Neste artigo discutem-se as relações entre agir estratégico, agir comunicativo e cooperação em arranjos produtivos locais. Parte-se da Teoria do Agir Comunicativo de Jürgen Habermas para fazer a distinção entre agir estratégico e agir comunicativo. Cabe observar as possibilidades afirmativas do agir estratégico. Além disto, cabe observar também as relações entre agir comunicativo, sistema e mundo da vida. Faz-se então a discussão da cooperação como característica dos arranjos produtivos locais - APL. Esses arranjos são sistemas complexos, nos quais a comunicação tem forte conexão com a cooperação. Apresenta-se ainda o arranjo local como uma esfera pública produtiva pós-industrial. Nesta esfera emergem ações estratégicas e discussão como fonte da cooperação produtiva. Conclui-se que o agir estratégico e o agir comunicativo se interpenetram nos arranjos produtivos locais para fomentar e dinamizar a cooperação entre as organizações.
1. INTRODUÇÃO
Neste artigo discutem-se as relações entre agir estratégico, agir comunicativo e cooperação em arranjos produtivos locais. Parte-se da Teoria do Agir Comunicativo de Jürgen Habermas para fazer a distinção entre agir estratégico e agir comunicativo. Cabe observar as possibilidades afirmativas do agir estratégico. Além disto, cabe observar também as relações entre agir comunicativo, sistemas e mundo da vida.
Faz-se a discussão da cooperação como característica dos arranjos produtivos locais - APL. Esses arranjos são sistemas complexos, nos quais a comunicação tem forte conexão com a cooperação. Apresenta-se ainda o arranjo local como uma esfera pública produtiva pós-industrial. Nesta esfera, emergem ações estratégicas e discussão como fonte da cooperação produtiva.
Um arranjo produtivo local origina-se, dentre outros motivos, pela existência de características e objetivos comuns, voltados geralmente para obtenção de eficiência com vistas a melhorar a competitividade das empresas envolvidas (CASAROTTO FILHO; PIRES, 2001, p. 20).
Em cada caso há características distintas em termos de sua história, evolução, organização institucional, contextos sociais e culturais em que se insere, com impactos importantes sobre a estrutura produtiva, a forma de organização da produção, os processos de aprendizado e a forma de governança local (IPEA, 2006, p. 3). Esta se caracteriza por diferentes modos de liderança, coordenação, intervenção, participação e negociação dos conflitos nos processos decisórios locais.
Percebe-se que a aglomeração de empresas e o aproveitamento de sinergias coletivas geradas por suas interações, e destas com o ambiente onde se localizam, vêm efetivamente fortalecendo suas chances de sobrevivência e crescimento, constituindo-se significativa fonte geradora de vantagens competitivas duradouras. A participação em tais formatos organizacionais é estratégica especialmente para empresas de pequeno porte, pois as ajudam a superar barreiras ao seu crescimento e produzir e comercializar seus produtos (CASSIOLATO; LASTRES, 2003, p.14).
Nesse sentido, torna-se oportuno salientar que os problemas competitivos das pequenas empresas geralmente não estão relacionados ao seu tamanho, mas sim, ao seu isolamento (CUSTÓDIO, 2005, p. 14), o qual pode ser superado pela associação em arranjos produtivos locais.
Baudouin e Collin (2006, p. 214) afirmam que o engajamento em novas cooperações com inúmeros atores propicia a constituição de um espaço comum, ou seja, um espaço que seja objeto da ação conjunta de atores com objetivos determinados. Estas cooperações, sobre as quais se funda nova matriz de produtividade social, assumem formas completamente diferentes de acordo com a história específica de cada território. Mas este comum exprime sempre a invenção de novos dispositivos e novas formas de organização social em torno da definição dos interesses e objetivos próprios do território.
A noção de cooperação advinda da ciência econômica é desenvolvida detalhadamente por Stuart Mill (1983, p. 272), que destaca o fato de que as cooperativas mantinham suas normas disciplinares mais rigorosas em relação às empresas comuns; entretanto, eram normas impostas pelas próprias pessoas que as cumpriam, com o objetivo manifestadamente relacionado ao bem da comunidade, e não à conveniência de um único indivíduo (empresário). Tal situação gera muito mais fidelidade e obediência voluntária que trazem consigo um sentimento de valor e dignidade pessoal (MILL, 1983, p. 270).
Mill (1983, p. 277) menciona ser indispensável que todos os que executam o serviço - e não apenas alguns deles - se identifiquem, ao nível dos interesses, com a prosperidade do empreendimento, sob a alegação de que, no longo prazo, não conseguem se manter diante da concorrência individual. O trunfo do trabalho cooperativo reside no interesse comum dos envolvidos no empreendimento.
Cabe ainda a ressalva de Mill (1983, p. 279) quanto à indolência da humanidade, à tendência à passividade, a permanecer escrava do hábito, a persistir indefinidamente em um caminho uma vez escolhido, atingindo algum estado de existência que considere tolerável. Essa ressalva baseia-se no perigo de que, a partir daí, a humanidade paralise e não se empenhe no sentido de melhorar. Mill (1983, p. 279) atribui à concorrência a função de evitar que este cenário se delineie.
Nesse contexto emergem deliberações coletivas sobre questões de interesse comum, os sindicatos, o debate político, para despertar o espírito público, para difundir a pluralidade de idéias, e para suscitar a reflexão. Torna-se saliente o valor da comunicação e discussão no ambiente produtivo, onde os trabalhadores exigem o atendimento à sua vontade, e não a normas estabelecidas por outros. Desta forma, respeitam a superioridade de inteligência e de conhecimento e acatam as opiniões daqueles que consideram bem versados na matéria, sob o mote de julgar eles próprios acerca disso (MILL, 1983, p. 259).
