IV Congreso de la CiberSociedad 2009. Crisis analógica, futuro digital

Grupo de trabajo F-31: Redes sociais

Cidadania e integração social da tecnologia: Fragmentos para uma Reflexão Crítica

Ponente/s


Resumen

Este trabalho tem por objetivo analisar o relacionamento da tecnologia da informação e comunicação a partir de suas relações com a educação, nos parâmetros que dizem respeito a inclusão e exclusão digital. Os recursos humanos são um dos fatores mais importantes que afetam a inclusão e exclusão social. Ora, a formação e a educação podem ser favorecidas pela utilização da tecnologia, mas não meramente pelo fornecimento de hardware, software e conexões. Um programa de computador ou um website podem fornecer informações, todavia não podem prover os tipos de interação social que estão na essência da boa educação. Os programas educacionais eficazes baseados em tecnologia, em centros comunitários de tecnologias, escolas ou universidades integram o domínio ativo da tecnologia com o envolvimento com conteúdo desafiador. Os projetos centrados no aluno são realizados não como fim em si mesmos, mas como processos de aprendizagem para fins relevantes.

Contenido de la comunicación

1. INTRODUÇÃO

As tecnologias da comunicação e informação coincidem com a luta por uma educação melhor, nem sempre de maneira que beneficie os alunos marginalizados. A organização da tecnologia em favor de maior igualdade, inclusão e acesso não está absolutamente garantida, mas dependerá, em grande medida, da mobilização de alunos, educadores e comunidades, exigindo que a tecnologia seja usada de maneira que atenda aos interesses da educação.

O letramento e a educação afetam o acesso on-line em níveis diferentes. Num primeiro momento, o letramento e a educação em massa servem para acelerar a força motora do desenvolvimento econômico, e, assim, criar condições para uma tecnologização maior da sociedade. Sem dúvida, a educação em massa não é apenas causa do desenvolvimento econômico, mas também conseqüência.

A educação e o letramento também são importantes no nível individual, já que as habilidades de leitura, escrita e pensamento continuam sendo decisivas para a capacidade de utilização da Internet. A educação também ajuda a determinar como as pessoas usam a Internet e os benefícios que elas obtêm disso.

À medida que a Internet alcance maior difusão, muito provavelmente seu uso será estratificado, com algumas pessoas lançando mão dela principalmente como dispositivo de entretenimento, e outras para pesquisar e criar novo conhecimen­to. A mera existência da Internet não criará pesquisadores ou buscadores de conhecimento entre as pessoas sem base ou habilidades necessárias.

Ademais, toda a atividade humana é mediada por ferramentas. Em relação às ferra­mentas, elas não apenas facilitam a ação que poderia ter ocorrido sem elas, mas, ao ser incluídas no processo comportamental, alteram o fluxo e a estrutura das funções mentais.

Enfim, as ferramentas do letramento incluem a própria língua, assim como di­versos artefatos físicos, como papiro, códice, livro, lápis, caneta, papel ou má­quina de escrever. O desenvolvimento de cada uma dessas ferramentas tem tido uma profunda conseqüência na prática do letramento.

2. A TRANSFORMAÇÃO SOCIAL PELA TECNOLOGIA

Atualmente, as transformações social, econômica e tecnológica estão ou­tra vez associadas para provocar mudanças importantes nas práticas do letramento. Estão surgindo novos tipos de práticas baseadas na informática.

Os letramentos eletrônicos não estão isolados dos tipos de letramento praticados com material impresso, mas envolvem novas possibi­lidades apresentadas na mídia eletrônica relativa aos computadores e à Internet. Na verdade, o letramento eletrônico é uma expressão geral que abarca diversos outros letramentos genéricos da era da informação, incluindo aqueles por via do computador, e os letramentos informacional, multimídia e comunicacional mediados por computador.

Esses novos letramentos originam-se parcialmente dos novos aspectos tecnológicos associados ao computador, mas também do cená­rio social mais amplo em que os computadores são usados.

No início da década de 1980, surgiu o termo “letramento por meio do computador” com a difusão do computador pessoal. Em uma década, o termo ficou muito desacreditado entre os educadores. Isso se deu, pois, em geral, referia-se apenas às formas mais básicas de operação com computador, e, desse modo, tendia a justificar uma visão muito limitada da educação relacionada à informática.

