught decisions about how aggressively to pursue a campaign against militants taking shelter in Pakistan’s tribal areas and whether to embrace negotiations under way in Afghanistan aimed at getting elements of the Taliban to lay down their arms. (O próximo presidente terá também que enfrentar o que poderia ser politicamente decisões pesadas sobre como empreender agressivamente uma campanha contra os militantes que se abrigam nas áreas tribais do Paquistão e se deve abraçar ou não as negociações em andamento no Afeganistão visando conseguir que membros do talibã deponham suas armas. - Ibid.).

3.Seguridade Social

Sobre seguridade social, o New York Times mostra, aos cidadãos americanos, plano revelado por McCain e direcionado para pessoas mais velhas. Atentando para os grifos do trecho abaixo, vê-se que o jornal esclarece aos cidadãos americanos que tal plano é voltado para os idosos e que custará uma alta soma aos cofres públicos. Com tais estratégias discursivas, o periódico insinua que o plano de McCain é eleitoreiro:

(26) In a plan in which most of the benefits would go to older voters, Mr. McCain proposed that people 59 and up who withdraw money from IRAs or 401(k) retirement plans in 2008 and 2009 pay a tax rate of 10 percent on the money rather than their higher normal rates. That part of the plan would cost $36 billion, based on the McCain campaign´s internal estimates. (Num plano em que a maioria dos benefícios iriam para os eleitores mais velhos, o sr. McCain propôs que pessoas com 59 anos ou mais que retirem dinheiro de planos de aposentadoria (IRA ou 401(k)) em 2008 e 2009 paguem uma taxa de imposto de 10 por cento sobre o dinheiro, ao invés de suas taxas normais mais altas. Essa parte do plano custaria $36 bilhões de dólares, baseada nas estimativas internas da campanha de McCain. – McCain Unveils New Economic Proposals, 15 de outubro.).

Observa-se, também, que, de um lado, o New York Times abre espaço para um conselheiro de McCain que, numa avaliação positiva, aponta que o plano de McCain para os mais velhos, bem como sua proposta de redução de impostos nos ganhos de capital de longo prazo, atingem todos aqueles que foram prejudicados pela crise financeira:

(27) Douglas Holtz-Eakin, Mr. McCain chief economic policy adviser, said that Mr. McCain´s new steps were “targed at people who have been hurt by the recent financial crisis – seniors, savers, workers, people who are trying to get to college.” (Douglas Holtz-Eakin, conselheiro chefe de política econômica do sr. McCain, disse que os novos passos de McCain foram “direcionados para pessoas que foram atingidas pela crise financeira recente – idosos, poupadores, trabalhadores, pessoas que estão tentando ingressar na faculdade. – Ibid.).

Por outro lado, o periódico desqualifica as propostas de McCain, apontando-as como uma resposta ao plano econômico de Obama lançado um dia antes e também como uma resposta à posição favorável do democrata nas pesquisas:

(28) The unveiling of Mr. McCain´s proposals come a day after his rival, Senator Barack Obama, announced his own economic plan and as polls show Mr. McCain continuing to lose ground to Mr. Obama nationally and in crucial battleground states. (A revelação das propostas do sr. McCain veio um dia depois que seu rival, o senador Barack Obama, anunciou seu próprio plano econômico e à medida que as pesquisas mostram o sr. McCain continuando a perder terreno para o sr. Obama em âmbito nacional e nos estados com disputa acirrada. – Ibid.).

Quanto a Obama, pela intertextualidade - vozes de seu partido -, o jornal assinala sua proposta para os mais velhos e para os mais jovens. No caso dos mais jovens, o jornal valoriza a proposta de Obama, embora aponte aos cidadãos americanos que muitos economistas se opõem à intenção do democrata:

(29) But where Mr. McCain proposed a lower tax rate for older Americans who do withdraw money, including the wealthy, Mr. Obama would help younger savers who tap into their retirement accounts to get by in the downturn. He would waive the 10 percent tax penalty for withdrawals before age 59 ½. Many economists object that doing so would further reduce the already low savings rate in the United States. (Mas onde o sr. McCain propõe uma taxa de imposto mais baixa para os americanos mais velhos que retiram dinheiro, incluindo os abastados, o sr. Obama ajudaria os poupadores mais jovens que entram em suas contas de aposentadoria para se manter durante a recessão. Ele suprimiria a penalidade de 10 por cento para retiradas antes dos 59 anos e meio. Muitos economistas condenam que fazendo isso reduziria mais as taxas de poupança já baixas nos Estados Unidos. – From 2 Rivals, 2 Prescriptions, 15 de outubro.).