É fortalecido o espírito público baseado em sentimentos generosos. A base de tais virtudes não é a do isolamento dos interesses, mas a de associação, cujo objetivo não consiste apenas em colocar os seres humanos em uma condição em que possam viver uns sem os outros, mas capacitá-los a trabalhar uns com os outros ou uns pelos outros (MILL, 1983, p. 262).
2. COMPLEXIDADE E COOPERAÇÃO EM ARRANJOS PRODUTIVOS LOCAIS
Cocco (2006, p. 177) afirma que no capitalismo pós-industrial a valorização do capital passa por uma oposição entre a aceleração da difusão e a desaceleração da socialização dos produtos do trabalho cognitivo. Por um lado o capital pretende estabelecer o domínio futuro, através da aceleração da difusão que aumenta a acumulação e diminui a riqueza. Por outro, o capital precisa enfrentar a potência dos fluxos que desenham as redes, desacelerando e fechando o tempo constituinte da socialização do trabalho vivo, o qual por sua vez, diminui o valor e a acumulação, entretanto, expandindo além das medidas a riqueza social ao produzir formas de vida que excedem.
A acumulação flexível se mostra como a nova configuração do capitalismo e as novas tecnologias possibilitam uma reconstituição das relações de trabalho e dos sistemas de produção em bases sociais, econômicas e geográficas inteiramente distintas. Harvey (1989, p. 177) ressalta o exemplo da "Terceira Itália" como uma nova forma de organização cooperativa de trabalhadores que, armados com novas tecnologias descentralizadas de comando e controle, podem integrar-se com sucesso às novas formas de organização do trabalho características do capital corporativo. Alguns autores partilham a sensação de que essas novas formas de organização estão transformando radicalmente a face do capitalismo.
Isso sugere um retorno do interesse pelo papel dos pequenos negócios e o reconhecimento de que estas novas formas de trabalho estão desempenhando importante papel no desenvolvimento econômico, mesmo nos mais avançados países industrializados e, de modo especial em regiões subdesenvolvidas. É o retorno das pequenas firmas e dos empreendimentos cooperativos de pequena escala que possuem o potencial de resolver o problema da organização produtiva segundo linhas descentralizadas e democraticamente controladas (HARVEY, 1989, p. 177). Assim, vê-se o crescente interesse pelos arranjos produtivos locais, onde a cooperação é um dos traços determinantes para o sucesso do empreendimento.
Lastres e Cassiolato (2003, p.10) declaram que os Arranjos Produtivos Locais - APL se desenvolvem em ambientes favoráveis à interação, à cooperação e à confiança entre os atores, e sua formação está geralmente associada à construção histórica de identidades e de vínculos regionais e/ou locais, a partir de uma base social, cultural, política e econômica comum.
A articulação de empresas de todos os tamanhos em arranjos produtivos e o aproveitamento das sinergias geradas por suas interações fortalece suas chances de sobrevivência e crescimento, constituindo-se em importante fonte de vantagens competitivas duradouras. Aun, Carvalho e Kroeff (2005, p. 318) ressaltam que nos APL a natureza das relações entre os atores gera interação e aprendizagem, com potencial gerador de inovação, competitividade e sustentabilidade. Os autores sustentam ainda que os APL são espaços privilegiados de interação entre atores locais, especialmente em relação ao compartilhamento de informação e conhecimento.
Carmona (2006, p. 11) utiliza o termo distritos industriais para “representar uma modalidade de organização da produção que tem como elementos centrais as pequenas e médias empresas e a dimensão territorial". Este tipo de organização proporciona a redução de custos como os de transporte ligados aos processos de integração vertical e horizontal da produção e permite a utilização conjunta de alguns recursos localizados, como maquinário, matéria-prima e criação de serviços e infra-estrutura especializados.
A proximidade geográfica favorece a distribuição de conhecimento crítico e a difusão de inovações, criando um contexto de interações e grande conectividade que reduz os custos de transação entre as empresas, fundamentalmente em face às tecnologias fluidas. Entre outros benefícios, pode ser citada “a capacidade de gerar redes locais de organização flexível de produção e desenvolver modalidades inovadoras de aprendizagem técnica. As relações de colaboração entre atores e as externalidades locais vêm permitindo a criação de elevados níveis de eficiência coletiva” (CARMONA, 2006, p. 15).
Hoffmann e Chemalle (2006, p. 2), por sua vez, ressaltam a complexidade crescente das relações entre os participantes da cadeia produtiva e do processo decisório, o que requer a troca de informações mais confiáveis e no tempo certo. Tornar-se competitivo requer métodos de inteligência que passam necessariamente pela cooperação. Neste sentido, o APL surge como um ambiente complexo, em que se fortalece a cooperação e a troca de informações. A complexidade reside na quantidade e qualidade das informações para os processos de tomada de decisão, o que requer uma ação dos atores envolvidos nos APL para gerar diferencial competitivo através da inovação, compartilhamento de recursos e a inserção em novos mercados.
Os sistemas sociais têm a função de redução da complexidade do mundo, na medida em que excluem possibilidades e selecionam outras. O sistema define-se por sua diferença com relação ao entorno. Os sistemas reduzem a complexidade em dois planos: por meio da estruturação ou redução da complexidade interna e através da seletividade ou redução da complexidade externa. Esses processos se dão simultaneamente (RODRIGUEZ; ARNOLD, 1991, p.135).
