IV Congreso de la CiberSociedad 2009. Crisis analógica, futuro digital

Grupo de trabajo B-9: Internet, tecnologias digitais e estilos de vida

A heterogenia cibernética: sistemas sociais, comunidades virtuais e tecnologia no ciberespaço

Ponente/s


Resumen

O texto analisa algumas das implicações trazidas pelo crescente uso da tecnologia cibernética no mundo contemporâneo. Examina, também, a natureza do espaço social cibernético criado através dessa prática comunicacional, o ciberespaço. Como reflexão de fundo, essas análises são acompanhadas por uma discussão sobre comunidades virtuais envolvidas tanto nas questões referentes aos sistemas sociais como às questões referentes ao ciberespaço.

Contenido de la comunicación

Pensar neste milênio as relações que se estabelecem entre sistemas sociais1 e a tecnologia é um dado fundamental para mapear algumas possibilidades mais estimulantes para a prática informacional, mas também, paradoxalmente, alguns dos mais perigosos desafios com que ela se depara. De fato, das recentes relações que se têm estabelecido entre sistemas sociais e tecnologia emerge certo caráter pernicioso que está intimamente ligado a um fenômeno taxionômico da prática informacional. Por um lado, as novas perspectivas de ação oferecidas pela utilização de toda a panóplia tecnológica deste final e início de século afirmam-se providenciais, por outro estabelecem uma nova padronização do campo de ação informação. Segundo Robredo (2003 : 19): “Sentimos já o princípio de que a informação é, sim, em todos os campos do saber e em todos os domínios de aplicação, informação e simplesmente informação.”

Fundamentados em algumas concepções de Allan Kaprow (1996), é possível dizer que os novos profissionais da informação de hoje já não precisam se afirmar, eu sou um arquivista ou eu sou um bibliotecário ou um museólogo. Eles são simplesmente profissionais da informação. E seu principal objetivo, enquanto profissionais, é transmutar os recursos informacionais do Ciberespaço e aprender e adaptar-se às mudanças ambientais. A criação da informação, aquisição, armazenamento, análise e uso, provêm da estrutura intelectual que dá suporte ao crescimento e desenvolvimento de uma dinâmica inteligente adaptada às exigências e novidades da ambiência. Ao compreender isso, tudo na vida se abrirá para ele, melhor dizendo para nós. Estas, estamos certos, serão as alquimias deste século. Não poderemos agora falar, em certa medida, de uma inversão do problema? Com as novas denominações surgidas – gestor da informação, gestor do conhecimento, cibertecário, analista de informação dentre outros – não estaremos perante um retorno a “taxionomia” da prática informacional em função dos meios utilizados?

Todo trabalho de libertação da informação relativamente a esse tipo de enquadramento, numa procura incessante de um comportamento conceitual mais elástico, parece assim “cair por terra” por um novo discurso que permite ao profissional da informação encontrar-se nova e temporariamente num lugar de identificação com os territórios reclamados pelo poder, em seu sentido lato. Essa inserção no mesmo ambiente em que nidificam as propostas tecnológicas do poder é a evidência com que se depara o profissional da informação que utiliza, de algum modo, das tecnologias contemporâneas no seu trabalho. Caberá então perguntarmos: pode o crescente desenvolvimento tecnológico da informação e dos profissionais da informação ser entendido como um sinal acrescido da inequívoca e continuada teia de cumplicidades (inconscientemente, ou talvez não), tantas vezes negada em um passado ainda recente, estabelecida com a chamada globalização ou como preferimos utilizar, mundialização do capital?

Observando o problema por outro ângulo, reencontramo-nos aqui com a noção vanguardista da experimentação e com a recuperação de uma acentuada importância dos meios. Este retorno a conceitos de essência kantiana (finalidade sem fins) relocaliza a discussão em torno de uma carga laborial tradicionalmente valorizada pelo fazer associado aos materiais/suportes. E se por um lado é interessante analisar a premência de um pendor experimental no labor atual, que o distancia claramente da categorização burocrática em que tantas vezes se enredou, será também urgente certo distanciamento crítico perante essa mesma tecnologia que pode por vezes atuar não como potenciadora de um campo aberto de possibilidades mas antes como um mero espartilho. Não obstante, conforme Robredo (2003 : 91):

[...] a inseparável associação da informação a algum tipo de sistema, a nova visão do processo de comunicação associado a um enfoque sociológico de transmissão da informação e da geração do conhecimento e, enfim, a situar as atividades relacionadas com a biblioteca, a documentação, os arquivos, a armazenagem, a difusão e a recuperação da informação, dentro desse conceito expandido da ciência da informação, os quais, ao tempo que se beneficiam dos avanços de outros domínios, também aportam a estes, elementos para sua evolução e se desenvolvimento.

