Neste artigo temos como objeto da investigação os textos produzidos pela interação entre docentes e discentes de graduação de cursos superiores de Administração de Empresas, Ciências Contábeis e Licenciatura em Química modalidade a Distância tendo como foco os ganhos e perdas que as plataformas colocam para disciplinas da área de Ciências Exatas, mais especificamente Estatística, Matemática Financeira e Estrutura da Matéria I, e Metodologia para o Ensino de Química II respectivamente para cada um dos cursos acima mencionados da UNIMES (Universidade Metropolitana de Santos).
Faremos a comparação da produção textual desses alunos ao longo de mais de um semestre e compararemos as diferentes produções textuais e impactos na cognição nas respectivas disciplinas. A análise será feita com base nos diversos recursos e atividades em uma das plataformas (no nosso caso, Moodle), hoje disponíveis.
Como referenciais teóricos usaremos o trabalho de Powell & Bairral (2006) sobre a escrita e o pensamento matemático e efetuando uma transferência situada deste trabalho para a linguagem da química.
Algumas das questões nas quais estamos interessados são: o que a Educação a Distância online apresenta como vantagens ou desvantagens em comparação com a Educação Presencial? É possível identificar nos recursos e atividades que o docente de Ciências Exatas online utiliza vantagens ou desvantagens na negociação e construção de significados? O que é possível identificar na produção escrita destes personagens que os auxilie na construção significativa do conhecimento?
1. A produção escrita nas Ciências Exatas e a questão da argumentação
Nas comunidades virtuais a forma de comunicação varia muito, entretanto podemos verificar que a norma culta não é a mais utilizada nestes ambientes. Os jovens atualmente não têm a leitura como companheira nos estudos nem em seu cotidiano. Isto se reflete pela dificuldade que encontram para se expressar através da linguagem escrita formal.
Os símbolos utilizados nas mensagens eletrônicas juntamente com uma educação que não valoriza a importância da utilização correta da gramática, ortografia ou construção formal de textos, tornam a comunicação escrita culta um obstáculo quando esta é necessária. Esta deficiência é sentida em todos os níveis escolares inclusive na Universidade. Quando focamos as Ciências Exatas esta dificuldade se torna muito mais significativa. Segundo Queiroz (2001):
“Menções sobre a flagrante dificuldade encontrada pelos estudantes de graduação em química na comunicação dos seus conhecimentos são constantemente feitas em revistas especializadas de educação em ciências.”
Na ciência experimental, a linguagem técnica é fundamental para a transmissão dos dados obtidos através das observações. As teorias partem das atividades práticas, da observação, passando pelo registro e a partir deste é feita a interpretação e posterior divulgação. Percebe-se assim, a importância da linguagem especifica neste processo.
Conforme Roque (2008):
“As Ciências Naturais, e a Química em particular, fazem extensivo uso de modelos, ou seja, representações simplificadas ou idealizadas de um mundo real. Para estudar e entender a ciência química é necessário em primeiro lugar aprender essa linguagem.”
Alunos que optam pelas áreas de exatas para sua formação profissional se deparam com a linguagem própria das ciências como física, química ou matemática. No decorrer do estudo dos conteúdos a preocupação e o interesse se voltam para as especificidades da ciência e, conseqüentemente, para a sua forma de expressão. A argumentação necessária para o ensino da ciência está fortemente ligada à sua linguagem própria.
É necessário que a educação das Ciências Exatas tenha uma atenção especial para o desenvolvimento, na sala de aula, de atividades interativas que desenvolvam a reflexão e busquem a resolução de casos que promovam a elaboração de argumentos e a exposição de opiniões. Com esta intencionalidade, tal abordagem no Ensino de Ciências contribui fortemente para um ensino não baseado em dogmas e certezas, mas na construção significativa do conhecimento.