No desenvolvimento da teoria de sistemas, aprofunda-se a análise da diferença entre elementos e relações, enriquecendo-a com o conceito de complexidade que é o “que melhor expressa a experiência de problemas da nova investigação sistêmica” (LUHMANN, 1990, p. 67). A complexidade é definida “quando num conjunto inter-relacionado de elementos não é possível que cada elemento se relacione em qualquer momento com todos os demais, devido a limitações imanentes à capacidade de interconectá-los” (LUHMANN, 1990, p. 69). Neste processo é que precisa ocorrer seleção: “a complexidade significa obrigação à seleção, obrigação à seleção significa contingência e contingência significa risco” (LUHMANN, 1990, p. 69).
Os sistemas auto-referenciados e autopoiéticos são compostos por cadeias recorrentes de comunicação de decisões. O conceito de organização autopoiética não se vê afetado pelo fato de que as decisões estão ou não orientadas por seu ambiente ou outros sistemas sociais, como tampouco pelo tipo de metas que podem racionalizar as decisões, pois esta racionalização sempre teve por origem uma decisão. Neste sentido, toda organização se rege pelos mesmos princípios. As decisões são eventos comunicativos que, por sua vez, requerem para sua comunicação outras decisões; a partir dessa condição, as organizações são fechadas. O problema básico das organizações é, consequentemente, o de poder seguir reproduzindo decisões (RODRIGUEZ; ARNOLD, 1991, p. 161).
Agostinho (2003, p. 110-114) usa os princípios de autonomia (I), cooperação (II), agregação (III) e auto-organização (IV) para definir a complexidade de um sistema adaptativo. Considerando (I) o papel que os indivíduos assumem como tomadores de decisão, orientados por suas próprias capacidades de julgamento, a partir do que apreendem da interação com o ambiente ao seu redor; (II) serve para manter a coerência e a evolução nos sistemas, já que não existe uma autoridade central e depende apenas das ações autônomas das partes constituintes; (III) estabelece que os limites de um agregado – seja ele uma equipe, um setor, um departamento ou assim por diante – definem o universo de ação autônoma; (IV) determina que a direção da organização deva garantir que o resultado das ações seja reportado aos atores e que estes sejam capazes de compreendê-lo e de ajustarem seus comportamentos.
Os princípios das organizações complexas, identificados por Agostinho (2003, p. 110), podem ser encontrados nos arranjos produtivos. A autonomia é característica dos APL, visto que as redes são constituídas de organismos diversos onde cada integrante possui características de individualidade, as quais são afetadas pelo coletivo sem abandonar as propriedades individuais em cada organização. Isso quer dizer que as organizações que compõem o APL são autônomas em suas decisões, apesar de influenciadas pelo grupo (COLLA, 2009, p. 154).
A cooperação está diretamente relacionada com o processo decisório das empresas, sendo visto como uma estratégia empresarial em busca de competitividade. O compartilhamento de aprendizado e capacitações em busca de inovação tecnológica é comum aos APL, sendo a cooperação uma estratégia que visa à aglutinação e ao desenvolvimento de capacitações e competências complementares, permitindo maiores oportunidades de aprendizado conjunto e reforçando mutuamente a competitividade dos integrantes do arranjo cooperativo. Cooperar é um termo intrínseco às organizações que compõem redes (GRASSI, 2006, p. 612).
A agregação remete à cooperação que, como estratégia competitiva, emerge dos interesses particulares dos agentes, na relação com a rede, o que por sua vez é resguardado por meio de contratos explícitos ou implícitos. A agregação advém de contratos nos quais a confiança aparece como resultado do estabelecimento de compromissos críveis, sendo predominantemente auto-interessada (GRASSI, 2006, p. 621). Os APL surgem do esforço coletivo de agregar organizações para a obtenção de vantagens competitivas que não seriam possíveis às organizações individualmente.
A necessidade de cooperação tem deslocado a análise de empresa individual para as redes de relacionamento que a envolve. A análise de aglomerações produtivas inclui as redes entre indivíduos (empresários, gerentes e funcionários) envolvidos com as empresas, destacando-se as relações de amizade, confiança e conhecimento para os contatos profissionais, e as redes entre empresas e organizações (fornecedores, concorrentes, associações, etc.) nas quais os laços econômicos são objetos de investigação (MARTELETO; OLIVEIRA E SILVA, 2004, p. 47).
Britto (2004, p. 12) afirma que a cooperação constitui um instrumento eficaz de processamento de informações, e uma alternativa importante para viabilizar a aglutinação de competências complementares, além de permitir um melhor enfrentamento da turbulência ambiental e facilitar a identificação e exploração de novas oportunidades tecnológicas.
A cooperação frequentemente visa ganhos competitivos relacionados à exploração de novas oportunidades, e deve, portanto, ser capaz de gerar resultados concretos apropriados para os participantes do arranjo. A continuidade da cooperação pode facilitar a comunicação entre os agentes econômicos, “permitindo simultaneamente a integração das respectivas competências, a consolidação de princípios de ‘confiança mútua’ e a maior sincronização das ações e estratégias por eles adotadas” (BRITTO, 2004, p. 2-3).
Geralmente as empresas cooperam pelos seguintes motivos: reduzir o custo do desenvolvimento tecnológico e a dificuldade de entrada do mercado; reduzir os riscos de desenvolvimento; atingir escalas econômicas de produção; reduzir o período de desenvolvimento e inovação de novos produtos; promover o aprendizado em grupo. Sobre os riscos das empresas ao cooperarem através de redes estão o vazamento de informações, a perda de controle, e o conflito pelos diferentes pontos de vista (TIDD; BESSANT; PAVITT, 2003, p. 208).
A própria fluidez e pouco compromisso requerido em qualquer relação cooperativa aumentam a gama e a diversidade de cooperação nas quais as pessoas podem entrar, e, portanto, de projetos colaborativos que eles podem imaginar como abertos para eles. Estas formas nas quais a autonomia é aumentada requerem uma concepção consideravelmente rica de autonomia como uma experiência prática vivida, ao invés de uma concepção formal. Mas mesmo de uma perspectiva mais estreita, a qual cobre concepções mais amplas de autonomia, no mínimo pode-se dizer que os indivíduos são menos suscetíveis a manipulação por outros – os proprietários das infra-estruturas de comunicações.
