IV Congresso da CiberSociedade. Crise analógica, futuro digital

Grupo de Trabalho F-31: Redes sociais

Educação a distancia e tutoria

Resumo

Este trabalho tem como objetivo apresentar situações empíricas que caracterizam as ações pedagógicas do tutor na Educação a Distância, especificamente no sistema da Universidade Aberta do Brasil (UAB), a partir dos usos e apropriações do Ambiente Virtual de Aprendizagem (AVA) Moodle.
Atualmente, são várias as questões que surgem diante da possibilidade de utilização das mediações tecnológicas para o desenvolvimento do processo educacional/formativo dos profissionais da área da educação a distancia em especifico o tutor. Uma das principais atribuições do tutor na Educação a distância é acompanhar o aluno a distancia, bem como orientá-los em seus estudos e ajudar no seu processo de aprendizagem, a saber:
De que maneira podemos visualizar e compreender melhor esses vínculos afetivos? Como objetivo deste artigo, refletir sobre tais questões por meio do que diz respeito ao papel do tutor que é elo entre aluno e Ambiente virtual de aprendizagem na Educação a distancia e também avaliar a sua pratica enquanto futuros profissionais formadores.

Texto da comunicação

Introdução

Este trabalho tem como objetivo apresentar situações empíricas que caracterizam as ações pedagógicas do tutor na Educação a Distância, especificamente no sistema da Universidade Aberta do Brasil (UAB), a partir dos usos e apropriações do Ambiente Virtual de Aprendizagem (AVA) Moodle.

Para promover o processo de ensino e aprendizagem dos alunos em um AVA, o tutor dispõe de seus recursos tecnológicos que fornecem subsídios para os processos de interação e avaliação entre alunos, professores e tutores de um curso superior na modalidade a distância.

Essa dinâmica de interação dentro e fora do AVA objetiva promover processos de mediação orientada, para que o aluno tenha sempre em mente que determinada leitura, participação em fóruns ou elaboração de tarefas, são atividades que auxiliam a sua aprendizagem, bem como sua formação. Apesar da aparente ausência do professor, sua presença é garantida, principalmente pelo material didático dialógico e pela presença constante do tutor como mediador pedagógico do processo de aprendizagem do aluno da Educação a Distância.

Sobre as atribuições do tutor na Educação a distancia

Uma das principais atribuições do tutor na Educação a distância é acompanhar o aluno a distancia, bem como orientá-los em seus estudos e ajudar no seu processo de aprendizagem. Isso se dá a partir da criação de vínculos de proximidade, sem abandono do profissionalismo, de maneira a quebrar as barreiras das distâncias, incentivando-os, encorajando-os e construindo vínculos afetivos.

De que maneira podemos visualizar e compreender melhor esses vínculos afetivos? O fórum é um autêntico espaço em que esses vínculos são criados. Ao abrir um fórum, o tutor se apresenta e dá as boas vindas aos alunos e, durante todo o tempo de uso do fórum, o tutor deve acompanhar as discussões instigando os alunos a colaborarem com as idéias dos colegas de maneira a concordarem ou não, sempre no sentido de construir vínculos de ensino e aprendizagem.

Ao termino de cada fórum é indicado que o tutor faça um apanhado das principais ideias elencadas durante toda a interação/discussão ocorrida no mesmo, de maneira a construir uma síntese para os alunos, como se fosse uma síntese da semana de estudo sobre um assunto discutido.

Essa metodologia contribui para que o aluno compreenda que a sua participação no fórum estará a todo o momento sendo avaliada e, com isso, as suas postagens podem se configurar em produções cada vez mais ricas e estimulantes.

O modelo de feedback contínuo das atividades, de maneira a orientar a execução do exercício, antes, durante e depois de seu desenvolvimento tem mostrado, em minha experiência, que o tutor e, por conseguinte, o curso no qual ele está envolvido, ganham em eficiência e eficácia, pois garante a comunicação contínua entre alunos e agentes educativos – criando aproximações na Educação a Distância.

Busca-se, com estas ações, o comprometimento do aluno com a formação dos agentes envolvidos nesta modalidade de educação, ou seja, um aluno autônomo, na perspectiva apresentada por Freire (1997), na qual a autonomia é a capacidade e a liberdade do aprendiz de construir e reconstruir o que lhe é ensinado.