Procurando ainda outra perspectiva, também poderemos falar das relações de proximidade e afastamento perante a realidade que ainda estão indelevelmente ligadas à própria contaminação tecnológica. Aliás, pensar essa realidade como sistema racional de causas e efeitos, numa perspectiva linear e segundo um modelo de objetividade “cientifica”, é reduzir as infindáveis possibilidades que nos abre questionamento da visão unívoca do mundo que muitas vezes nos é oferecida e que afirma a maior parte das vezes uma atitude colonialista e poderosa de taxionomia e manipulação. Ora, a velocidade dos acontecimentos do mundo, pelo menos na sua aparência, nega toda esta unicidade.

Perdem-se assim as noções clássicas capazes de contribuírem para uma definição da realidade. Por outro lado, esta multiplicação dos referentes pode-nos remeter para uma experiência da liberdade (se é que podemos utilizar este termo) que oscila entre a idéia de pertencimento e desenraizamento, i.e., a abundância de acontecimentos pode igualmente representar o caldo ideal para uma reavaliação contemporânea da deriva Baudelairiana. Torna-se difícil de perceber se, através do processo levado a cabo pela técnica de transformação de uma realidade estável numa outra fantasmagórica, perderemos as referências ou nos limitaremos a reconstruí-las a partir de novas coordenadas.

[...] os objetos técnicos tendem a ser ao mesmo tempo técnicos e informacionais, já que, graças à extrema intencionalidade de sua produção e de sua localização, eles já surgem como informação; e, na verdade, a energia principal de seu funcionamento é também a informação. (SANTOS, 2002 : 238).

Sintaticamente, em um dos pólos temos o imenso campo aberto de possibilidades (um novo expanded field) oferecido pelas novas tecnologias, fato que está umbilicalmente ligado a uma nova reavaliação da idéia de experimentação e à criação de territórios de ação aparentemente libertos dos constrangimentos clássicos; no outro extremo encontra-se a perigosa aproximação aos territórios reclamados pelo poder e a oferta do flanco que representa a aceitação de um novo modelo ordenador para a prática informacional.

Cada novo agenciamento, cada "máquina" tecnossocial acrescenta um espaço-tempo, uma cartografia especial, uma música singular a uma espécie de trama elástica e complicada em que as extensões se recobrem, se deformam e se conectam, em que as durações se opõem, interferem e se respondem. A multiplicação contemporânea dos espaços faz de nós nômades de um novo estilo: em vez de seguirmos linhas de errância e de migração dentro de uma extensão dada, saltamos de uma rede a outra, de um sistema de proximidade ao seguinte. Os espaços se metamorfoseiam e se bifurcam a nossos pés, forçando-nos à heterogênese. (LÉVY, 1996 : 23)

No fundo, é neste jogo paradoxal entre esperança e decepção, entre experiência da liberdade e o constrangimento da clausura, entre a potência e a realização, entre a realidade e o seu duplo que podemos encontrar parte das premissas para a descoberta de alguns riscos evidentes da imbricação entre sistemas sociais e tecnologia. Entrementes, esses riscos e essas dúvidas acabam por se afirmar, como veremos, um aliciante território para a prática informacional.

PRINCIPIOS RIZOMÁTICOS

O Ciberespaço implica um completo estilhaçar das noções básicas de localização e de desenraizamento. Mais do que como um lugar, ou antes, um não-lugar, afirma-se como meio, i.e., um espaço operativo onde nos movemos. O Ciberespaço ultrapassa assim todos os paradigmas de representação do real. Ao contrário dos clássicos modelos de representação, não se define por uma relação mimética com a realidade mas antes através de um processo de replicação de sua estrutura e modo de funcionamento. De fato, esses modelos funcionam como sistemas arborescentes enquanto que o Ciberespaço é um sistema rizomático, bem mais complexo e pleno de multiplicidades, opondo à re-presentação uma apresentação. Esta oposição entre uma estrutura em árvore, que imita o mundo pela sua epiderme, e o rizoma, capaz de construir uma nova realidade parece-nos fundamental para a definição do meio particular da Internet.

Gilles Deleuze e Félix Guattari (1995) estabeleceram com precisão os princípios de funcionamento do rizoma. A sua simples enumeração poderá ser suficiente para entendermos as diferenças em jogo. Vejamos:

1° e 2° - princípios de conexão e de heterogeneidade: qualquer ponto do rizoma pode ser conectado com qualquer outro, e deve sê-lo. Isso não sucede com a árvore nem com a raiz, que sempre fixam um ponto, uma ordem. Enquanto a árvore funciona por dicotomias, no rizoma, pelo contrário, cada quebra não remete necessariamente para uma quebra lingüística: elos semióticos de qualquer natureza ligam-se nele com formas de codificação muito diversas, elos biológicos, políticos, econômicos etc., pondo em jogo não apenas regimes de signos muito distintos, mas também os estatutos das coisas.