A economia de informação em rede dá uma variedade de plataformas alternativas para comunicação, moderando o poder do modelo dos meios tradicionais de comunicação de massa, onde a propriedade possibilita selecionar o que os demais vêem, e assim, afetar suas percepções do que eles podem e não podem fazer. Mais ainda, a diversidade de perspectivas na forma como o mundo é, e como ele pode ser para qualquer indivíduo, é qualitativamente aumentada. Isso confere aos indivíduos um papel significantemente maior na autoria de suas próprias vidas, ao possibilitar a percepção de uma maior gama de possibilidades, e de dá-los uma base mais rica contra a qual medirão as escolhas que eles fazem de fato (BENKLER, 2006, p. 9).
Barnard (1979, p.70) entende que todo arranjo organizacional é um sistema cooperativo. Neste sistema, a comunicação é parte integrante e fundamental para a manutenção do sistema. No caso dos APL, essa relação de comunicação é ainda mais relevante em razão da complexidade envolvida. A organização formal é um processo social concreto, no qual a ação social é em grande parte realizada. Todas as pessoas são membros participantes de vários tipos de organizações formais, e se relacionam com seus pares por conta destas organizações.
3. AGIR COMUNICATIVO E AGIR ESTRATÉGICO
Os tipos de interação distinguem-se, em primeiro lugar, de acordo com o mecanismo de coordenação da ação. É preciso saber se a linguagem natural é usada apenas como meio para a transmissão de informações ou também como fonte da integração social. Habermas (1990, p. 70) considera o primeiro caso como um agir estratégico; no segundo, um agir comunicativo. No segundo caso, a força consensual do entendimento linguístico, isto é, as energias de ligação da própria linguagem, tornam-se efetivas para a coordenação das ações; já no primeiro caso, o efeito de coordenação depende da influência dos atores uns sobre os outros e sobre a situação da ação a qual é veiculada através de atividades não linguísticas (HABERMAS, 1990, p. 71).
Habermas (1987, p. 367-368) fala de agir estratégico e agir comunicativo não somente para designar dois aspectos analíticos sob os quais uma mesma ação pode descrever-se como um processo de recíproca influência por parte de oponentes que atuam estrategicamente, de um lado, e como processo de entendimento entre membros de um mesmo mundo da vida, de outro. Fala isso porque as ações sociais concretas podem distinguir-se de acordo com o que os participantes adotem, ou bem uma atitude voltada ao êxito, ou bem uma atitude voltada ao entendimento. Estas atitudes, nas circunstâncias apropriadas, podem ser identificadas.
Habermas (1987, p. 370) diferencia os atos de fala: ato locucionário corresponde ao conteúdo propositivo de uma oração; ato ilocucionário fixa o modo em que é utilizada uma oração (como afirmação, promessa, confissão, imperativo); e o ato perlocucionário corresponde aos efeitos que o falante tenciona produzir sobre um ouvinte.
A partir da teoria dos Atos de Fala, Habermas (1987, p. 204) distingue o agir estratégico e agir comunicativo, considerando como ação comunicativa àquelas interações mediadas linguisticamente, nas quais todos os participantes perseguem, com seus atos de fala, fins ilocucionários e somente fins ilocucionários. Por outro lado, as interações nas quais um dos participantes pretende com seus atos provocar efeitos perlocucionários no seu interlocutor, são consideradas ações estrategicamente mediadas linguisticamente (HABERMAS, 1987, p. 378).
Fala-se de agir comunicativo quando agentes coordenam seus planos de ação mediante o entendimento mútuo linguístico, ou seja, quando eles o coordenam de tal modo que lançam mão das forças de ligação ilocucionárias próprias dos atos de fala. No agir estratégico esse potencial de racionalidade comunicativa permanece inutilizado, mesmo quando as interações são linguisticamente mediadas. Como aqui os envolvidos coordenam seus planos de ação mediante uma influenciação recíproca, a linguagem não é empregada comunicativamente no sentido explicado, mas de forma orientada a conseqüências (HABERMAS, 2004, p. 18). Desta forma, nem todo o uso da linguagem é comunicativo e nem toda comunicação linguística visa o entendimento mútuo na base de pretensões de validade intersubjetivamente reconhecidas (HABERMAS, 2004, p. 125).
Gagliardi e Boufleuer (2005, p. 5) consideram que os atos de fala podem cobrar certa autonomia com referência à ação comunicativa ao serem integrados em contextos de ação estratégica, em que agem instrumentalmente ajudando a viabilizar efeitos perlocucionários, influenciando sobre um dos pares como elemento teleológico. Os atos de fala integram a ação comunicativa, mas também são meios de coordenação dos planos individuais, visando um entendimento indireto sem os quais a ação estratégica não se viabilizaria.
Uma vez que o agir comunicativo depende do uso da linguagem dirigida ao entendimento, ele deve preencher condições mais rigorosas. Os atores participantes tentam definir cooperativamente os seus planos de ação, levando em conta uns aos outros, no horizonte de um mundo da vida compartilhado e na base de interpretações comuns da situação. O agir comunicativo distingue-se, pois, do estratégico, considerando que a coordenação bem sucedida da ação não está apoiada na racionalidade teleológica dos planos individuais de ação, mas na força racionalmente motivadora de atos de entendimento, portanto, numa racionalidade que se manifesta nas condições requeridas para um acordo obtido comunicativamente (HABERMAS, 1990, p. 72).