Nessa mesma notícia acima citada, o New York Times sinaliza aos cidadãos americanos que ambos os candidatos trazem, em suas propostas, algum benefício para os investidores, proprietários de casas, aposentados e outros grupos:

(30) Whatever the relative merits and flaws, both candidates´ proposals would most likely have some short-term benefit for investors, homeowners, retirees and other groups. (Quaisquer que sejam os relativos méritos e falhas, ambas as propostas dos candidatos muito provavelmente teriam algum benefício no curto prazo para os investidores, proprietários de casas, aposentados e outros grupos. – Ibid.).

Uma das notícias, especificamente, dá destaque para as críticas de Obama às propostas de McCain sobre Seguridade Social, uma vez que chama a atenção do leitor no título e no lide:

(31) Título: Obama Criticizes McCain on Social Security (Obama Critica McCain em Securidade Social, 21 de setembro).

(32) Lide: Senator Barack Obama delivered an ominous warning to Florida voters on Saturday, suggesting that Senator John McCain would “gamble with your life savings” by investing Social Security money in private accounts that could be affected by the roiling financial markets. (O senador Barack Obama proferiu uma agourenta advertência aos eleitores da Flórida no sábado, sugerindo que o senador John McCain “jogaria com suas economias de uma vida”, investindo o dinheiro da Seguridade Social em contas privadas que poderiam ser afetadas pelos mercados financeiros turbulentos. – Ibid.).

Há também espaço para que as críticas de Obama sejam rebatidas, porém no decorrer da matéria, em local de menor visibilidade para os cidadãos eleitores:

(33) A spokesman for Mr. McCain, Tucker Bounds, accused Mr. Obama of trying to scare voters. In a statement, Mr. Bounds said, “John McCain is 100 percent committed to preserving Social Security benefits for seniors and Barack Obama knows it – this is a desperate attempt to gain political advantage using scare tactics and deceit.” (Um portavoz do sr. McCain, Tucker Bounds, acusou o sr. Obama de tentar assustar os eleitores. Numa declaração, o sr. Bounds disse, “John McCain está 100 por cento comprometido em preservar os benefícios da Seguridade Social para idosos e Barack Obama sabe disso – esta é uma tentativa desesperada de ganhar vantagem política usando táticas de amedrontamento e de engano.” – Ibid.).

4. Saúde

A partir do título de uma das notícias, assinada pelo colunista Paul Krugman, - Health Care Destruction (Destruição do Seguro Saúde) -, o New York Times faz uma análise das propostas dos dois principais candidatos com relação à saúde, mostrando as vantagens e desvantagens de ambos, mas destacando as desvantagens da proposta de McCain. O uso das escolhas lexicais “odeiam” (hate), “matariam” (would kill), “esvaziar” (to gut), “destruir” (to destroy) e “explodir” (blow up), grifadas abaixo, conduz à interpretação de que McCain e os republicanos têm a intenção de acabar com o plano de saúde das pessoas com menos de 65 anos:

(34) Conservative Republicans still hate Medicare, and would kill it if they could – in fact, they tried to gut it during Clinton years (that´s what the 1995 shutdown of the government was all about). But so far they haven´t been able to pull that off.

So John McCain wants to destroy the health insurance of nonelderly American instead. (Os republicanos conservadores ainda odeiam o Medicare [seguro de saúde], e o matariam se eles pudessem – de fato, eles tentaram esvaziá-lo durante os anos Clinton (foi sobre isso a paralisação do governo de 1995). Mas até agora eles não conseguiram ter sucesso./Então John McCain, ao invés disso, quer destruir o seguro saúde dos americanos que não são idosos. – Health care Destruction, 6 de outubro.)

