IV Congreso de la CiberSociedad 2009. Crisis analógica, futuro digital

Grupo de trabajo F-31: Redes sociais

Ciberespaço: Educação em um novo plano de realidade

Ponente/s


Resumen

O impacto das novas formas de produção, circulação e consumo de informação tem sido tão grande a ponto de reconfigurar a vida e o pensamento como tais? Educação, identidade, cultura, toda construção dos espaços antropológicos se vêem afetadas por essa interrogação que nasce do confronto do humano com a internet. A proposta do presente artigo é examinar criticamente a resposta de Pierre Levy, um dos primeiros intelectuais a responder a essa complexa interrogação, confrontando-se em poucas páginas a sua posição e a de outros críticos teóricos, definindo o espaço da produção do virtual como um novo plano de realidade a partir do qual se devem discutir os parâmetros de um novo fenômeno societário e educativo.



Palavras-Chave: Ciberespaço, Cibercultura, Educação.

Contenido de la comunicación

INTRODUÇÃO: Quebrando Preconceitos

Cibervida? Essa é uma interrogação que sem muito esforço percebe-se pertinente na interferência das tecnologias virtuais com a vida humana nesse início do século XXI. De acordo com Pierre Lévy1 (2001, DVD), é inconcebível negar que, desde as últimas décadas do século XX, o mundo está consumido pelas tecnologias da comunicação. Basta olhar a maneira como ele se relaciona, como move sua economia, sua política, sua arte, sua sabedoria e sua espiritualidade, para ver que, em tudo, os processos técnicos de comunicação estão se adentrando. Não obstante, essa tecnologia é indispensável na maioria das atuais áreas de trabalho, pois a técnica já se constitui como um elemento essencial na construção de conhecimentos e relacionamentos que vêm mudando completamente a maneira de as pessoas pensarem, de se comunicarem, de conviverem umas com as outras e com o mundo.

No movimento acelerado dessas tecnologias é interessante observar os aparelhos telefônicos, os celulares, os computadores, e notar que elas estão, em alta velocidade, cada vez mais sofisticadas e que possuem variadas funções que visam primordialmente facilitar a vida das pessoas.2 Para Pierre Lévy (2000), essas tecnologias estão causando uma transformação no mundo humano e, por isso, a técnica e sua relação com o ser humano merecem uma atenção especial nos trabalhos e estudos científicos.

Percebe-se que, o que se passa hoje, é a vivência de uma verdadeira revolução antropológica3, a qual, pela técnica, atinge com velocidade todas as dimensões do mundo humano (social, política, econômica, intelectual, espiritual…). Pelo sistema técnico de universalização, chamado Internet4, se constrói uma rede mundial, na qual todos estão interligados num mesmo espaço, o ciberespaço,5 e num mesmo tempo presente, onde há contatos de um para com cada um, de um para com todos, e de todos para com todos que estão conectados. Com isso, segundo Levy (1993), a noção de espaço e tempo, que até então só fora mudada no nascimento da escrita, se vê, hoje, totalmente transformada devido ao surgimento desse novo sistema que unifica o mundo em tempo presente e indeterminado. Movimentar-se já não é mais deslocar-se de um ponto a outro na superfície terrestre, mas sim, atravessar universos de problemas, mundos vividos, diferentes sentidos que exploram o espaço interior da intersubjetividade. Eis a atual revolução!

Essa revolução já não é mais obscura. Porém, segundo Lévy (1999), está passando despercebida a grandeza de sua realidade, e isso faz desconhecer totalmente os benefícios que essa revolução pode vir a nos oferecer, principalmente no campo da cultura. Afirma o autor que a Internet, por exemplo, é utilizada pela maior parte das pessoas somente como um instrumento de transmissão e não como uma metodologia de construção de conhecimento e uma cultura de vida.

Devido ao não conhecimento do momento em que se vive, diante das velozes mudanças e inúmeras interrogações, Lévy (1993) afirma que muitas pessoas preferem abraçar as críticas sobre a técnica, nascidas do medo e da ignorância, do que investir em estudos para conhecer o que se passa.

O cúmulo da cegueira é atingido quando as antigas técnicas são declaradas culturais e impregnadas de valores, enquanto que as novas são denunciadas como bárbaras e contrárias à vida. Alguém que condena a informática não pensaria nunca em criticar a impressão e menos ainda a escrita. Isso, porque a impressão e a escrita (que são técnicas!) o constituem em demasia para que ele pense em apontá-las como estrangeiras. Não percebe que sua maneira de pensar, de comunicar-se com seus semelhantes, e mesmo de acreditar em Deus são condicionadas por processos materiais (LÉVY, 1993, p. 15).