Habermas (1989, p. 164) observa que a idéia fundamental do agir orientado para o entendimento mútuo é a motivação racional de um pelo outro para uma ação de adesão. Isso acontece em virtude do efeito ilocucionário de comprometimento que a oferta de um ato de fala suscita, enquanto que no agir estratégico um atua sobre o outro para ensejar a continuação desejada de uma interação. No agir orientado para o entendimento são especificadas as condições para um acordo a ser alcançado na comunicação.
São comunicativas as interações nas quais as pessoas envolvidas buscam acordo para coordenarem seus planos de ação, sendo o acordo alcançado em cada caso medido pelo reconhecimento intersubjetivo das pretensões de validade situadas. No caso dos processos de entendimento mútuo linguísticos, os atores erguem com seus atos de fala, ao se entenderem sobre algo, pretensões de validez, mais precisamente, de verdade, correção e sinceridade, conforme se refiram a algo no mundo objetivo, no mundo social comum e no mundo subjetivo próprio (HABERMAS, 1990, p. 87-88).
Quando se tem presente a função coordenadora das ações que as pretensões de validez normativas desempenham na prática comunicativa cotidiana, percebe-se por que os problemas que devem ser resolvidos em argumentações não podem ser superados de modo monológico, mas requerem um esforço de cooperação. Ao entrarem numa argumentação, os participantes prosseguem sua ação comunicativa numa atitude reflexiva, com objetivo de restaurar um entendimento perturbado. As argumentações servem, pois, para dirimir consensualmente os conflitos de ação.
Enquanto empreendimento intersubjetivo, agir comunicativo e argumentação são necessários porque é preciso, para a fixação de uma linha de ação coletiva, coordenar as intenções individuais e chegar a uma decisão comum sobre essa linha de ação. Somente quando a decisão resulta de argumentações, isto é, se ela se forma segundo as regras pragmáticas de uma discussão, é que a norma decidida pode valer como justificada. Ela deve possibilitar a autonomia na formação da vontade. A forma de argumentação resulta, assim, da necessidade de participação e do equilíbrio de poder (HABERMAS, 1989, p. 92).
Gagliardi e Boufleuer (2005, p. 4) afirmam que os atos de entendimento que ligam os planos de ação se constituem por um sistema de relações entre meios e fins estruturados entre distintos participantes, articulando as ações individuais em um universo de interação; não podem, no entanto, ser reduzidos à ação de meios e fins. Neste sentido, o entendimento não deve ser concebido como a solução de um problema de coordenação de sujeitos que atuam se orientando para o sucesso. A razão disso está na concepção do entendimento como um fim em si mesmo e no fato de que a ação comunicativa é um mecanismo de coordenação de ações.
Desta maneira, a ética da discussão desenvolvida por Habermas (1989, p. 148) não dá orientação de conteúdo, mas sim, o procedimento rico em pressupostos que deve garantir a imparcialidade da formação de juízo. O discurso prático é um processo, não para a produção de normas justificadas, mas para o exame da validade de normas consideradas hipoteticamente. É apenas com este procedimento que a ética da discussão se diferencia de outras éticas cognitivistas, universalistas e formalistas. Todos os conteúdos, mesmo os concernentes a normas de ação, não importa quão fundamentais estas sejam, têm de ser colocados na dependência de discursos reais.
Conforme os participantes da comunicação compreendem aquilo sobre o que entendem como algo em um mundo, como algo que se desprende do pano de fundo do mundo da vida para se ressaltar em face dele, o que é explicitamente sabido separa-se das certezas, as quais permanecem implícitas. Os conteúdos comunicados, por sua vez, assumem o caráter de um saber vinculado a um potencial de razões, pretende validade e pode ser criticado, isto é, contestado com base em razões (HABERMAS, 1989, p. 169).
4. DISCUSSÃO, COOPERAÇÃO E PRODUÇÃO
A nova territorialização da produção desenha estratégias e relações entre os atores produtivos nitidamente diferentes daquelas da sociedade industrial. Tanto as empresas quanto os trabalhadores, ao se reestruturarem no quadro da cidade, emancipam-se. Fora do campo fechado da fábrica e da sua produção material de massa, a criação concerne, por um lado, a um número crescente de atores, e implica, sobretudo, cooperações que possibilitam a valorização dos territórios comuns. A cidade torna-se principalmente um território comum, ou seja, um território para o qual são construídos acordos de cooperação com o intuito de capturar certos fluxos capazes de potencializar os recursos de valor agregado próprios deste âmbito (BAUDOUIN; COLLIN, 2006, p. 203).
Bolaño e Brittos (2003, p. 48), diante da reorganização do capitalismo e aceleração da inovação tecnológica, afirmam o surgimento de novos lugares que possibilitem um pleno exercício da cidadania e articulação dos movimentos sociais em redes virtuais. Tais movimentos são condicionados não somente pela ampliação dos canais e meios de comunicação (por força do desenvolvimento tecnológico), mas também pela definição das políticas influenciadas pelas pressões de grupos de interesse.
Habermas (1989, p. 113) designa as esferas públicas autônomas que se põem em comunicação umas com as outras e tão logo o seu potencial é direcionado para a auto-organização e para o emprego auto-organizado dos meios de comunicação. As formas de auto-organização reforçam a capacidade coletiva de agir. Os arranjos produtivos locais podem ser considerados como formadores de uma esfera pública produtiva, que além de ser um espaço de cooperação, possibilita efetivos avanços democráticos que o novo meio oferece, decorrentes da interatividade e do trabalho em rede (BOLAÑO; BRITTOS, 2003, p. 53).