(35) Mr. McCain, on the other hand, wants to blow up the current system, by eliminating the tax break for employer-provided insurance. And he doesn´t offer a workable alternative. (O sr. McCain, por outro lado, quer explodir o sistema atual, eliminando a quebra do imposto para o seguro provido pelo empregador. E ele não oferece uma alternativa praticável. – Ibid.).

(36) As a compensation, the McCain plan would give people a tax credit - $2,500 for an individual, $5,000 for a family – that could be used to buy health insurance in the individual market. At the same time, Mr. McCain would deregulate insurance, leaving insurance companies free to deny coverage to those with health problems – and his proposal for a “high-risk pool” for hard cases would provide little help. (Como compensação, o plano de McCain daria às pessoas um crédito de imposto - $2500 dólares para um indivíduo, $5 000 dólares para uma família – isso poderia ser usado para comprar um seguro saúde no mercado individual. Ao mesmo tempo, o sr. McCain desregularia o seguro, deixando as companhias de seguro livres para negar cobertura para aqueles com problemas de saúde – e sua proposta de um “conjunto de alto-risco” para os casos difíceis ajudaria muito pouco. – Ibid.).

Com relação à proposta de Obama sobre seguro saúde, o jornal também apresenta suas vantagens e desvantagens. Quando compara as propostas dos dois candidatos, indica aos cidadãos americanos que sob a proposta de Obama um maior número de americanos estariam cobertos. O New York Times finaliza a notícia acima citada condenando a proposta de McCain como “aterrorizadora”, uma vez que está calcada na lei de mercado e, consequentemente, na desregulamentação do setor:

(37) Barack Obama offers incremental reform: regulation of insurers to prevent discrimination against the less healthy, subsidies to help lower-income families buy insurance, and public insurance plans that compete with the private sector. His plan falls short of universal coverage, but it would sharply reduce the number of uninsured. (Barack Obama oferece reforma incrementada: regulação dos segurados para impedir discriminação contra os menos saudáveis, subsídios para ajudar as famílias de rendas mais baixas a comprar o seguro, e planos de seguro público que compitam com o setor privado. Seu plano tem falha na cobertura universal, mas reduziria drasticamente o número de não-segurados. – Ibid.).

(38) The good news, such as it is, is that more people would buy individual insurance. Indeed, the total number of uninsured Americans might decline marginally under the McCain plan – although many more Americans would be without insurance than under the Obama plan. (A boa notícia, tal como ela é, é que mais pessoas comprariam seguro individual. Na verdade, o número total de americanos não-segurados poderia declinar marginalmente sob o plano de McCain – embora muito mais americanos ficariam sem seguro do que sob o plano de Obama. – Ibid.).

(39) I agree: the McCain plan would do for health care what deregulation has done for banking. And I´m terrified. (Eu concordo: o plano de McCain faria para o plano de saúde o que a desregulação fez para o sistema bancário. E eu estou apavorado. – Ibid.).

Para ratificar sua crítica negativa ao plano de saúde proposto por McCain, o New York Times traz, pela intertextualidade, a posição do comércio americano – estampada no título e lide de matéria assinada, o que desqualifica o candidato republicano com visibilidade para os cidadãos eleitores, até mesmo para aqueles que só atentam para os destaques do jornal:

(40) Título: Business Cool Toward McCain´s Health Coverage (Comércio Esfria com Relação à Cobertura de Saúde de McCain, 7 de outubro).

(41) Lide: American business, typically a reliable Republican cheerleader, is decidedly lukewarm about Senator John McCain´s proposal to overhaul the health care system by revamping the tax treatment of health benefits, officials with leading trade groups say. (O comércio americano, tipicamente um confiável cabo eleitoral republicano, está decididamente indiferente sobre a proposta do senador John McCain de examinar o sistema de planos de saúde modificando o tratamento das taxas dos benefícios de saúde, dizem representantes de importantes grupos de comércio. – Ibid.).