Segundo Sá (2007):
“Acreditam-se que a prática de argumentação pode fazer com que os estudantes entendam melhor a própria racionalidade da ciência e compreendam conceitos científicos mais adequadamente.” (grifo nosso) (SÁ, 2007)
A EAD online se torna propícia para atacar esta questão, uma vez que a escrita é a forma de comunicação por excelência neste ambiente. O ambiente virtual escolar possibilita ao aluno uma interação entre as pessoas, o trabalho cooperativo e colaborativo, além de desenvolver a autonomia. Refletir, analisar e buscar caminhos para a apropriação do saber são constantes na EAD online, pois o aluno possui uma gama de informações que são de fácil acesso e fazem parte do seu ambiente de estudo. Neste caso o aluno se apropria da linguagem específica da área, mas se distancia da escrita formal.
Na EAD online podemos observar uma potencial inversão do ensino presencial, que consegue desenvolver com maior eficácia a linguagem científica em detrimento da linguagem oral e escrita. Percebemos no ambiente virtual um ganho na linguagem formal e uma deficiência na linguagem própria da ciência.
Desta forma o que se ganha e o que se perde com a EAD?
Os recursos visuais nos permitem um ambiente virtual são inúmeros, podendo-se realizar experimentos, observar o movimento de um átomo, visualizar uma ligação química de forma dinâmica, as imagens de um elétron. Estes recursos em uma sala presencial não são constantes, sendo que na EAD as informações, a leitura, o aprendizado, se tornam mais dinâmicos fazendo com que os alunos leiam mais e aperfeiçoem a escrita formal.
Para reforçar esta hipótese realizamos breve análise de mensagens inseridas nos fóruns e no ambiente virtual de uma turma do 1º semestre do curso de Licenciatura em Química da Universidade Metropolitana de Santos (UNIMES), comparadas às mensagens de outra do 5º semestre. Percebe-se significativo ganho na escrita formal.
Os iniciantes costumam apresentar muitos vícios de escrita e com o decorrer do tempo apresenta melhora substancial na forma de comunicação. Entretanto não se consegue a consolidação da escrita própria da Química, ficando deficiente sua utilização.
Segundo Queiroz (2001):
“Estratégias de ensino, que são aplicadas na tentativa de alcançar o aperfeiçoamento da linguagem escrita dos alunos de gradação, incluem a solicitação da leitura de textos literário-científico e posteriormente redação de trabalhos sobre o material lido...” (QUEIROZ, 2001)
Podemos perceber que por meio da escrita o aluno é levado a organizar os pensamentos, tendo que desenvolver a capacidade de argumentação, interpretação dos conhecimentos e o aprofundamento do assunto a ser transposto.
Segundo Moraes e col.(2007: 196):
Quando os alunos desenvolvem competências de falar, de escrever e de ler, estão, ao mesmo tempo, habilitando-se a participar de forma mais ativa e competente nas realidades sociais em que estão inseridos. Nesse sentido, saber movimentar-se na linguagem, incluindo o discurso da Química, constitui um dos modos de formação de cidadãos mais participativos e ativos.
Abaixo podemos verificar as mensagens nos fóruns e atividades, dos alunos do curso de Licenciatura em Química e o ganho na escrita com o passar dos semestres.
Produção dos alunos de Estrutura da Matéria I (1º semestre letivo) dos alunos do 2º semestre de 2008: podemos observar por meio das mensagens que os alunos do primeiro semestre não se preocupam com os erros de ortografia nem com a construção textual. Destaquem-se os problemas de ortografia, acentuação, pontuação nos trechos abaixo.
Aluno 1: A alquimia é uma pratica muita antiga dos alquimista ela une em seu amplo imaginação e conhecimento noções de quimica física, satrologia, arte, metalurgia, medicina e religião etc. Os alquimistas a crença mais difundida é a que buscam encontrar na pedra filosofal, e transformar tudo em ouroe, mais ainda de proporcionar a quem a encontrar a vida eterna e a cura de todos os males
Aluno 2: bom para minha alquimistas eram cientistas que mesmo sem nenhum estudo teorico, tinham uma inteligencia superior, assim sabendo usar todo a tecnica da metalurgia, quimica entre outras, mas como era uma inteligencia assima do comum para a epoca, eram tido como bruxos e feiticeiros ,assim condenados muitas vezes a morte
Aluno 3: Alquimistas como eram conhecidos na época eram pessoas que faziam o estudos de várias ciências combinadas como química, física e foram os percursores de muitos estudos e descobertas. Muitas vezes eram considerados bruchos, imaginem se hoje em dia ainda fosse assim, oque pensariam dos ciêntistas que clonaram animais.