Embora a crítica em rela­ção ao letramento por meio do computador como um fim em si mesmo fosse certamente merecido, existe uma fluência na manipulação física e operacional de um computador que afeta profundamente a produtividade das pessoas, e isso coincide com uma série de dimensões sociais, como, por exemplo, a faixa etária.

Em cenários educacionais, um problema comum abrange a forte ênfase no letramento básico por via do computador, separado das habilidades mais amplas referentes a redação, pesquisa e análise. Sem referência a conteúdo, objetivos, pro­pósitos ou tarefas significativas, o letramento por meio do computador agrega pouco valor ao aprendizado.

O valor do letramento informacional provém não apenas do desenvolvi­mento da informática e da Internet, mas também da sociedade de informação mais ampla.

O desenvolvimento da World Wide Web, junto com diversos outros bancos de dados públicos e comerciais on-line, permitiu o acesso pessoal sem precedentes às informações mundiais - mas apenas para as pessoas que possuem acesso físico a novas tecnologias e aos letramentos informacionais apropriados.

Entre as habilidades e os entendimentos envolvidos na utilização da tecnologia da informação e comunicação (TIC) para localizar, avaliar e utilizar as informações incluem-se a capacidade de desenvolver boas perguntas de pesquisa; determinar os lugares mais prováveis onde procurar informações rele­vantes; selecionar a ferramenta de busca mais apropriada; formular questões de busca adequadas; avaliar rapidamente o resultado da questão de busca, incluindo a confiabilidade, a autoria e a aceitação geral da fonte; salvar e arquivar as informações localizadas; citar ou referir-se às informações localizadas.

Os letramentos informacionais envolvem tanto o conhecimento específi­co do uso do computador (como por exemplo, o domínio do programa de navegação) como habilidades de letramento crítico mais amplas (tais como análise e avaliação das fontes de informações).

3. HABILIDADES NA PRÉ- INTERNET

Muitas dessas habilidades críticas mais amplas também eram importantes na era pré-Internet, mas assumiram maior importância nesse momento, devido à grande quantidade de informações disponíveis on-line, muitas das quais de qualidade duvidosa.

Há uma grande diferença entre informação e conhecimento, e o letramento informacional é decisivo para a capacidade de transformar a primeira no segun­do. Esse letramento está distribuído de modo desigual na sociedade, e cruza com outras formas de estratificação social. O fomento do letramento informa­cional deve ser um objetivo importante para projetos que buscam promover a inclusão social.

No passado, o letramento era sobretudo baseado em texto. O desejo por um signo natural - parcialmente suprimido pelas limitações técnicas da impressão - expressou-se amplamente durante todo o século XX com as mídias audiovisuais. É no domínio da informática, no entanto, que a comunicação multimidiática apresentou o maior progresso, combinando texto, planos de fundo, fotogra­fias, materiais gráficos, áudio e vídeo numa apresentação única.

Essa reemergência do "signo natural" possui profundas implicações para a democracia digital. O domínio da escrita sobre outras formas de comunicação con­tribuiu por longo tempo para a desigualdade social.

O aprendizado da leitura e da escrita leva anos de ensino, e a disparidade entre os letrados/escolarizados e os iletrados/não-escolarizados coincide e contribuiu para grande parte das outras exclusões socioeconômicas.

O letramento textual também privilegia as poucas dezenas de línguas escritas dominantes do mundo à custa das lín­guas nativas. Finalmente, as práticas sociais de letramento textual nas escolas - estudo e memorização descontextualizados e individuais em vez de criação e interpretação coletiva - marginalizaram mais os grupos não pertencen­tes a elite em todo o mundo, cujos métodos tradicionais de aprendizado focalizam a narração partilhada de histó­rias, usando elementos audiovisuais como canções, cânticos e danças.

Por to­das essas razões, o avanço da multimídia deve proporcionar uma oportunidade importante para equilibrar o jogo do letramento, restaurando o status de for­mas mais naturais de comunicação audiovisual, que, de alguma maneira, são mais amplamente acessíveis.No entanto, a economia da indústria da tecnologia da informação e a estratificação social dos sistemas educacionais tornam a criação da multimídia distante das massas.

Embora os custos dos computadores e do acesso à Internet continuem a cair, os hardwares, os softwares e a banda larga necessários para criar as formas mais novas de multimídia continuam muito caro ou desconhecidos (como os softwares com código aberto).