3° - princípio da multiplicidade: só quando o múltiplo é tratado efetivamente como substantivo, multiplicidade, deixa de ter relação com o Uno como sujeito ou como objeto, como realidade natural ou espiritual, como imagem e mundo. As multiplicidades são rizomáticas e denunciam as pseudomultiplicidades arborescentes. Uma multiplicidade não tem nem sujeito nem objeto, mas unicamente determinações, tamanhos, dimensões que não podem aumentar sem que ela mude de natureza – as leis de combinação aumentam, pois, com a multiplicidade.

4° - princípio da ruptura asignificante: que aparece por oposição aos cortes excessivamente significantes que separam as estruturas ou as atravessam. Um rizoma pode ser rompido, interrompido em qualquer parte, mas sempre recomeça segundo esta ou aquelas das suas linhas e ainda segundo outras. É por isso que os autores afirmam que é impossível acabar com as formigas, posto que formam um rizoma animal que mesmo destruído na sua maior parte, não cessa de se reconstituir.

5° e 6° - princípio da cartografia e da decalcomania: um rizoma não responde a nenhum modelo estrutural ou generativo. É alheio a toda a idéia de eixo genético, como também de estrutura profunda. Os sistemas em árvore funcionam por decalque da realidade, limitam-se a descrever algo que se dá por feito. De forma distinta funciona o rizoma, como um mapa. Se o mapa se opõe ao decalque é precisamente porque está totalmente orientado para uma experimentação que atua sobre o real. O mapa não reproduz um inconsciente fechado sobre si mesmo, constrói-o. O mapa é aberto, conectável em todas as suas dimensões, desmontável, alterável, susceptível de receber constantemente modificações. Pode ser rompido, alterado, adaptar-se a montagens distintas, iniciadas por um indivíduo, um grupo, uma formação social. Uma das características mais importante do rizoma talvez seja a de ter sempre múltiplasentradas.

Seria difícil encontrar uma conceitualização da realidade do Ciberespaço mais próxima da sua natureza. Se em cada um dos princípios antes enumerados substituíssemos a palavra rizoma por Ciberespaço, ou mesmo Internet, poderia parecer que nos encontrávamos perante um texto pensado de raiz para o seu enquadramento conceitual. De fato, se recuarmos até a pré-história da Internet, i.e., à rede ARPANET, desenvolvida ironicamente para fins militares – com o objetivo de criar uma rede de comunicações que pudesse sobreviver a um hipotético ataque nuclear – verificaremos que os princípios que conduziram o desenvolvimento desse projeto coincidem em grande medida coma a definição de uma estrutura rizomática. Ora, a ARPANET foi construída exatamente como um sistema não hierárquico, heterodoxo na sua estrutura, replicante, solidário no que toca à circulação da informação, capaz de mutações constantes que lhe garantissem a sobrevivência operativa em condições adversas. Tal como as formigas que Deleuze e Guattari (1995) usavam como exemplo, a ARPANET, e agora sua descendente direta – a Internet foi concebida para sobreviver como um todo independentemente do destino de cada um dos seus nódulos. Faltará ainda saber a capacidade de reação desta estrutura a sobrevinda de um acidente informático global.

A rede não tem centro, ou melhor, possui permanentemente diversos centros que são como pontas luminosas perpetuamente móveis, saltando de um nó a outro, trazendo ao redor de si uma ramificação infinita de pequenas raízes, de rizomas, finas linhas brancas esboçando por um instante um mapa qualquer com detalhes delicados, e depois correndo para desenhar mais à frente outras paisagens de sentido.(LÉVY, 19987 : 25-26)

Mas qual então a natureza do fascínio, para lá da dimensão operativa elástica que parece ser óbvia, que o Ciberespaço exerce sobre este início de século, sobre os indivíduos que o escolhem habitar, ainda que temporariamente? Ballard (1996) observa que, no passado partíamos sempre do princípio que o mundo exterior representava a realidade, por muito confusa ou ambígua que esta se apresentasse, ao passo que o nosso universo mental, com seus sonhos, esperanças ambições, era o reino da fantasia e imaginação. Estes papéis, ao que me parece, inverteram-se. O método mais prudente e eficaz de lidar com o mundo consiste em partir do princípio que se trata de uma completa ficção – e que, reciprocamente, o pequeno nódulo de realidade de que ainda dispomos se situa dentro das nossas cabeças. A distinção clássica estabelecida por Freud (1999) entre o conteúdo latente e manifesto dos sonhos, entre o aparente real, deverá ser agora atribuída à pretensa realidade do mundo exterior.

Poderíamos, em jeito de resposta à pergunta que formulamos e mesmo arriscando uma postura herética às visões dogmáticas da realidade, afirmar que esse pequeno nódulo que temos dentro de nossas cabeças (também ele é uma complexa estrutura rizomática constituída por diversos nódulos e um intricado sistema de circuitos) encontra talvez nesse lugar que é o Ciberespaço uma estrutura que o replica de um modo totalmente novo. É porventura dessa aproximação entre dois sistemas aparentemente tão diversos e com naturezas distintas que resulta o fascínio exercido pelo Ciberespaço. Na verdade, a força do Ciberespaço não se encontra na sua instituição como uma realidade alternativa, mas antes no fato de o seu funcionamento se aproximar às descontinuidades e multiplicidades do próprio pensamento, também ele assente num sistema rizomático.

