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CULTURA & POLÍTICA @ CIBERESPACIO

 

1er Congreso ONLINE del Observatorio para la CiberSociedad

 

Comunicaciones – Grupo 6

Ciberespaço e Sociabilidade

 

Coordinación: Giovanni Alves y Vinício C. Martínez (giovanni.alves@uol.com.br)

 

http://www.cibersociedad.net/congreso

 

 

Livros virtuais

A literatura na rede

 

 

Ivan Carlo Andrade de Oliveira

Mestre em Comunicação Científica e Tecnológica pela

Universidade Metodista de São Paulo

calliope@uol.com.br

 

 

1 – Introdução

 

Fenômeno recente, os e-books ainda não foram devidamente investigados e compreendidos.

 

         O que é um livro virtual? No futuro os autores vão ganhar a vida escrevendo para a internet? A tela do computador irá substituir o papel como suporte ideal para a literatura?

 

         As respostas a perguntas desse tipo são as mais variadas possíveis. Há desde os apocalípticos, temerosos de que a internet trará o fim do prazer da leitura, até os eufóricos, que preconizam na net a solução para a emergência de novos e talentosos autores, atualmente ignorados pelas editoras convencionais.

 

         Polêmicas à parte, a verdade é que os e-books conquistaram uma fatia considerável de leitores, fazendo com que autores desconhecidos tivessem seus livros lidos por milhares de pessoas.

 

         O objetivo deste paper é estudar os livros virtuais, compreendê-los e em suas características, finalidades e efeitos. O estudo tratará apenas da realidade das editoras virtuais brasileiras.

 

 

1 - Histórico

 

Os livros virtuais, embora fossem experimentados desde a criação dos computadores (alguns autores chegaram a lançar disquetes-livros, utilizando como ferramenta de leitura o bloco de notas), só tiveram seu boom a partir do ano de 2000, com o lançamento de Riding the Bullet, de Stephen King.

 

         King havia sido atropelado e, enquanto se recuperava no hospital, para se distrair escreveu uma história de 66 páginas sobre um homem que pega uma carona com um fantasma.

 

         O tamanho dessa noveleta tornava inviável seu lançamento comercial, de modo que se tentou uma outra estratégia: o lançamento exclusivo pela internet.

 

         Os sites Amazon e Barnes&Noble ficaram responsáveis pela distribuição. A Amazon cobrava U$ 2,50 e a Barnes&Noble utilizou o livro para fazer uma promoção, enviando-o gratuitamente aos seus visitantes.

 

         O resultado foi um congestionamento que tirou as páginas do ar.

 

"Foi 15 vezes mais do que estávamos pensando", declarou Keith Loris, presidente da SoftLock.com, empresa responsável por colocar na rede o volume de 66 páginas. "Nossos servidores tiveram um tipo de colapso", acrescentou Loris, que trabalha para atender cerca de 200 mil pedidos.

(Nova obra de Stephen King congestiona a Internet. Disponível em: http://www.uol.com.br/fsp/ilustrad/fq1803200011.htm. Visitado em 9 de junho de 2002 )

        

Estima-se que milhões de leitores em todo o mundo tenham tido contato com a obra, o que incentivou King a fazer uma nova incursão pela net. Em julho ele lançou a novela The Plant pelo seu site pessoal. A idéia era que cada leitor enviasse ao autor o valor de um dólar por capítulo.

 

No começo tudo funcionou e 170 000 cópias do primeiro capítulo foram capturadas na rede. Mas, depois que apenas 74 000 leitores pagaram para ter o segundo capítulo, o autor ameaçou suspender a publicação dos outros seis previstos. “Não se rouba um pobre jornaleiro cego”, queixou-se ele. (O JORNALEIRO cego. Veja on  line.  Disponível em: http://fws.uol.com.br/folio.pgi/veja2000.nfo/query=stephen+king/doc/{@1}/hit_headings/words=4/hits_only. Visitado em 09 de junho de 2002)

        

No Brasil, o fenômeno chegou ainda em 2000. Em 10 de junho foi lançado no site Submarino o livro Miséria e grandeza do amor de Benedita, de João Ubaldo Ribeiro. Nas três primeiras semanas foram vendidas quatro mil cópias.

        

Outra experiência, no mesmo ano, foi de Mário Prata, que publicou no site Terra seu livro Anjos de Badaró. Os capítulos eram publicados na medida em que eram escritos. O autor foi pago pelo portal Terra.

 

         Ainda em 2000 começaram a surgir as principais editoras virtuais da net brasileira, interessadas em capitalizar o crescente interesse pelos e-books. Sem grande capital para pagar escritores famosos, esses sites investiram primeiramente em obras clássicas, cujos direitos autorais já haviam se expirado. Depois passaram a investir em novos autores.