Por isso, diante desse contexto de revolução e indeterminação, de novidade e de incerteza, de mudança e de medo, é de suma importância elaborar estudos que visam o entendimento e o esclarecimento do momento atual, para, a partir daí, nele se posicionar e até propor um rumo para a humanidade caminhar. “Devemos aceitá-lo como nova condição. Temos que ensinar nossos filhos a nadar, a flutuar, talvez a navegar” nessa nova onda de vida (Lévy, 2000, p. 15). Acreditando que por meio da informática, há a possibilidade de uma nova maneira de construir o desenvolvimento das pessoas e da sociedade (Lévy, 2000). Esse ciberespaço produzido pela coletividade humana não é somente uma rede de conversas on-line, mas é, na verdade, um reconhecimento das competências pessoais de cada indivíduo, isto é, a possibilidade de um novo sistema de validação de competências pessoais. Enfim, é a construção de um novo humanismo6.

A proposta de cibercultura apresentada por Pierre Lévy (2000) atinge fortemente vários campos da atuação humana (político, social, econômico, artístico, espiritual e outros) e nos convida a estudar o mundo em que vivemos para criticá-lo e interrogá-lo na busca de uma resposta falível que visa primordialmente uma vida melhor para a humanidade. Para isso, é necessário quebrar os preconceitos de que o mundo virtual veio para destruir o mundo real, que a máquina vai substituir o homem ou que a técnica vai destruir a o ser humano.

PIERRE LÉVY: Ponto de Partida

Pierre Lévy é um dos mais influentes filósofos da atualidade que trabalha com a cibercultura e o ciberespaço (LÉVY, 2006, DVD). Um dos principais defensores das novas tecnologias de comunicação, dos computadores e, em particular, da Internet, vista como instrumento de ampliação do conhecimento humano e criação de um novo espaço antropológico, o ciberespaço onde reside e desenvolve a cibercultura (PRADO, 2006)7. Lévy se intitula “engenheiro do conhecimento”, aquele que vê na técnica de comunicação a possibilidade da construção revolucionária de um novo pensamento, de uma nova inteligência, em uma nova cultura (PELLANDA, 2006)8. Porém, o que não se pode perder de foco, é que a centralidade do pensamento de Pierre Lévy é o ser humano, e a técnica vem com a intenção de ajudá-lo no seu desenvolvimento.

O pensamento e a visão de mundo de Lévy são motivados pela concepção filosófica do jesuíta e paleontólogo francês Pierre Teilhard de Chardin, filósofo e teólogo defende a tese de que a humanidade caminha no sentido de uma evolução universal, num caminho de ascensão, vencendo obstáculos e superando barreiras (PINTO, 2006)9. Lévy acredita e faz vivo o pensamento que Chardin sonhava:

Ninguém pode negar que uma rede […] de filiações econômicas e psíquicas está sendo tecida numa velocidade que aumenta sempre, que abraça e constantemente penetra cada vez mais fundo em nós. A cada dia que passa, torna-se um pouco mais impossível para nós agir ou pensar de forma que não seja coletiva […] Nós chegaremos ao princípio de uma nova era. A Terra ganha uma nova pele. Melhor ainda, encontra sua alma (CHARDIN, 1947, apud: ZWARG, 2005, p. 12).

Lévy tem bem claro o seu conceito de otimismo como sendo uma atitude de responsabilidade (LÉVY, 2001)10. Segundo Zwarg11 (2005), devido a esse otimismo, Lévy se torna um alvo fácil para as críticas. Sobre isso, Pellanda (2000, p. 09), afirma que Lévy “para os conservadores, é um fantasma indesejado e temido”. Para Rüdiger12, teórico e crítico da cibercultura, Pierre Lévy não passa de “um ingênuo otimista por assumir as pretensas benesses do progresso tecnológico como suporte para uma fé cega nos destinos prósperos dos seres humanos” (RÜDIGER, apud ZWARG, 2005, p. 18). Para Paul Virilio13, considerado um dos maiores críticos de Pierre Lévy, Lévy é o “guru da Internet”, que favoreceu “arrastar para o terreno do delírio, um delírio de interpretação nefasto a respeito da cibernética e temas adjacentes” (VIRÍLIO, apud ZWARG, 2005, p. 12).

