O artigo inicia apontando a diferença de usos da tecnologias por homens e mulheres: os primeiro com ênfase na funcionalidade e as segundas com ênfase na comunicação. Seria assim desde o telefone, continuaria assim na internet. Segundo a autora, as mulheres usavam o telefone já no início do século XX para trocar ideias com amigos e familiares, principalmente com outras mulheres. Gostavam de ficar longo tempo usando o aparelho. Hoje, segundo a autora, as meninas usam a internet para comunicar-se. Contudo, a despeito de ideias e mensagens colocadas em blogs e sites de relacionamento, a ênfase estaria na postagem de fotos. Fotos suas, tiradas com esse intuito e muitas vezes manipuladas por softwares. Uma exposição que rompe as fronteiras público/privado; que não está centrada na palavra, mas na imagem. Mais ainda, numa imagem muito especial: aquela do próprio corpo, um corpo melhorado e manipulado. Podemos pensar que a comunicação feita pelas mulheres entre si por meio do telefone, baseada na palavra e relacionada com o afeto e à intimidade, está sendo trocada por uma sociabilidade que muitas vezes prescinde de qualquer forma de conhecimento prévio e que troca a palavra pela imagem de um corpo digitalizado, um corpo que não é para ser usado, mas para ser exibido. Como já escreveu Denise Santanna, o homem tem um corpo e a mulher é um corpo. Nas teias da internet, parece que isso vem sendo cada vez mais corroborado.
Enviado 16/11/2009 - 15:42 (GMT+1)
Asunto: Re: Da invisibilidade do telefone à superexposição da internet: o estilo comunicacional das adolescentes nos séculos XX e XXI
Não poderia ter resumido melhor o texto que Karla Saraiva, e tomo suas contribuições para poder explanar um pouco mais o que está sendo pesquisado no artigo apresentado. Como cita Karla: "Podemos pensar que a comunicação feita pelas mulheres entre si por meio do telefone (...) está sendo trocada por uma sociabilidade que muitas vezes prescinde de qualquer forma de conhecimento prévio e que troca a palavra pela imagem de um corpo digitalizado, um corpo que não é para ser usado, mas para ser exibido. Como já escreveu Denise Santanna, o homem tem um corpo e a mulher é um corpo."
A inclusão da imagem corporal na comunicação interpessoal mediada, especialmente no público feminino, deve ser pensada com afinco, pois nesta mediação as mulheres (no caso do estudo, as adolescentes) encontram uma forma de se reinventarem visualmente, escolhendo uma corporeidade espetacularizada, o que pode interferir diretamente em questões psicológicas e sociais, por meio simplesmente de ferramentas comunicacionais.
Seria o ponto onde a comunicação e, mais especificamente o ciberespaço, tem efeito direto na construção do self.
Até que ponto isso modifica a sociabilidade? Até que ponto isso altera o comportamento pessoal? É o que estou em busca.
Agradeço a Karla pela contribuição.
Enviado 17/11/2009 - 23:55 (GMT+1)
Asunto: Ré: Da invisibilidade do telefone à superexposição da internet: o estilo comunicacional das adolescentes nos séculos XX e XXI
A ênfase no corpo digital-espatácularizado feminino me leva a questionar não possíveis efeitos individuais (ainda q não me pareçam desprezíveis), mas os efeitos mais amplos da representação das mulheres na nossa sociedade. Não penso que seja necessário demonizar a mídia, os tratamentos estéticos ou o salto alto, como fazem algumas pesquisadoras e militantes dos estudos de gênero. Isso faria com q saíssemos de uma representação limitadora para outra. A questão q penso é nas possibilidades de sermos múltiplas, de assumirmos papéis e identidades diversificados. O q problematizo é a existência de modos "certos" e "errados" de vivenciar a feminilidade. Os corpos exibidos, não compartilhando outras representações, passam a se tornar o "modelo único", o jeito normal, de ser mulher.
Enviado 19/11/2009 - 00:13 (GMT+1)
Asunto: Re: Da invisibilidade do telefone à superexposição da internet: o estilo comunicacional das adolescentes nos séculos XX e XXI
Pensar os efeitos sociais do corpo espetacularizado também é uma boa abordagem, entrando na seara do padrão estabelecido pela sociedade e a louca corrida para alcançá-lo.
Por tratar prioritariamente de adolescentes, penso que a abordagem individual seja importante, por ser uma fase de vida em que a construção da identidade está em jogo, todavia valeu o comentário, para não esquecer o lado social da questão.
Asunto: Da invisibilidade do telefone à superexposição da internet: o estilo comunicacional das adolescentes nos séculos XX e XXI
Mariane Cara
Brazil
Enviado 15/11/2009 - 17:36 (GMT+1)