A virtualidade verificada neste novo século permite novas formas de interação e por conseqüência também exige ferramentas dotadas de mecanismos adequados para esta interação. Este artigo apresenta brevemente a cibersociedade e suas características e aborda a representação do conhecimento neste contexto. Também demonstra a necessidade de adequação das linguagens utilizadas nos Sistemas de Recuperação de Informação, utilizados em larga escala e as linguagens utilizadas para este fim. Discorre sobre ontologias como linguagens mais adequadas para a representação e posterior recuperação das informações contidas nos sistemas de recuperação. Para fazer frente às necessidades e expectativas dos usuários são necessárias apropriações que permitam a compreensão frente às inovações que as tecnologias da informação trazem ao cotidiano.
Introdução
A chegada ao Século XXI trouxe em seu escopo o desenho de uma nova sociedade: sem fronteiras, interativa, “virtualizada” em suas ações. A organização agora se concretiza em comunidades que através de redes compartilham interesses comuns, buscam a construção conjunta, disseminam informações apoiadas em recursos cada vez mais simplificados.
O acesso à informação, dentro desta nova condição, tem sido alvo de pesquisas que buscam identificar os melhores mecanismos e as ferramentas mais adequadas para acompanhar a velocidade em que está sendo produzida e a emergente necessidade de acesso, em tempo real ou de forma simultânea. As exigências neste caminhar vêm de todas as áreas do conhecimento.
Além da grande produção de conteúdos, e aqui se entende não só aqueles de cunho científico ou comercial, ou ainda, com finalidade que pode ser econômica ou não, mas também, todos aqueles que têm como objetivo a interação, o entretenimento, a comunicação ou aproximação das sociedades, a recuperação e acesso a esses conteúdos é assunto inquietante. Na nova sociedade, ambientada em espaços que já não são exclusivamente físicos, todos podem emitir ou receber informação, novas práticas informacionais se disseminam em larga escala, a rede se configura como um instrumento de comunicação poderoso e novas formas de relacionamento se estabelecem.
Estudos objetivam identificar melhores ferramentas para recuperação de grandes volumes de conteúdos de informação, disponibilizam modernos sistemas para indexação e recuperação, sistemas de informação dotados de complexidade e inteligência para fazer parte deste universo. O desenvolvimento de Sistemas de Recuperação de Informação (SRIs) tem envolvido profissionais de várias áreas do conhecimento. Esta multidisciplinaridade das equipes se justifica pela necessidade de estabelecer a melhor performance dos sistemas em todos os seus componentes.
Neste contexto, é amplamente difundido que para que haja resultado positivo que corresponda às expectativas, são necessárias práticas que envolvem a interação homens e máquinas, usuários e sistemas. Os dois elementos, apesar de suas diferenças, são ou deveriam ser considerados importantes, complementares e interativos.(Bedin, 2007)
Os diversos itens que compõem um SRI aliado a linguagem utilizada nestes Sistemas (entendendo aqui como linguagem a forma de representação e recuperação dos conteúdos), demonstram que além da necessidade de facilitar o acesso, o desenvolvimento deve prever recursos cada vez mais complexos sob o ponto de vista tecnológico, porém, que resultem em modelagem simples no que tange a interação com o usuário. A definição da linguagem para a representação dos conteúdos, armazenamento e recuperação se configura em árdua tarefa, pois para cada linguagem corresponde uma estrutura de classificação que pretende a indexação dos documentos. Considerando que cada SRI “classifica os documentos recuperados para cada consulta, de acordo com uma ordem de relevância gerando um vetor resultado” e que “o processo de recuperação consiste na geração de uma lista de documentos recuperados para responder a consulta formulada pelo usuário” (Cardoso, 2005, p. 33), se justifica a necessidade de aproximação entre a linguagem do usuário e a linguagem “entendida” pelo sistema.
Este contexto evidencia as transformações pelas quais tem passado a sociedade em função de um “mundo novo” apresentado e incorporado com urgência tal que semelhante nunca foi registrada na história. Os elementos que compõe este universo não têm papéis definitivos: ao mesmo tempo são produtores, consumidores e os próprios meios de transmissão. A interatividade impera e caracteriza um espaço cibernético, interligado em uma rede que pode sempre se expandir, se ramificar a medida que os interesses surgem; se multiplicar conforme seus componentes se auto organizem; se manter viva nas inúmeras possibilidades que o desenvolvimento tecnológico proporciona. Para Nicola (2004, p.19), “O mundo cibernético exige uma estrutura hipertextual dinâmica, que estabeleça um recorte preciso, heterogêneo e eficaz das diversas mídias nele contidas”.