A referida matéria traz, mais uma vez, à tona as críticas do democrata Obama à proposta de McCain e liga-a às críticas dos grupos atinentes ao comércio, numa estratégia discursiva que coloca o candidato republicano em posição desfavorável no tocante a propostas sobre planos de saúde:

(42) Officials with eight business trade groups contacted by The New York Times predicted the McCain plan would raise costs and force some employers to stop providing health benefits. (Representantes de oito grupos de transações comerciais contatados pelo New York Times previram que o plano de McCain aumentaria os custos e forçaria alguns empregadores a parar de oferecer benefícios de saúde. – Ibid.).

Na linha da saúde, o New York Times mostra que os dois candidatos perseguem o mito da “medicina preventiva” em suas propostas, citando, para tanto, palavras dos próprios candidatos:

(43) Senator John McCain argues that “the best care is preventive care,” and his health care reform claims that by “emphasizing prevention” and other measures “we can reduce health care costs.” Barack Obama’s plan says, “Simply put, in the absence of a radical shift toward prevention and public health, we will not be successful in containing medical costs or improving the health of the American people.” (O Senador John John McCain argumenta que “o melhor plano é o plano preventivo,” e sua reforma de plano de saúde afirma que “enfatizando a prevenção” e outras medidas “nós podemos reduzir os custos de planos de saúde.” O plano do senador Barack Obama diz, “Simplificando, na ausência de uma mudança radical em direção à prevenção e à saúde pública, nós não teremos sucesso em conter os custos médicos ou melhorar a saúde do povo americano.” – Campaign Myth: Prevention as Cure-All, 7 de outubro.).

Na matéria acima citada, o New York Times apresenta uma discussão da questão assinada por um especialista – um professor de medicina de um instituto de pesquisa nos Estados Unidos. Mostra como a medicina preventiva não implica a solução dos problemas de saúde, bem como a diminuição dos custos, ficando, na visão do especialista, no campo do mito, como o título da matéria indica: “Mito na Campanha: Prevenção como Remédio para Tudo”. Os trechos abaixo sintetizam as linhas da referida discussão:

(44) The term “preventive medicine” no longer means what it used to: keeping people well by promoting healthy habits, like exercising, eating a balanced diet and not smoking. To their credit both candidates ardently support that approach. (O termo “medicina preventiva” não mais significa o que costumava significar: manter as pessoas bem promovendo hábitos saudáveis, como exercitar, fazer uma dieta balanceada e não fumar. Para seus créditos ambos os candidatos apoiam ardentemente essa abordagem. – Ibid.).

(45) If preventive medicine were effective in improving the nation’s health, it might warrant these added expenditures. But you can’t assume it is. Early diagnosis may help some, but it undoubtedly leads other to be treated for “diseases” that would never have bothered them. That’s called overdiagnosis. (Se a medicina preventiva fosse eficiente em melhorar a saúde da nação, ela poderia justificar essas despesas a mais. Mas não se pode garantir isso. O diagnóstico precoce pode ajudar alguns, mas sem dúvida leva outros a serem tratados por “doenças” que nunca os teriam incomodado. Isso é chamado de superdiagnóstico. – Ibid.).

Ao final dessa matéria, o especialista exorta os candidatos para que tenham cuidado com aquilo que o senso comum entende por “medicina preventiva”. Naturalmente essa é a posição que o jornal endossa, pois ao pedir que tal especialista se manifeste sobre determinado assunto – como fonte ou como articulista -, o periódico conhece, de antemão, suas posições e sabe, assim, que direcionamento a argumentação trará para suas páginas, conforme se constata no trecho final da aludida matéria:

(46) Both presidential candidates need to challenge the conventional wisdom about preventive medicine. They should ask whether the path to a healthy society is the one that turns those who are well into patients anxious about their future. They should inquire whether more diagnoses will lead to more unnecessary treatment. And they should question whether suggestions that preventive medicine will save money – and fix the health care system – pass the tests of evidence and logic. (Ambos candidatos à presidência precisam desafiar a sabedoria convencional sobre medicina preventiva. Eles devem se perguntar se o caminho para uma sociedade saudável é aquele que transforma aqueles que estão bem em pacientes ansiosos sobre seu futuro. Eles devem se questionar se mais diagnósticos levarão a mais tratamentos desnecessários. E eles devem se perguntar se as sugestões de que a medicina preventiva economizará dinheiro – e consertar o sistema de planos de saúde – passam os testes de evidência e lógica. - Ibid.).

