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A Recreação e a Cidadania na Educação Fiscal

Autor/-a: Lisete Maria Massulini Pigatto


Publicado no site Recreação e Cidadania


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Lisete Maria Massulini Pigatto
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Datos a partir del 03.03.2004. Artículo en el OCS desde el 21/02/2008

Resumo

O trabalho investigou “A Contribuição da Metodologia ‘Recreação e Cidadania’ no processo de ensino aprendizagem para o desenvolvimento da Educação Fiscal como Tema Transversal” na sala de aula e nos Ambientes de Recreação com os (as) alunos (as) da primeira a nona série da Escola Municipal de Ensino Fundamental Edy Maia Bertoia, na cidade de Santa Maria, RS. O seu objetivo foi desenvolver a cidadania pró-ativa utilizando a Recreação como metodologia com alunos (as) que apresentam dificuldade de aprendizagem e adaptação. A Recreação se define como uma metodologia que apresenta uma Proposta Construtivista-Sociointeracionista, alegre e muito divertida. De abordagem inter e transdiciplinar, onde o processo de aprendizagem se dá pela interação numa dimensão individual e coletiva. Caracteriza-se por uma seqüência de ações e atividades educativas para instigar processos internos de desenvolvimento mental para criar o novo. O trabalho se justifica pelos estímulos, pelos motivadores e pelas oportunidades que proporciona. Trabalharam nos limites das suas potencialidades, motivados para realizar os seus projetos, com bons resultados, pois o ensinar e o avaliar são concomitantes. A avaliação é formativa e emancipatória com a proposta. Envolvendo o (a) aluno (a) nas suas funções afetivas cognitivas e psicomotoras, nos níveis de conhecimento como um todo. A Educação Fiscal se mostrou eficaz como estratégia para desenvolver a cidadania. Conclui-se que esse trabalho precisa ser desenvolvido nas escolas, qualificando professores para trabalhar com a Educação Fiscal como Tema transversal. Preparar as futuras gerações para o exercício da cidadania pró-ativa no processo inclusivo, desenvolvendo uma cultura de paz.

Introdução

A metodologia da Recreação e Cidadania contribui no processo de ensino-aprendizagem comprovando a relevância da Educação Fiscal para integrar-se ao Tema Transversal Educação & trabalho. Constata a sua importância como estratégia para desenvolver a cidadania pró-ativa nos (as) alunos (as) e na qualificação dos (as) professores (as). Salienta o pensamento de Piaget (1973) quando afirma que a lógica, a moral, a linguagem e a compreensão de regras sócias não são natas, mas construídas pelo indivíduo ao longo do seu desenvolvimento num processo de interação social.

O projeto trabalhou com a Gestão por Competências possibilitando o aumento do desempenho global da escola. Identificou as habilidades e o desenvolvimento das competências individuais de forma interativa. Instiga o desenvolvimento dos princípios da co-responsabilidade de modos a desenvolver a ética, a estética e a inclusão humanitária numa cultura de paz.

No decorrer da pesquisa, faz-se uma revisão bibliográfica, uma análise do projeto com a Educação Fiscal, a metodologia da Recreação e Cidadania. Avalia as mudanças do comportamento nos (as) alunos (as) e nos (as) professores (as) Aborda a Gestão por competência como uma questão estratégica, valorizando os recursos humanos no desenvolvimento do projeto, seguida do resultado, da conclusão e da bibliografia.

Em virtude da relevância social do tema, a Educação Fiscal vislumbra a possibilidade de ser incluída nos temas transversais, fazendo parte dos Parâmetros Curriculares Nacionais . Percebidos como propostas curriculares e uma sugestão de trabalho a ser desenvolvido nas escolas. Esses expressam conceitos e valores fundamentais à democracia e à cidadania. Correspondem a questões importantes e urgentes para a sociedade brasileira nas várias formas da vida cotidiana. De perspectiva ampla, traduzem as preocupações de todo o País, abordam questões sociais para serem debatidas e trabalhadas na escola.

Os Temas transversais contemplam a ética, o meio-ambiente, a saúde, a pluralidade cultural, a orientação sexual e a educação & trabalho. A ética permite entender o conceito de justiça na equidade, instiga a sensibilizar-se pela necessidade de desenvolver uma sociedade mais justa. Adotar atitudes de solidariedade, cooperação e repúdio às injustiças sociais. Discutir a moral, compreender os valores e avaliar no que podem ser modificados. Em suma, a ética ensina a conviver, quando se aprende a aceitar e a respeitar o outro.