Diante das críticas, Lévy se anima cada vez mais, pelo fato de ter a possibilidade de exercer sua responsabilidade e assumir o compromisso de cooperar com a humanidade na vivência e no entendimento do atual processo de desenvolvimento humano. Diante da dinâmica dos novos desenvolvimentos humanos, considerada também como evolução da técnica de virtualização, Lévy (1996, p. 12) recomenda a toda a humanidade e, em especial aos seus críticos, que: “antes de temê-la, condená-la ou lançar-se às cegas a elas, proponho que se faça o esforço de apreender, de pensar, de compreender em toda a sua amplitude”. Segundo ele, isto é o que falta aos seus críticos.

Lévy (2000)14 afirma que a maioria desses intelectuais que tanto o criticam, são uma casta de homens cultos que detinham o monopólio do saber e do conhecimento, mas que ainda não se deram conta de que estão perdendo os seus poderes para a coletividade presente na Internet e, por isso, o criticam tanto, isto é, eles estão perdendo o privilégio da transmissão do conhecimento, por nada conhecerem do mundo virtual. Segundo Lévy (2000)15, “Virilio nunca viu um correio eletrônico na vida! Suas críticas são críticas de quem está apavorado com a nova realidade. É essa liberdade que intelectuais como Virilio identificam com a barbárie e não podem tolerar”.

A ousadia é uma das características principais de Pierre Lévy que, diante do contexto de medo, omissão e crítica às tecnologias, levanta a voz ao mundo e afirma:

Sim eu sou otimista […] Ser otimista é dar-se conta de que temos a possibilidade de escolher e que, portanto somos responsáveis. É dar-se conta de que não devemos colocar a responsabilidade sobre o que nos é externo, sobre bodes-expiatórios, em pessoas que queremos acusar. Ser otimista é dar-se conta que nós contribuímos para construir o mundo em que vivemos. E o que iremos escolher? O pior? Não! Vamos escolher o melhor. Eis porque sou otimista (LÉVY, 2001)16.

Isso já é o suficiente para compreender que Pierre Lévy é um filósofo vivo, ousado e otimista do mais atual sistema de comunicação, o ciberespaço.

O CIBERESPAÇO: Por uma nova antropologia

A proposta do ciberespaço, em Pierre Lévy, é nada mais que um manifesto humanista de uma nova cultura emergente. A história da humanidade está reconfigurada sob a perspectiva de quatro espaços antropológicos. O ciberespaço e suas implicações se desenvolvem em um desses espaços. Um espaço antropológico, segundo Lévy (1999, p. 125) nasce da “interação entre pessoas” e é um “sistema de proximidade próprio do mundo humano”, o qual depende de técnica, linguagem, cultura, significações, convenções, representações e emoções humanas (LÉVY, 1999, p. 22), Porém, segundo Lévy (1999, p. 126), “os seres humanos não habitam somente no espaço físico, ou geométrico”, não interagem somente em um espaço. As pessoas habitam, e por muito tempo, em vários outros espaços, sejam eles afetivos, estéticos, sociais ou históricos.

As pessoas têm diante de si diferentes espaços antropológicos devido às várias possibilidades de habitação que lhes são propostas pela própria natureza.

Dessa forma passamos nosso tempo a modificar e a administrar os espaços em que vivemos, a conectá-los, a separá-los, a articulá-los, a endurecê-los, a neles introduzir novos objetos, a deslocar as intensidades que os estruturam, a saltar de um espaço a outro (LÉVY, 1999, p. 126).

Os espaços antropológicos são como superespaços. Sua constituição apresenta vários outros espaços interdependentes, em que cada espaço possui sua axiologia. O que é de grande valor em um espaço pode não ser em um outro. Daí a importância de reconhecer os valores dos espaços nos quais vivemos e daqueles nos quais somos levados a viver.

Analisando a história da humanidade, Pierre Lévy reconhece a existência de quatro grandes espaços antropológicos: terra, território, mercadorias e saber. Esses espaços surgiram devido a acontecimentos de ordem intelectual, técnica, social ou histórica e também pela capacidade desses espaços reorganizarem as proximidades e a interação entre as pessoas, entre as distâncias. É justamente no espaço do saber que se desenvolve o ciberespaço e todas as suas implicações.

Para Lévy (1999), é um grande erro considerar os espaços antropológicos como “recortes” cronológicos de uma realidade preexistente. Da mesma maneira, é um equívoco “tomar os espaços antropológicos por classes ou conjuntos nos quais se acomodariam os seres, os signos, as coisas, os lugares, cada entidade do mundo humano” (LÉVY, 1999, p.129).

Os espaços vão surgindo de uma maneira complementar e processual.