O agir comunicativo constitui opção para o agir estratégico, permanecendo, no entanto, acoplado à teleogia dos respectivos planos individuais de ação que nele confluem (HABERMAS, 1990, p. 123). Ou seja, o agir comunicativo não exclui a busca para o sucesso de um plano de ação, mas depende que a interação dos atores se oriente para o entendimento.
O agir comunicativo ou o agir estratégico são necessários quando os atores somente podem realizar seus planos de ação de modo interativo, isto é, com o auxílio da ação (ou da omissão) de outro ator. Além disso, o agir comunicativo tem de satisfazer as condições de entendimento e de cooperação:
a) os atores participantes comportam-se cooperativamente e tentam colocar seus planos (no horizonte de um mundo da vida compartilhado) em sintonia uns com os outros na base de interpretações comuns da situação;
b) os atores envolvidos estão dispostos a atingir os objetivos mediatos da definição comum da situação e da coordenação da ação assumindo os papéis de falantes e ouvintes em processos de entendimento, portanto, pelo caminho da busca sincera ou sem reservas de fins ilocucionários (HABERMAS, 1990, p. 129).
Os contatos horizontais no plano das interações simples devem adensar-se numa prática intersubjetiva de deliberação e execução que seja suficientemente forte para manter todas as outras instituições no estado fluido de agregado da fase de fundação, preservando-as por assim dizer do coagulamento. Esse antiinstitucionalismo tem pontos de contato com antigas concepções liberais de um espaço político sustentado por associações, no qual a prática comunicativa pode realizar-se numa formação de opinião e vontade dirigida de maneira efetivamente argumentativa (HABERMAS, 1990, p.106).
Sengenberger e Pike (2002, p. 122) afirmam ser inimaginável que uma pequena empresa realize sozinha as funções necessárias para conseguir a eficiência competitiva, que o conjunto da coletividade permite que obtenha, colaborando na conjunção de recursos para a provisão coletiva de aptidões técnicas e de serviços (empréstimo de instrumentos, ajudas com peças de reposição, repasse de consultoria, etc.).
Barnard (1979, p.73-74) afirma que a forma de cooperação mais universal e talvez a mais complexa seja a linguagem. E é reconhecida como um fato, não apenas por falar e ouvir, mas porque produz reações e mudanças na situação total. A linguagem é um fato físico, pois há energia física convertida em ondas sonoras, limitada por condições físicas do ambiente. É ato biológico, pois é realizado por seres vivos e necessita de órgãos como pulmões, laringe, ouvidos e sistema nervoso. A linguagem é ainda, um fenômeno social, pois é aprendida pelo contato social, a partir de uma situação em sociedade. As palavras nada significam se não possuírem utilidade social, como um idioma desconhecido para uma sociedade.
As empresas como micro-sociedades inseridas em um contexto amplo também sentem necessidade de cooperar entre si, por meio do canal que é a linguagem. Assim, tanto as grandes empresas formam alianças estratégicas para reduzir a crescente competição, quanto às micro, pequenas e médias empresas agem para minimizar suas dificuldades de atuação, por meio de redes de cooperação como uma opção estratégica (COSTA, 2007, p. 72). Essas organizações vêem-se direcionadas a atuar em rede, cooperativamente, de modo a obterem vantagens que não ocorrem por meio da ação isolada.
Aun, Carvalho e Kroeff (2005, p. 4) observam que mais do que destacar as ações de agentes individuais, importa pensar os ambientes coletivos como troca de informações, conhecimento e aprendizado de modo a favorecer a cooperação entre os atores locais. Deste modo, Torres, Almeida e Tatsh (2004, p. 16) apresentam a cooperação como decorrência da interação para o aprendizado.
Nos arranjos produtivos destaca-se a cooperação empresarial através de uma rede de interações, com o aproveitamento das sinergias coletivas geradas, também geradas com o ambiente onde se localizam, fortalecendo as chances de sobrevivência e crescimento dos atores, constituindo-se importante fonte geradora de vantagens competitivas (LASTRES et al., 2002, p. 11-13).
É importante ver o arranjo produtivo como um ‘laboratório cognitivo’, um sistema cuja função básica é aprender. Assumem importância tais aspectos: a densidade dos fluxos de transferência de conhecimento que alimentam o processo de knowledge creation e produzem um conhecimento baseado (knowledge-based) na formação e reprodução evolutiva do distrito (CARMONA, 2006, p. 20).
A inovação e o aprendizado interativos são, talvez, as mais destacadas forças dos APL. Há aprendizado entre os empregados de uma mesma empresa e entre algumas empresas. A percepção e o gerenciamento dessas inovações é que fazem a diferencial competitivo dando, cada vez mais, ânimo à comunidade. Quando se somam a criatividade técnica e gerencial com as aquisições de novos talentos e a própria pesquisa e desenvolvimento internos, têm-se organizações que se estabelecem economicamente (AUN; CARVALHO; KROEFF, 2005, p. 4).
A cooperação territorializada é, ao mesmo tempo, conflituosa e cooperativa, porque trata de articular interesses divergentes em projetos que convergem para a valorização de um comum. É o dissenso que faz sentarem-se ao redor da mesma mesa trabalhadores assalariados, patrões e outros atores da cidade ligados por uma atividade específica a ser desenvolvida (BAUDOUIN; COLLIN, 2006, p. 215).
O melhor modo de conciliarem diferentes interesses, com objetivos comuns em uma esfera de cooperação, parece ser a discussão. O convencimento da validade de afirmações problemáticas requer argumentos. Convincente é tudo aquilo que podemos aceitar como racional. Ora, a aceitabilidade racional depende do processo de argumentação, que deve permanecer aberto a qualquer tipo de objeções relevantes e a todas as melhorias impostas pelas circunstâncias. Tal prática de argumentação inclusiva e perpetuada depende de uma idéia de 'desconfinamento' de formas atuais de entendimento sobre espaços sociais, tempos históricos e competências profissionais (HABERMAS, 2007, p. 56).