O VERDADEIRO NÃO-LUGAR

Com o Ciberespaço encontramos, pois uma revolução profunda na concepção dos territórios em que nos movemos – dando-nos uma noção de espaço excessivo, superabundante, que mais uma vez se relaciona com a perda de referência. Ora, se este espaço não se pode caracterizar pela sua identidade, pela sua historia, não pode ser catalogado, nem circunscrito, estamos então a falar de um não-lugar. Podemos pensar também nas auto-estradas, nos hipermecados e também nos sistemas bancários, espaços que não criam nenhuma identidade singular, nenhuma relação, somente indiferenciação. Mas estes são não-lugares físicos, muitas vezes estruturados como uma árvore (embora o uso se encarregue freqüentemente de subverter essa estrutura). O rizoma da Internet coloca outro tipo de questões e apresenta-se como um território bem mais rico de possibilidades e experiências. Contudo, também podemos perguntar como é possível atuar de modo relacional no seio desta nova realidade de um mundo voltado à individualidade solitária, como diz Marc Augé (1994). O paradoxo do funcionamento do rizoma internético está intimanente ligado ao fato deste ser constituído por uma enorme quantidade de nódulos que, apesar de conectados entre si através de uma complexa rede de relações, podem funcionar igualmente como instrumentos de alheamento e alienação do indivíduo, do grupo, da sociedade.

FLUXOS DE INFORMAÇÃO

Os usos imensuráveis do Ciberespaço refletem as complexidades psíquicas, afetivas, social, ética, cultural, econômica e político-ideológica do mundo contemporâneo. Diante das telas dos monitores, trafegam o voraz comércio eletrônico, a guerra entre os fabricantes de softwares, os hackers, os vírus, a pornografia, projetos militares e seitas místicas. Em compensação, dispomos de uma escala impressionante de informações, cultura e divertimento, programas educacionais e científicos, bases públicas e privadas, trocas entre indivíduos, grupos e instituições, e modalidades promissoras de intervenção política, cultural e social.

Para além dos artefatos informacionais, do entretenimento e das pesquisas, o Ciberespaço afigura-se como fórum on-line capaz de revitalizar movimentos civis, na atmosfera de permutas da cultura de redes. Organizações não-governamentais, sindicatos, associações profissionais e partidos políticos procuram estreitar vínculos e incrementar campanhas reivindicatórias valendo-se dos efeitos de amplificação da Web. São indivíduos e instituições identificadas com causas e comprometimentos semelhantes, que se interrelacionam, por ligações de diferentes lugares do mundo, em grupos e listas de discussão, ou conferências eletrônicas. Elas ainda alimentam a circularidade de conteúdos entre suas home pages, através de links que se remetem e se referenciam uns aos outros, por temáticas correlatas. Conforme Ullman (2001 : 24):

[...] as necessidades humanas precisam atravessar a linha que as transformará em código. Precisam passar pela membrana semipermeável em que a urgência, a esperança, e o medo são filtrados, e somente a razão segue adiante. Não tem outro jeito. Vírus reais que levam a morte não chegam aqui. Confusões humanas de verdade não vivem aqui. Tudo que se quer alcançar, tudo que o sistema pode oferecer, deve ser desnaturado ao passar para o computador. Caso contrário, o sistema morre.

Eis aí outra dimensão da ética por interações: estimula processos tecnocomunicacionais de inserção político-social de forças contra-hegemônicas, sobrepujando os filtros ideológicos e as políticas editoriais dos complexos de mídia. É o que acontece quando um leitor desconfia da credibilidade do noticiário de um jornal ou revista sobre determinado acontecimento. Ele pode consultar dezenas de publicações on-line sobre o assunto. E se ainda assim não se convencer, resta-lhe refinar a pesquisa nos mecanismos de buscas. A garimpagem concorrerá para a formação de juízos sem o contágio de manipulações sutis ou grosseiras.

A abundância de variedades no Ciberespaço contraria a imaginação dos que se habituaram ao predomínio dos efeitos massivos de simulação, ou daqueles que insistem em esgrimir conceitos sobre as mídias clássicas que perderam validade na Internet. Cedo ou tarde, eles precisarão considerar que a arena multimídia on-line requisita planos específicos de comunicação, pois um número crescente de segmentos sociais e de subjetividades migra para ela e secreta aspirações diferenciadas.