[…] imaginemos que um calendário de quatro páginas (cada uma correspondendo a um espaço antropológico) seja rasgado e amassado até formar uma bola. Suponhamos agora que uma agulha (que representa o fenômeno a ser cartograficamente representado segundo nosso sistema de projeção) seja espetada nessa bola de papel. A agulha atravessará em certa ordem, cada um dos espaços e poderá furar várias vezes o mesmo espaço. Cada nova agulha espetada estabelecerá relações diferentes com os quatro espaços, tanto sob o aspecto da sucessão como sob o do número de encontros (LÉVY, 1999, p. 130).

Para Pierre Lévy, os espaços antropológicos, mesmo surgidos em tempos diferentes, não suprimem os anteriores. O que acontece é uma superação em velocidade e significações, tendo os mesmos como “plano de existência”, ou seja, como necessidade para existência dentro de um processo contínuo de transformação (LÉVY, 1999, p. 128). Pierre Lévy (1999, p. 189), deixa bem claro que um espaço antropológico, quando se desenvolve “de maneira consistente torna-se irreversível, ele não é eliminado pelo que vem depois dele”, ou seja, “os espaços antropológicos são eternos” (LÉVY, 1999, p. 190). O interessante é que os espaços vão sendo atualizados de acordo com o desenvolvimento dos pensamentos e relações humanas. Nesse sentido, “o tempo não passa realmente, os ambientes afetivos, as configurações existenciais são postos em reserva, em memória, não deixando jamais de agir, estão disponíveis para todos os retornos” (LÉVY, 1999, p. 190, SIC). Tudo está sempre presente.

ESPAÇO DO SABER: Rumo à Cibercultura

É importante lembrar que o espaço do saber ainda não existe, é uma utopia17, porém, não existe como ato, é virtual18. Isso quer dizer que, virtualmente, já está presente, em potência, na expectativa de um vir-a-ser ato, fato. O mundo virtual começa a se implantar e se construir no mundo real, interferindo em sua maneira de ser, e será pelas relações humanas, pelos laços sociais de pessoas distintas que esse espaço antropológico se solidifica. Eis o surgimento do ciberespaço, eis a casa da cibercultura19.

Lévy defende que o “ser humano não pensa sozinho” (LÉVY, 1996, p. 95). A linguagem, os sistemas de signos, as formas de comunicação, as maneiras de ver o mundo, as maneiras de viver, tudo isso perpassa os tempos por uma tradição histórica, chegando até o presente e, conseqüentemente, constituirá o futuro. O pensamento é histórico, isto é, há toda uma sociedade cosmopolita20 pensando dentro de nós. Para Lévy, está mais do que claro que tudo o que aprendemos e sabemos é fruto de uma construção histórica desde a origem, desde a terra. Sendo assim, pode-se dizer que a coletividade pensa em nós, porém, somos todos diferentes.

É importante ter presente que, no pensamento de Lévy (1995), cada ser humano é um mundo diferente, são conhecimentos diferentes, porque cada pessoa é diferente, cada pessoa é um universo a ser descoberto. Esse conhecimento, não se trata somente do conhecimento científico, esse limitado uso da razão, mas do conhecimento que qualifica a espécie homo sapiens. No espaço do Saber o conhecimento é entendido como um savoir-vivre ou um vivre-savoir21 que, segundo Lévy (1999, p. 121), é “co-extensivo à vida”, porque engloba em si a completude humana, na sua história e naquilo tudo que ela pode oferecer. Este saber é a nossa inteligência; é a inteligência humana, o saber viver.

É a partir dessa compreensão de mundo que nasce a cibercultura com a interconexão planetária formando uma comunidade virtual e uma universal e livre inteligência coletiva a qual, a primeiro momento, pretende reunir as diferentes forças de cada ser humano, naquilo que lhe cabe doar, para pensar em conjunto, aumentando as competências cognitivas, sociais e políticas de cada um e de todos ao mesmo tempo (LÉVY, 2002)22.

Essa mega interligação de saber só é possível dentro de um novo espaço antropológico, o espaço do saber. O ciberespaço, segundo Lévy (1999), habita no espaço do saber e lá inventa sua própria língua, constrói seu próprio universo e cria formas diferentes de se comunicar, de trabalhar, de viver. Neste contexto, como será possível interligar o mundo todo, em seus pensamentos, laços sociais e políticos? Para Pierre Lévy, isso acontece graças à informática23, a internet, que é a interconexão mundial (LÉVY, 1993, p. 256). Na verdade, segundo ele, isso não é problema, pois o mundo já está interligado e o fato de que, numa visão global, ainda são poucas as pessoas no mundo que têm acesso à Internet, não intimida o novo espaço.24 Portanto, não podemos ser impacientes e nos escandalizarmos com o fato de que a maioria da população não está conectada. O que é preciso observar é a velocidade com que a curva de conexões aumenta, e isso já é notável.25 O que Lévy propõe é que, diante de toda a velocidade das transformações no campo da tecnologia da informação, o mundo precisa de cabeças pensantes, otimistas e compromissadas com a vida do ser humano.

