IV Congresso da CiberSociedade. Crise analógica, futuro digital

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Asunto: Interatividade: refletindo sobre a interação mediada por computador

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Enviado 12/11/2009 - 00:00 (GMT+1)

Asunto: Re: Interatividade: refletindo sobre a interação mediada por computador

Prezados colegas,

Participo pela primeira vez desse congresso e creio seja uma ótima oportunidade de trocarmos impressões sobre temas afins.

Dessa forma, gostaria de ouví-los a respeito de algumas questões:

Podemos considerar a interação mediada por computador uma comunicação reativa?

A interação cara-a-cara pode ser totalmente substituída pela interação mediada por computador?

Até que ponto as deixas simbólicas (comunicação não-verbal) são limitantes na interação mediada por computador?

Saudações,
Vanderlei (São Paulo / Brasil)

Enviado 23/11/2009 - 21:28 (GMT+1)

Asunto: Re: Interatividade: refletindo sobre a interação mediada por computador

Olá Vanderley!

Bastante interessante seu artigo. Durante minha leitura foi inevitável não fazer uma ponte ao assunto que tenho pesquisado nos últimos anos: a cidadania mediada pelo computador.
Estamos acompanhando nesta última década um forte discurso pró-modernização do Estado. Nele está presente a ideia de que o grau de modernização de um país se mede pelo número de computadores que possui sua população, a capacidade de oferecimento de conexões rápidas dos governos, ampliação dos pontos públicos de acesso à internet, entre outros itens. Portanto, se um país moderno é tecnológico, então é claro que o governo tem que ser eletrônico.
Estamos vivendo a era dos e-serviços públicos, com oferta que se restringe, em sua maior parte, às obrigações que o cidadão tem que cumprir. É claro que termos facilidades para fazer o que somos obrigados já pode ser considerado um avanço, não há dúvida.
Mas tenho algumas inquietações a respeito desse relacionamento, e para ilustrá-las faço um pequeno recorte em seu texto: ?A interação mútua vai além do automatismo da ação-reação e do input determinado e único. Abrange o complexo de relações que ocorrem entre os interagentes e leva em conta a complexidade dos contextos sociais, culturais, temporais, físicos, também dos comportamentos (intencionais ou não, verbais ou não). E mais, ?Os interagentes, participantes de interação mútua, reúnem-se em torno de problematizações contínuas, cuja solução (momentânea) inventada pode fazer parte de problematizações futuras. Assim, a interação será sempre influenciada por traços deixados por interações anteriores.?
E então deixo algumas perguntas: A opção pelo atendimento virtual, on-line, não ampliaria a deteriorização do serviço oferecido pelo Estado, ou melhor, não poderia tornar o serviço oferecido ainda mais distante das necessidades do cidadão? Esta instância intermediadora que é o computador (e seus programadores) e que impede a interação mútua, não dá uma dimensão reducionista do atendimento, por ver nele apenas a execução de uma tarefa, desconsiderando o universo de possibilidades que a interlocução pessoa a pessoa possui? Posso considerar que não havendo sensibilidade dos agentes públicos envolvidos no serviço ou outro mecanismo que possibilite esta relação de ?problematizações contínuas? corremos o risco de termos um serviço público que não reflete a ?complexidade dos contextos sociais, culturais, temporais, físicos, também dos comportamentos (intencionais ou não, verbais ou não)? E por fim, em consequência das perguntas anteriores, não teremos um cidadão mais afastado das questões públicas e um governo em uma posição confortável por não ser interpelado "em tempo real", por aqueles que devem exercer seu controle, os cidadãos?
Um abraço!

Gilda - Brasil

Enviado 26/11/2009 - 19:16 (GMT+1)