É indispensável ressaltar que não concebemos o Ciberespaço como uma esfera autônoma, divorciada dos embates sociais concretos. Ao contrário, a práxis virtual guarda uma relação de complementaridade com o real, e não de substituição de antigos dispositivos de comunicação. O virtual é uma existência potencial, que tende a atualizar-se. A atualização envolve criação, o que implica produção inovadora de uma idéia ou de uma forma. O real, por sua vez, corresponde à realização de possíveis já estabelecidos e que em nada mudarão na sua determinação ou em sua natureza. Já a virtualização deve ser entendida como uma mutação de identidade, um deslocamento do centro de gravidade ontológico.

O indivíduo passa da situação atual, correspondente a uma solução, para um campo de interrogação que o obriga a propor coordenadas como resposta a uma questão particular. “Hoje estamos todos presos à rede global, digo a mim mesma [sic], presos e ligados a ela. A nova droga: o instante, o agora, o universal” (ULLMAN, 2001 : 35).

Ponto nodal da simbiose real-virtual, o Ciberespaço situa-se na base de criação de uma fronteira a um só tempo física e abstrata. Física e tangível, porque sua infra-estrutura operacional é feita de interfaces gráficas, de modems e de discos rígidos. Abstrata e intangível, pois os conteúdos remetem à ordem da representação, da cognição e da emoção. Sem atributos físicos e existindo independentemente deles, o Ciberespaço tem força simbólica para ampliar as percepções da realidade. O mundo on-line, conforme Derrick Kerckhove (1997 : 80), herdeiro de Marshall McLuhan, define-se como "uma realidade que se pode tocar e sentir, ouvir e ver através dos sentidos reais -- não só com ouvidos ou olhos imaginários". O virtual estende e expande sujeitos, por meio de tecnologias que não apenas prolongam as propriedades de envio e recepção de mensagens, como penetram e modificam a consciência de seus utilizadores, transformando-se em extensões quase orgânicas do nosso ser mais íntimo.

Os processos de significação não se anulam, eles se mesclam e acentuam relações de sinergia. A Cibercultura não se superpõe às culturas preexistentes, nem as aniquila. A dialética ativa desdobramentos e remissões; no lugar de divisões e estacas demarcatórias, estabelecem-se os nexos, as bricolagens e as hibridações.

Identidades culturais organizadas podem ramificar-se nos fluxos eletrônicos, sem perder seu enraizamento na memória afetiva das sociedades.

O rádio não substituiu o jornal, a TV não acabou com o rádio e a Internet não vai ocupar o lugar de ninguém. O que sobressai na Web é a sua reformulação permanente, capaz de impedir a subsistência de monopólios de difusão. Os fluxos informacionais ininterruptos, potencializados pelos recursos da hipermídia, funcionam como ímãs eletrônicos: multiplicam-se ciberrádios, os ciberjornais, as ciberagências publicitárias, os cibervídeos e as cibertelevisões. Os veículos mantêm traços distintivos originais (o som radiofônico, o audiovisual televisivo) e imbricam-se com as formas flexíveis e multissensoriais inerentes ao ecossistema digital. Uma emissora de rádio no ciberespaço não somente toca música, intercalada por notícias, anúncios e gags dos DJs; promove faixas de CDs e fitas-demo, exibe videoclipes e shows, compila entrevistas, estoca clippings, seleciona hotlinks, segmenta-se por gêneros (rock, pop, música popular brasileira, música clássica, jazz). Basta clicar o mouse para deslocar-se no espaço e no tempo sem sair de seu lugar nem de sua hora e viver as mais ousadas aventuras do corpo, da mente e das paixões, sem perder o juízo ou trair o coração.

Seria um equívoco encarar a Internet como um mercado paralelo e estanque, dissociado das demais mídias e das conjunturas sociais. Não interligá-la àquelas instâncias significaria entendê-la como fim e não como um meio para se atingir metas maiores. Haveria o risco de, paulatinamente, ela perder significado histórico e importância cultural. A sua pujança provém de interações diretas e interinfluências de toda ordem. Isolá-la seria negar a utopia – essencial - de que podemos semear princípios interativos e comunitários do Ciberespaço no oceano informacional à nossa volta. Julgamos perfeitamente viável entrosar os instrumentos político-cultural-comunicacionais que o real e o virtual fornecem, como focos abertos a mútuas alimentações, a interlocuções dialéticas e a energias reivindicantes e rizomáticas. Sem perder de vista que é no território físico, socialmente reconhecido e vivenciado, que se concentram os grandes combates pelas hegemonias e pela construção do imaginário do futuro.

COMUNIDADES VIRTUAIS

Quando pensamos na era digital, provavelmente, só lembramos-nos de bits e bytes, de redes de computadores, de fibras óticas, de agilidade, rapidez, comércio eletrônico. As comunidades virtuais, bem como outras comunidades possuem um raio de atuação além de sua aparente fronteira. As relações dos indivíduos que atuam em qualquer comunidade formam redes de relacionamentos, de ações que interferem seu meio, elas não estão isoladas do seu contexto, da cultura. Nas comunidades existem constantes circulações de informações, representações mentais das pessoas e dos objetos (CAPRA, 1996) que formam a teia de toda a vida. Existe integração entre as partes físicas, lógicas, orgânicas e espirituais de uma comunidade.