A Cibersociedade e suas características
A partir do desenvolvimento das Tecnologias da Informação e Comunicação (TICs) e sua introdução no cotidiano das pessoas, desenhou-se uma nova organização social, uma nova sociedade. Dotada de características determinantes, na cibersociedade se estabelecem novas formas de comunicação, outras percepções em relação ao espaço, diferentes formas de associação e relações sociais. Isto se deve à popularização da Internet que com sua condição de rede, permite às pessoas novas relações de tempo e espaço.
Um computador e uma conexão telefônica dão acesso a quase todas as informações do mundo, imediatamente ou recorrente a redes de pessoas capazes de remeter a informação desejada. (Lévy, 2003, p.187)
Ainda como observa Lévy (2003, p. 183),
A revolução contemporânea das comunicações, da qual a emergência do ciberespaço é a manifestação mais marcante, é apenas uma das dimensões de uma mutação antropológica de grande amplitude.
O entendimento de cibersociedade pode ter como ponto de partida o conceito apresentado por Nicola (2005) “...referente a uma sociedade globalizada por meio de redes de computação, na qual seres humanos, máquinas e programas computacionais interagem”. Também, “como uma série de estratégias originais de convívio coletivo em um contexto regido por ‘super-máquinas’, implicando também na redefinição das articulações culturais que, em conjunto, constituem a cibercultura.” Também Castells (2003) indica que a sociedade em rede remete a uma nova forma de sociedade com novas possibilidades de interação e elaboração conjunta de conceitos e ações.
As novas interações sociais que se organizam neste espaço virtual são consequência da possibilidade que a Internet permite: a comunicação simultânea de muitos com muitos. As distâncias já não são mais determinantes de isolamento, não são intransponíveis, pois é possível estar simultaneamente em vários ambientes.
Neste sentido, Velloso (2008, p.106) diz que,
O espaço virtual, imbricado com outras temporalidades e outras territorialidades, destaca-se pela celeridade das informações hipertextuais, dispostas em rede, as quais possibilitam leituras mais imediatistas pela associação da expressão verbal a imagens e sons entre outros; mas ensejam também leituras extensivas, caminhos alternativos para o leitor que, valendo-se dos nós da rede hipertextual não linear, vê-se co-autor, em um exercício autônomo de produção de sentido da malha textual.
Graças às possibilidades disponíveis, no ciberespaço a vida tradicional muda. A sociedade experimenta o ideal, reproduz aquilo que considera o melhor em cada situação. Se reorganizando em novos formatos, as pessoas ao mesmo tempo estão inseridas em ambientes coletivos como preservam a sua individualidade, particularizando suas formas de acesso. Tudo ao mesmo tempo. A noção de tempo e espaço já não existe, da mesma forma que há a possibilidade de busca individual daquilo que parece mais adequado. O acesso é facilitado e traz a idéia de que as necessidades individuais são atendidas e o anonimato está garantido dentro da rede.
Lévy (1996, p.48) diz que “O ciberespaço está misturando as noções de unidade, de identidade e de localização.”
Neste contexto, as formas de interação com os recursos tecnológicos disponíveis têm evoluído na tentativa de atender às expectativas destes usuários, que cada vez mais buscam na rede informações e serviços dos mais variados e urgem ser entendidos prioritariamente.
A Representação do Conhecimento
Para Rezende (2005, p. 29), a Representação do Conhecimento pode ser “entendida como uma forma sistemática de estruturar e codificar o que se sabe sobre uma determinada aplicação”.
Esta representação precisa corresponder às expectativas de codificação e recuperação, e para tanto, deve apresentar características que a diferem: ser compreensível ao ser humano permitindo a sua interpretação; abstrair-se dos detalhes de funcionamento interno do processador responsável pela interpretação; ser robusta a ponto de permitir a utilização independente das situações possíveis; ser generalizável a ponto de poder ser utilizada em diversas situações e interpretações. (Rezende, 2005).
Abordando a representação como um ponto crucial dos SRIs, Rezende (2005) indica que as técnicas de representação devem apresentar critérios de adequação lógica onde o formalismo usado é capaz de expressar o conhecimento que se deseja representar e conveniência notacional, onde as linguagens de representação devem ser adequadas garantindo a codificação.