5. Hipotecas Imobiliárias

Outra temática que diz respeito às necessidades básicas do cidadão americano é a questão das hipotecas imobiliárias, assumidas em aquisições da casa própria. Em editorial de 7 de outubro – data de um dos debates entre os candidatos -, o New York Times questiona os postulantes à Casa Branca sobre como a crise financeira (de que as hipotecas fazem parte) afeta seus planos e promessas:

(47) The most immediate question is how the crisis will affect their plans and promises – because it will. (A pergunta mais imediata é como a crise afetará seus planos e promessas – porque ela afetará. – The Crisis Agenda, 7 de outubro.).

Inquire, dessa forma, os postulantes à presidência sobre questionamento que faz parte das expectativas do cidadão comum com respeito ao governo que substituirá George W. Bush. Especificamente sobre as hipotecas imobiliárias que levaram instituições bancárias à falência, o New York Times questiona Obama e McCain sobre como solucionariam a crise; deixa registrada uma crítica negativa a McCain, uma vez que este, ao contrário de Obama, não apoia a modificação na lei de falências (o que poderia ser uma solução para as hipotecas com problemas) e joga para a “ficção” a resolução da questão, esperando que o próprio setor de hipotecas se reorganize:

(48) We would like to hear the candidates tell Americans how they will stand up for homeowners. Mr. Obama supports amending the bankruptcy code so courts can modify troubled mortgages. Mr. McCain does not, clinging to the fiction that the mortgage industry will somehow, someday, voluntarily rework most of the junk loans. (Nós gostaríamos de ouvir os candidates dizerem aos americanos como eles se posicionam com relação aos proprietários de casas. O sr. Obama apoia uma emenda na lei de falências de forma que os tribunais possam modificar as hipotecas com problemas. O sr. McCain não, aderindo à ficção de que a indústria das hipotecas de alguma forma, em algum dia, voluntariamente reorganizará a maior parte dos empréstimos podres. – Ibid.).

Em outra matéria que aborda a questão das hipotecas, o New York Times aponta a crítica de Obama sobre a proposta de McCain, sem explicitar nesse espaço a proposta do democrata. Indica também a incoerência de McCain, mudando de posição de um dia para outro sobre quem pagaria os custos para a solução no setor imobiliário. Mais uma vez o periódico acrescenta outras críticas à desferida por Obama, orientando os cidadãos americanos que não só o candidato democrata desqualifica o plano de McCain, mas outros segmentos de destaque também o fazem – líderes republicanos no Congresso, bem como oficiais administrativos:

(49) While Mr. McCain initially said that lenders would cover the cost, a day later his campaign said that taxpayers would do so.

On Tuesday, Mr. Obama called the McCain mortgage plan one of his “very bad ideas.” But the mortgage relief has also drawn opposition from the right, including Republican leaders in Congress, casting doubts on the proposal’s prospects. Administration officials are critical of Mr. McCain’s plan to use the government’s $700 billion funds, since that money is for propping up struggling financial institutions nationwide.(Enquanto o sr. McCain inicialmente disse que os emprestadores cobririam os custos, um dia depois sua campanha disse que os contribuintes o fariam./Na terça-feira, o sr. Obama chamou o plano de hipotecas de McCain de uma de suas “ideias muito ruins.” Mas o auxílio às hipotecas também atraiu oposição da direita, incluindo líderes republicanos no Congresso, levantando dúvidas sobre as perspectivas da proposta. Oficiais administrativos criticam o plano de McCain por usar fundos de auxílio de $700 bilhões de dólares do governo, uma vez que esse dinheiro é para socorrer instituições financeiras em todo o país. – From 2 Rivals, 2 Prescriptions, 15 de outubro.).