[...] a palavra “virtual” já não vaga livre no idioma. Foi aprisionada pelas máquinas. Hoje “virtual” significa viver nesse lugar – que não é tão aqui assim – do computador e do software. A palavra conserva um que de ausência, daquilo que não é real. Mas, de alguma forma, essa negação virou uma coisa boa. Ter vida efêmera e vagar nesse lugar indefinível que agora conhecemos por Ciberespaço é considerado excelente. Os semideuses vivem ali (ULLMAN, 2001 : 120)

Nas comunidades, sejam presenciais ou virtuais, podem ocorrer processos constantes de linguagem e comunicação. Para esta análise, Capra (1996), diferencia a linguagem da comunicação, considerando a comunicação o processo de interações mútuas recorrentes. A comunicação é a resposta a partir de um estímulo. A linguagem como sendo uma conseqüência de um processo de comunicação, vai além da relação estímulo-resposta. A linguagem exige dos agentes variações no processo de comunicação. Podemos utilizar a comunicação para a troca rotineira de informações. A linguagem permite a prolongação do processo de comunicação, ela se estende além das interferências ocorridas, visto que as representações abstratas e simbólicas estão, relativamente, padronizadas, garantindo a comunicação a longo prazo.

Comunicações bem sucedidas a partir de uma ampliação do uso da linguagem, podem permitir a criação e manutenção de comunidades cooperativas, representadas – por exemplo - através das listas de discussões. Mas o que fazer, o que considerar para que possamos ter comunidades sustentáveis? Como transformar as comunidades virtuais em comunidades virtuais ecológicas? Quais são os princípios que norteiam a sustentabilidade das comunidades virtuais? Será que podemos aproximar os princípios das comunidades sustentáveis, ecossistêmicas, às comunidades virtuais?

Capra (1996) define como comunidades sustentáveis todas aquelas que garantem a satisfação das nossas aspirações e necessidades sem diminuir as chances das gerações futuras. As comunidades virtuais podem ser ecossistêmicas, ser sustentáveis? Este autor define seis princípios básicos para as comunidades ecossistêmicas, que são: interdependência, natureza cíclica, cooperação, parceria, flexibilidade e diversidade. Como estes princípios podem ser validados nas comunidades virtuais?

PRINCÍPIOS ECOSSISTÊMICOS NAS COMUNIDADES VIRTUAIS

Considerando que toda comunidade é composta por indivíduos com os mesmos objetivos, podemos relacionar os princípios das comunidades ecossistêmicas da seguinte forma:

Interdependência

Todos os membros de uma comunidade ecológica estão interligados numa vasta e intricada rede de relações, a teia da vida (CAPRA, 1996). A formação de uma comunidade pressupõe a necessidade de composição entre os membros envolvidos; a partir de suas colaborações é que se formam as relações, as teias entre seus membros. As atividades coletivas estimulam o sucesso de todos, não existem grandes impactos de ações isoladas, sem interações. Um membro não está sozinho nas suas ações, ele está relacionado com seu meio, seu contexto e, conseqüentemente, possui uma relação de interdependência com todos os componentes da comunidade. Nas comunidades virtuais, esta relação de interdependência também existe. As trocas, o aprendizado e as experiências vividas pelos seus membros dependem das ações de todos, e quanto maior for a participação de todos, maior é a integração e a interdependência entre as partes.

As comunidades virtuais, também, são sistemas operacionalmente fechados, contudo, possuem entrada de informações, emoções e dados que norteiam seu funcionamento. As ações de seus membros são os elementos básicos para por em prática e em funcionamento os objetivos para as quais estas comunidades foram criadas. Os efeitos produzidos pelas relações entre os membros, raramente, são lineares, não afetam apenas a um único membro, elas atingem toda a teia da comunidade. O sucesso da comunidade depende do sucesso de cada um de seus membros, enquanto que o sucesso de cada membro depende do sucesso da comunidade como um todo (CAPRA, 1996).

Natureza Cíclica

Para dar sustentabilidade às comunidades, estas precisam ser encaradas como cíclicas. Elas não agridem as cadeias posteriores, ela está sempre se retroalimentando, reinventando a si mesma, se aproximando das novas tendências que garantam a sua continuidade e de outras comunidades.

As comunidades virtuais podem ser caracterizadas com sua natureza cíclica, com seus processos além das infovias. As comunidades virtuais não se limitam aos bits e bytes, elas são mais uma forma de promover a integração, colaboração e cooperação entre os seres humanos seja em qual for o lugar e o momento. Sendo assim, as comunidades virtuais estão integradas aos meios, possuem responsabilidades sociais, ecológicas, históricas e econômicas. Elas participam das ações das sociedades presenciais, elas são comunidades reais que se estendem nos ambientes virtuais, elas são interdependentes com os demais componentes da sociedade. As comunidades virtuais podem ajudar na garantia da manutenção dos insumos da natureza.