Aluno 4: Alquimistas, só muda o nome, as tecnologias, mas na verdade eram pessoas com um amplo conhecimentos em diversas areas e materiais, que eram adimirados pois desenvolviam criações, para a epoca eram de grande valor, como ninguem tinha a dedicação para estudar tais tecnologias ,eles se destacavam em meio ao povo muitas vezes por não aceitar leis e ideias impostas
Aluno 5: As pontes de hidrogêneo, também conhecida como ligação ou integração de hidrogêneo é uma integração de moleculas que acontece quando dois ou mais atomos ligados uns aos outros, de forma que o hidrogêneo seja usado como elo para os átomos se interajão entre eles.
Produção dos alunos de Metodologia e Prática do Ensino de Química II (5º semestre) dos alunos do 1º semestre de 2009: das mensagens enviadas podemos observar um grande ganho na escrita. No 5º semestre já é sentida a preocupação dos alunos na organização e estrutura dos textos e das idéias, além da diminuição significativa dos erros ortográficos.
Aluno 1: O currículo deve proporcionar ao aluno diagnosticar e solucionar problemas dentro de uma visão integrada dos diversos aspectos, para tanto o currículo deve desenvolver um perfil mais amplo, onde consolide a formação em aspectos de segurança, meio ambiente, qualidade, técnicas analíticas, gerenciamento da produção, docência, pesquisa, sempre com ética e responsabilidade social.
Aluno 2: As questões ambientais são importantes, o agravamento dos problemas ambientais no país está ligado à industrialização, iniciada na década de 50, ao modelo agrícola monocultor e exportador instituído desde os anos 70, à urbanização acelerada e à desigualdade socioeconômica. Nas grandes cidades, dejetos humanos e resíduos industriais saturam a deficiente rede de saneamento básico e envenenam águas e solos.
Aluno 3: Já deveríamos ter mudado o nome da disciplina química para Educação Química há muito tempo. Quem sabe assim seria mais fácil interagir com os alunos sobre a importância da matéria, bem como os benefícios e malefício da química propriamente dita. Despertar os alunos para os desastres ambientais é de suma importância, pois só com a ajuda de todos podemos deixar que o planeta respire.
Aluno 4: A busca pela prática de uma Educação Química inicia com uma postura que é essencialmente humanista e filosófica: trata-se de formar o cidadão-aluno para sobreviver e atuar nesta sociedade científica-tecnológica onde a Química aparece como relevante instrumento para investigação, produção de bens, desenvolvimento sócio-econômico e interfere diretamente no cotidiano de todas as pessoas. É, principalmente, a chance de oferecer-se ao aluno a oportunidade de conhecer o método científico e utilizá-lo para resolver problemas do cotidiano,
Aluno 5: A importância da Química é cada vez mais crescente para o meio ambiente. Encontrar soluções para o paradigma entre a necessidade de consumo dos recursos naturais e sua preservação é um dos papéis importantes da Química de hoje. Alguns exemplos da atuação da Química, pode-se citar como a produção de produtos biodegradáveis, recuperação de rios poluídos, a reciclagem de resíduos, o tratamento de esgotos e outros.
Novas estratégias nos cursos de Licenciatura em Química, Administração de Empresas e Ciências Contábeis da Unimes estão sendo aplicadas com o objetivo de sanar a deficiência da linguagem científica através da EAD, pois entendemos que a linguagem científica é imprescindível para o sucesso de um profissional em sua área.
Para tentar sanar a deficiência observada na linguagem específica das ciências exatas, foram introduzidas tarefas para serem enviadas on-line, assim o aluno teria que desenvolver atividades utilizando as especificidades usuais.