O Meio Ambiente compreende as noções básicas do tema. Instiga a perceber relações que condicionam a vida para posicionar-se de forma crítica diante do mundo, dominar métodos de manejo e conservação ambiental. A Saúde como um direito de todos se produz nas relações com o meio físico e social, identifica fatores de risco e hábitos de cuidado. A Pluralidade cultural trata da diversidade do patrimônio e do direito dos povos e dos indivíduos.

A orientação sexual ensina a respeitar a diversidade de comportamento relativo à sexualidade. Garante a integridade e a dignidade do ser humano ao expressar seus sentimentos e afetos. Atualmente, a Educação & trabalho possui um título provisório de “Trabalho, Consumo e Cidadania”, no qual será incluída a proposta de Educação Fiscal, de fundamental importância para a gestão pessoal e coletiva nesse novo paradigma que se instaura no planeta.

O Programa já alcançou notoriedade nacional e internacional devido ao belíssimo e importante trabalho desenvolvido pelos (as) alunos (as) e professores (as). “Por isso, é de suma importância que este assunto esteja contemplado no Projeto Político Pedagógico de cada estabelecimento da Rede Municipal de Ensino”. Salienta a Srª Rosaura Vargas, Coordenadora do Programa Municipal de Educação Fiscal, conforme Mem. Nº 20/2007/PMEF.

Este projeto responde as necessidades apontadas, pois a Educação Fiscal caracteriza-se como uma excelente estratégia para trabalhar a cidadania e promover a inclusão escolar e social. A educação deve ser vista como uma poderosa estratégia para se alcançar às metas do milênio, portanto há necessidade de chamar a atenção das autoridades para a sua importância.

De forma que se estimule o desenvolvimento de métodos e técnicas inovadoras para solucionar os problemas não apenas educacionais, mas do contexto social de maneira integrada. Com reconhecimento, oportunidades para a sua aplicabilidade e divulgação. De projetos como este, “Recreação e a Cidadania” é que se gera uma educação de qualidade, novos postos e oportunidades de trabalho, agregam-se valores e se promove à inclusão social.

Pensar em recreação nesse processo significa pensar em educação, o que permite desenvolver e aprimorar a aprendizagem. O, o conhecimento de todos de forma prazerosa por meio de um diálogo problematizador, para alcançar as metas e os objetivos estabelecidos. A proposta apóia-se na dinâmica da sala de aula concomitantemente com os Ambientes de Recreação naturais ou informatizados, salientando os valores do ser humano.

Essa proposta de educação envolve um conhecimento específico, voltado para a área pedagógica, política, sociológica e econômica, no intuito de trabalhar de forma lúdica e recreativa a educação, a organização social da produção e a cidadania pró-ativa na tentativa de adaptar as pessoas ao sistema e este as suas reais necessidades, resgatando a dignidade humana.

1. O Projeto

O Projeto investiga “A Contribuição da Metodologia da Recreação e Cidadania no processo de ensino aprendizagem para desenvolver a Educação Fiscal como um tema transversal”. Realizado na Escola Municipal de Ensino Fundamental Edy Maia Bertoia, na Cidade de Santa Maria, RS, Brasil. Uma escola, urbano periférica que acolhe crianças (as) com dificuldade de aprendizagem e adaptação em idade escolar entre seis a quinze anos. Desenvolve-se com todos os (as) alunos, (as) da primeira a nona série e na qualificação dos (as) Professores (as), concomitantemente.

Apresenta como eixo temático a Escola, o Estado e a Cidadania . A pesquisa utiliza a Educação Fiscal como estratégia para alcançar a inclusão escolar e social, no intuito de participar do tema transversal. Para realizar a pesquisa organizou-se um programa sem prazo determinado, abordando o saber e o saber ensinável voltado a realidade social pela transversalidade.

Na área das Ciências Humanas, que prevê a educação da pessoa humana e a sua Inclusão escolar e social. Quando nos referimos há Temas transversais se entendem que esses, sejam abordados, durante todo o ano letivo por todos os (as) professores (as). Vinculado a sua disciplina ou assunto em questão, trabalhado na sala de aula ou nos ambientes de recreação de modo interativo, de forma inter, transdiciplinar e multidimensional.