Cooperação e parceria

Num ecossistema, os intercâmbios cíclicos de energia e de recursos são sustentados por uma cooperação generalizada (CAPRA, 1996). A participação em parceria dos membros de uma comunidade promove um maior envolvimento e comprometimento de todos. A ajuda mútua dos membros de uma comunidade, favorece o crescimento de forma coletiva, ampliando as possibilidades de alcançar o sucesso dos objetivos pré-estabelecidos pelos membros da comunidade.

Os estímulos nas comunidades ecossistêmicas estão nas relações de parceria e cooperação visando a conservação de todos. Nas comunidades virtuais, podemos perceber esta relação a partir das mensagens trocadas nas listas de discussão, salas de chat e até mesmo em publicações de trabalhos de conscientização, de alerta e de informativos, visando desenvolver o espírito de co-participação, de eco-evolução da comunidade em sua totalidade. A partir de ações de parceria, a comunidade cria suas relações de interdependência, garante sua natureza cíclica e estimula a cooperação, o fazer junto, de forma coletiva, com a participação de todos, ou pelo menos, de muitos participantes de forma que assegura a qualidade para a qual estão propostos.

Flexibilidade

A flexibilidade está muito próxima à possibilidade de se atingir estados contínuos de equilíbrio. Os pontos de equilíbrios estão sempre sendo alterados, eles mudam conforme as circunstâncias, os fatos e as novas percepções e sentimentos que vão constituindo os membros de uma comunidade. Segundo Barreto (2004): “A liberdade na Internet se liga à liberdade dos fluxos de informação e à da própria interação com as estruturas de informação. A interatividade no ciberespaço, que não favorece apenas as trocas de mensagens como, também, a sua apropriação e reformatação.”

A flexibilidade é vista como a onda que vai e volta, mas volta sempre para uma nova posição. A nova onda fica situada conforme os equilíbrios que vão sendo reconstruídos. Daí a grande necessidade de termos como princípio a cooperação e a parceria. Estas unem os esforços de todos visando garantir a sustentabilidade do ecossistema virtual. Forças em todos os sentidos surgem contra e a favor das ações cooperativas das comunidades virtuais, seja através das simples e básicas dificuldades encontradas nas instalações físicas necessárias para o funcionamento do computador e acesso à Internet, seja a partir da concepção ideológica da importância dos trabalhos digitais em meios onde a fome, a insegurança ainda estão tão presentes. Nessas circunstâncias, competem aos membros de uma comunidade virtual, atitudes flexíveis para se adaptarem ao meio.

Diversidade

A hegemonia manipula interesses restritos. A heterogeneidade favorece a criatividade, a inovação e a criação de situações não vividas, entretanto, gera inúmeros conflitos que podem ser positivos se forem bem conduzidos. A diversidade possui uma relação direta com a flexibilidade, a diversidade gera conflitos. A diversidade amplia a elasticidade das comunidades virtuais, permite ondas maiores, tornando suas experiências mais ricas e mais construtivas para seus membros.

Viver a concepção de uma comunidade virtual ecológica significa estar alfabetizado ecologicamente. É necessário perceber o além de nossas atitudes, perceber nossas relações com nossos parceiros, estar aberto para atuar cooperativamente, de brilhar em conjunto, de aprender a viver com toda a diversidade que nos cerca, favorecendo às novas oportunidades de estágios de equilíbrio para não nos deixar morrer, ou se morrermos, perpetuarmos em outras comunidades, fortalecendo, assim, a teia da vida.

INTERATIVIDADE COMUNITÁRIA

O vínculo humano com o Ciberespaço remete a um espaço virtual comum, no qual a existência prescinde de cadeias de comando. O crescimento exponencial da Internet está ligado justamente à peculiaridade de constituir uma esfera pública não-sujeita a regulamentações exógenas. Com isso, reforça-se a evidência de que os estatutos éticos das comunidades virtuais se constroem no interior de seus cosmos produtivos, por motivações cooperativas e coordenações de qualidades e vocações individuais.

A ética por interações prospera nos grupos, conferências eletrônicas ou newsgroups – constelações de células independentes ou interdependentes, em que se agrupam distintos idiomas, nacionalidades, níveis de escolaridade e credos. Sem jamais terem se visto, os indivíduos conversam, trocam experiências, informam-se, fazem amizades, namoram, ou simplesmente passam o tempo. Surgem parcerias, ajudas mútuas e laços de solidariedade – inclusive no sofrimento.