IDENTIDADE: Por uma Semiótica do ciberespaço

O espaço do saber cria consistência somente no fim do século XX com as redes digitais e os universos virtuais. Neste espaço, Pierre Lévy entende que a identidade do indivíduo é constituída por imagens dinâmicas, geradas por meio de navegação, transformação e exploração das realidades virtuais. Essas realidades virtuais, formadas pelos indivíduos virtuais, criam suas identidades, visto que eles estão em constante contato com novos saberes, e por isso, aprendem e se renovam o tempo todo.

Conseqüentemente, esses indivíduos são criadores do seu próprio cosmo, cada uma é um universo virtual. Lévy tem bem claro que não é mais possível separar a exploração da construção do mundo virtual. Ao explorar, o indivíduo se constrói em significações e conhecimentos no espaço do saber. Como se sabe, ele habita no mundo virtual, mas, porém, se remete a um espaço real, que é o savoir-vivre. É no mundo virtual que esses indivíduos se constroem e se desenvolvem, constituindo o savoir-vivre, que é real. Nesse contexto, Barry Wellman26 vem ao encontro do pensamento de Lévy por também reconhecer que o ciberespaço não se constitui fisicamente e nem segue os modelos de relações físicas, mas funciona em outro plano de realidade.

De fato, a identidade no espaço do saber se exprime no mundo virtual. Por isso, quantos corpos virtuais o indivíduo possuir, tal será o seu número de identidades.

Na Terra o homem é um micro cosmo; no Território, é uma micro polis; no espaço mercantil, eis que ele se torna um micro oikos, uma pequena casa; no espaço do Saber, o humano se restringe ainda mais: não é mais do que um cérebro. Mesmo seu corpo se torna um sistema cognitivo (LÉVY, 1999, p. 135).

Comumente, pela coletividade, os cérebros dos indivíduos pensantes entram em contato uns com os outros e, pelos sistemas de signos (linguagens ou representações), exploram e criam mundos diferentes, convertendo o indivíduo em um poli cosmo, em um poli mundo, em um poli vivre.

É justamente este poli cosmo, com todos os seus sistemas de representações – signos, linguagem, brasões – que constitui a identidade no espaço do saber. A partir desta perspectiva, de acordo com Pierre Lévy (1999), o espaço do saber vem a ser uma volta a terra, mas não à primeira terra (microcosmo), mas a uma nova Terra, um novo universo, onde o indivíduo volta a ser nômade e a possuir diversas identidades por explorar diversos universos. No espaço do saber, o próprio indivíduo é heterogêneo, é múltiplo, é passivo e ativo ao mesmo tempo, ensina e aprende, conhece e se deixa conhecer.

Nas mercadorias, já não existia o real; era tudo cópia, plágio, reconstrução da reconstrução dos signos. Aqui, no espaço do saber, as coisas voltam a existir, voltam a ter significados, porque é real tudo o que envolve as realidades práticas, intelectuais e imaginárias dos sujeitos vivos, não importam quais sejam. No espaço do saber, os signos não deixaram de se multiplicarem, de se transformarem. Pelo contrário, as transformações são mais velozes, mais freqüentes e é justamente dessa forma, que se constrói a semiótica do Saber. Todas as transformações, diferentemente do espaço mercantil, existem, são reais, e possuem uma super importância para o indivíduo, porque são por elas, são pelos signos (mesmo que muitos), que o indivíduo ganha sua existência.

Cada indivíduo terá vários signos e todos com alta significatividade e referência; esse é o diferencial. Ao deparar com o universo do espaço do saber, estarão presentes vários e diversos signos que significam diversas pessoas com seus variados significados. É justamente aí, diante dessa diversidade de signos reais que os mundos de significações são partilhados e a cibercultura se firma.

Para Pierre Lévy (1999, p. 145, SIC), “o Espaço do Saber é justamente essa realidade virtual, essa utopia já presente em manchas, em pontilhado, em potência em todo lugar onde os seres humanos sonham, pensam, agem juntos” por meio de seus diversos signos. E, diante de uma grande variedade de significações, signos, existentes no espaço do saber em constante mutação, cria-se uma forte exigência de organização, pois os indivíduos virtuais agem, se constroem e se identificam nessa constante mutação.

