IV Congreso de la CiberSociedad 2009. Crisis analógica, futuro digital

Grupo de trabajo C-18: Movementos sociais e redes tecnolóxicas

Ambientes Web 2.0 potencializando a disseminação de conteúdos informacionais: o caso das tradições gaúchas

Ponente/s


Resumen

Este artigo descreve como as ferramentas disponibilizadas pela Web 2.0 podem ser utilizadas no processo de disseminação de conteúdos culturais de um determinado grupo sócio-cultural, aqui especificamente, os gaúchos tradicionalistas que, valendo-se do ciberespaço, divulgam, compartilham, ensinam e aprendem conteúdos culturais através da Internet. O uso de recursos da Web 2.0 permite que os websites sejam mais colaborativos com relação à participação dos usuários no processo de disseminação de qualquer área temática, por meio do uso de ferramentas que permitem a atuação efetiva na construção do conhecimento em espaços informacionais digitais.

Contenido de la comunicación

1. Introdução

A World Wide Web pode ser entendida e visualizada como uma rede na qual as informações em formato digital, reconfigurável e fluido, estão estruturadas em websites hipertextuais, aqui tratados como ambientes informacionais digitais.

A WWW encontra-se imersa no ciberespaço, que conforme Lévy

[...] é o novo meio de comunicação que surge da interconexão mundial de computadores. O termo especifica não apenas a infra-estrutura material da comunicação digital, mas também o universo oceânico de informações que ela abriga, assim como os seres humanos que navegam e alimentam esse universo (LÉVY, 1999a, p. 17).

O ciberespaço é o lugar não-material ou o locus virtual onde as pessoas acessam, recuperam, organizam, ensinam, disseminam e compartilham informação e conhecimento. Cada dia mais pessoas recorrem ao ciberespaço para o ensino, a transmissão, a disseminação e a aprendizagem, utilizando ou disponibilizando serviços oferecidos pela Internet que respondem às suas exigências pessoais de conhecimento sob as mais diversas formas de mídia – imagens, textos, sons, vídeos, etc. Não importa o quanto esses arquivos estejam distantes dos usuários solicitantes. Basta um clique para acessar as memórias conectadas de outros computadores em qualquer ponto do planeta.

Através do ciberespaço é possível o encontro e o agrupamento de usuários de acordo com seus interesses, necessidades e maneiras próprias de disponibilizar, receber e trocar informações e arquivos, constituindo grupos com características e propósitos específicos, as comunidades virtuais que, segundo Lévy (1999a), caracterizam-se pelo agrupamento virtual de indivíduos de qualquer lugar, sexo, faixa etária, grau de instrução, condição socio-econômica, etc.

Esse agrupamento virtual tornou-se muito mais intenso e efetivo com o desenvolvimento da Web 2.0, a segunda geração de serviços online, caracterizada por potencializar as formas de publicação, compartilhamento e organização de informações, além de expandir os espaços para a interação entre os participantes desse processo.

Considerando as novas ou potencializadas formas de publicação e circulação de informações que a Web 2.0 apresenta no processo coletivo para a organização, disseminação e recuperação de documentos digitais, esta pesquisa tem como objetivo identificar como as ferramentas disponibilizadas pela Web 2.0 podem ser utilizadas para compartilhar e disseminar aspectos de uma determinada cultura ou modo de vida de um dado grupo sócio-cultural, aqui especificamente, os gaúchos tradicionalistas1 que compartilham aspectos da tradição gaúcha na Internet.

Entende-se a categoria tradição como um conjunto de sistemas simbólicos que são passados de geração a geração e que tem um caráter repetitivo. A repetição significa atualização dos esquemas de vida. Isto significa que a tradição é uma orientação para o passado, justamente porque o passado tem força e influência relevantes sobre o curso das ações presentes. A tradição também se reporta ao futuro, ou melhor, indica como organizar o mundo para o tempo futuro.

Assim, deve-se entender a categoria tradição como um campo que envolve um ritual e que possui status de integridade, uma forma de garantir a preservação, baseado em modelos que podem ser histórias fictícias, reais ou reinventadas, dando conta dos inúmeros processos de simbolização no curso da história dos atores sociais. Em suma, a tradição passa a ter um caráter normativo, relacionado aos processos interpretativos, por meio do qual o passado e o presente são conectados para ajustar o futuro. No caso específico dos gaúchos, destacam-se como elementos da tradição a musica, a poesia, a dança, a culinária, a indumentária, o vocabulário, os contos e a interação social.