 

         Os modelos eram os mais diversos. A Virtual Books (www.terra.com.br/virtualbooks) , por exemplo, não cobrava pelos livros, mas também não remunerava de maneira alguma os autores.

 

         Ainda assim, teve grande afluência de autores interessados em publicar material de pouco apelo comercial (dissertações de mestrado, poesias, ensaios filosóficos) ou visando transformar a internet em uma vitrine em que exporiam seu talento para editoras interessadas em uma renovação criativa de seus quadros.

 

         O aspecto de vitrine foi explorado pela Hotbook (www.hotbook.com.br), que, em seu texto destinado a novos autores afirmava:

 

Inserida no contexto atual, a HotBook convida você a fazer parte da elite literária do novo século, que tem uma opção a mais, em uma ferramenta moderna como a internet, para publicar suas obras. A HB é uma vitrine para talentos de qualquer idade, sem burocracia, sem intermediários e de forma completamente transparente. Você coloca a sua obra à disposição do público e da imprensa, de forma direta.

(Hotbook. http://www.hotbook.com.br/publique.htm. 9 de junho)

 

         A hotbok oferecia um sistema misto. Seus autores deveriam pagar uma taxa de R$ 50,00 ou encontrar um patrocinador que pagasse a hospedagem a R$ 200,00.

 

         Mais convencional, a Escreva.com (www.escreva.com.br)cobrava uma taxa anual de R$ 11,00 mais uma porcentagem das vendas. O total despreparo mercadológico de seus realizadores (alguns livros eram lançados sem capa) fez com que as vendagens fossem muito baixas e site foi vendido para o Foglio (www.foglio.com.br), que faliu recentemente.

 

         A título de exemplo, o livro A Face do Leviatã, escrito pelo autor deste paper, vendeu apenas um exemplar e ainda assim constava na página inicial como sendo um dos mais vendidos, o que dá a entender que alguns livros não vendiam nem mesmo um exemplar.

 

         Isso se deve ao fato de que, embora o produto fosse vanguardista, a forma de aquisição era mais complicada que a compra de um livro convencional: o leitor imprimia um boleto bancário, dirigia-se à agência, pagava, enviava o boleto à editora por fax ou por e-mail e só então recebia uma senha que lhe permitia baixar o e-book.

 

         Em comparação, o modelo dos livros gratuitos parece ser muito mais acertado. Tanto que o mesmo livro, com o título mudado para Teatro dos Vampiros e acrescido de outras histórias, foi lido por mais de mil pessoas quando publicado na Virtual Books.

 

         Um sistema alternativo foi criado pela editora Monte Castelo. O leitor não paga por livro, mas por sua participação em um clube de leitura. Pelo preço de R$ 19,90, o integrante do clube pode baixar quantos livros quiser.

 

         William Riga, o dono do site, diz que “os e-books começaram a ser mais solicitados depois que implantamos o sistema do "clube do livro", no qual o leitor assina o serviço e tem direito a fazer downloads do título que quiser de nosso acervo”. (AUTORES desconhecidos ganham espaço no mundo virtual. O Liberal, Macapá, 3 de março de 2002, p. 2-3)

 

         Riga acredita que os livros virtuais serão um produto de sucesso com o tempo:  nós nascemos e crescemos lendo livros de papel e estamos habituados com esse formato. Eu acredito que a nova geração, que já nasce com a "cultura da informática" (computador, games, internet) aceitará muito bem o convívio com livros em formato eletrônico, para serem lidos na tela do computador. Para esses jovens será muito mais fácil”.

 

 

2 - Livros virtuais ou e-books?

 

Quando se fala em livros virtuais, torna-se necessário definir o que é virtual.

 

         Segundo Pierre Levy, um erro corrente é considerar o virtual como oposto de real, ou seja, uma pura e simples ausência de existência, de realidade, de presença tangível. (LEVY, 2001: 15)

 

         Entretanto, a origem da palavra virtual remete ao latim virtualis, derivado de força, potência. Para a filosofia escolástica, virtual é aquilo que existe em potência, não em ato.

 

         Assim, a árvore está contida na semente. Mas essa existência ocorre em termos de potência, de virtualidade. A semente, no momento, não é árvore. Mas pode vir a sê-lo.

 

         Essa visão de virtualidade, embora desfaça o equívoco de considerar virtual como não real,  não nos serve.

 

         Olhar os livros virtuais sob a ótica da potência é reduzir sua importância e singularidade, pois um livro virtual seria, em potência, apenas um livro comum, que ainda não foi impresso.

 

         Pierre Lévy apresenta uma definição segundo a qual virtual é o que não está presente geograficamente.

 

         Assim, “a empresa virtual não pode ser situada precisamente. Seus elementos são nômades, dispersos, e a pertinência de sua posição geográfica decresceu muito” (LEVY, 2001: 19)

 

         No caso da literatura, um texto impresso da net é a atualização de um hipertexto de suporte informático, que não existe geograficamente.