O Projeto tem como objetivo desenvolver o espírito da cidadania pró-ativa nos (as) alunos (as). Preparar o ser humano para o exercício da democracia de forma ética, estética e inclusiva. Para que seja capaz de lidar com a biodiversidade de forma saudável, voltando-se para uma cultura de paz.

A Educação como um processo provoca mudanças em todos os níveis de ensino em torno das Políticas Públicas Educacionais Inclusivas. Justifica-se o trabalho pela necessidade que o (a) professor (a) tem de construir saberes de conhecer e experimentar novas metodologias para desenvolver a cidadania e a inclusão escolar e social. Pela necessidade de avançar no desenvolvimento de um novo paradigma socioeconômico para o século XXI devido à crise social que se abala no mundo, em grande parte pela falta de preparo educacional. Utiliza a Educação Fiscal como estratégia numa proposta transversal.

Vive-se a terceira Revolução Industrial, a qual exige crescimento, produtividade e qualidade, mas faltam oportunidades de educação, reeducação, trabalho, renda e qualificação. Definir a forma de como vamos sobreviver nesse novo contexto trabalhando de forma colaborativa.

A lei da oferta e da procura torna-se insuficiente, não existe mais tanto mercado para tanta oferta, mas continua a existir a fome, a miséria e a violência. As transformações devem ser profundas, devido à assimetria social , o desemprego, a falta de consciência sobre o meio ambiente. Independente das condições físicas intelectuais ou emocionais precisa-se sobreviver. Portanto, a gestão humana torna-se imprescindível, faz-se necessário repensar a sociedade e a sua dinâmica social. É preciso criar novas oportunidades de trabalho, emprego, ocupação, renda e esperança para ter qualidade de vida.

Atualmente no Brasil, a crise se acentua. Em muitos lugares faltam alunos (as) e já sobram professores (as), transformando-se num sério problema de gestão para os administradores, para os (as) professores (as) e para os governos uma preocupação constante. Sendo que, um dos seus maiores desafios é gerar novos postos de trabalho no país e organizar o social.

Nesta perspectiva, fazer uma aliança de trabalho entre a escola e a comunidade constitui-se num exercício constante de cidadania, de aprimoramento, para transformar a sociedade e alcançar as metas do milênio. O sistema de vida promove desigualdade no acesso à educação, aos bens de primeira necessidade e a exclusão social, apesar do movimento pela inclusão.

Aliado a estes fatores, temos a forte migração aos centros urbanos. De cada dez empregos criados, sete são informais, gerando insegurança, descrença nos governantes, vulnerabilidade social e aumento da violência. O terrorismo continua ameaçando a paz, a segurança, o Direito e a Democracia.

O projeto salienta a necessidade de estimular, motivar e criar oportunidades de qualificação pelas vivencias de forma recreativa na sala de aula e nos ambientes de recreação natural ou informatizado. A partir de um tema gerador estabelecido de acordo com o calendário escolar e o interesse dos (as) alunos (as), desenvolve-se na escola um programa com o objetivo de aprimorar a cidadania, numa sucessão de ações e atividades educativas.

Trabalhado de forma inter, transdiciplinar e multidimensional pelos (as) professores (as), forma vínculos interligando os conteúdos. Cada professor (a) ministra os seus conteúdos de acordo com a sua metodologia de trabalho, independente de ser tradicional ou emancipador. A Educadora Especial periodicamente reúne o grupo de alunos (as) e professores (as) para trabalhar conteúdos específicos sobre o tema de forma recreativa, interligando as informações os conceitos, os conteúdos de forma crítica reflexiva, estimulando e motivando-os a participar, discutir, questionar e elaborar alternativas.
No intuito de que o (a) aluno (a) perceba que, o trabalho desenvolvido na escola seja utilizado na vida prática do dia a dia. Desta maneira consegue entender a finalidade do currículo desenvolvido. Percebe a importância da escola no seu desenvolvimento afetivo, cognitivo e emocional. Alimenta a esperança de um futuro melhor por meio dos saberes, resgata a sua auto-estima e o motiva a tomar atitudes para buscar qualidade de vida.

Numa relação de afeto, cognição e prazer, as ações e as atividades educativas são trabalhadas do concreto ao abstrato e vice versa, com acesso à comunicação virtual, respeitando os Direitos Humanos, para preparar cidadãos e profissionais competentes capazes de trabalhar de forma integrada.

