IV Congresso da CiberSociedade. Crise analógica, futuro digital

Linha editorial

O mundo atual, o mundo tal e qual como conhecemos, o mundo desigualmente prospero e aparentemente equilibrado da 'pós-guerra fria, se quebra. Diversos fatores que o movem e abalam e dai transformado, ate o ponto dele ficar irreconhecível. Ja se vao mais de duas décadas de suposta revolução digital. Levamos grande parte dessas duas décadas tentando descobrir, sugerindo e analisando as mudanças profundas de um mundo organizado em rede e intensamente medido pela tecnologia, onde todas as fronteiras da sociedade pos-industrial da segunda metade do século XX se misturam, se fundem e confundem. E de repente, eis a crise.

A crise os momentos sao de mudança de desafios mas também de oportunidades, e a globalizacao econômica, social e cultural esta deixando a mostra deus limites e seu efeitos (adversos). Pura dialética? Indicações e contra-indicações .. nos interesam ambas. Se faz necessário identificar, analisar e propor praticas vinculadas ao uso das TIC que nao somente estão contribuindo para o desenvolvimento e a consolidação da sociedade do conhecimento o, senão que, desde o digital, estão incidindo claramente no offline, no analogico, e haverão novos futuros possíveis, alternativos e híbridos.

O analogico, como metáfora para descrever o modelo de sociedade pre-digital, mostra claramente seu esgotamento, nas suas dimensões econômica, social, ecológica, (geo)política, religiosa, identitaria, cultural... Do outro lado da balança, o digital, que vem revestido de bons propósitos, apelando para novas formas de organização, criação, comunicação, colaboração, produção e consumo. O presente, o futuro, unicamente podem ser digitais. Mas nao somente como formato tecnicologico, senão como modelo político, como prejeto alternativo, como senda coletiva que corrija os excessos de um período que so pode ficar atras.

Sem embargo, depois de tantas posições surgem numerosas contradições, continuidades e zonas cinzas que nao podem se resolver com um simples juízo sumario nem com uma incondicional bem-vinda. Por um lado, o digital pode se entender também como um detonador e um acelerador definitivo da crise atual. Por outro lado, um olhar ate modelos mais tradicionais de produção, comunicação e consumo colaborativo _ analógicos por definição " podem se tornar num dos caminhos mais viáveis para "resetear" a confiança coletiva.

Alem das contradições lógicas, desejáveis, sugerentes e analisáveis, se multiplicam as perguntas: Que modelos econômicos ou produtivos podem emergir amparados pela tecnologia? Ate onde tem a educação em rede e o aprendizado colaborativo? Que modelos de cidadania política e participação estão surgindo dos novos paradigmas sociotecnologicos? Que impacto estão tendo na ciência e a investigação das TIC e o modo de usar-las? De que modo estão mudando a comunicação e a cultura, no e a partir do digital? Todas estas perguntas conduzem a outras tantas, e essas, a sua vez a novas interrogativas, tecendo exponencialmente uma lista de questões que propomos a estender e contemplar no seu conjunto.

2009 e um ano de efemérides em torno a internet e a rede de redes. Fazem quarenta anos que nasceu ARPANET, vinte que Tim Berners-Lee apresentou ao mundo sua idéia de Word wide Web, e quase dez que observamos e questionamos a cibersociedade desde este canto da rede. A era da informação, portanto, já nao e algo novo e nem um território inexplorado. Podendo viver ainda afundados num mundo saturado de dados e inovações, se faz possível identificar vários âmbitos de onde as TIC , depois de haver aumentado seu impacto social, oferecem novas alternativas para organizar-se, para aprender, para relacionar-se. Internet, o digital, já esta presente. A questão e: sera o futuro? Que futuro?

Queremos enfocar o debate que emerge deste contexto e destas perguntas partindo da curiosidade, da investigação, das observações e hipóteses que necessitam ser (re)elaboradas e compartidas com a sociedade. Segue aumentando o acesso a Internet por parte de amplas capas da população, e ao mesmo tempo floresce uma cultura tecnosocial de inovação e exploração de novas oportunidades, de criatividade e experiências. Ambas tendências, no momento de escrever esta linha editorial, ainda nao parecem ter sido ......pelos vai-e-vem do setor econômico, senão melhor se mostram determinadas a continuar crescendo e oferecendo formulas e idéias que compartilhar para evoluir.

O renovado interesse cientifico que desperta a aplicação das TIC, em diferentes áreas da investigação e o conhecimento, supõe uma oportunidade para compartilhar e difundir as boas praticas no próprio campo de estudos em que se tornou a Internet. No obstante, alem da academia surgem as propostas mais criativas, mais irreverentes, demonstrando que no mundo digital a inovação aberta e mais fértil quando se situa as margens entre disciplinas, entre coletivos e especialidades, dentro e fora da universidade. Nas ruas, nas escola, nas empresas, nas cidades, nas instituições...

Vamos partir desde aqui, desde a provocação e desde as múltiplas contradições que se escondem atras o lema" crise analógica, futuro digital". Desde uma perspectiva sociocentrica do tecnicologico e tecnocentrica do social. Acrescentamos-lhe, como ingrediente convidado, o questionamento necessario respeito do momento em que vivemos e do papel que Internet tem nele: tanto por ter provocado como por seu potencial para sair dele. A cibersociedade como paradigma híbrido, como modelo social, como realidade global, e protagonista e destinatária final desta nova chamada ao debate. Jogamos?