5. CONSIDERAÇÕES FINAIS
O agir estratégico e o agir comunicativo se interpenetram nos arranjos produtivos locais (APL) para fomentar e dinamizar a cooperação entre as organizações. O diálogo de forma cooperativa entre as organizações facilita o compartilhamento de informações e a aprendizagem coletiva, beneficiando não somente as organizações de forma individualizada, mas também formando um patrimônio comum produzido por atitudes cooperativas.
A sobrevivência de uma organização depende da sua capacidade de cumprir suas finalidades e metas. Existem situações em que a cooperação aumenta as possibilidades de eficácia organizacional e enriquecimento. Neste estudo, parte-se do esgotamento das forças da racionalidade puramente instrumental para produzir cooperação e riqueza, argumentando-se sobre as possibilidades de uma racionalidade comunicativa.
A cooperação é inerente aos arranjos produtivos. O que se argumenta é que racionalização organizacional complexa pode acontecer de modo dialógico e que isso contribui para fortalecer as interações e a cooperação entre os atores destes arranjos. Estratégia e discussão podem ser eficazes no desenvolvimento dos arranjos, com a vantagem que no segundo caso se ampliam as perspectivas e a esfera de construção do entendimento.
O APL é formado por uma articulação de organizações, fato que torna imprecisos os limites do sistema com o ambiente, com o território da cidadania. O agir comunicativo, a discussão e a cooperação podem ser modos eficazes de aumentar a própria complexidade do sistema APL. A discussão e a cooperação podem reduzir as diferenças das organizações componentes com relação ao seu entorno, de modo a criar um espaço mais propício a sua viabilidade econômica e social.
O APL é um sistema auto-referenciado e autopoiético, com cadeias recorrentes de comunicação de decisões, que evidenciam a complicação e o esforço necessário para coordenar as decisões de cada organização como componente do sistema e, também, as decisões inerentes ao próprio sistema APL como organização. Nesse ponto, a discussão se presta a auxiliar a coordenação entre interesses comuns e particulares.
Considerando a característica de aglomeração de organização de um APL, conflitos naturalmente ocorrem devido à variedade de atores. A discussão pode ser o meio para obter o entendimento, em que prevalece o melhor argumento. Entretanto, nem todas as situações requerem ou admitem tal tipo de interação comunicativa, sendo necessária a simples transmissão de informações, em detrimento da discussão. Isso pode ser observado em relação a legislação e impostos, ou mesmo questões desenhadas pelo próprio ambiente concorrencial de negócios.
O APL pode, então, ser visto como uma arena discursiva onde a articulação de interesses carrega em si conflitos e disputas por poder, os quais muitas vezes podem ser as origens do compartilhamento do espaço produtivo, ponderando a tensão entre pontos em comum e pontos particulares. A cooperação, portanto, não significa que o acordo seja simples e fácil, muito menos infalível. É inerente a interação comunicativa e o aprendizado, que revigora o APL e suas características de inovação, articulando as organizações e as aproximando da viabilidade econômica.
AGOSTINHO, M. E. Complexidade e organizações: em busca da gestão autônoma. São Paulo: Atlas, 2003.
AUN, M. P.; CARVALHO A. M. A; KROEFF, R. L. Aprendizagem Coletiva em Arranjos Produtivos Locais: um novo ponto para as políticas públicas de informação. In: V ENLEPICC, Salvador, 2005.
BARNARD, C. I. As funções do executivo. São Paulo: Atlas, 1979.
BAUDOUIN, T.; COLLIN, M. O Território do Comum na Mobilização Produtiva dos Atores da Cidade. In: SILVA, G.; COCCO, G. Territórios produtivos: oportunidades e desafios para o desenvolvimento local. Rio de Janeiro: DP&A, 2006.
BENKLER, Y. The Wealth of Networks: How Social Production Transforms Markets and Freedom. New Haven: Yale University Press, 2006. Disponível em: <http://www.benkler.org/wealth_of_networks>. Acesso em: 20 de maio de 2009.
BOLAÑO, C. R. S.; BRITTOS, V. C. Capitalismo, esfera pública global e o debate em torno da televisão digital terrestre no Brasil. Contracampo - revista do Programa de Pós-Graduação em Comunicação, Niterói, n. 9, p. 47-67, 2º sem. 2003.
BRITTO, J. Cooperação e aprendizado em arranjos produtivos locais: em busca de um referencial analítico. In: NOTA técnica 4 do projeto de pesquisa: aprendizado, capacitação e cooperação em arranjos produtivos e inovativos locais de MPEs: implicações para políticas. Rio de Janeiro: Instituto de Economia da UFRJ e OEA, 2004.
CARMONA, R. Dinâmicas Territoriais, Políticas Públicas e Novos Sistemas de Governança nos Distritos Industriais Italianos. In: SILVA, G.; COCCO, G. Territórios produtivos: oportunidades e desafios para o desenvolvimento local. Rio de Janeiro: DP&A, 2006.
CASAROTTO FILHO, N.; PIRES, L. H. Redes de pequenas e médias empresas e desenvolvimento local: estratégias para a conquista da competitividade global com base na experiência italiana. São Paulo: Atlas, 2001.
CASSIOLATO, J. E.; LASTRES, H. M. M. O foco em arranjos produtivos e inovativos locais de micro e pequenas empresas. In: LASTRES, H. M. M.; CASSIOLATO, J. E.; MACIEL, M. L. Pequena empresa: cooperação e desenvolvimento local. Rio de Janeiro: Relume Dumará, 2003.