A crítica a McCain com respeito às hipotecas imobiliárias é reiterada por outra notícia, em que o New York Times mostra-o criticado tanto pela direita como pela esquerda:

(50) Mr. McCain also reiterated his plan for the Treasury Department to buy troubled mortgages at face value and give qualified homeowners government guaranteed, low-interest mortgages based on their residences’ reduced value. Mr. McCain first said lenders would pay the difference, but subsequently his campaign said taxpayers would. The proposal has continued to draw criticism from the right and the left. (O sr. McCain também reiterou seu plano para o Departamento do Tesouro de comprar hipotecas com problemas pelo valor nominal e dar aos proprietários de casas qualificados hipotecas com juros baixos, garantidas pelo governo, baseadas no valor reduzido das residências. O sr. McCain primeiro disse que os emprestadores pagariam a diferença, mas em seguida sua campanha disse que os contribuintes pagariam. A proposta continua a atrair crítica da direita e da esquerda. – McCain Unveils New Economic Proposal, 15 de outubro.).

Também nesse caso a vacilação de McCain é apontada, conforme os grifos acima, indo de um lado para outro sobre quem pagará a conta do refinanciamento das casas hipotecadas – emprestadores ou contribuintes, sendo que, nesse último caso, certamente atingiria todo cidadão americano que paga impostos. Assim colocada a posição de McCain, um eventual governo seu seria uma incógnita para os americanos no tocante às hipotecas imobiliárias.

6. Pesquisas

Sobre as pesquisas de opinião pública, o New York Times dá visibilidade para as sondagens envolvendo os dois principais candidatos – Barack Obama e John McCain. Nesse aspecto o título e o lide de uma notícia são negativos para McCain, pois o jornal avalia que seus ataques ao adversário “ricochetearam” em si próprio. Essa escolha lexical ironicamente faz eco com a biografia de McCain, um ex-combatente no Vietnã, com posturas pró-guerras (conforme item sobre “guerras”, anteriormente analisado). Nesse sentido, observa-se que “a enunciação irônica apresenta a particularidade de desqualificar a si mesma, de se subverter no instante mesmo em que é proferida” (MAINGUENEAU, 2001:175). Ao mesmo tempo, o uso do verbo “ricochetear” estabelece a interdiscursividade do discurso jornalístico com o discurso militar, possivelmente com o objetivo de desbancar McCain da posição de herói de guerra que ele evocou durante a campanha presidencial (DOTA, 2009b: 8). Confiram os trechos abaixo, inclusive com dados numéricos de pesquisa para dar destaque aos fatos e conferir autenticidade à posição do jornal:

(51) Poll Says Attacks Backfire on McCain (Pesquisas Dizem que os Ataques Ricochetearam em McCain – 15 de outubro.).

(52) The McCain campaign´s recent angry tone and sharply personal attacks on Senator Barack Obama appear to have backfired and tarnished Senator John McCain more than their – intended target, the latest New York Times/CBS News poll has found. (O recente tom raivoso da campanha de McCain e os ataques violentos ao senador Barack Obama parecem ter ricocheteado e manchado o senador John McCain mais que seu – pretendido alvo, o que as últimas pesquisas New York Times/CBS descobriram. – Ibid.).

(53) Over all, the poll found that if the election were held today, 53 percent of those determined to be probable voters said they would vote for Mr. Obama and 39 percent said they would vote for McCain. (Além de tudo, a pesquisa apontou que se a eleição fosse hoje, 53 por cento daqueles que pretendem votar disseram que votariam em Obama e 39 por cento disseram que votariam em McCain. – Ibid.).

Duas outras matérias destacam a vantagem de Obama no título e no lide, em data muito próxima da eleição – 31 de outubro, conforme exemplificam os trechos abaixo. Dessa forma, o periódico sinaliza aos cidadãos americanos o quadro da disputa presidencial e, ao mesmo tempo, divulga em local de destaque a posição favorável de Obama:

(54) Título: Poll: Obama Maintains Wide Leads in Iowa and Wis. (Pesquisa: Obama Mantém Grandes Vantagens em Iowa e Wisconsin, 31 de outubro.).

(55) Título: Obama Retains Seven-Point Lead on McCain (Obama Detém Vantagem de Sete Pontos sobre McCain, 31 de outubro.).