Isto posto, começa-se a delinear a forma específica da (re)invenção da tradição na sociedade da informática, num contexto que tem como elemento norteador a escassez do tempo e do espaço, que suprime as distâncias de comunicação entre os diversos locais do globo e estabelece uma simultaneidade de interconexões que, de acordo com Castells (1999), conta com um enorme desenvolvimento das tecnologias, em especial as da informação, gerando novos meios de comunicação e, conseqüentemente, maior importância da informação como fonte de valor.

Ainda, segundo Castells (1999), este cenário apresenta uma multiplicação de informações e imagens de todo o globo, lançadas pela mídia e pela indústria cultural ou são trocadas por indivíduos e grupos sociais, através dos novos meios de comunicação, como a Internet, difundindo identidades, tradições, articulações étnicas e culturais.

Neste contexto, pode-se dizer que a Web 2.0 tem repercussões sociais importantes, que fortalecem os processos de trabalho coletivo, de produção e circulação de informações, a troca afetiva e a construção social de conhecimento apoiada pelas tecnologias de informação e comunicação. São essas formas interativas e as ferramentas disponibilizadas pela Web 2.0, aqui particularmente, utilizada pelos tradicionalistas gaúchos na Internet, mais do que os conteúdos produzidos ou as especificações tecnológicas em questão, que serão apresentadas nesse artigo.

A relevância deste estudo se justifica uma vez que a Ciência da Informação busca em outras ciências subsídios para aprimorar e estabelecer formas mais eficazes nos processos de representação, descrição, organização, disseminação, acesso e recuperação de recursos informacionais, ou seja, o objeto principal da área que é a informação e que neste estudo é representado pelos conteúdos informacionais de tradições gaúchas, apoiando-se nos conceitos e recursos de serviços da Web 2.0.

2. Comunidades virtuais

O espaço virtual, ou seja, o ciberespaço, a teia da Internet (LÉVY, 1999a), pode permitir que comunidades distantes fisicamente entre si desenvolvam novas inteligências e propaguem conhecimentos. Ao contrário do que se pensa este novo espaço não reduz e, tampouco nega, a importância dos espaços analógicos que proporcionam a relação face a face. As relações digitais derivam das relações humanas e, desta forma, complementam e ampliam as possibilidades de algumas relações humanas analógicas.

Lévy (1999b) destaca que estes espaços virtuais podem possibilitar a criação de comunidades virtuais, ambientes propícios para estimular a construção de novos saberes. Neste contexto,

As comunidades virtuais são um conjunto de pessoas que estão interligadas entre si de forma democrática a partir de um propósito previamente definido e que utilizam o ciberespaço como um dos ambientes para a troca de experiências, informações e construção de novos saberes. As comunidades virtuais são constituídas, principalmente, pelas relações de colaboração e cooperação entre os membros dos grupos que a compõem. São as relações de colaboração e cooperação que mantêm as comunidades virtuais vivas. Enquanto existirem tais relações, as comunidades sobreviverão podendo, inclusive gerar novas comunidades (TAJRA, 2002, p. 43).

Para que, de fato, as comunidades virtuais exerçam seu papel, é necessário que as relações de colaboração e cooperação sejam desenvolvidas em ambientes democráticos respeitando a participação de todos, compartilhando valores, crenças e utilizando regras estabelecidas em comum acordo com os membros do grupo.

De acordo com Barros (1994), as atitudes colaborativas são interações ocorridas entre duas ou mais pessoas que contribuem de alguma forma para a obtenção de objetivos que não, necessariamente, sejam de interesse comum. Sendo assim, segundo Maturana (1997), o pressuposto básico para as relações dos membros de um grupo de uma comunidade virtual ocorre a partir das interações. Isso faz com que as interações sejam consideradas o alicerce para a estruturação, composição e manutenção das comunidades virtuais.

3. Redes sociais

Claramente a Web 2.0 tem um aspecto tecnológico muito importante e este condiciona as interações sociais que são sensíveis a certos condicionamentos trazidos pela Web 2.0. De acordo com Garton, Haythornthwaite e Wellman (1997, p. 75),

Quando uma rede de computadores conecta pessoas ou organizações, ela é uma rede social. Da mesma forma que uma rede de computadores é um conjunto de máquinas conectadas por cabos, uma rede social é um conjunto de pessoas (ou organizações ou outras entidades sociais) conectadas por relações sociais, como amizades, trabalho conjunto, ou intercâmbio de informações.