 

Claro que é possível atribuir um endereço a um arquivo digital. Mas, nessa era de informações on line, esse endereço seria de qualquer modo transitório e de pouca importância. Desterritorializado, presente por inteiro em cada uma de suas versões, de suas cópias, de suas projeções, desprovido de inércia, habitante ubíquo do ciberespaço, o hipertexto contribui para produzir aqui e acolá acontecimentos de atualização textual, de navegação e leitura. Somente esses acontecimentos são verdadeiramente situados. Embora necessite de suportes físicos pesados para subsistir e atualizar-se, o imponderável hipertexto não possui um lugar. ( LÉVY, 2001: 19-20)

 

         O livro virtual existe como informação, como um conjunto de bits circulando na rede e aportando, aqui e ali, nos computadores dos usuários, não tendo existência geográfica concreta.

 

         O livro virtual perfeito seria aquele que, para ser lido e compreendido, não pudesse ser impresso. Territorializá-lo seria matá-lo.

 

         Por outro lado, a informação na internet pertence ao universo relacional. Magaroh Maruyama propôs uma classificação da informação de acordo com três universos: o universo classificador, característico da escrita e da ciência, hierárquico, em que a informação é dividida em categorias mutuamente excludentes; o universo relevante, que englobaria as informações relevantes para cada pessoa e, finalmente o universo relacional.

 

No universo relacional, o mais importante para uma informação não é o que ela é, sua definição, mas como ela se relaciona com as outras coisas:

 

As definições não são dadas pelas categorias e subcategorias, mas pelas interações e inter-relações. Assim, por exemplo, a guerra é aquilo que acaba com a paz, e a paz aquilo que acaba com a guerra. A esposa é a pessoa casada com o marido e este a pessoa casada com a esposa. (MARUYAMA In: ESPTEIN, 1973: 157-158)

 

         Uma visita descompromissada à internet demonstra muito bem o conceito de informação relacional. Se, ao pesquisarmos um assunto, formos visitando os links presentes nas páginas que abrimos, logo estaremos em assuntos que têm, com o assunto original, apenas uma afinidade relacional.

 

         Como exemplo, podemos imaginar uma pesquisa sobre Edgar Alan Poe. Em uma página sobre o autor americano encontramos a referência de que o mesmo influenciou o argentino Jorge Luís Borges e o link para a página do mestre argentino. Na página de Borges, descobrimos algumas de suas obsessões: tigres, espadas e labirintos. Podemos seguir por um desses três caminhos e no final, por exemplo, estaríamos numa página sobre labirinto, quando nosso interesse inicial era Poe.

 

Assim, o bom livro virtual deveria ser lido na tela e deveria permitir uma leitura relacional, o que nos levaria a algumas características:

 

1 – Capítulos curtos, pois o leitor deve ler cada capítulo “de uma sentada”, como dizia Edgar Alan Poe, para ter noção do todo;

2 – Os parágrafos devem ser curtos, pois o leitor deve ter a visão da totalidade do parágrafo na tela;

3 – A possibilidade de link deveria ser explorada, permitindo encaminhamentos diferenciados para a trama.

 

         Nesse contexto, Riding the bullet é tudo, menos um livro virtual. Para começo, só há um capítulo. Só o leitor mais persistente seria capaz de ler o texto “de uma sentada”. Além disso, alguns parágrafos são imensos, o que impede a leitura global dos mesmos.

 

         Por fim, Riding sofre do principal defeito dos e-books: não há possibilidades de link ou de interatividade. Claro que essa é uma limitação ocasionada pelos programas de editoração e leitura de e-books. O mais popular, o Acrobat Reader, por exemplo, não permite a criação de links no texto.

 

         Os verdadeiros livros virtuais só aparecerão com o desenvolvimento dos softwares e com a emergência de uma nova geração de escritores, acostumados com o universo relacional, característico da internet.

 

 

3 - Direitos autorais

 

A midiologia, inspirada nas idéias do filósofo canadense Marshall McLuhan, diz que as idéias de um certo período são condicionadas pelo suporte utilizado para o envio da informação. É por isso que McLuhan diz que os meios são as mensagens.

 

         O desenvolvimento da imprensa criou o nacionalismo (os impressores logo descobriram que era mais barato publicar em línguas nacionais), o individualismo (o barateamento dos livros tornou comum a leitura solitária) e noção de autoria das obras de arte.

 

         Sintomaticamente, os artistas só começaram a assinar suas obras depois do surgimento da imprensa. Durante a Idade Média, um quadro valia não pela genialidade de seu autor, mas pelo seu aspecto sagrado.

 

         O direito autoral é decorrência direta do individualismo e da noção de autoria. A imprensa cria a idéia de que o autor deveria receber pela fluição de seu trabalho intelectual.