COCCO, G. Mobilizar os Territórios Produtivos: para além do capital social, a constituição do comum. In: SILVA, G; COCCO, G. Territórios produtivos: oportunidades e desafios para o desenvolvimento local. Rio de Janeiro: DP&A, 2006.
COLLA, J. E. A influência da estratégia colaborativa no conteúdo estratégico em rede de empresas. 2009. 182 f. Dissertação (Mestrado) - Curso de Administração, Departamento de Ciências Sociais Aplicadas, Universidade Federal do Paraná, Curitiba, 2009.
COSTA, W. J. V. Criação e compartilhamento de informação em aglomerações produtivas: o APL de móveis de Ubá - MG. 2007. 257f. Dissertação (Mestrado em Ciência da Informação) - Escola de Ciência da Informação, Universidade Federal de Minas Gerais. Belo Horizonte, 2007.
CUSTÓDIO, A. V. Micro e pequenas empresas (MPEs) inseridas em arranjos produtivo locais: um estudo de caso da malacocultura na Grande Florianópolis/SC. Dissertação (Mestrado). Universidade Federal de Santa Catarina, Centro Sócio-Econômico. Programa de Pós-Graduação em Economia. Florianópolis, 2005.
GAGLIARDI, A. O.; BOUFLEUER, J. P. Concepções e Práticas em Relações Públicas: perspectivas de um agir comunicativo. In: XXVIII Congresso Brasileiro de Ciências da Comunicação, 2005, Rio de Janeiro. Disponível em: <http://www.intercom.org.br/papers/nacionais/2005/resumos/R2013-1.pdf>. Acesso em: 15 mai. 2009.
GRASSI, R. A. Capacitações Dinâmicas, Coordenação e Cooperação Interfirmas: As Visões Freeman-Lundvall e Teece-Pisano. Estudos Econômicos, São Paulo, v. 36, n. 3, p.611-635, jul. 2006.
HABERMAS, J. Teoria de la acción comunicativa I - Racionalidad de la acción y racionalización social. Madrid: Taurus, 1987.
____. Teoria de la acción comunicativa II - Crítica de la razón funcionalista. Madri: Taurus, 1987.
____. Consciência moral e agir comunicativo. Rio de Janeiro: Tempo Brasileiro, 1989.
____. O pensamento pós-metafísico. Rio de Janeiro: Tempo Brasileiro, 1990.
____. Soberania como procedimento: um conceito normativo de espaço público. Novos Estudos, São Paulo : CEBRAP, n. 26, p.100-113, mar.1990.
____. Verdade e justificação: ensaios filosóficos. São Paulo: Loyola Edições, 2004.
____. Entre naturalismo e religião. Rio de Janeiro: Tempo Brasileiro, 2007.
HARVEY, D. Condição pós-moderna. Rio de Janeiro: Loyola, 1989.
HOFFMANN, W. A. M.; CHEMALLE, K. E. Acesso e uso de inteligência competitiva em micro e pequena empresas de arranjos produtivos locais. In: ENANCIB, VII, 2006, Marília-SP. VII Encontro Nacional de Pesquisa em Ciência da Informação (ENANCIB), 2006.
IPEA - Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada. Identificação, Mapeamento e Caracterização Estrutural de Arranjos Produtivos Locais no Brasil, 2006. Disponível em: <www.ipea.gov.br>. Acesso em: 19 jun. 2009.
LASTRES, M. H.; CASSIOLATO, J. E. Novas políticas na era do conhecimento: o foco em arranjos produtivos e inovativos locais. Revista Parcerias Estratégicas. Fev. 2003.
LASTRES, H. M. et al. Interagir para competir: promoção de arranjos produtivos e inovativos no Brasil. Brasília/SEBRAE/Finep: CNPQ, 2002.
LUHMANN, N. A. Soziale Systeme: Grundrisseiner allgemainem Theorie, 1984.
___. Sistema y función. In: Sociedad y systema: la ambición de la teoría. Ediciones Piados, Barcelona, 1990.
MARTELETO, R.; OLIVEIRA E SILVA, A.. Redes e Capital Social: o enfoque da informação para o desenvolvimento local. Ciência da Informação, América do Norte, v. 33, n. 3, p. 41-49. jun. 2004. Disponível em: <http://revista.ibict.br/index.php/ciinf/article/view/518/471>. Acesso em: 10 jun. 2009.
MILL, J. S. Princípios de economia política : com algumas de suas aplicações à filosofia social. São Paulo: Abril Cultural, 1983.
RODRIGUEZ, D.; ARNOLD, M. Sociedad y teoría de sistemas. Santiago: Universitária, 1991.
SENGENBERGER, W.; PIKE, F. Distritos industriais e recuperação econômica local: questões de pesquisa e de política. In: URANI, A., COCCO, G., GALVÃO, A. P. Empresários e Empregos nos Novos Territórios Produtivos: o caso da Terceira Itália. Rio de Janeiro: DP&A, 2002.
SILVA, G.; COCCO, G. Territórios produtivos: oportunidades e desafios para o desenvolvimento local. Rio de Janeiro: DP&A, 2006.
TIDD, J.; BESSANT, J.; PAVITT, K. Gestão da Inovação – Integração das Mudanças Tecnológicas de Mercado e Organizacionais. Lisboa: Monitor, 2003.
TORRES, R.; ALMEIDA, S.; TATSH, A. L. Cooperação e Aprendizado em Arranjos produtivos locais: aspectos conceituais e indicadores da Redesist. Relatório de Atividades do Sinal, UFRJ, 2004.
URANI, A.; COCCO, G.; GALVÃO, A. P. Empresários e Empregos nos Novos Territórios Produtivos: o caso da Terceira Itália. Rio de Janeiro: DP&A, 2002.