As redes sociais refletem o mundo em movimento e referem-se a um conjunto de pessoas, organizações ou outras entidades sociais, que encontram-se conectadas por relacionamentos sociais e estes podem ser motivados pela amizade e por relações de trabalho ou compartilhamento de informações e, por meio dessas ligações, vão construindo e re-construindo a estrutura social (MOLINA; AGUIAR, 2004).

A interação realizada a partir das redes sociais é caracterizada não apenas pelas mensagens trocadas (o conteúdo) e pelos integrantes da rede que se encontram em contextos geográfico, social, político e temporal diferentes. Esta interação é caracterizada também pelo relacionamento que existe entre os integrantes. Trata-se de uma construção coletiva, inventada pelos indivíduos que agem durante o processo, que não pode ser manipulada unilateralmente nem pré-determinada (PRIMO, 2007).

O potencial das redes de relacionamento, uma das marcas da Web 2.0, é muito grande. Essas redes possibilitam o estudo em grupo, a troca de informações, a divulgação dos mais diversos conteúdos informacionais, através de mecanismos para comunicação com outros usuários, tais como fóruns, chats, email, recados ou mensagens instantâneas. Permitem também identificar pessoas que possuem interesses comuns e assim criar uma rede de aprendizado, de transmissão de conhecimento, divulgação de conteúdos das mais diversas áreas.

Ao estudar os fenômenos inerentes às informações geradas pelas redes sociais, aspectos como tagueamento (tagging) social que oferece métodos úteis de categorização coletiva, padrões de metadados que permitam a recuperação efetiva de informações de particular interesse e a disponibilização de conteúdos por meio de agregadores RSS, são exemplos de fontes de estudos que pesquisadores da Ciência da Informação tem se ocupado.

4. Caracterizando a Web 2.0

Segundo Valente e Mattar (2007), no início a Internet procurava explorar, tanto técnica como financeiramente, todas as possibilidades oferecidas pela rede mundial. Com seu amadurecimento, a Internet avançou para uma Web de valor mais significativo para o usuário. Aproveitando recursos tecnológicos atualmente disponíveis, como a popularização da banda larga e desenvolvimento de linguagens novas, foi possível criar aplicativos que modificaram significativamente os hábitos dos usuários e, neste contexto, destaca-se a Web 2.0.

O’Reilly (2005), utilizou o termo Web 2.0 para descrever as tendências e modelos de negócios que sobreviveram ao “crash” do setor de tecnologia dos anos 90. De acordo com Maness (2007, p. 43) todas as companhias e serviços que sobreviveram tinham certas características comuns: “eram colaborativas por natureza, interativas, dinâmicas, e a linha entre criação e consumo de conteúdos nesses ambientes era tênue (usuários criavam o conteúdo nesses sites tanto quanto eles o consumiam)”.

Web 2.0 é o nome usado, por exemplo, para descrever a segunda geração da World Wide Web, baseada em inteligência coletiva, isto é, na construção coletiva do conhecimento. Por meio da interação, comunidades criadas em torno de interesses específicos poderão apoiar uma causa, discutir temas individuais ou de relevância coletiva, levar a opinião pública a reflexão sobre qualquer assunto, ensinar e transmitir conteúdos tradicionalistas, disseminar informações culturais, entre muitas outras ações. Pessoas físicas, movimentos populares, instituições, governos, empresas, grupos culturais e acadêmicos, entre muitos outros, já estão incorporando esta cultura para gerar conhecimento.

Em lugar de simplesmente visualizar as informações em páginas da Web estáticas, os usuários agora publicam conteúdo próprio nos Blogs, Orkut, Twitter, Facebook, Linkedin, Wikis e websites que compartilham textos escritos, fotos e vídeos, por exemplo. As pessoas estabelecem colaboração, listas de discussões e comunidades online. Além disso, é possível combinar e compartilhar dados, conteúdo e serviços de várias fontes para criar experiências e aplicativos personalizados.