O desenvolvimento de sistemas, dotados de funcionalidades diversas e apoiados em técnicas de Inteligência Artificial é o que se verifica de mais recente para atender às expectativas e necessidades dos usuários. Recursos que simulam ou tentam se aproximar das formas humanas de processamento de informações são alvo de pesquisas, uma vez que, a evolução da virtualidade exige ferramentas mais robustas.
Entretanto, a grande dificuldade encontrada é o que inserir nestes sistemas, como melhor representar os conteúdos e ainda, qual a melhor forma de disponibilizá-lo aos usuários.
Notoriamente, a produção exaustiva de conteúdos e a sua crescente disseminação têm feito surgir vários mecanismos com especificidades voltadas à melhor forma de registro destes dados. Considerando que o objetivo destas ferramentas é a recuperação e utilização dos dados, os SRIs vêm desempenhando papel importante no ciberespaço. Dotados de complexidade computacional, seu objetivo é garantir a recuperação dos dados de forma uniforme e com estruturas bem definidas, que garantam melhores resultados nas buscas com critérios amparados na relevância e precisão. Estes Sistemas têm sido alvo de pesquisas voltadas ao seu aperfeiçoamento na busca da melhor performance que vá ao encontro das necessidades do usuário. (Bueno, 2008).
Técnicas de inteligência artificial têm sido largamente utilizadas nos sistemas computacionais pois garantem uma constante evolução e adaptação do conhecimento, o que representa significativo diferencial. São: representação lógica, regras de produção, redes semânticas, frames, orientação a objetos, orientação a objetos associada a regras. Entretanto, é de suma importância a perfeita definição inicial da abordagem do conhecimento a ser inserido, pois a partir destes requisitos será definido o conhecimento a ser inserido no sistema.
Alem de alimentar as bases de conhecimento dos sistemas, outro fator importante é o voltado à recuperação da informação, que, nesta era informacional, é indiscutivelmente o grande gargalo verificado no desenvolvimento e disponibilização dos sistemas.
Para este fim de recuperação, diversas linguagens têm sido construídas apoiadas em recursos que vem da ciência da computação, ciência da informação e lingüística. Mais recentemente, as ontologias têm se apresentado como uma alternativa na resolução de problemas semânticos prejudiciais à recuperação de informação.
Segundo Rezende (2005), quando aborda a representação do conhecimento, a dificuldade encontrada está na “definição da terminologia empregada para nomear os conceitos e as relações.” Esta dificuldade é encontrada na utilização dos recursos da Inteligência Artificial, largamente empregados nos SRIs.
Sistemas apoiados na Inteligência Artificial têm utilizado as ontologias como recurso para a representação dos conteúdos e posterior recuperação. Sendo uma expressão formal de como representar os objetos e conceitos e os relacionamentos entre eles, encontra-se na literatura a caracterização da ontologia como um programa que define um conjunto de termos a serem representados.
Para Santaella (2004, p.31)
O aspecto sem dúvida mais espetacular naquilo que vem sendo chamado de “era digital”, na entrada do século XXI, está no poder dos dígitos para tratar de qualquer informação [...] com a mesma linguagem universal [...] uma espécie de esperanto das máquinas.
Para que seja possível uma perfeita recuperação das informações, as linguagens utilizadas pelos usuários precisam ser “entendidas” pelo sistema de recuperação. O uso das ontologias busca favorecer este entendimento comum que tem seu ponto de partida na sincronização das equipes, na percepção e na elaboração dos conceitos (Bueno, 2005). Sendo uma forma de representação, a ontologia representa um entendimento comum, ou seja, tem o mesmo conceito para todos que utilizarem o sistema.
Ontologias
O termo ontologia é associado diretamente à descrição de um conhecimento específico, apresentando-se como forma de representação do domínio do conhecimento através de um vocabulário construído para esta finalidade. Esse vocabulário vai abranger os conceitos e as relações que podem existir dentro do domínio.
Na Inteligência Artificial (IA), é uma especificação formal explícita de como representar os objetos, conceitos e outras entidades que supostamente existem em alguma área de interesse e os relacionamentos que existem entre eles. Para os sistemas de Inteligência Artificial, o que “existe” é o que pode ser representado. Então, a ontologia pode ser um programa que define um conjunto de termos a serem representados.
Na Gestão do Conhecimento, Guillén, Moreno e Badaya (2005) afirmam que:
[…] as ontologías se encasillana dentro de las LISTAS RELACIONADAS, como tipo de sistema de ORGANIZACIÓN DEL CONOCIMIENTO. Una ONTOLOGÍA define el vocabulario de un área mediante un conjunto de términos básicos y relaciones entre dichos conceptos, así como las reglas que combinan términos y relaciones. [...] La GESTIÓN DEL CONOCIMIENTO está desarrollando ontologías como modelos de conceptos específicos. Pueden representar relaciones complejas entre los objetos, e incluyen las reglas y los axiomas que faltan en los tesauros.