Valorizar a soberania, a diversidade, com acessibilidade a cultura enriquece e aproxima as pessoas. Para isso se faz necessário promover uma qualificação de professores (as) concomitantemente ao trabalho desenvolvido com os (as) alunos (as), para que o trabalho não perca a sua essência. Pois são profissionais que trabalham o individual e o coletivo e precisam estar sintonizados com os problemas conjunturais dialogando, de forma a superar as dificuldades e os desafios que a escola e a comunidade oferecem.

No desenvolvimento da pesquisa se emprega uma metodologia do tipo quali-quantitativa, de nível exploratório, etnográfica e descritiva. Para detectar a contribuição da metodologia da Recreação e Cidadania e a Educação Fiscal como um Tema transversal no intuito de modificar o social. Trabalha a gestão por competências e os princípios da co-responsabilidade de forma a avançar na melhoria do processo de convivência, pois o nosso produto final é a pessoa e a sua qualidade como ser humano.

A gestão por competências , segundo Carbone (2005) tem o seu foco principal orientado para o desenvolvimento de competências e novos conhecimentos, fontes por excelência para a conquista da vantagem competitiva sustentável. Adaptado a escola o conhecimento somado as competências possibilita o aumento do desempenho global, identificando o desenvolvimento das habilidades e das competências individuais.

O objetivo do trabalho com gestão de competências na pesquisa é promover uma modificação na administração dos recursos humanos. Instigar uma evolução no trabalho em redes de apoio, melhorando o desempenho. Os modelos tradicionais de gestão de pessoas não conseguem responder adequadamente aos desafios atuais. Exigem um novo conjunto de conceitos e instrumentos capazes de melhorar a qualidade individual e coletiva.

O modelo de gestão com base em competências apresenta respostas necessárias, oferecendo um conjunto de conceitos e instrumentos mais adequados à contemporaneidade. Marcos Ornelas , define a gestão por competências como a conquista do espaço e a validação pela organização da importância das pessoas no cenário organizacional dos Recursos Humanos.

Salientam as vantagens que a Gestão por Competências traz para as organizações e aos colaboradores ao adotá-la como estratégia. Trata-se um modelo , argumenta que permite uma gestão simples, transparente e flexível. Obtém as vantagens adaptadas à realidade escolar e a essa proposta. A sua capacidade de conceitos e operação permite que seja facilmente absorvido pelos gestores e pelas pessoas ligadas à escola; A transparência é obtida porque o modelo é coerente com a realidade organizacional e permite que gestores e pessoas possam re-visitar os critérios estabelecidos para a gestão adaptando-os às contingências; A flexibilidade do modelo permite o uso pela escola em diferentes situações e a apropriare-se do mesmo em função de suas características individuais ou de seu momento de vida de forma participativa.
O primeiro passo segundo Ornelas é definir o conceito de competência, estabelecido por Maria Tereza Fleury (2004). É o adquirir, usar, mobilizar, integrar, desenvolver e transferir conhecimentos, recursos, habilidades e experiências que agreguem valor à organização e valor social ao indivíduo. Dessa forma busca maximizar resultados, investindo no capital humano.

A "lógica da competência", segundo Miranda (2006) significa uma mudança radical com respeito ao modelo do posto de trabalho vigente na sociedade industrial. Portanto, Competência refere-se há recursos adquiridos e colocados em ação numa situação prática, significando a iniciativa.

Na escola os saberes técnicos do conhecimento reconhecidos como saber sábio, são transformado em saberes práticos, pedagógicos ou os saberes a ensinar. Os quais devem ser emancipadores, capazes de libertar o (a) aluno (a) e integrá-lo no processo de ensino aprendizagem com segurança.

Os saberes da educação escolar cidadã refletem-se diretamente na vida pessoal e social, pois leva ao conhecimento os princípios que fundamentam as suas práticas por meio de novos saberes. Traz consigo os princípios:

“ético, da autonomia, da responsabilidade e da solidariedade”. [ ] “o princípio estético, da sensibilidade, da criatividade e da diversidade”. [ ] O princípio político que trata dos direitos e deveres da cidadania , do exercício da criticidade e do respeito à orem democrática”. (PNEF, 2005, p.33)

A autonomia pressupõe a mobilização dos recursos internos pessoais e coletivos trazidos e colocados à disposição pelas organizações de forma interativa. O segredo do sucesso constitui-se no diferencial do ser humano. Dessa forma, o grande desafio passa a ser como buscar e preparar as pessoas para que se disponha a colaborar com a escola para atingir os seus resultados.