Apesar de existir muitos conceitos que definem o termo Web 2.0, há consenso em alguns pontos importantes. De acordo com Tim O’Reilly (2005), o posicionamento estratégico da Web 2.0 usa a Web como plataforma e o próprio usuário controla seus próprios dados.

Suas competências centrais são: serviços, não softwares “empacotados”; arquitetura de participação; escalabilidade de custo eficiente; fonte e transformação de dados remixáveis; software em mais de um dispositivo; emprega a inteligência coletiva. Suas principais características são: Web dinâmica; compartilhamento e colaboração; foco no conteúdo; pode ser utilizada qualquer mídia, só não pode ser estática; conteúdo participativo e democrático; realimentação constante de informação.

Resumidamente, os ambientes Web devem prover um mecanismo onde os usuários sejam mais que consumidores de conteúdo e aplicativos: deve permitir que eles possam criar conteúdo e interagir com vários serviços e pessoas.

Um elemento-chave do conceito da Web 2.0 é o conceito de redes sociais, comunidade, colaboração e discussão. Naturalmente, as pessoas desejam se comunicar, compartilhar e discutir. Essa comunicação é uma parte primordial do entendimento, do aprendizado e da criatividade. O elemento original que a Web 2.0 traz são as redes de comunicações sociais e comunitárias as quais, de modo geral, viabilizam-se pelos Blogs, grupos de discussão, Orkut, Twitter e Wikis.

Na Web 2.0, a escala abrupta e o número de pessoas na Internet criam uma "arquitetura participativa", na qual a interação entre as pessoas cria informações e sistemas que ficam melhores na medida em que são mais usados e mais pessoas os utilizam. Como exemplos de sites que usam esse conceito, podemos citar: Google (Range Rank), EBay, Amazon, Wikipedia, Flickr, Delicious e Slideshare.

Nesse contexto, destaca-se o RSS, Really Simple Syndication, que é um subconjunto de "dialetos" XML que serve para agregar conteúdo ou "Web syndication" podendo ser acessado mediante programas/sites agregadores. É usado principalmente em websites de notícias e blogs, mas vem sendo crescentemente utilizado em ambientes acadêmicos, como repositórios institucionais, bibliotecas e periódicos eletrônicos. É uma maneira de publicar conteúdo para que outros o consumam websites de notícias e outros em geral utilizam este conceito, expondo seu conteúdo para ser consumido por outros websites na Internet. O formato RSS especifica o conteúdo XML de um noticiário em RSS, também conhecido como “RSS Feed” ou “Web feed”. Segundo Passarin e Brito (2005, p. 2),

Essa especificação surgiu com o intuito de padronizar a forma de distribuição de conteúdos estruturados existentes nos mais diferentes sites na internet. A distribuição do conteúdo estruturado, neste contexto, é representada através do termo “feed”. Um feed pode ser definido como qualquer informação importante disponível em um site, como, por exemplo, notícias, artigos, histórias, entre outras informações.

Outro exemplo de ambiente que utiliza o conceito de Web 2.0 é o Orkut, um serviço, uma espécie de conjunto de perfis de pessoas e suas comunidades. Nele é possível cadastrar-se e colocar fotos, descrever preferências pessoais, listar amigos e formar comunidades. Os indivíduos são apresentados como perfis e pode-se identificar suas conexões diretas (amigos) e indiretas (amigos dos amigos), bem como as organizações sob a forma de comunidades. O Orkut permite a utilização de ferramentas de interação variadas, tais como sistemas de fóruns para comunidades, envio de mensagens para cada perfil, envio de mensagens para comunidades, entre outras ações.

Outro ambiente que utiliza os conceitos de colaboração e compartilhamento da Web 2.0 é o Blog. Um weblog, blog ou blogue é uma página da Web que possui ferramentas para classificar informações técnicas a seu respeito, todas elas são disponibilizadas na Internet por servidores e/ou usuários comuns. Essas ferramentas comportam registros de informações relativas a um website, ao número de acessos, páginas visitadas, tempo gasto, de qual website ou página o visitante veio e uma série de outras informações.

De acordo com Valente e Mattar (2007), a palavra Blog deriva da expressão “Web log”, ou seja, é um diário de bordo na rede. Nele, podem ser disponibilizadas informações pessoais, propor questões, publicar trabalhos acadêmicos, registrar links e comentários para outras fontes da Web e muitas outras coisas. Segundo esses autores, alguns serviços que possibilitam a produção e publicação de um Blog são: Wordpress, Blogger (do Google), Bloglines e Tumblr.