Essas mutações ocorrem com os signos, que representam os indivíduos, que por sinal, são cérebros pensantes em uma constante mutação e que, no espaço do saber, estão constantemente em contato com os outros. Devido ao fato, segundo Lévy, a imagem do signo torna-se um instrumento fortíssimo de conhecimento, vindo a ser mais poderoso que o texto. O mundo, no quarto espaço, só existe para o homem, nas representações significativas, chamadas por Lévy de “brasão”.27

CIBERVIDA: educar em um novo plano de realidade

Reconhecendo a construção do ciberespaço e sua movimentação, pode-se dizer, sem nenhum receio, que a humanidade caminha para uma cibervida. A vida do ciberespaço, como já vimos, cria uma linguagem, uma semiótica, um universo próprio, diferente e muito além da ‘galáxia de comunicação’, de McLuhan. Como afirma Postman (CASTELLS, 2008, p. 414), “nós não vemos a realidade como ela é, mas como são nossas linguagens. E nossas linguagens são nossos meios de comunicação. Nossos meios de comunicação são nossas metáforas. Nossas metáforas criam o conteúdo de nossa cultura”. Isso não é diferente do que já dizia Heidegger na Carta sobre o humanismo que aborda a linguagem como sendo a morada do ser, a qual possibilitou Wittgenstein fundamentar nas Investigações filosóficas a linguagem como o mundo da vida, local onde se nomeia e se define a partir do comum acordo que se cria dentro do contexto social.

O sociólogo Manuel Castells (2008, p. 414), reconhece que “esse novo sistema eletrônico de comunicação caracterizado pelo seu alcance global, integração de todos os meios de comunicação e interatividade potencial, está mudando e mudará para sempre nossa cultura”. Isto não é novidade para Wellman (CASTELLS, 2008, p. 445) que vê essa realidade como uma possibilidade “para a expansão dos vínculos sociais numa sociedade que parece estar passando por uma rápida individualização e uma ruptura cívica.”

Para Lévy (2000, p. 131), esse projeto de interconexão planetária vem de longa data, foi programado nos anos 1960:

Engelbart (o inventor do mouse e das janelas das interfaces atuais), Licklider (pioneiro das conferências eletrônicas), Nelson (inventor da palavra e do conceito de hipertexto). O ideal da inteligência coletiva é também defendido por alguns gurus atuais da cibercultura como Tim Berners Lee (inventor da World Wide Web), John Perry Barlow (ex-letrista do grupo musical Grateful Dead, um dos fundadores e porta-vozes da Eletronic Frontier Foundation) ou Marc Pesce (coordenador da norma VRML). A inteligência coletiva é desenvolvida por comentaristas ou filósofos da cibercultura tais como Kevin Kelly, Joel de Rosnay ou mesmo eu.

No entanto, para Castells (2008, p. 443) “ainda não está bem claro, porém, o grau de sociabilidade que ocorre nessas redes eletrônicas, e quais são as conseqüências culturais dessa forma de sociabilidade, apesar do empenho de um grupo cada vez maior de pesquisadores.” Lévy (2000, p. 160) comunga dessa visão em dizer que não se sabe ao certo onde vai dar esse veloz movimento, pois, “a esse respeito, Roy Ascott fala, de forma metafórica, em um segundo dilúvio. O dilúvio de informações. Para melhor ou pior, esse dilúvio não será seguido por nenhuma vazante. Devemos, portanto, nos acostumar com essa profusão e desordem.”

Para Lévy esse é o movimento do espaço do saber, é a dinâmica do ciberespaço, é a realidade da cibercultura e, conseqüentemente, da cibervida, é a realidade do caos: “nem a salvação nem a perdição residem na técnica. Sempre ambivalentes, as técnicas projetam no mundo material nossas emoções, intenções e projetos. Os instrumentos que construímos não nos dão poderes mas, coletivamente responsáveis, a escolha está em nossas mãos” (LÉVY, 2008, p. 16-17). A originalidade de Pierre Lévy é que ele pensa a partir desta perspectiva, todo o seu pensamento considera essa realidade caótica e parte daí seu fundamento ao otimismo.

Diante do caos, Lévy (2000, p. 14-15) se pergunta: “Onde está Noé? O que colocar na arca? No meio do caos, Noé construiu um pequeno mundo bem organizado […] O segundo dilúvio não terá fim […] Devemos aceitá-lo como nova condição. Temos que ensinar nossos filhos a nadar, a flutuar, talvez a navegar.”