 

         A internet mudou tudo. Com a democratização da informação, o mais importante passou a ser a livre circulação de idéias.

 

         Armand e Michèle Mattelart lembram que a cibernética surge sob o signo da democracia informacional:

 

A informação deve poder circular. A sociedade da informação só pode existir sob a condição de troca sem barreiras. Ela é por definição incompatível com o embargo ou com a prática do segredo, com as desigualdades de acesso à informação e sua transformação em mercadoria. (MATTELART, 2001:66)

 

         Essa premissa vai ser o princípio básico dos ciberpunks. O mais importante é comunicar, e não necessariamente receber pelo que se comunica.

 

         Ao ler um texto que considera importante, o internauta o reproduz e manda por e-mail para os amigos. Muitas vezes até coloca em um site ou listas de discussão. É provável que o autor original jamais tenha idéia do alcance final de seu texto, mas parte-se do princípio de que toda informação constante na rede é de uso público.

 

         Isso, que alguns consideram pirataria, é, na verdade, um princípio básico da net. Ao introduzir um texto em um site, o autor deve conformar-se com a idéia que este não mais lhe pertence.

 

         Um exemplo disso é o próprio autor deste artigo. Ao digitar o pseudônimo Gian Danton no site Google (www.google.com.br) encontra-se 320 ocorrências. Dessas, muitas foram textos publicados sem autorização do autor. É o caso dos sites Intervox (http://intervox.nce.ufrj.br/~tprobert/livcego.html)

 e o Ler.BR (http://www.vicosa.com.br/lerbr/textos.html)

 

         Mas é curioso notar que em nenhuma delas o autor deixa de ser citado, o que nos revela uma nova ética. Ao considerar um texto interessante, o internauta o reproduz, mas deixa claro que o texto não é dele. A nova noção de direito autoral não é, portanto, plágio, ou corrobora práticas equivalentes. Os universitários que copiam trabalhos da internet estão longe do ideal da cibercultura. São apenas ladrões de idéias.

 

 

4 - Considerações finais

 

Os livros virtuais certamente não alcançaram o seu ponto mais importante de desenvolvimento. Da mesma forma que o livro passou por várias alterações (códice, papiro, pergaminho) até chegar à sua forma atual, os e-books parecem estar em evolução. Várias inovações tecnológicas, como a popularização de aparelhos portáteis e a fabricação de telas que tornam menos cansativa a leitura podem ajudar nesse processo.

 

É difícil prever exatamente o que resultará dessa evolução, mas certamente os e-books terão lugar garantido na história da literatura. E isso não na qualidade de substituto dos livros convencionais.

 

As histórias em quadrinhos surgiram de uma mistura do desenho com a literatura. No começo, trabalhos como os de Hall Foster em Tarzan davam a entender que as histórias em quadrinhos seriam apenas uma variedade de literatura ilustrada. Entretanto, o surgimento de trabalhos como os de Will Eisner em Spirit e, mais recentemente, de Alan Moore e Frank Miller, mostraram que as histórias em quadrinhos eram uma linguagem artística com características próprias. Trabalhos como esses levaram os críticos de arte a nomearem os quadrinhos de nona arte.

 

O mesmo ocorrerá em breve com os livros virtuais. De simples transposição de textos literários para as telas do computador, eles em breve se tornarão uma nova forma de linguagem artística. Isso ocorrerá no momento em que os escritores perceberem que estão com um novo e poderoso suporte em mãos e começarem a explorar suas potencialidades. Aí então teremos livros virtuais de verdade.

 

Se escritores poderão ou não ganhar dinheiro com seus livros virtuais, essa é uma questão menor. O importante, nessa era de informação, é o princípio básico da cibercultura: o importante é comunicar.

 

 

BIBLIOGRAFIA

 

AUTORES desconhecidos ganham espaço no mundo virtual. O Liberal Amapá, Macapá, 3 de março de 2002, p. 2-3

EPSTEIN, I. Cibernética e Comunicação (org.). São Paulo: Cultrix & Edusp, 1973.

Hotbook. Disponível em: www.hotbook.com.br . Visitado em: 9 de junho de 2002.

Monte Castelo. Disponível em www.montecastelo.com.br . Visitado em 2 de julho de 2002.

LÉVY, P. O que é virtual? São Paulo: 34, 2001.

MATTELART, A.; M. História das teorias da comunicação. São Paulo: Loyola, 2001.

Nova obra de Stephen King congestiona a Internet. http://www.uol.com.br/fsp/ilustrad/fq1803200011.htm

O jornaleiro cego. Veja on  line. http://fws.uol.com.br/folio.pgi/veja2000.nfo/query=stephen+king/doc/{@1}/hit_headings/words=4/hits_only?. 2000

WIENER, N. Cibernética e Sociedade. São Paulo: Cultrix, 1968.



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