Relacionado à área tecnológica, o Núcleo de Estudos em Tecnologias para Informação e Conhecimento define ontologia como sendo:
Especificações das relações entre as entidades mais um conjunto de regras automáticas de inferência e ações associadas. É uma descrição formal dos conceitos e relacionamentos que existem dentro de um domínio. Isso significa que uma ontologia se relaciona com um vocabulário específico, uma linguagem específica e a conceitualização de determinado domínio (NETIC, 2003).
Na Inteligência Artificial (IA), é possível identificar em Gruber (1993) que as ontologias se apresentam como linguagens ou formas de representação do conhecimento que possibilitam a comunicação entre os SRIs e os usuários, além de favorecer o entendimento dos conteúdos pelo compartilhamento do conhecimento, representado nos termos ou expressões construídas com base nos conceitos. É uma forma de representar e organizar, considerando os princípios semânticos.
Voltados para a estruturação e representação do conhecimento, Swartout et al. (1996) se referem à ontologia como um conjunto de termos estruturados que descrevem algum domínio e são a estrutura para uma base de conhecimento.
Além destas, outra característica importante da ontologia é a possibilidade de reutilizar o conhecimento e expandir para utilização por outros domínios.
As ontologias podem ser identificadas como linguagens documentárias que são construídas a partir de metodologias diversas, desenvolvidas basicamente a partir das possibilidades de relacionamento dos conceitos. Estes relacionamentos são basicamente de equivalência ou sinonímia, hierárquicas ou associativas. Na construção de ontologias, as metodologias disponíveis procuram a correspondência de entidades definidas, conforme apresenta Euzenat, et. al. (2004): classes, objetos, propriedades, restrições de propriedades, valores, tipos, dentre outros. Procurando resolver problemas semânticos, as ontologias se apresentam com condições para garantir a expansão dos sistemas.
Utilizadas na representação do conhecimento, a construção de ontologias exige a definição de estrutura a partir da conceitualização, que permite o compartilhamento e a recuperação (GRUBER, 1993). Para tal, alguns critérios devem ser observados: clareza – expressar em linguagem natural e com objetividade o significado dos termos; coerência – validar inferências coerentes com as definições; extensibilidade - permitir a atualização e inclusão de novos termos, objetivando o compartilhamento; codificação parcial – especificar o conceito no nível do conhecimento; comprometimento ontológico – permitir o partilhamento do conhecimento permitindo a modelagem do contexto.
Seguindo esta finalidade de representação do conhecimento e a abordagem da recuperação, Gómez-Pérez (2000, p. 34) elabora alguns princípios que sugere serem acrescentados ao critérios propostos por Gruber, quando da construção de ontologias, a saber: distinção ontológica – as classes devem ser desmembradas; diversificação de hierarquias – maior possibilidade de relacionamento com novos conceitos e herança de propriedades; modularidade – favorecer a união entre os módulos; minimizar a distância semântica entre os conceitos – agrupar os conceitos em classes e subclasses de acordo com a similaridade apresentada; padronização dos nomes dos termos sempre que possível.
Para a construção de ontologias é necessário inicialmente a definição do domínio alvo de representação, entendo-se aqui como domínio, a área onde se pretende trabalhar ou a área do conhecimento que se pretende representar ou ainda, o conteúdo a ser representado. Com suas características, as ontologias abrangem, ou pretende abranger, todo o domínio. Esta abrangência se consolida na elaboração de termos e relações semânticas dotadas de entendimento comum, o que contribui para a facilidade de recuperação das informações representadas. Outro fator importante na construção se configura no entendimento do contexto onde serão inseridas e os objetivos do sistema, representando, assim, a razão para a qual serão elaboradas e empregadas.
Para Gómez-Pérez (2000, p.35), as ontologias fornecem um vocabulário comum e definem o significado dos termos e relações entre eles. Para a autora, os conhecimentos representados pelas ontologias são formalizados utilizando cinco tipos de componentes: (Bedin, 2007)
Classes: os conceitos são usados em sentido amplo, podendo ser abstratos ou concretos, elementares ou compostos, reais ou fictícios e podem ser algo sobre o que é dito e também pode ser a descrição de uma tarefa, função, ação, estratégia, argumentação;
Relações: representam um tipo de interação entre os conceitos de um domínio; formalmente definidos como qualquer subconjunto de um produto de ‘n’conjuntos;
Funções: é um caso especial de relações no qual o enésimo elemento da relação é único para os ‘n-1’ elementos precedentes;
Axiomas: são usados para modelar as sentenças que são sempre verdadeiras;
Instâncias: usadas para representar elementos.