Asunto: Re: Interatividade: refletindo sobre a interação mediada por computador

Prezada Gilda,

suas colocações são muito pertinentes, e mostram uma reflexão bastante aguçada da apropriação da internet pelo Estado.
Realmente, entendo que a interação mediada por computador possui características de uma comunicação linear, isto é, avança sempre em um sentido, e não permite alternativas ao que já está programado.
Quanto a utilização do computador para interagir com órgão ppublicos, o chamado governo eletrônico, pode sim, precarizar a cidadania, ao contrário do que é amplamente divulgado nos discursos oficais dos governos, e também por pesquisadores mais apressados.
Certamente, a interação cara-a-cara, presencial, possui características não alcançadas pelos sistema informatizado: deixas simbólicas, comunicação não-verbal, empatia, pra exemplicar. Isso torna a prestação de e-serviços bastante limitada. Uma coisa é interagir com um amigo num chat de bate-papo, ou comprar algo pela internet. Outra, bem diferente, é conhecer e se relacionar com a burocracia estatal para obter direitos e prestar conta dos deveres.
Me permita aproveitar sua colocação para expressar um incômodo: impressiona o número de pesquisadores que, mesmo filados aos estudos da comunicação, se rendem facilmente ao discurso espetacularizado das novas tecnologias. A interação mediada por computador recebe de grande parte desses pesquisadores um tratamento teórico que destaca apenas as características técnicas da máquina: banco de dados, arquitetura de rede, capacidade de processamento, programas, linguagens, e tudo mais que estiver relacionado com tecnologia. Esse enfoque tecnicista direciona a discussão para a análise da ?capacidade do canal?, deixando de lado a complexidade do processo comunicacional.
Por outro lado, a valorização da interação em si possibilita uma abordagem teórica que prioriza o que acontece entre os interagentes, com foco na qualidade da relação. Abordar o tema sob inspiração dos estudos da comunicação humana ? entendendo que as relações se dão de forma mútua e negociada ? permite destacar a importância do agente humano, limitando a ênfase sobre a capacidade da máquina. Em outras palavras, permite enxergar o indivíduo (agente humano) em frente ao computador, interagindo com telas e programas informáticos.
Não sei se consegui responder suas perguntas, mas vamos caminhando.
Quem sabe outros presquisadores se animem a participar de nossas reflexões?
Saudações,
Vanderlei (São Paulo / Brasil)

Enviado 27/11/2009 - 01:52 (GMT+1)

Asunto: Re: Interatividade: refletindo sobre a interação mediada por computador

Vanderley,

Pois é, minha experiência profissional em empresa pública, inclusive nos últimos anos em assessoria de comunicação responsável, entre outras coisas, pelo gerenciamento e produção de conteúdo do site, me colocou frente à frente com o que seu artigo indica, pois uma coisa é oferecer serviços pela internet, outra é afirmar que a internet promove cidadania e que o atendimento presencial pode ser substituído pelo virtual.
Vivenciei muitas situações nas quais, o contato direto com o cidadão foi fundamental para rever metodologia do trabalho, para repensar as práticas internas e para me repensar como servidora pública. Isso eu entendo como modernização do Estado, e não apenas a aquisição de modernos equipamentos e softwares (quando isso acontece!).
Senti na prática o desafio de "traduzir" informações complexas, pois técnicas, de modo que o cidadão que dela necessitasse pudesse entendê-las.
É bom que se diga: não há como democratizar informação e facilitar o acesso às empresas publicas (e governos)sem a participação concreta do cidadão. Soluções técnicas modernizadoras, feitas de cima para baixo, são bonitas e funcionam só no discurso.
Um abraço!
Gilda Anjos, de São Paulo, Brasil

Enviado 27/11/2009 - 13:40 (GMT+1)

Asunto: Re: Interatividade: refletindo sobre a interação mediada por computador

Prezad Gilda,
muito interessante o que acaba de relatar.
Realmente, ainda existe muito discurso vazio de apologias as qualidades tecnicas da Inernet, mas poucos estudos investigativos sérios sobre a qualidade da interação via internet.
Felizmente, seu relato é muito esclarecedor e suscita muitas interrogações:
Será que a produção dos e-serviços não estão demasiadamente influenciadas pelos aspectos técnicos da internet? O objetivo do e-gov não é servir ao cidadão?
Saudações,
Vanderlei

Enviado 27/11/2009 - 16:17 (GMT+1)

Asunto: Re: Interatividade: refletindo sobre a interação mediada por computador

Olá Vanderlei.

Concordo com você sobre os discursos vazios.

Em congressos sobre Educação a Distância, uma das participantes fez a pergunta: ´´Estamos assistindo a inúmeras apresentações falando sobre inovação neste congresso. Quantas destas ditas inovações são inovações tecnológicas?
E quantas destas inovações são pedagógicas efetivamente?´´

Sobre a questão dos discursos vazios: acho que pouco usamos pesquisas estatísticas ou quantitativas na educação a distância.
Outro ponto no qual não quantificamos nossas experiências: pouco usamos as ferramentas quantitativas que os Ambientes Virtuais de APrendizagem oferecem para os professores.

José de França Bueno.
Brasil.

Enviado 27/11/2009 - 19:49 (GMT+1)

Asunto: Re: Interatividade: refletindo sobre a interação mediada por computador

Olá Gilda.

Suas colocações são importantes.
Faz-nos pensar a respeito do e-gov.
Embora não seja especialista neste aspecto gostaria de contribuir para o debate.

Acredito que, se a opção for por um atendimento exclusivamente on-line à moda dos call-centers de determinadas empresas privadas, aí concordo com você que teríamos uma perda muito grande na qualidade do atendimento ao público.

Mas, quero crer, que a pressão dos cidadãos seria capaz de impedir um quadro desses. A própria dinâmica de atendimento ao público (em questões tais como Imposto de Renda) exige mix do atendimento on-line e o atendimento presencial.