Porém, nem todos os cientistas pensam como Pierre Lévy. Basta considerar os críticos sociais, como Mark Slouka (SLOUKA in CASTELLS, 2008, p. 443), que defende a idéia de que os computadores trouxeram a “desumanização das relações sociais”, pois “a vida on-line parece ser a maneira mais fácil de fugir da vida”. E a socióloga francesa Dominique Wolton, que defende em suas pesquisas que “a Internet aumenta as chances de solidão, sensação de alienação ou mesmo de depressão” (WOLTON in CASTELLS, 2008, p. 443).

Castells (2008, p. 433) em suas pesquisas sobre o uso da Internet no mundo (1998-2000), constatou que havia muitas desigualdades, como por exemplo, somente 2,4% da população mundial tem a acesso a Internet, e desses, 88% dos usuários são representados pelos países industrializados. Nos EUA quem tem renda de U$$ 75.000 ou mais, tinha 20 vezes mais chances de ter acesso à Internet que os de rendas mais baixas. 61% dos acessados têm diploma universitário, ao passo que os que têm educação fundamental marcam 6.6%. Os homens, numa diferença de 3% acessam mais que as mulheres. O acesso dos negros é de 6% a menos que os brancos. E a concentração dos conectados está nas capitais e grandes centros urbanos. Porém, no fim da sua pesquisa Castells (2008, p. 439) reconhece que as diferenças estão diminuindo cada vez mais e o número de acessos aumenta assustadoramente, e confirma que “a Internet tem tido o índice de penetração mais veloz que qualquer outro meio de comunicação na história: Nos EUA o rádio levou trinta anos para chegar a sessenta milhões de pessoas; a TV alcançou esse nível em 15 anos; a Internet o fez em apenas três anos.”

Para Lévy o fenômeno da Internet não se iguala ao rádio, nem à TV, mas ao fenômeno da escrita. Ela é “a nova escrita”. É nesta perspectiva que Lévy fundamenta seu pensamento, seus argumentos e suas respostas a inúmeras interrogações. Para Lévy o ciberespaço é essa nova forma de escrita, a qual se apresentaria por meio de ícones e seria interativa na rede. Da mesma maneira que a escrita criou um seu espaço antropológico na história, eis que agora, no ciberespaço, surge a cibervida.

A vida no ciberespaço vem complementar a vida humana e não substitui-la. Sejamos bem – vindos à cibervida!

NOTAS

1 Pierre Lévy, filósofo contemporâneo, trabalha na área das novas tecnologias e suas implicações na vida humana sob uma visão otimista, principalmente no que se diz respeito à nova construção do conhecimento pelas novas tecnologias. É conhecido por várias denominações como webfiolósofo, o filósofo da Internet, o filósofo do futuro.

2 Lévy não discute os valores econômicos dos aparelhos ou quantas pessoas têm condições econômicas de adquiri-los, mas analisa a influência e a repercussão da força desses aparelhos na vida humana. Cf. Lévy (2000, p.12).

3 Revolução antropológica porque o movimento do ciberespaço já é novo espaço antropológico de encontro de vida e cultura do ser humano. Cf. Lévy (1999, p. 125).

4 Internet vem de Internetworking (ligação entre redes). Embora seja pensada como sendo uma rede, a Internet, é na verdade, o conjunto de todas as redes. É o conjunto de meios físicos (linhas digitais de alta capacidade, computadores, roteadores etc.) e programas (protocolo TCP/IP) usados para o transporte da informação. A Web (www) é apenas um dos diversos serviços disponíveis através da Internet. Em analogia, a Internet seria o equivalente à rede telefônica, com seus cabos seus sistemas de discagem e encaminhamento de chamadas, enquanto a Web seria similar a usar um telefone para a comunicação de voz, embora o mesmo sistema possa ser usado para transmissão de fax ou de dados. Cf. Lévy (1999 B, p. 225).

5 Ciberespaço é o espaço gerado pela Internet, onde se armazenam dados e constroem-se textos. É o espaço de interligação entre pessoas, de todos para com todos e de todos para com cada um, considerando a individualidade pessoal e assim, construindo uma rede de intersubjetividade. É nesse espaço que Pierre Lévy desenvolve seus projetos, suas pesquisas. Cf. Lévy (1999).

6 O novo humanismo que Pierre Lévy propõe é o humanismo que surge pela liberdade humana, pela liberdade da inteligência humana, que vive no ciberespaço (pela Internet) e constrói a inteligência coletiva. Cf. Lévy (1996).

7 Disponível em http://novaescola.abril.com.br/index.htm?ed/164_ago03/html/falamestre, acessado em 22 de outubro de 2006 às 14h.45min.

8 Disponível em http://www.compsociedade.hpg.ig.com.br/pierrelevy/mutacao.html, acessado em 22 de outubro de 2006 às 14h.55min.