O número de blogs cresce numa progressão geométrica muito grande e essa é uma recorrente ilustração da Web 2.0. Os blogs transformaram-se em um importante espaço de conversação e através deles os indivíduos das redes sociais interessados em conteúdos muito específicos podem interagir (PRIMO; SMANIOTTO, 2006).

Wiki é outra ferramenta da Web 2.0 e tornou-se bastante popular após o surgimento da Wikipédia – uma referência de consulta, sendo até incorporada pela ferramenta de busca da Google – que cresce rapidamente com a contribuição voluntária de especialistas das mais diversas áreas do saber. Um wiki é um site na Web que proporciona o trabalho coletivo de um grupo de indivíduos que são os autores e tem uma estrutura lógica parecida à de um blog, acrescentando a funcionalidade de que qualquer um pode inserir, editar e deletar conteúdos ainda que estes tenham sido criados por outros autores. Pode ser comparado a reservatórios e conhecimentos compartilhados no qual o público agrega de modo simples suas contribuições a tempo todo.

Outro ambiente a ser destacado é o Twitter, que aparece como uma das interfaces mais populares no uso da mobilidade proporcionada pelas ferramentas da Web 2.0. Destaca-se especialmente a mobilidade e a rapidez da veiculação das informações no website e no ultimo ano registrou um aumento de 700% no número de acessos2.

O Twitter é um site que contempla rede social e microblog, uma versão mais simples do blog, adaptada para o uso a partir de dispositivos móveis com acesso à Internet. Criado em março de 2006 para ser utilizado como um serviço interno da empresa Obvious, de Evan Williams, mesmo criador do Blogger, o Twitter é a ferramenta que popularizou os blogs nos anos 2000 e em 2007 se separou da Obvious e tornou-se uma empresa independente sob o nome Twitter, Inc.

Por ser utilizado como uma plataforma de compartilhamento e divulgação de links interessantes para músicas, vídeos, fotos, notícias, postagens em blogs, entre outros conteúdos informacionais, o Twitter se aproxima da idéia de RSS. A comunicação entre os usuários é realizada através de mecanismos de interação instantânea proporcionando a veiculação de conteúdos em tempo real e de qualquer lugar, mantendo os usuários do site informados e interconectados, recebendo e enviando mensagens sobre os assuntos e acontecimentos que mais lhes interessam.

No Brasil, atualmente, a rede do Twitter conta com aproximadamente 344 mil usuários e aproximadamente 9 milhões de usuários em todo mundo3.

Outra ferramenta que inova no contexto da disseminação dos mais diversos tipos de conteúdos informacionais é o Second Life. Segundo Valente e Mattar (2007):

O Second Life pode receber várias denominações: realidade virtual, mundo cibernético ou ambiente virtual, dentre outras. Isso representa um conjunto de tecnologias que, quando combinadas, fornecem uma interface para o mundo tridimensional gerado por computador, de tal forma que o usuário acredita estar realmente nesse mundo, e intuitivamente, passa a interagir com esse ambiente imersivo e dinâmico (VALENTE; MATTAR, 2007, p. 155).

Nesse contexto, o Second Life oferece um cojunto de ferramentas que possibilitam fazer coisas que não seriam possíveis no mundo real. O residente responsável por determinado ambiente em uma Ilha no Second Life pode compartilhar informações em ambientes que simulam a realidade. Os usuários interagem entre si e realizam atividades disponíveis no ambiente em questão: fazem compras, ouvem música, dançam, participam de negócios, reuniões e festividades.

Um serviço online que vem ganhando notoriedade é o Delicious, adquirido em 2005 pelo Yahoo!. Este serviço online permite que o usuário adicione e pesquise bookmarks sobre qualquer assunto. O Delicious registra os links que o usuário deseja e é possível também compartilhar, com comentários, as suas escolhas, avaliar quantos outros usuários escolheram os mesmos links ou pesquisaram os links, por tags ou categorias, que outras pessoas escolheram (VALENTE; MATTAR, 2007).

Além de ser uma ferramenta de busca para encontrar o que precisa na web, é tambem uma ferramenta para arquivar e catalogar os sites preferidos para que o usuário possa acessá-los de qualquer lugar. Esse tipo de serviço de compartilhamento de links favoritos costumam ser chamados de bookmarks.