Abaixo podemos observar uma das etapas de alguns trabalhos enviados pelos alunos de Licenciatura em Química da disciplina de Química Geral I (3º semestre - cursado no 2º semestre de 2008):




2. Uma estratégia para o Professor na Ead online: Fórum Reflexão sobre seu aprendizado
Os autores da área de Educação Matemática (POWELL & BAIRRAL, 2006), sugerem a adoção de estratégias que levem os aprendizes a refletirem sobre seu aprendizado. Assim, seguindo uma sugestão de (POWELL & BAIRRAL, 2006),
provocamos continuamente os sujeitos a refletirem sobre o conhecimento de si mesmos. Conhecimento este que não somente os ilumine sobre suas crenças e formas de ver as coisas, como também os emancipe de concepções irracionais e idéias errôneas que herdaram de determinada tradição ideológica. (POWELL & BAIRRAL, 2006)
A avaliação das produções textuais dos alunos será baseada no trabalho de (POWELL e BAIRRAL, 2006), por sua vez fundamentado na abordagem de (BRITTON, 1975).
Britton apresenta três modalidades de escrita: a escrita transacional, a escrita expressiva e a escrita poética. A escrita transacional torna-se necessária sempre que o autor pretende uma referência exata e específica ao que se sabe sobre a realidade. A função transacional tem como foco o assunto, como finalidade desenvolver ações e “obter coisas”. Como pressão comunicativa, a função transacional representa a necessidade de atuar no mundo real. Para o autor de um texto na função transacional, o leitor apresenta interesse naqueles aspectos objetivos do texto.
Já a função expressiva apresenta o autor como foco, possui como finalidade apresentar experiências e sentimentos verbalizando-os. A pressão comunicativa para a função expressiva é a necessidade do autor em se expressar. O autor de um texto na função expressiva supõe que o seu leitor possua interesse na pessoa que produz o texto.
A importância da escrita expressiva está no fato que ela apresenta aos aprendizes pontos de partida para a compreensão dos conceitos. Isto se dá pois, de acordo com Britton, a escrita expressiva é um tipo de escrita “da qual se desenvolvem formas diferenciadas de escrita madura [poética e transacional]”. É pela escrita expressiva que os estudantes estabelecem relações entre suas percepções sobre o conhecimento matemático/estatístico/química, assim como suas relações afetivas às questões matemáticas/estatísticas. É na escrita expressiva que os alunos constroem e negociam significados, bem como monitoram sua aprendizagem e sua afetividade e refletem sobre elas.
Os textos a seguir provêem de um Fórum, solicitando aos alunos que apresentassem suas reflexões sobre o que tinham aprendido até aquele momento. Com este movimento simples, o professor consegue um instrumento informal de avaliação dos sentimentos/crenças e valores de seus alunos. Este fórum foi inserido aproximadamente na metade do curso, com a intenção de permitir que os alunos apresentassem sua evolução até aquele momento do semestre, e mais, importante, permitindo a percepção (e auto-percepção) sobre como cada um entende o porquê de se estudar aquele objeto e as relações deste objeto com o cotidiano e sua futura vida profissional. Observamos que neste tipo de texto o autor se utilizará primordialmente da função expressiva. As questões propostas por este Fórum reflexivo foram:
“1) Quais as maiores dificuldades encontradas?
2) Como segundo tópico, gostaria que vocês também apresentassem um texto livre sobre o que você aprendeu de conceitos na nossa disciplina até aqui.
3) Você acha que o ambiente da Educação à Distância favoreceu alguma coisa no seu desempenho até aqui?
4) Como você enxerga sua própria produção textual (suas respostas) nas tarefas e trocas de idéias com os colegas?”
No primeiro texto destacamos a função bastante expressiva que o aluno coloca na sua produção. A aluna também informa ao docente que está evoluindo de forma satisfatória.
Texto 1:
“Professor X, vou ser sincera!
Tive um pouco de dificuldades em juros, não entendo muito, procura interpretar o que se pede e não consigo. Perante o restante da matéria eu estou conseguindo me sair bem. A educação à Distância esta me ajudando muito pois eu não tinha nenhuma noção de matemática financeira.