9 Disponível em http://www.novae.inf.br/exclusivas/pierrelevy.htm, acessado em 22 de outubro de 2006 às 15h.08 min.

10 Disponível em http://www.saplei.eesc.usp.br/sap5865/leitura_semanal/PIERRE%20LEVY_tecnologia.htm, acessado em 22 de outubro de 2006 às 15h.59 min.

11 Cláudia Durant Zwarg é especialista no pensamento de Pierre Lévy com mestrado sobre O Virtual e o Humano no Pensamento de Pierre Lévy.

12 Franscisco Rüdiger é professor na PUCRS. Doutor em ciências Socias pela Universidade de São Paulo. É autor de vários livros como Elementos para a crítica da cibercultura (2002) e Introdução às teorias da cibercultura (2003). Cf. ZWARG, Cláudia. O virtual e o humano no pensamento de Pierre Lévy. Dissertação, 2005.

13 Paul Virilio é filósofo francês, arquiteto, urbanista, ex-diretor da Escola de Arquitetura de Paris. Cf. Ibid.

14 Disponível em http://www.urisan.tche.br/~dfrancis/levy.htm, acessado em 21 de outubro de 2006 às 09h.37min.

15 Idem.

16 Disponível em http://www.saplei.eesc.usp.br/sap5865/leitura_semanal/PIERRE%20LEVY_tecnologia.htm, acessado em 22 de outubro de 2006 às 15h.59min.

17 Utopia, no pensamento de Lévy, é apresentada em seu significado etimológico, isto é, u-topia, que quer dizer não-lugar, sem lugar. Cf. LÉVY, 1999, p. 120.

18 Pierre Lévy apresenta sua concepção de virtual, fundamentada na etimologia latina medieval, virtualis, que por sua vez deriva de virtus, que quer dizer força, potência. Isso é o virtual para Lévy. O virtual tende a atualizar o ato, ou seja, o que já é, sem ter passado, no entanto, à concretização efetiva ou formal do mesmo. Com isso, Lévy fundamenta filosoficamente que virtual não é, como tratam grande parte dos estudiosos, a oposição ao real, mas sim a oposição ao atual. Agora, o virtual não é estático, mas o virtual é chamado complexo problemático. Cf. LÉVY, 1996, p. 15-16.

19Cibercultura, especifica aqui o conjunto de técnicas (materiais e intelectuais), de práticas, de atitudes, de modos de pensamento e de valores que se desenvolvem juntamente com o crescimento do ciberespaço. Cf. LÉVY, 2000, p. 17.

20 A palavra cosmopolita vem do grego cosmo - polités, que significa: cidadão do mundo (do cosmo). Foi cunhada pelos filósofos cínicos e retomada pelos estóicos. Longe de considerar apenas o fatos de pertencer à comunidade política ateniense ou romana, o sábio estóico se sabia e se desejava cidadão de uma cidade da dimensão do universo, não excluindo nada nem ninguém, nem o escravo, nem o bárbaro, nem o astro, nem a flor. E, no pensamento de Pierre Lévy, preconiza-se o conceito de um retorno à grande tradição antiga do cosmopolitismo não somente por razões de simples humanidade, mas também em vista de uma plena integração das dimensões técnicas e ecológicas na reflexão e ação política. Cf. LÉVY, 1998, p. 11.

21 Savoir-vivre ou vivre-savoir, no pensamento de Pierre Lévy, significa a sua própria tradução portuguesa do francês, que quer dizer: Saber-viver ou viver-saber. Isto é: todo conhecimento adquirido com a experiência da vida. Cf. LÉVY, 1999, p. 121.

22 Disponível em www.laisignia.org/2002/noviembre/cyt_008.htm, acessado em 24 de outubro de 2006 às 21h12min.

23 Cf. Entrevistas de PESSIS-PASTEERNAK, Guitta. Do caos à inteligência artificial: quando os cientistas se interrogam, 1993.

24 Esse fato deve ser tratado a partir de uma visão histórica, pois a Internet, como fenômeno social, existe há pouco mais de duas décadas e seu desenvolvimento mundial vem sendo altamente considerado, o que nos leva a projetar o avanço.

25 Idem.

26 O maior pesquisador empírico em sociologia da Internet. Cf. CASTELLS, 2008, p. 444.

27 No pensamento de Pierre Lévy, Brasão significa toda representação simbólica de conhecimentos dos indivíduos coletivos em seu savoir-vivre e savoir-faire – saber fazer – Cf. AUTHIER, Michel e LÉVY, Pierre, 1995, p. 30.

Bibliografía/Referencias


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