Em todo o Ciberespaço, registra-se um crescimento espetacular dos chats, das listas de discussão, redes sociais dentre outros. Cinco pólos de magnetismo ajudam-nos a esclarecer tal afluxo: a) a liberdade para relacionamentos de qualquer espécie; b) sincronicidade nas conversações – no caso das listas de discussão assincronicidade; c) a garantia de anonimato; d) a ausência potencial de censura; e) a desobrigação de se submeter a regulamentos – em listas de discussão isso só é possível se não houver a existência de um moderador. Há que se admitir que a inexistência de protocolos éticos rígidos e o uso de pseudônimos geram atitudes deletérias. Nas salas sobre sexo, namoro e erotismo, são freqüentes insultos, pornografias e intromissões descabidas, claro indício de que a atmosfera de desrepressão por vezes se confunde com catarses e liberação de instintos difusos. Para certas impropriedades há antídotos virtuais. Se um indivíduo se sente incomodado ou ofendido com o teor de uma mensagem que lhe é remetida, deve cortar unilateralmente o acesso, não respondendo ao agravo.

Críticos moralistas agarram-se à convicção de que o “caos” da Internet dispensa responsabilidades individuais e grupais, estimulando a permissividade. De fato, praticam-se excessos. Mas por que tanto espanto? A sociedade está atravessada de abusos insuportáveis por metro quadrado. (Os moralistas calam-se diante do desemprego estrutural, da brutal concentração de renda e das desigualdades sociais, deprimentes subprodutos do neoliberalismo.) Por que a Internet, sendo uma projeção da inteligência humana, com interfaces cada vez mais próximas entre as mentes e as tecnologias, haveria de ser exceção?

O grande diferencial do Ciberespaço consiste no fato de que as comunidades virtuais, enquanto rizomas, definem e objetivam valores éticos e códigos informais de conduta. Tais regras não provêm de fora, das estruturas de poder, e em nada se confundem com uma espada de Dâmocles sobre as cabeças dos cibernautas. “Achamos que estamos criando o sistema, mas o sistema também está nos criando. Construímos o sistema, vivemos em meio a ele, e somos transformados” (ULLMAN, 2001 : 88). Devem ser aceitas por consenso e adaptadas às singularidades, práticas e tradições dos grupos. Paul Mathias (1997) refere-se à "criação ascendente de valores" em coletivos virtuais, na medida em que elaboram coexistências regidas não mais por princípios verticais e genéricos, e sim pela harmonização de perspectivas individuais no seio de grupos afins. As relações humanas tornam-se intercambiantes, o que favorece a transmutação, a reelaboração sistemática de valores e raios de competência.

CONSIDERAÇÕES

É a partir desse rápido esboço topográfico do ciberespaço e seus atributos que podemos dar por concluído, para sermos esquemáticos e economizarmos na menção de mais detalhes demasiadamente técnicos, que se torna possível constatar a complexidade das formas de se estar, se utilizar, percorrer esse espaço cibernético. Fica, também, evidente, por conta da demonstração dessa complexidade constituída a partir das diversificadas tecnologias que operam no ciberespaço, não se tratar essa colonização ciberespacial que passamos a viver no interior das redes mundiais de computadores de um processo que se possa qualificar de desrealizante. O fato de que se diversificam as modalidades possíveis de interlocuções entre seres humanos através de avanços tecnológicos não pode ser ingenuamente tomado como sintoma de uma degenerescência desrealizante do mundo humano. A "realidade" não está se extinguindo e os simulacros tomando seu lugar porque um número crescente de pessoas passa a se comunicar mais por computadores e menos face a face. A "realidade", antes sim, está tão-somente se complexificando tal como tem ocorrido durante todo o processo de desenvolvimento do conhecimento humano, a cada grande revolução tecnológica.

A sensação de perplexidade, de mal-estar de muitos, pode ser até compreensível diante de mais esse processo colonizador que inauguram novas e, muitas vezes, fascinantes e/ou desconfortáveis alteridades, tal como aquelas que surgiram durante a expansão marítima ocidental no século XVI. O que não pode ocorrer é algum tipo de etnocentrismo ludista, de resistência tecnofóbica, de preconceito contra os "nativos" que habitam o mundo on-line, deixemos de observar com grande interesse antropológico os diversos - e cada vez mais impactantes para a "realidade" como um todo - fenômenos sociais e culturais que se processam no interior desse desconcertante ciberespaço que, inexoravelmente, impõe-se ao homem contemporâneo.

NOTA:

1 Entendemos por sistemas sociais “[...] forças que tendem a manter a forma ou a configuração alcançada pela sociedade, ou que asseguram uma transformação contínua, sendo que, no último caso, o equilíbrio é dinâmico. [...] se um dado sistema social fosse sujeito a pressões de forças externas, as forças internas da própria sociedade se manifestariam no sentido da restauração do equilíbrio” (LAKATOS, 1979 : 45).

Bibliografía/Referencias


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  • SANTOS, Milton, 2002, A natureza do espaço: técnica e tempo, razão e emoção, São Paulo: Edusp.

  • ULLMAN, E., 2001, Perto da máquina, São Paulo: Conrad.


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