Essas ações são significativas, uma vez que o aluno do curso a distancia traz para o ambiente virtual, práticas adquiridas de sua experiência em cursos presenciais, em que o professor em sala de aula orienta e define os seus métodos de aprendizagem e também garante mediações cotidianas face a face.

Diferente do ensino presencial, em que encontramos situações nas quais, a presença física do aluno se sobrepõe à presença intelectual (quando valoriza-se mais o estar na sala de aula do que a participação na mesma, por exemplo), na Educação a Distância um dos principais desafios é a necessidade de participação intensiva do aluno a todo o momento no curso. Ou seja, sua presença é detectada através de sua ação intelectual contínua dentro do curso. Na EaD há uma cobrança muito mais intensa por participação  e aprendizagem dos temas e conceitos trabalhados, mostrados através dos registros no AVA.

Dessa forma, o aluno acostumado com a educação presencial descobre, na prática, que a EaD exige um nível de organização e disciplina muito maior do que aquela específica dos espaços presenciais.

Conforme dissemos anteriormente, em um curso virtual o aluno precisa ser autônomo, criar o seu próprio método de aprendizagem, desenvolver técnicas de estudos que o ajudem a estudar sozinho, apesar de não se sentir solitário. Isso ocorre devido ao fato do curso a distância ter as mesmas exigências que um curso presencial, com um elemento singular: não há a presença física do aluno e do professor. Dessa forma, torna-se necessário ao aluno definir quando e quanto tempo irá dedicar à leitura dos seus textos e desenvolvimento das suas atividades sejam as propostas no material de estudo sejam as solicitadas no AVA.

Para contribuir com a organização dos estudos do aluno a distancia, uma sugestão para o tutor é o trabalho com agenda de atividades, no qual ele define seus horários de atendimentos ao aluno.

Ao trabalhar com agenda o tutor demonstra planejamento. Um tutor organizado pode contribuir de forma mais efetiva para organização de sua turma. Os alunos desenvolvem mais interesse no seu curso a distancia, se sabe que podem confiar no seu tutor e se aquilo que ele solicita ao aluno é algo que ele mesmo já desenvolveu. Apesar da flexibilidade da EaD, é necessário que o tutor tenha tempos específicos de dedicação (estudos e orientação) e que o aluno saiba destes tempos.

Netiqueta: comunicar-se adequadamente na internet é fundamental, pois tudo fica registrado

O desafio da Educação a Distancia é o de superar essa distancia entre aluno e professor, por meio do AVA, de maneira a permitir que os professores ausentes se tornem presentes como afirma Zuim (2006).

Não se pode ser ingênuo a ponto de se acreditar que a presença física do professor garanta por si só o ensino de boa qualidade, haja vista o fato de prevalecer, em muitas ocasiões presenciais, o denominado pacto da mediocridade, no qual o professor finge que ensina e os alunos fingem que aprendem

Diante disso, é preciso, no ensino a distancia, a construção de um elo de aproximação, sem perder de vista as qualidade e exigências que um curso superior exige. Para isso, acreditamos que uma das maneiras de contribuir para essa ação seja a forma como o tutor usa os meios de comunicação e interação.

Apesar de aparentemente simples, a comunicação entre tutor e alunos é a chave da EaD, pois deve ser clara e objetiva e, ao mesmo tempo, possibilitar aproximação, calor humano e compartilhamento de saberes.

Quando nos referimos ao ensino de qualidade em cursos de graduação ou especialização na modalidade a distância, é preciso pensar que os materiais didáticos produzidos para o aluno, por um lado, foram construídos por especialistas na área e, por outro, ainda que possuam linguagem dialógica, representam materiais didáticos voltados para a formação em nível superior.

Diante disso, quando o aluno vai para o ambiente virtual, alguns tutores os tratam por diminutivos (queridinho, amorzinho, abracinho, beijinhos, lindinho e outros), no intuito de construir uma relação de proximidade. Entretanto, muita proximidade pode confundir e também levar a perda do tom acadêmico. Nesse sentido, o tutor, ao assumir sua turma no ambiente online, deve procurar manter uma linguagem culta, acadêmica, direta, clara, objetiva, sem rodeios e, ao mesmo tempo, próxima do aluno (Caro aluno, Prezado aluno, Olá turma, Olá alunos, Olá pessoal). Às vezes, essa atuação demonstra muito mais respeito e carinho pelo aluno do que o tratamento diminutivo, pois demonstra respeito intelectual e reconhece as formações que o aluno traz consigo a um curso a distância.