(56) Lide: Democrat Barack Obama´s lead over Republican rival John McCain held steady at seven points as the race for the White House entered its final four days, according to a Reuters/C-Span/Zogby poll released on Friday. (A liderança do democrata Barack Obama sobre seu rival John McCain mantém-se firme com sete pontos à frente, à medida que a corrida pela Casa Branca entra nos seus quatro dias finais, de acordo com uma pesquisa Reuters/C-Span/Zogby liberada na sexta-feira. – Ibid.).

No decorrer de outra notícia, a vantagem do democrata nas pesquisas é também apontada e a posição desfavorável de McCain é assinalada, conforme o trecho (28) acima que mostra McCain perdendo terreno para Obama em âmbito nacional e mesmo em estados onde a disputa costuma ser acirrada. Quando há uma referência a uma disputa apertada nas pesquisas, essa se dá pela intertextualidade, ou seja, a própria voz de McCain indica que ele e seu oponente travam uma luta acirrada; o jornal não atesta essa informação:

(57) Obama continues to tie McCain to the policies of President Bush. But McCain says he has been able to shake that comparison for the most part – and he cites polls showing a closer race as evidence. (Obama continua a ligar McCain às políticas do presidente Bush. Mas McCain diz que ele foi capaz de derrubar essa comparação em sua maior parte – e ele cita as pesquisas mostrando uma disputa acirrada como evidência. – McCain: Obama´s Economic Policies Are Left-Wing, 31 de outubro.).

Conclusões

A partir da análise empreendida e tendo em vista as temáticas levadas em consideração, pode-se afirmar que o New York Times traz informações esclarecedoras para os cidadãos americanos sobre questões muito próximas de seu cotidiano.

É importante que os americanos conheçam as características pessoais daquele que irá governar o seu país. Assim, o New York Times faz um contraponto entre os dois principais candidatos, mostrando, de um lado, Obama – um intelectual, calmo, reflexivo, que analisa os dois lados do problema, que toma decisões baseadas em sua experiência e que preza o trabalho em equipe. Suas ligações com a esquerda não impedem, na ótica do jornal, que ele possa formar um governo de consenso e que possa solucionar os problemas do país.

McCain, por outro lado, é apresentado como antiquado, aquele que não entende de economia e quer facilitar a vida dos mais ricos no tocante a impostos. Também é mostrado como irascível, destemperado e defensor do trabalho individual de cada homem.

Na temática das guerras, McCain é visto pelo jornal como o “linha dura” que cultiva o enfrentamento quando os conflitos ocorrem, como no caso da Rússia X Geórgia. Obama, ao contrário, é aquele que propõe o diálogo e busca evitar o confronto. Essa temática diz respeito não somente ao cidadão americano, em função de ter seu país enredado em guerras externas e, por conseguinte, ter excessivos gastos militares, mas também aos cidadãos de outras partes do globo como Iraque e Afeganistão, que sofrem a intervenção americana em suas nações.

No que tange à seguridade social, assunto muito próximo de qualquer cidadão uma vez que diz respeito à sua sobrevivência na velhice, o New York Times aponta que o candidato McCain tem uma proposta voltada para os mais velhos, mas, ao mesmo tempo, denuncia o alto custo de seu plano, mostrando-o como uma estratégia de campanha para combater o plano de Obama sobre seguridade social e para tentar aumentar os índices do republicano nas pesquisas. Ainda nessa temática, o New York Times valoriza a proposta de Obama para os mais jovens, embora aponte críticas de economistas sobre ela.

Com relação aos planos de saúde, o periódico aponta que a proposta de Obama cobre um número maior de americanos, enquanto a proposta de McCain lastreia-se nas leis de mercado e na desregulamentação do setor. Além do mais, o jornal solicita aos candidatos que se acautelem com a “medicina preventiva” nos moldes como é praticada atualmente, uma vez que sua relação custo-benefício é muito baixa.