Identificar e administrar bem as competências garante o sucesso no presente e dá perspectivas de futuro. O modelo de Gestão por Competências alcança as metas e objetivos. A missão, a visão, os valores e a estratégia educacional. Essas características permitem o desenvolvimento de práticas e políticas de gestão de pessoas integradas entre si. Embora o modelo apresente inúmeras vantagens, se faz necessário um equacionamento da gestão.

O paradigma atual que contempla a Educação Fiscal, indiretamente também resulta da proposta de “Aldeia Global” como propunha Marshall McLuhan . Um Professor Canadense que foi duramente criticado no meio acadêmico por ter criado o conceito de “Aldeia Global”. Primeiro acadêmico a estudar o impacto dos meios de comunicação de massa sobre as pessoas. Por ironia do destino a web foi criada uma década após a sua morte. Infelizmente, não pode discutir os aspectos positivos e negativos da comunicação global e as conseqüências. Acredita-se ter influenciado também nas políticas de responsabilidade fiscal e nas novas formas de gestão por competência.

2. A Metodologia Recreação e Cidadania

A Metodologia da Recreação e Cidadania pode ser definida como um caminho no processo de ensino aprendizagem, com potencialidades para desenvolver a ética, a estética, a inclusão escolar e social. Apresenta uma Proposta de trabalho que se fundamenta na Teoria Construtivista de Piaget (1973), na Sociointeracionista de Wygotsky (1994), na Teoria da Emoção de Wallon (1973) e na Aprendizagem significativa de Ausubel (1980). Além de outros autores e atores sociais, sem os quais este trabalho não teria sido possível. Nem convergido às medidas e as proporções a que chegou.

A metodologia caracteriza-se por ser muito alegre e divertida. Numa seqüência lógica, parte da temática central desenvolvendo-se em ações e atividades educativas. Um currículo organizado e previamente planejado de forma flexível para que ocorra a aprendizagem do (a) aluno (a) numa relação de afeto, cognição e prazer. Numa perspectiva ética, estética e inclusiva.

As vivencias são trabalhadas na Sala de Aula, nos Ambientes de Recreação naturais e informatizados de forma dinâmica. Propõe uma aprendizagem significativa contextualizada e sistematizada, num processo constante. Instiga no (a) aluno (a) a formação do autor, a importância da leitura, da escrita, das informações, dos conceitos e dos conteúdos desenvolvidos por meio das vivencias pela educação dialógica problematizadora.

O desenvolvimento deste trabalho visa a Cidadania. O processo de ensino aprendizagem tem como objetivo instigar no (a) aluno (a) a reflexão, a problematização e a conscientização do seu papel social. Para que percebam o a importância do relacionamento, da troca, o valor dos saberes, da afetividade e da ética no processo democrático, sendo esses o estado do amanhã.

A Cidadania se entende como a arte de lidar com os saberes aplicados nos direitos e deveres. O seu exercício efetivo caracteriza-se como um processo de sustentabilidade social, onde as ações humanas interagem com as informações e os conhecimentos, desenvolvendo o capital humano.

Esses princípios fundamentam a articulação entre as áreas de conhecimento e aspectos da vida cidadã formando hábitos e atitudes coletivas. “As diretrizes curriculares Nacionais propõe um novo paradigma curricular em que se estabeleça um currículo em seu conceito mais amplo” (PNEF, 2005, p.33) com uma base nacional comum, conteúdos na área do conhecimento, articulados a vida cidadã, bem como o respeito às características regionais.

O produto final da escola é um ser humano de qualidade, capaz de participar com co-responsabilidade na comunidade. Prestar serviços no intuito de amenizar os problemas e contribuir com um mundo mais humanizado.

Valorizar a escola, resgatar a confiança no (a) professor (a), perceber que tudo o que se aprende na escola se aplica na vida torna-se fundamental para construir um mundo melhor. Pois à medida que vivenciam as ações e as atividades educativas planejadas de acordo com o calendário escolar, ampliam a sua compreensão de mundo transformando o seu comportamento.