A autora ainda propõe uma classificação das ontologias, de acordo com seus objetivos: ontologias de representação do conhecimento - compreendem as representações primitivas usadas; ontologias gerais/comuns - incluem vocabulários relacionados a coisas, eventos, tempo, espaço, causalidade, comportamento, função, dentre outros; meta-ontologias - reutilizadas através dos domínios; ontologias de domínio - fornecem vocabulários sobre os conceitos dentro de um domínio e seus relacionamentos; ontologias de tarefa - fornecem um vocabulário sistematizado de termos para solução de problemas associados com tarefas que podem ou não ser do mesmo domínio; ontologias de tarefas de domínio - reutilizáveis em um dado domínio, mas não através do domínio; ontologias de aplicação - contém o conhecimento necessário para modelagem de um domínio.
As ontologias se concretizam em importante recurso de utilização nos SRIs, pois, conforme indica Guimarães (2002), são dotadas de características que denotam a sua vantagem de utilização: a conceitualização no desenvolvimento do vocabulário utilizado para a representação do conhecimento reduz a ambigüidade; favorecem o compartilhamento do conhecimento; permitem a descrição exata do conhecimento apoiada na conceitualização comum dentro do domínio; permite a expressão dos conceitos em várias línguas e pode se adequar a outros domínios que não o da aplicação inicial.
Por suas características e aplicabilidade, as ontologias podem ser utilizadas em áreas e para fins diversos, tais como: processamento de linguagem natural funcionando como um dicionário de termos apoiados nos conceitos; na gestão do conhecimento, pois possibilitam a estruturação básica para a elaboração de bases de dados e o processamento de dados não-estruturados; na web semântica pois viabilizam buscas mais precisas com a compreensão dos significados dos conteúdos e também no comércio eletrônico onde favorecem a descrição dos produtos e a integração dos catálogos.
Esta possibilidade de aplicações em várias áreas com fins diversos vem demonstrar que o uso está caracterizado com as novas necessidades identificadas na virtualidade atual do desenvolvimento das atividades. A necessidade emergente e essencial é que os SRIs tenham recursos e mecanismos suficientes para garantir a melhor representação e futuro compartilhamento do conhecimento, visto que se verifica grande diversidade destes sistemas.
A utilização de vocabulários apoiados nas construções ontológicas, apoiadas na especificação dos conceitos como propõe Gruber (1993) evidencia a possibilidade de melhor interação dos usuários com os sistemas disponíveis, apontando para uma melhor utilização das tecnologias disponíveis indo ao encontro de seus propósitos inovadores.
Considerações
O desenvolvimento tecnológico verificado hoje é um reflexo da evolução por que vem passando a sociedade. As ações empreendidas com objetivo de otimizar as atividades e garantir a comunicação em larga escala se concretizam nas ferramentas disponíveis e na rede que se configura em ambiente externo a vida física, se caracteriza por outras formas de relacionamento, se apresenta como um outro ambiente dotado de possibilidades que não estão sujeitas às limitações físicas experimentadas em outros tempos.
Dotada de capacidade de interação simultânea em diversos níveis e estágios, a sociedade do século XXI experimenta possibilidades que lhe garantem “estar” em diversos locais ao mesmo tempo, se relacionar com tudo e todos em qualquer ambiente e interagir através das ferramentas tecnológicas da forma que melhor se convier.
A cibersociedade, com suas características e determinantes pressiona um desenvolver cada vez mais apurado dos recursos tecnológicos disponíveis, exige ferramentas mais adequadas ao seu cotidiano, manifesta uma nova posição frente às inovações disponibilizadas. A necessidade de otimização é uma realidade inconteste.
Neste novo desenho de sociedade, a busca por melhores formas de interação com os recursos tecnológicos é fator essencial. A representação do conhecimento de forma mais dinâmica e precisa representa fator importante para o processo de recuperação. As tecnologias representam a linguagem utilizada por cada sociedade, e nesta perspectiva, a utilização de recursos que envolvem semântica é uma alternativa para minimizar as dificuldades encontradas frente às novas ferramentas.
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