Sobre as hipotecas imobiliárias, o New York Times enfatiza que a posição de McCain não permitiria solucionar o problema, pois ele, contrariamente a Obama, não é favorável à modificação da lei de falências que permitiria solucionar as hipotecas com problemas. Além do mais, sua proposta sobre as hipotecas não deixa claro quem arcará com os custos de refinanciamentos no setor. Essa incógnita sobre o assunto certamente continuaria a ter implicações na crise financeira, com consequências tanto para americanos quanto para cidadãos de outros países.

As sondagens de opinião apresentadas pelo periódico enfatizam a liderança de Obama, em posição de destaque em matérias analisadas, tais como título e lide, o que lhe confere visibilidade e impulso como o candidato que está à frente na corrida presidencial.

Levando-se em consideração as discussões levantadas em cada uma das temáticas, conclui-se que a cobertura do New York Times, com referência aos dois principais candidatos, aponta Obama como aquele que possui as características e posições que preenchem os requisitos necessários para ser eleito presidente dos Estados Unidos. Essa postura do jornal se delineia tanto antes como depois da publicação do editorial em que o periódico se manifestou explicitamente a favor de Obama, indicando com argumentação contínua o lado que defende. Essa tomada de posição do New York Times sobre uma candidatura à presidência dos Estados Unidos é anteriormente comentada por um de seus editores: “´Se o editor vai permitir que sua página do editorial comente sobre o que acontece no mundo quando se trata de assuntos cotidianos,´ Punch Sulzberger declarou, ´ele não pode fingir que não pode se decidir sobre quem governará o país´” (Apud DIAMOND, 1994: 288).

Acredita-se que os meios de comunicação social, juntamente com outras forças como os partidos políticos, as organizações sociais, “funcionam como agentes mediadores para a atribuição de sentido ao mundo e às mensagens que dele constantemente recebemos” (SOUSA, 2006: 207). Assim, a partir de seu ponto de vista e pela “atribuição de sentidos”, o New York Times contribui para a construção da realidade no tocante à disputa presidencial americana de 2008 e, nessa perspectiva, traz informações que se mostram relevantes para o esclarecimento tanto de leitores/cidadãos americanos como de leitores/cidadãos do mundo.

Bibliografía/Referencias


  • CHARAUDEAU, Patrick, 2006, Discurso das mídias, São Paulo: Contexto.

  • DIAMOND, Edwin, 1994, Behind the times: inside the new New York Times, Chicago: The University of Chicago Press.

  • DOTA, Maria Inez Mateus, 2009ª, “A questão econômica na campanha presidencial americana: a cobertura do New York Times”, comunicação apresentada no 57º. Seminário do Grupo de Estudos Linguísticos do Estado de São Paulo, Ribeirão Preto, 6 a 8 de julho de 2009.

  • DOTA, Maria Inez Mateus, 2009b, “Eleições presidenciais americanas: estratégias de campanha na visão do New York Times”, em Anais do XXXII Congresso Brasileiro de Ciências da Comunicação (em CD), Curitiba, 4 a 7 de setembro de 2009.

  • FAUSTO NETO, Antônio, 2003, “Fragmentos de uma enunciação desmesurada”, em Antônio FAUSTO NETO & Eliseo VERÓN (orgs.), Lula presidente: televisão e política na campanha eleitoral, São Leopoldo, RS: Unisinos, pp. 119-146.

  • LAGO, Cláudia & BENETTI, Marcia, 2007, Metodologia de pesquisa em jornalismo, Petrópolis, RJ: Vozes.

  • LULE, Jack, 2001, Daily news, eternal stories: the mythological role of journalism, New York: The Guilford Press.

  • MAINGUENEAU, Dominique, 2001, Análise de textos de comunicação, São Paulo: Cortez.

  • SOUSA, Jorge Pedro, 2004, Introdução à análise do discurso jornalístico impresso: um guia para estudantes de graduação, Florianópolis: Letras Contemporâneas.

  • SOUSA, Jorge Pedro, 2006, Elementos de teoria e pesquisa da comunicação e dos media, Porto: Edições Universidade Fernando Pessoa.

  • TRAQUINA, Nelson, 2004, Teorias do jornalismo, porque as notícias são como são, Florianópolis: Insular.


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