O Bookmark é um tipo de sistema online também conhecido como favoritos ou marcadores, público e gratuíto que disponibilizar os favoritos na internet para o seu fácil acesso podendo também compartilhar o conteudo informacional com os usuários deste tipo de serviço. Pode ser classificado como parte do conceito que é chamado de Web 2.0.

Os ambientes informacionais na Web dessa nova geração têm em comum conceitos de compartilhamento, colaboração e a produção coletiva de conteúdos e deixam de ser focados na publicação de conteúdo e passam ser orientados ao conceito de serviço.

Nestes serviços da Web 2.0, a informação gerada socialmente é a chave para o sucesso destes ambientes, pois quanto mais usados são, mais ricos de conteúdo esses serviços ficam e estudos sobre fenômenos referentes às informações que ocorrem nesses serviço como a aquisição, o armazenamento, a representação, a organização e o acesso e recuperação desses conteúdos, levando-se sempre em consideração o aspecto coletivo em que esse fenômenos ocorrem, colocam a Ciência da Informação como responsável também no processo de desenvolvimento desses ambientes informacionais.

Pode-se dizer, enfim, que os ambientes informacionais digitais que utilizam recursos e ferramentas da Web 2.0 funcionam por meio da interação social, buscando conectar pessoas e proporcionar sua comunicação e, portanto, podem ser utilizados para disseminar conteúdos culturais, tradicionalistas, educacionais, políticos, filosóficos, comerciais, entre muitos outros.

Neste novo cenário da Web, os usuários são vistos como co-desenvolvedores e há o aproveitamento da Inteligência Coletiva em que os usuários produzem o conteúdo e deixam de ser apenas consumidores de informação, passando para agentes construtores. O foco se forma sobre comunidades em que as características principais são a descentralização e disseminação da informação.

Visando compreender como as ferramentas da Web 2.0 funcionam e, com base nas considerações apresentadas, serão destacadas algumas maneiras de utilizar as ferramentas da Web 2.0 para divulgar, compartilhar e preservar conteúdos informacionais ligados a grupos tradicionalistas gaúchos na Internet.

5. O uso da Web 2.0 para compartilhar e disseminar conteúdos tradicionalistas

Através das ferramentas disponibilizadas pela Web 2.0 o usuário pode manter todo conteúdo informacional online de forma pública ou privada, aumentando desta forma a sua divulgação e compartilhamento. A filosofia da Web 2.0 privilegia a facilidade na publicação e rapidez no armazenamento de textos, imagens, vídeo e arquivos de áudio, ou seja, tem como principal objetivo tornar a web um ambiente social e acessível a todos os usuários, um espaço onde cada um determina e controla a informação de acordo com as suas necessidades e interesses.

Na busca por ambientes informacionais digitais que utilizam as ferramentas a Web 2.0 e tratam de conteúdo relacionado à cultura gaúcha foram localizadas comunidades no Orkut e Blogs que apresentam conteúdos de tradicionalismo gaúcho de CTG’s – Centros de Tradição Gaúcha, conforme demonstrado nas próximas figuras.

As comunidades do Orkut são fóruns modificados, com estrutura planejada para facilitar o uso. Desta maneira, qualquer pessoa pode aprender a trabalhar com os recursos de uma comunidade com relativa facilidade. Com um design aperfeiçoado, as comunidades superam o uso dos fóruns mais tradicionais e, por esta razão, são constantemente utilizadas para compartilhar conteúdos das mais variadas origens, como por exemplo, os educacionais, culturais, filosóficos e, como mostra a Fig. 1, conteúdos tradicionalistas.

A proposta da Comunidade CTG é reunir todos que participam ou já tiveram alguma ligação com CTGs. Esta comunidade reúne atualmente 17.887 membros que se identificam com a proposta do CTG. Através dessa comunidade um membro pode encontrar outras pessoas e comunidades com o mesmo foco de interesse, aumentando sua rede de contatos, bem como as possibilidades de acessar conteúdos tradicionalistas na Internet.

Figura 1 – Página do Orkut da comunidade “CTG”.

Disponível in http://www.orkut.com.br/Main#Community.aspx?cmm=56366 Acesso em 09 de agosto de 2009.