Devido à abordagem multidimensional, trabalhada de forma inter e transdisciplinar percebem a importância do tema escolhido, facilitando o processo de ensino aprendizagem, que se dá pela interação numa dimensão individual e coletiva. As dinâmicas, os movimentos das atividades educativas estendem-se do concreto ao abstrato e vice-versa numa aprendizagem alternativa. Apresentadas de diversas formas, mas sem perder a sua essência.

A metodologia instiga processos internos de desenvolvimento mental para desenvolver a afetividade e a cognição numa perspectiva ética estética inclusiva. Estimula pela percepção visual ou auditiva, motiva o seu interior pela emoção, pelo prazer de aprender. Cria oportunidades aos alunos (as) e aos professores (as) para que sejam capazes de produzir, reproduzir, sonhar e criar o novo. Transformando-os em realidade, misturando os saberes novos aos velhos, renovando com significação, pois sem emoção não há aprendizagem.

2.1 O Processo de Ensino Aprendizagem

O Processo de ensino aprendizagem faz parte de um complexo modelo interativo centrado na aprendizagem significativa. Pela acessibilidade promove o acesso à diversidade e o desenvolvimento do saber do (a) aluno (a). Numa interação constante entre as informações e os conhecimentos. Onde o educando é responsável pela sua transformação mediado pelo (a) professor (a) numa relação dialógica problematizadora. A partir da pergunta, constrói uma hipótese, busca a teoria, faz a intervenção, volta e realidade e problematiza novamente. Numa aprendizagem significativa e contextualizada.

Na aprendizagem, além destas relações pessoais e interpessoais, existe no nosso cérebro uma grande integração de mecanismos neurológicos, dependentes da evolução dos sistemas piramidal e extra-piramidal. O primeiro entendido como um sistema mecânico responsável pela motricidade fina, voluntária e ideomotora. Onde se faz necessário pensar para executar a ação . O segundo constitui o sistema extra-piramidal de fundo tônico-motor automático, que se opõe ao primeiro, servindo de guia às impulsões piramidais, passando a ser automático sem a necessidade do raciocínio lógico. Nessa etapa do processo é permitido pensar o impensável, estimular a criatividade, desenvolver uma nova aprendizagem vinculada com o conhecimento anterior.

A Educação Tradicional nos ensinou a pensar de forma vertical, a olhar apenas em uma direção, perseguindo as metas, os objetivos e reproduzindo modelos convencionados pela sociedade. Segundo Celso Antunes (2003, p.60) “Essa maneira de pensar – a que denomina pensamento vertical – se opõe a uma outra mais criativa.” Esta forma de pensamento tem uma posição arbitrária. Trabalha a mente de forma retroativa, busca pistas e alternativas no passado. Reproduz as mesmas experiências sem adaptá-las a realidade.

A aprendizagem significativa tem uma perspectiva clara, orienta a um pensamento horizontal. Buscam de forma criativa idéias e soluções interessantes. Não define parâmetros entre o certo e o errado, porque entende que a educação é um processo constante de ensino e aprendizagem. As pessoas indistintamente precisam vivenciá-la para poder estabelecer relações, associações concebendo o novo de forma saudável. Desenvolve capacidades de intervir e gerir a sua subjetividade contribuindo com o bem estar social.

Nesta dinâmica ocorre o processo de ensino aprendizagem. Pela análise e síntese, se estende da teoria a prática e da prática a teoria por meio de situações problematizadoras estimulando a curiosidade, a compreensão e o desenvolvimento de novos esquemas mentais. A proposta de aprendizagem significativa deriva da observação do objeto do desejo. Do resgate da atenção e da concentração. Do contato com a realidade de forma criativa. Aprendendo pela associando livremente, combinando elementos, estabelecendo interações, modificações e não apenas reproduzindo a aprendizagem pela memorização.

O trabalho ao longo do processo educativo, ofereceu na dimensão do tempo e do espaço aprendizagens desafiadoras. Os estímulos, os motivadores e as oportunidades permitiram o aprender a aprender brincando, independente do seu temperamento e da sua personalidade, re-significando e sistematizando ao mesmo tempo. Estimulados e motivados pelo (a) professor (a) elaboraram conceitos e conteúdos traduzindo as suas vivências em produções literárias.