Eu e meus colegas temos nos reunido muito para resolução dos exercícios, é muito bom pois estamos nos interagindo muito bem.”
No texto a seguir encontramos explicitamente a relação produção textual em Ciências Exatas e a questão da argumentação.
Texto 2:
“Já na questão textual acredito que tenho muito a melhorar,uma forma é você se expor verbalmente com argumentações,outra é escrever ainda mais referente a cálculos,mas acredito ser um diferencial muito importante para acrescentar na carreira profissional,comunicação é tudo em qualquer área.”
3. Sequências de argumentos na Educação online em Ciências Exatas
Na seqüência apresentamos trechos da produção escrita de alunos retirados de Fórum de Estatística. A intenção do Fórum era produzir um debate sobre as questões: i) correlação linear elevada implica causalidade? Ii) baixa correlação linear significa que não há relacionamento entre as variáveis?
Vejamos alguns textos de alunos e os comentários do docente:
Texto 1 da aluna:
“Uma correlação linear elevada implica a causalidade? Nem sempre. Percebe-se que em alguns casos sim. Como exemplo podemos citar um alto índice de criminalidade está fortemente ligado aos índices de pobreza, ou seja, o baixo nível social é uma das causas da criminalidade. Em outro casos não. Como exemplo temos o aumento da população e o aumento do consumo de alimentos.”
Segue o comentário e leitura crítica do docente:
“Olá aluna V.: NÃO é verdade que baixo nível social implique em alta criminalidade. Se você assim, a Índia seria um país campeão em criminalidade.
O que alguns cientistas sociais (sociólogos, criminalistas, etc) acreditam é que a convivência social próxima entre grupos com grandes disparidades sociais e/ou de renda esteja fortemente associada a altos índices de criminalidade. Mesmo assim, não há consenso sobre causa e efeito nesta questão em particular. “
Sobre a segunda questão: “Uma correlação linear baixa sempre significa que não haja relacionamento entre duas variáveis? Não, pois sabe-se que correlação linear indica o grau que as duas variáveis estão associadas. Vejamos a questão por outro ângulo: você poderia trazer-nos exemplos de situações nas quais duas variáveis apresentam baixa correlação linear mas estão fortemente correlacionadas?”
4. A questão dos ganhos e perdas na produção textual em Ead nas disciplinas de Matemática e Química
Nesta seção queremos iniciar a discussão acerca da distinção da produção textual, negociação e construção de conceitos por parte dos alunos quando nos referimos às disciplinas que não exijam linguagens simbólicas específicas e disciplinas que as exijam, tais como a Química e a Matemática.
4.1 O caso da Matemática
Enquanto nos softwares de produção de texto usuais, sejam softwares proprietários (Word) ou livres (OpenOffice) temos uma relativa facilidade na utilização dos símbolos matemáticos, em uma plataforma como o MOODLE, é recente a difusão de ferramentas de facilitação da produção de textos com a inserção fluida dos símbolos específicos da Matemática.
Vejamos alguns exemplos do que estamos afirmando, extraídos de Fóruns da disciplina Estatística Aplicada a Pesquisa de Mercado, curso de Administração de Empresas.
Exemplo 1:
´´No lançamento de um dado qual a probabilidade de obter um número menor ou igual a 6 em um evento A?
S = { 1,2,3,4,5,6 } = 6
A = { 1,2,3,4,5,6 } = 6
P(A) = 6/6 = 1,0
= 100%
A probabilidade de todo evento certo = 1 ou 100%.
No lançamento de um dado qual a probabilidade de obter um número maior que 6 em um evento A?
S = { 1,2,3,4,5,6 } = 6
A = { } = 0
P(A) = 0/6 = 0
= 0%
A probabilidade de todo evento impossível = 0 ou 0%. ´´
Podemos observar que não há grandes perdas neste caso. Não foi necessário resolver nenhuma equação e mesmo as frações que apareceram na discussão não apresentavam maiores dificuldades no que pretendiam expressar.

