IV Congresso da CiberSociedade. Crise analógica, futuro digital

Eixo F - Comunicação

Grupo de Trabalho F-60: Paradigma das redes sociais: implicações

Comunicaciones

Preguntas iniciais

Quais novas categorias e linguagens necessitamos para uma visão relacional e holística da realidade como construção cultural, hoje mediada pelas redes?

Como pesquisar as novas interações comunicativas em rede desde uma perspectiva transdisciplinária e implicando todo o processo comunicativo?

Qual é o papel dos meios de comunicação e das novas redes no controle das subjetividades e de suas representações e projeções?

Como transformar a nova lógica de redes os papéis sócio-profissionais na construção, estruturação e recepção das mensagens mediáticas?

Como a nova comunicação em rede afetará a atual economia informacional, especialmente em seus processos de concentração e concorrência?

Como enfocar as novas "topologias do poder" na rede?

Como a comunicação em rede afeta as classes e coletivos sociais e econômicos e a suas dinâmicas de resistência?

Quais novas identidades emergentes nos oferece a comunicação em Rede?


Descripcao del GT

Na base das profundas mudanças globais que alteraram as estruturas econômico-sociais, políticas e culturais da contemporaneidade se encontra o papel estratégico desempenhado pelo novo Hipersetor da Informação e da Comunicação. Ele se conecta diretamente com uma nova configuração socioglobal (autorreflexiva) que atende a uma arquitetura flexível, móvel, transformadora e interdependente das Redes telemáticas.

Estas mudanças compreendem o fim dos modelos organizativos de caráter estrutural e funcional com os quais as Ciências Sociais trataram de explicar os processos materiais e culturais do mundo contemporâneo. Entretanto, na mudança para século XXI, ele deu passagem a uma tensão até agora desconhecida entre o homogêneo e o fragmentado, ou seja, entre o global e o local, estabelecida na proliferação desigual de novos fluxos de intercâmbio de idéias, informação, imagens, mercadorias, modas e estilos de vida facilitados pelas novas tecnologias.

Tudo isso, em favor de uma nova "mundialidade" consciente de si, cristaliza-se na irrupção de: a) uma nova economia informacional; b) um novo sistema de relações pós-nacionais de poder; c) uma descomposição transclassista do social; d) novos marcos culturais e estéticos, referentes à imposição de uma nova experiência imaterial do espaço, ao mesmo tempo que de uma (a)-histórica temporalidade tecnocrática; e) de uma transformação, em resumo, dos princípios de inteligibilidade ontológica, epistemológica, ético-política e estética modernos, a expensas da expansão crescente de uma nova filosofia relacional e (des)-emprazante do limite narrativo: a radical linguisticidade dialógica e interpretativo-compreensiva do ser como forma contingente de pensar, fazer e dizer num concreto "agora" e "aqui" histórico.

Portanto, diante dos velhos fluxos de poder que governavam o "velho" mundo como uma grande estrutura inter-nacional dotada de um centro hegemônico, esta (Meta)-Rede Global dá conta ? em todos os planos da existência humana ? do poder dos mesmos fluxos que operam, a nível transfronteiriços, mediante a acomodação dinâmica e sistêmica de modulações muito móveis; de espaços descentrados de interação entre elos de natureza social muito diferentes, entrelaçados segundo um duplo princípio de conectividade e consistência. Em síntese, o modelo de rede dá prioridade às relações continuamente remodeladoras do conjunto social estabelecidos, a partir das mesmas modificações experimentadas pelos elementos que o integram, sobre as supostas características intrínsecas e objetivas desses elementos, na prática, apenas transicionais, ou seja, a expensas dessas permanentes redefinições que sofrem nos mesmos processos de interrelação nos que surgem como tais.

A homologia entre experiência e pensamento ? que se identifica com uma nova forma relacional de estar-no-mundo ? se resolve, assim, ao modo de toda uma ontologia da Rede, de uma nova forma de experiência do si mesmo, das relações com o outro e dos vínculos com o mundo e sua "verdade". Daí que a pertinência histórica deste tipo de proposta modular se centre na necessidade que o comunicólogo tem à hora de encontrar modos de identificação re-semantizadora das novas realidades sociais com as que se enfrentará como profissional e como sujeito (des)-emprazado numas coordenadas espaciais, temporárias e simbólicas determinadas. Sair da dignosis, da enorme defasagem conceitual existente entre a forma em que se segue descrevendo o mundo e a maneira em que sua experiência real gera graves disfunções sócio-cognitivas-afetivas constitui a justificativa fundamental deste tipo de curso: aprender ? como recurso adaptativo às incitações da nova Sociedade Global ? a pensar, a sentir, a dizer e a fazer em Rede.