O projeto confirma “os códigos da modernidade” prevista por Toro (1997). Aponta as capacidades e as competências mínimas à participação produtiva do século XXI. Confirma a importância do exercício da leitura e escrita, dos cálculos, da problematização, da analise e síntese para atuar.

A Recreação e Cidadania é uma experiência no âmbito teórico-metodológico de caráter ético estético inclusivo que detectou novas formas de recrear. A partir do lúdico, desenvolve-se a recreação, onde brincam com a realidade, re-significando. Sistematizam a aprendizagem em Sala de Aula, retornando quando necessário aos Ambientes de Recreação sucessivamente.

Repetir o tema de forma diversificada com alegria e prazer estimula a aprendizagem e a formação de esquemas. O método encanta, pois tudo está interligado, a sucessão das ações e das atividades educativas promove o desbloqueio emocional, a aprendizagem e a sistematização com facilidade. Uma tomada de atitudes conforme as atividades em anexo no trabalho.

Figura 1 - Neste esquema de aprendizagem, a partir da pergunta, constrói uma hipótese, busca a teoria, faz a intervenção, volta e realidade e problematiza novamente.

A investigação e a avaliação são contínuas sobre o processo vivido exigindo um rigor metodológico. O planejamento e os registros possibilitam a intervenção e o desafio intelectual para desenvolver a afetividade e o conhecimento. Dá-se numa dimensão social, cognitiva emocional e psicomotra. A avaliação é formativa e emancipatória, primam pelo processo de humanização. Não se restringem apenas à análise do desenvolvimento do conhecimento do (a) aluno (a), mas a sua evolução pessoal e social, o contexto e a equipe da escola. Os registros resultam do crescimento pessoal e grupal, da avaliação do aluno com a auto-avaliação dos professores, adaptando-os à nova realidade como seres em desenvolvimento.

2.2 A Afetividade

A Afetividade nessa pesquisa compreende o estado de ânimo ou humor de tudo o que nos afeta, pois “cada pessoa, enquanto membro do gênero humano é potencialmente capaz de experimentar em si mesmo, as vivencias e os sentimentos humanos.” Pela empatia consegue perceber o outro. As emoções, os sentimentos, as adversidades simbolizam o afeto, pois a afetividade é tudo aquilo que vem ao nosso encontro de bom ou ruim, mas que é capaz de nos desestabilizar, provocando mudanças no comportamento.

Nas concepções do humanismo radical, o ser humano é a raiz de todo o processo. Parte do pressuposto que existe uma base comum a todos os homens, a mesma anatomia, a fisiologia e a estrutura psíquica. Percebe o gênero humano como uma unidade, explicando a compreensão das culturas, da arte, dos mitos e dos dramas pessoais e coletivos. A natureza humana não pode ser ignorada, pois é a partir dela que se originam as manifestações de outras naturezas, passa da “natureza humana em geral para a modificada”.

A evolução do homem é um fato inegável. As suas tendências cada vez menos instintivas são acrescidas no neocortex. “O ser homem é o primeiro ser, formado de uma mínima capacidade instintiva, e o máximo de desenvolvimento cerebral.” A natureza biológica minimiza seus instintos e transcende o desenvolvimento da consciência de si mesmo e dos conflitos.

A existência e as suas exigências o levam a progredir de forma individual ou coletiva. Para isso necessita desenvolver as habilidades e as competências que o contexto exige para a sobrevivência material e mental. Aprende a lidar melhor com as emoções e os sentimentos para desenvolver a autonomia, o trabalho em equipes de concorrentes e em redes colaborativas.

Percebe-se o dilema existencial. O conflito entre o temperamento, o caráter e a personalidade. A dicotomia existencial, que Erich Fromm se refere. O individuar-se, o qual consiste numa séria regressão e a raiz do conflito permanente da existência humana. Demonstradas em diversos momentos, pelas emoções momentâneas egoístas e pelos sentimentos que se manifestam de forma mais duradoura nas relações humanas. Portanto, a afetividade e as suas relações determinam as ações e as atitudes das pessoas diante das vivências, demonstradas pelo seu comportamento.

Promovem impulsos motivadores e inibidores, de maneira agradável ou sofrível. Conferem uma disposição equilibrada, indiferente ou entusiasmada determinando os sentimentos que oscilam entre os dois pólos. A depressão manifesta pelo abatimento mental por um período considerável e a euforia pela alegria intensa. Indicando problemas quando oscilam muito rápido.