Observemos a dificuldade na comunicação da resolução da equação em discussão. Este ponto, acreditamos, ainda está por ser plenamente compreendido seja por parte dos docentes ou dos investigadores na área de Educação a Distância.
Mas, nem tudo são perdas. Há a ferramenta WIRIS, utilizada, por exemplo, pela UAB (Universidade Aberta do Brasil). Esta ferramenta apresenta uma séria de recursos que facilitam a produção textual na área de Matemática.
Vejamos na tela abaixo um exemplo de utilização deste recurso:

Figura 1 – exemplo de utilização, área de Matemática, do WIRIS Editor
O endereço na internet para o WIRIS Editor é: http://www.wiris.com/content/view/20/lang,en/
4.2 O CASO DA QUÍMICA
Para o caso específico da Química, a ferramenta WIRIS pode ser um facilitador em alguns casos. Vejamos no exemplo abaixo:

Figura 2 – exemplo de utilização, área de Química, do WIRIS Editor
5. CONSIDERAÇÕES FINAIS E CONCLUSÕES
A partir do trabalho apresentado, podemos perceber que o professor de Ciências Exatas deve estimular a produção textual de seus alunos, favorecendo a troca e construção e negociação de significados, seja de forma individual, por e-mails por exemplo, ou de forma coletiva nos Fóruns e Chat´s. Entendemos ser relevante não deixar de atentar para as individualidades evitando o tratamento de massa. O docente também deve desenvolver ferramentas e estratégias para refletir sistematicamente sobre a produção textual de seus alunos e sobre a sua própria. Além disso, o professor de Ead deve buscar referenciais teóricos para ampará-lo na avaliação da produção textual e construção de significados dos conhecimentos por parte de seus alunos.
A EAD propicia um ganho na produção textual, sendo que na linguagem própria das ciências observa-se um déficit significativo, ocasionado pela falta de recursos disponíveis específicos nas plataformas.
E aqui uma distinção também se faz presente. Na área de Matemática, embora ainda não plenamente difundido, temos o recurso do WIRIS para facilitar a produção textual fluente com os sinais e símbolos da Matemática. Já na área de Química, até o presente momento, não encontramos software ou ferramenta que facilite a produção textual tanto por parte dos alunos quanto por parte dos docentes.
Acreditamos que um ganho bastante relevante da Ead esteja na questão da documentação das discussões e negociações durante o processo de construção do conhecimento. Ao ter os e-mails, fóruns e chat´s facilmente arquivados e com a linha cronológica também facilmente rastreável por parte do docente e alunos, podemos ´´ir e voltar´´ nas discussões e debates. Se, na sala de aula presencial esta documentação das discussões também é perfeitamente realizável, é muito mais provável na sala de aula presencial que o professor retorne ao posto de centralizador das discussões e não de mediador.
Observamos que a utilização do envio de tarefas off-line foi um ganho significativo para a apropriação da linguagem específica da química, uma vez que há a necessidade da utilização de regras de três, estabelecer relações entre massa e quantidade de matéria, entre outras. Desta forma conseguimos diminuir este hiato que encontramos na EAD. E aqui destacamos, no nosso entendimento, uma diferenciação relevante para a atuação do docente das Ciências Exatas com as outras áreas do conhecimento. Na área de Ciências Exatas, muito embora não devamos abdicar de induzir os alunos à reflexão sobre os conceitos da disciplina em questão, tampouco podemos deixar de trabalhar questões de fixação de conceitos/métodos e/ou técnicas. E aqui a tarefa off-line se distingue.
A utilização do recurso Livro inserido na plataforma, discussões utilizando o recurso Wiki além de estimular que os alunos utilizem constantemente em e-mails, chats e fóruns a linguagem específica da ciência em questão para assim podermos obter o equilíbrio tão almejado.
Um outro aspecto de ganho do Ensino a Distância em relação ao presencial que pode ocorrer, na medida em que o professor atue com esta intencionalidade, é a atuação como profissional reflexivo: com a Ead e as sucessivas edições de cursos, fica facilitada para o docente a tarefa de refletir criticamente acerca de distintas estratégias quando comparando o desempenho de suas diferentes turmas.
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