O acesso estratificado a computadores multimídia mais poderosos compa­ra-se, assim, a outros tipos de estratificação de renda e de educação. Essa discrepância entre o potencial do letramento multimídia na promoção da inclusão social e o acesso desigual às ferramentas e às práticas do letramento multimídia merece atenção e visibilidade.

4. O LETRAMENTO POR MEIO DO COMPUTADOR

O letramento por meio do computador, o letramento informacional e o letramento multimídia foram amplamente discutidos em diversos estudos.

O letramento comunicacional mediado por computador (letramento CMC), no entanto, não recebeu tanta atenção. Refere-se às habilidades interpretativas e de escrita necessárias para que as pessoas se comuniquem efetivamente mediante a mídia on-line.

De maneira simples, isso inclui as "re­gras de bom comportamento na rede" referentes à comunicação polida on-line. Em um nível mais avançado, inclui a pragmática da argumentação e da persuasão eficaz em diversos tipos de mídia da Internet (por exemplo, o correio eletrônico).Em nível mais sofisticado, o letramento CMC inclui o know-how para estabelecer e administrar as comunicações on-line para o benefício de grupos de pessoas (por exemplo, sessões de treinamento on-line).

O letramento eletrônico envolve muito mais do que a capacidade de operar um computador. Ao contrário, é um ato de mediação. Sua prática não envolve apenas a atividade individual de decodificar ou codificar o texto, mas também a atividade social de exercer o controle.

5. CONCLUSÃO

O conceito de exclusão digital prosperou desde meados da década de 1990 até seu final, enquanto o boom associado à Internet e ao fenômeno pontocom estava em plena marcha nos Estados Unidos.

De certo modo, a abordagem da exclusão digital - que, com freqüência, enfatizava a necessidade de conectar as pessoas de qualquer maneira e a qualquer preço, refletia a mentalidade da época, baseada em um entendimento superficial do relacionamen­to da Internet com a mudança econômica e social.

Essas duas perspectivas refletiam o ponto de vista incorreto de que a TIC estava criando uma realidade para­lela, e de que, assim, era necessário que as pessoas transpusessem a linha divisória entre a antiga realidade e a nova a fim de progredir.

Apesar de a TIC não ter criado um mundo paralelo ela contribuiu para uma mudança profunda no mundo real em que vivemos: a economia da informação cresceu repentinamente e as aplicações da vida real relativas ao comércio eletrônico, ao governo eletrônico e ao aprendizado reforçado pela Internet prosperaram.

A relação entre exclusão digital e inclusão social pode ser relacionada a partir das relações entre a nova economia da informação e a nova sociedade de rede que juntas emergiram; o papel desempenhado pela TIC tem sido de grande relevância em todos os aspectos dessa nova economia e nova sociedade e, o acesso à TIC, definido de modo amplo, pode ajudar a determinar a diferença entre marginalização e inclusão nessa nova era socioeconômica.

O desafio não é superar a exclusão digital presente na sociedade e na educação nem o uso da tecnologia da inteligência e comunicação para promover a inclusão social. Note-se que todo esse processo exige mudanças no ambiente social para facilitar o aprendizado de novos comportamentos que propagam continuas melhoras nas condições de vida.

A organização da tecnologia em favor de maior igualdade, inclusão e acesso não está absolutamente garantida, mas dependerá, em grande medida, da mobilização social (alunos, educadores e comunidades) numa postura exigente ao uso da tecnologia voltada aos seus interesses.

Estudiosos dizem que a TIC não é adequada ao mundo em desenvolvimento que também carrega pobreza, fome e insegurança. No entanto, devido ao acelerado crescimento da Internet como meio de transação tanto econômico como social, ela está, de fato, tornando-se o meio que apóia outras formas de produção, participação e desenvolvimento.

Nas áreas urbanas e rurais, para objetivos econômicos ou sóciopolíticos, o acesso à TIC constitui uma condição-chave e necessária para a superação da exclusão social na sociedade da informação.

Com certeza, ela não é a única condição que importa; escolas de boa qualidade, governos ativos socialmente e assistência social são outros fatores essenciais para a inclusão social. Mas a TIC, se bem mobilizada, pode contribuir em favor da melhora da educação, da administração pública e, desse modo, ser um fator multiplicador para a inclusão social.

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