Outro aspecto relacionado à linguagem é a forma como as letras são apresentadas na tela. Escrever em maiúsculas, por exemplo, significa gritar na rede. Outra situação comum é o uso indiscriminado de figurinhas, desenhos, poesias desconectados, gifs animados, ou envio em massa de mensagens. Estas situações apresentadas mais atrapalham a comunicação do que ajudam, além de constituírem em ruídos comunicativos dentro do AVA que podem prejudicar o encaminhamento das discussões específicas do curso.

É preciso formar o aluno para comunicar-se adequadamente no AVA, no sentido de construir um ambiente de aprendizagem virtual, instigante, caloroso e, principalmente, rico de aprendizagem.

Essas orientações devem ser consideradas quando estamos nos referindo a cursos de formação, no entanto em locais como blogs e msn, normalmente elas são aceitas e bem vindas. 

Sabemos que superar a distância e escolher o tom adequado, simples e amistoso, para as orientações, cobranças e sugestões aos alunos não é  tarefa fácil. Mas não podemos esquecer que um curso superior possui a mesma validade acadêmica de um curso presencial. Diante disso, o cuidado com a linguagem escrita é fundamental para o direcionamento do aluno, bem como a compreensão dos papeis desenvolvidos pelos agentes educativos.

Ao trabalhar com interação contínua e freqüente nas atividades, a possibilidade do aluno fora dos padrões da netiqueta acaba sendo minimizada, pois, ao ver a participação dos colegas e as formas linguísticas de comunicação entre alunos e tutores, ele (o aluno) se vê  na necessidade de contribuir com as discussões, e, para participar de forma construtiva, ele precisa estudar, para que possa se comunicar com os colegas.

Avaliação das atividades pelo tutor em um curso a distância

Existem dois momentos de avaliação em um curso na modalidade a distância: o primeiro diz respeito à avaliação do aluno durante a disciplina, já o segundo diz respeito da avaliação do tutor no desenvolvimento de suas atribuições a saber em primeiro e segundo momento.

Em relação ao primeiro momento, é fundamental que o tutor acompanhe os alunos de maneira individual e realize avaliações de caráter formativo e com observações individualizadas, de maneira a demonstrar ao aluno que ele é importante e possui um acompanhamento contínuo e individualizado.

Vejamos, a seguir, um exemplo:

Avaliação de atividades

Vamos agora pensar em um caso em que, o aluno desenvolve uma tarefa no AVA, com envio de arquivo único, em posse das respostas dos alunos, os tutores fazem o comentário sobre a tarefa. Veja as respostas dos tutores e, em seguida, nosso comentário sobre elas

Exemplo 1 – Uma situação de resposta evasiva

Resposta do tutor:

A sua atividade atingiu o objetivo proposto”

Resposta comum do tutor a todas as atividades enviadas durante todo o curso.

Exemplo 2 – Uma situação de resposta completa

Oi aluno, tudo bem?

Seu aproveitamento na discussão do fórum da semana 4 foi bom! Avaliei suas postagens tomando como base os parâmetros definidos no Guia do Aluno. Ao lado de cada critério reproduzido abaixo, comentei como considero que foi seu aproveitamento, veja:

  • você trouxe uma boa reflexão.

  • comentou a contribuição de seus colegas.

  • você tem potencial  sobre o tema discutido,

  • você propôs um resumo no final da discussão.

  • você indicou material complementar sobre o assunto.

Caso tenha dúvidas, não deixe de enviar uma mensagem para mim.

Abraços

Tutora

Apontar ao aluno onde houve falhas no seu texto, na escrita, na participação das atividades, contribui para que ele aprenda a estudar e cada vez mais tornar-se autônomo.

Para melhor compreensão desse papel entre aluno e tutor, considero pertinente Dewey (1959), quando diz que entre a imaturidade da criança e a experiência amadurecida do adulto, pode se estabelecer uma relação de interação. 