O convite exibido na descrição da comunidade é “Se aprochegue e não se acanhe. Divulgue seu CTG aqui, Invernadas Artísticas e ajude a cultura a perpetuar pelos 4 cantos deste mundo”. Isso indica que os desenvolvedores da comunidade acreditam que este ambiente favorece a integração dos membros, a divulgação e compartilhamento dos conteúdos relacionados ao CTG. Destaque para o campo “Fórum” disponível nessa página, proporcinando a interação entre os membros da comunidade.

As Figs. 2 e 3 trazem um Blog de conteúdo tradicionalista gaúcho. A utilização de Blogs para disponibilizar conteúdos tradicionalistas vem crescendo constantemente. A facilidade de criação e publicação e, a possibilidade de construção coletiva e o potencial de interação, tornam o Blog uma ferramenta de destaque na disseminação de tradições. Neste caso, em especial, o Movimento Tradicionalista Gaúcho da 21ª Região Tradicionalista disponibiliza notícias sobre os eventos que a entidade organiza e também abre espaço para que os usuários postem seus comentários sobre temas relacionados à cultura gaúcha, nesse ambiente, o usuário tem um papel mais ativo. Na Fig. 3 pode-se observar os seguidores desse blog.

Figura 2 – Blog do Movimento Tradicionalista Gaúcho, MTG, da 21ª Região Tradicionalista

Disponível in: http://www.mtgrs.blogspot.com/ Acesso em 09 de agosto de 2009.

Figura 3 – Seguidores do Blog do Movimento Tradicionalista Gaúcho, MTG, da 21ª Região Tradicionalista.

Disponível in: http://www.mtgrs.blogspot.com/ Acesso em 09 de agosto de 2009.

Outro exemplo de interação social pode ser observado na Fig. 4 que demonstra o CTG Virtual Estância Celeste, o primeiro CTG no Second Life:

Figura 4 – Avatar observando o palco do CGT Virtual Estância Celeste.

Em destaque imagens que representam a cultura gaúcha.

A partir da Fig. 4 observa-se que o ambiente desenvolvido no Second Life pretende se assemelhar a um CTG real: sua estrutura em forma de galpão, a fogueira aquecendo a água para o chimarrão, a bandeira do Rio Grande do Sul estampada nas paredes e o palco onde grupos musicais tradicionalistas se apresentam. Neste CTG Virtual ocorre a divulgação e compartilhamento da tradição gaúcha através da interação dos usuários: o indivíduo cria um personagem (avatar) e visita ambientes produzidos por outros usuários, podendo assim, conviver com pessoas de qualquer parte do mundo. Desta forma, as expressões da cultura gaúcha são divulgadas aos mais diversos pontos do planeta.

Na busca por ambientes informacionais digitais que utilizam ferramentas da Web 2.0 para compartilhar e disseminar conteúdo relacionado a cultura gaúcha foi localizado um website que apresenta RSS relacionado ao tradicionalismo gaúcho, conforme demonstrado na Fig. 5. Leitores de RSS permitem que o usuário selecione as fontes de notícias que desejam ler, e passem então a recebê-las automaticamente. Neste caso, é um ambiente que auxilia na disseminação da cultura e tradição gaúcha permitindo que o usuário receba a todo instante informações dos websites que tenha cadastrado, aqui, por exemplo, conteúdos relacionados a música gaúcha, elemento marcante da tradição.

Figura 5 – Website do Grupo Musical Guapos. Uso do RSS.

Disponível in http://www.guapos.com.br/mx/rss.php. Acesso em 09 de agosto de 2009.

Outra ferramenta que pode ser utilizada para compartilhar e divulgar aspectos da cultura gaúcha é o Twitter. A rede social no Twitter é construída através do mecanismo follow (seguir). Ao escolher um perfil para seguir e assim receber suas postagens, o usuário do site passa a dispor de ferramentas de interação: o reply (resposta pública a uma postagem, como um comentário de blog), a direct message (mensagem direta e particular) e o retweet (republicação de uma postagem). Usuários podem “seguir” um CTG por exemplo e acompanhar a sua programação através do Twitter.

A Fig. 6 apresenta o Twitter da Radio Gauchinha, que divulga notícias sobre músicas típicas gaúcha.

Figura 6 – Twitter da Radio Gauchinha.

Disponivel in http://twitter.com/radiogauchinha, acesso em 09 de agosto de 2009.