E, nessas condições, entendo que o e-gov facilita o acesso às informações, democratiza o Estado.

Concordo inteiramente com você quando diz: ´´Posso considerar que não havendo sensibilidade dos agentes públicos envolvidos no serviço ou outro mecanismo que possibilite esta relação de ?problematizações contínuas? corremos o risco de termos um serviço público que não reflete a ?complexidade dos contextos sociais, culturais, temporais, físicos, também dos comportamentos (intencionais ou não, verbais ou não)?´´

Sim, é um risco!

Inclusive corremos o risco de as pessoas acreditarem na possibilidade da construção da democracia exclusivamente pelo envio de e-mails!

Sem a população ocupando (fisicamente!) as praças públicas.

José de França Bueno.

Enviado 27/11/2009 - 19:58 (GMT+1)

Asunto: Re: Interatividade: refletindo sobre a interação mediada por computador

Olá a todos!

Olá José, bem vindo ao debate. Não se desculpe, pois não precisa ser especialista para discutir o e-Gov. Para isto basta ter uma visão crítica e não deixar se seduzir pelo discurso de que as TICS são a solução para todas as mazelas de nossas vidas reais.
No meu entendeu, vejo que é nossa obrigação trabalhar com as contradições de nosso tempo. Vejo que o mesmo se dá no que concerne ao ensino à distância, pelo que pude perceber pelo exemplo que você deu aqui.
Daí, fiquei pensando sobre o ensino à distância, refletindo sobre o seu lado positivo, que é levar conhecimento às comunidades mais distantes ou mesmo para facilitar a vida de quem vive em grandes centros e tem pouco tempo para se atualizar.
Mas também pensei assim: o ensino à distância é uma ótima ferramenta para treinamentos pontuais, atualizações rápidas, e não para formação em substituição ao modelo presencial.
Hoje estou acompanhando de perto o sucateamento da profissão ?professor?, que cada vez mais deve atender aos ditames do mercado (aluno-cliente) e cada vez mais envolvido com a burocracia e menos com a pedagogia. Um professor cobrado a produzir trabalhos intelectuais, com uma jornada de trabalho incompatível com a exigência.
Vejo pessoas conhecidas sendo iludidas ao cursar esses cursos à distância para a nova modalidade enganadora de curso superior em dois anos. Vejo grandes instituições de ensino considerar a carga horária do curso, aquelas em que o aluno ?tira suas dúvidas? em um plantão on-line que também amplia a exploração do trabalho intelectual dos professores.
E mesmo pensando em treinamento, li hoje no jornal uma matéria dizendo as dificuldades dos alunos de uma cidade na Bahia em acompanhar esse ensino à distância, pois a conexão disponível era muito lenta, obrigando que seis alunos usassem o mesmo computador para que pudessem assistir aos vídeos recomendados. Por aí podemos ver que a ideia em sua concepção é boa, mas a execução...
Recentemente assisti a uma entrevista de um pessoal da Universidade Federal da Amazônia (Ufam) contando as dificuldades que os pesquisadores lá enfrentam em razão da baixa qualidade da conexão da região.
Bem, voltando ao e-Gov, em minha opinião, entendo que ele está mais para um e-commerce, e o exemplo do imposto de renda é bem típico: por este exemplo podemos ver que temos estruturas paralelas que coexistem, a virtual e a real. Afirmo isso pois já enfrentei o péssimo e autoritário serviço oferecido presencialmente nas dependências da Receita aqui em São Paulo. Ali falta tudo, sobretudo respeito. Você é intimidado pelos cartazetes que dizem que desacato ao servidor é crime, pelos seguranças terceirizados e pela postura soberba dos funcionários que nem ouvem o que temos a dizer depois de esperar horas na fila.
Então, concordo com você quando diz que é mesmo um risco ?as pessoas acreditarem na possibilidade da construção da democracia exclusivamente pelo envio de e-mails?, continuando a ficar alheias ao que acontece na frente de suas casas.
Bem, por fim, acho que está na hora de nos despedir, pois o congresso termina hoje. Deixo aqui um abraço para você e Vanderlei e meu email: Gilda.azevedo@gmail.com.
Gilda
São Paulo, Brasil.

Enviado 29/11/2009 - 20:55 (GMT+1)

Asunto: Re: Interatividade: refletindo sobre a interação mediada por computador

Como coordinador de grupo me gustaría agradeceros vuestra participación en este foro.

Seguimos!

Enviado 29/11/2009 - 21:03 (GMT+1)

Asunto: Re: Interatividade: refletindo sobre a interação mediada por computador

Me despeço, agradecendo o empenho dos coordenadores dos grupos de trabalho.

Enviado 29/11/2009 - 21:23 (GMT+1)