 Além também de manter compromisso com a aprendizagem autônoma, interativa e colaborativa de seus alunos, o tutor deve ficar atento e observar porque determinado aluno tem deixado de entregar as tarefas, ou deixado de participar dos fóruns.

Ao promover esse tipo de interação no ambiente, o tutor promove também a participação do aluno bem como o ajuda a não acumular tarefas e leituras, o que de certa maneira contribui para que o aluno não desanime com seu curso.

Já o segundo momento trata da avaliação do tutor no curso. Semanalmente você será  avaliado pelo seu coordenador de tutoria, através de mecanismos construídos especificamente para este fim.

Um mecanismo importante para esta avaliação das ações do tutor é o encaminhamento de um relatório semanal de atividades a Coordenação de Tutoria, na qual deve mostrar os elementos que chamaram sua atenção ao longo da semana (participação do aluno, dificuldade no desenvolvimento de atividades, dúvidas freqüentes sobre o uso do ambiente no pólo, dúvidas freqüentes apresentadas relacionadas a disciplina, apresentadas ao tutor presencial e não ao tutor virtual etc.).

A nosso ver, estes mecanismos de avaliação precisam ser periodicamente avaliados e construídos, uma vez que a Educação a Distância, a nosso ver, encontra-se em um processo contínuo de aprimoramento.

Conclusão

A Educação a Distância demanda perfis específicos de aluno e professor, uma vez que ela incorpora novas relações entre professores e alunos. Acreditamos que Pensar a EaD na educação superior é retomar a discussão de HERNANDEZ e outros (2000: 19) sobre inovação na escola

em termos gerais, pode-se dizer que inovação é qualquer aspecto novo para um indivíduo dentro de um sistema. No entanto, a inovação não é a mesma coisa para quem a promove, para quem a facilita, para quem a põe em prática ou para quem recebe os seus efeitos.

Faz-se necessário considerar o uso da modalidade EaD na educação superior como uma inovação, assim como o é o desenvolvimento de novas práticas pedagógicas, novos currículos que estabelecem relações diferentes na construção do conhecimento, novos processo didáticos ou até mesmo inovações organizacionais da escola. Dessa forma, as novas tecnologias não podem ser vistas somente no seu aspecto técnico, na sua objetividade, mas como objetivação do homem e como elemento que permite tecer relações de aprendizagem na interação entre professores, alunos e saberes produzidos dessa relação.

Nesse sentido, é importante observarmos que a comunicação torna-se um elemento chave no sucesso de um curso a distância, visto que o aluno, caso se sinta “abandonado”, tende a desistir do curso de forma muito mais rápida do que um aluno de um curso presencial. Diante disso, não podemos esquecer o papel social que esta modalidade de Educação propicia as pessoas de baixa renda. Aos quais, não haviam tido a oportunidade de estudar, devido a dificuldade de locomoção, por falta de oportunidades de estudos ou mesmo pela limitação de vagas públicas em Instituições de Ensino Superior. Com a EaD, hoje esses sujeitos, conseguem ter acesso a esses meios de ensino. No intuito, de contribuir para que essas mediações entre tutor e aluno ocorram cada vez mais de forma natural, sem ruídos na comunicação, sugerimos que o tutor procure cada vez mais desenvolver estratégias de comunicação que contribua para a aprendizagem do aluno da EaD.

Bibliografía/Referencias


  • ABRAEAD, Anuário Brasileiro Estatístico da Educação a Distância. São Paulo: Instituto Monitor/ABED, 2008
  • BORGES, C.; TARDIF, M. "Apresentação. Educação & Sociedade. Dossiê: Os saberes dos docentes e sua formação". Campinas: Cedes, n. 74, Ano XXII, p. 11-26, abr., 2001
  • DEWEY, J. Democracia e Educação. São Paulo: Editora Nacional, 1959
  • FREIRE, Paulo 1997. Pedagogia da autonomia: saberes necessários à prática. Educativa - São Paulo Paz e Terra
  • HERNANDEZ, Fernando et all. Aprendendo com as inovações nas escolas. Porto Alegre: Artes Médicas Sul, 2000.
  • HOUAIS, Dicionário Eletrônico da Língua Portuguesa. CD-ROM, Versão 1.0, dezembro de 2001.
  • UAB. Universidade Aberta do Brasil. Disponível em: www.uab.capes.gov.br. Consultado em: 27/08/2009.

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