Os recursos oferecidos pela Web 2.0 tambem permitem a busca e o compartilhamento de informações. Uma ferramenta de busca que pode ser usada para compartilhar bookmarks com outros usuários e visualizar os favoritos públicos de vários membros da comunidade é o Delicious. Além desse uso o Delicious pode ser usado para criar listas de presentes, para acompanhar wesites que tem conteúdo e links dinâmicos e para pesquisas sobre qualquer assunto, como observado na Fig. 7 apresenta bookmarks relacionados a cultura gaúcha.

Figura 7 – Bookmarks sobre cultura gaúcha disponíveis na página do Delicious:

http://delicious.com/search?p=cultura+ga%C3%BAcha&chk=&context=recent%7C%7Cgaucho&fr=del_icio_us&lc.

Acesso em 09 de agosto de 2009.

Considerações Finais

São muitas as possibilidades de pertencimento nas comunidades virtuais constituídas a partir de inúmeras temáticas as quais passam a ser ferramentas identitárias dos indivíduos vinculados a elas. Essas comunidades reforçam vários movimentos culturais e, no caso da cultura e tradição gaúcha, que em geral são marcadamente difundidas nos Centros de Tradição Gaúchas, vem ganhando território e seguidores através de comunidades na Internet criadas para sua disseminação.

A constituição de grupos sociais virtuais, composto por integrantes que não convivem fisicamente juntos num mesmo espaço tornou-se possível com a Internet e com a globalização. É evidente que as tecnologias da informação, que revolucionaram os meios de comunicação, tem importância preponderante na constituição de relações virtuais entre as pessoas. Por causa da velocidade em que ocorre a comunicação e as várias formas em que ela pode acontecer, para se sentirem juntas, basta que as pessoas consigam compartilhar o tempo, não precisando mais se encontrar simultaneamente num mesmo espaço.

As tecnologias da Web estão redesenhando e redefinindo a disseminação de conteúdos culturais, criando novas e interessantes oportunidades transmissão, mais personalizadas, sociais e flexíveis, com um caráter de compartilhamento de informações.

Nesse sentido, na Web 2.0 o usuário não é mais pensado apenas como um agente passivo, mas ao mesmo tempo e, principalmente, como produtor e desenvolvedor de conteúdo. A Web 2.0 facilitou em grande escala a criação de todo tipo de conteúdo e isso proporciona ao usuário atuar como leitor, autor e produtor de conteúdo informacional, e inclusive editor e colaborador.

Abordaram-se neste estudo várias experiências que destacam que o terreno virtual é fértil e possível de transformar e revolucionar o campo das tradições, sua preservação, disseminação e (re)invenção.

O que torna a Web 2.0 tão importante para a disseminação e preservação da tradição gaúcha em ambientes informacionais digitais são suas principais características: a colaboração, a ênfase no conteúdo, a Web como plataforma, a visão do ambiente informacional como um serviço informacional, a descentralização do conteúdo, a tagsonomia, a sindicalização de informações por meio de RSS e a criação de interfaces ricas. Além disso, são desenvolvidos aplicativos que aproveitam os efeitos da rede para se tornarem melhores quanto mais são usados pelas pessoas, aproveitando a Inteligência Coletiva.

Utilizando recursos da Web 2.0 os websites podem ser mais colaborativos com relação à participação dos usuários na produção, transmissão e disseminação dos conteúdos informacionais de qualquer área temática, como observado no caso da tradição e da cultura gaúcha, disponibilizando ferramentas que permitem a atuação efetiva na construção de espaços informacionais.

Estudos de modelos de representação, padrões de metadados, interoperabilidade, entre outros, devem ser realizados para que esses ambientes informacionais contenham qualidade da informação disponibilizada contemplando, então, processos que vão da aquisição até a recuperação e uso, passando pela organização desses conteúdos, levando em consideração o fato de que em todos esses processos a atuação é voltada para o coletivo, num relacionamento muitos para muitos e não mais unidirecional.

NOTAS:

1 Trata-se de indivíduos dedicados a disseminação e preservação da tradição gaúcha, vinculados aos chamados Centros de Tradição Gaúcha (CTGs), que são instituições criadas com a finalidade de transmitir e perpetuar a tradição gaúcha por todo o Brasil e pelo mundo.

2 Dados da comScore Inc. Acesso em ago/2009.

3 Dados extraídos de Acesso em ago/2009.

Bibliografía/Referencias


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