Essas relações travadas com a realidade têm uma ordem que os distingue da esfera animal, por isso “O conceito de relações da esfera puramente humana guarda em si conotações de pluralidade, de criticidade, de conseqüência e de temporalidade.” (Freire, 1994, p.62) No jogo da vida organiza-se e atua de acordo com a sua subjetividade e o seu entorno.

Percebe-se que a individualidade move uma força psicodinâmica que não estaciona, movimentando uma engrenagem humana gigantesca, atualmente na internet. Na educação tradicional o desenvolvimento do pensamento se dá numa linha vertical. Resultado típico do hemisfério esquerdo que apresenta uma alta probabilidade em decompor cada ação e cada sensação em uma rigorosa análise, sem flexibilidade.
Remetem o cérebro à estabilidade, à acomodação, ao medo e a alienação. Percebe apenas o que está predeterminado pelos padrões convencionais, impedindo-o de ousar e avançar com criatividade, com medo de enfrentar os desafios. De crescer, pois libertar-se das amarras dói.

Nesta educação, quando os padrões são estabelecidos, o cérebro os reconhece e segue a sua trilha pelo sistema automático correndo o risco da rotina, deixando de inovar. Isso não quer dizer que tudo que é tradicional deve ser desconsiderado, mas re-avaliado e contextualizado. Aprender o código de leitura e escrita não é próprio do homem, mas resultado da sua cultura. Internalizado de acordo com os acordos e as convenções sociais.

A afirmação acima comprova o nosso trabalho de pesquisa, pois sem desenvolver a criatividade e a afetividade corre-se o risco de perder o vínculo com a realidade, de exercer a transversalidade. Portanto, comprova-se a potencialidade da Educação Fiscal para participar do tema transversal que trata do trabalho & consumo, demonstrando cada vez mais a sua necessidade de estar incluída nas propostas curriculares a ser desenvolvida nas escolas.

As atividades desenvolvidas com a Educação Fiscal expressam conceitos e valores fundamentais à democracia e à cidadania. Correspondem a questões importantes e urgentes desse novo paradigma para a sociedade brasileira nas várias formas da vida cotidiana. De perspectiva ampla, traduzem as preocupações de todo o País, abordam questões sociais para serem debatidas, vivenciadas e trabalhadas com a metodologia da Recreação e Cidadania na escola no intuito de vincular a teoria e a prática.

Sem dúvida, o brinquedo, a brincadeira, o jogo e a informática educacional são ferramentas indispensáveis para desenvolver a afetividade nos (as) alunos (as). Excelentes meios de comunicação que auxiliam o seu desenvolvimento. A mediação do (a) professor (a), a emoção desenvolvida durante o processo, é o que faz a diferença. As suas atitudes são imprescindíveis para dar significado a aprendizagem e as relações humanas com qualidade, mas emoção torna-se imprescindível para a aprendizagem.

3. A Educação Contemporânea

A educação contemporânea trabalha numa linha horizontal, centrada na aprendizagem do aluno e na inclusão social. A diversidade, os sentimentos e as emoções, o cuidado que se tem com alguém estimulam o hemisfério direito para desenvolver a criatividade e a afetividade alterando o comportamento social. Desta forma, o afeto confere o modo de relação do indivíduo com a vida e será por meio desta tonalidade de ânimo que a pessoa perceberá o mundo, participando da sua construção com propostas alternativas e sugestões.
A educação contemporânea exige o envolvimento dos dois lados do cérebro , a razão do lado esquerdo e a emoção do lado direito. O cérebro opera numa velocidade de 100 hertz, dispara 100 pulsos por segundo. Comparado aos computadores atuais que trabalham com 1,5 Gigahertz, ou seja, 1,5 bilhões de pulsos por segundo. Aparentemente, nessa proporção o cérebro humano parece ser mais lento, mas existem determinadas operações que apenas a sensibilidade humana é capaz de detectar e executar. Para obter uma determinada resposta com sucesso o processo biopsicosocioemocional precisa estar muito bem desenvolvido a ponto de agir e reagir rapidamente.

Devido o trabalho das informações paralelas o cérebro humano, excede a capacidade de processamento de qualquer máquina já desenvolvida. Opera informações em paralelo e os computadores operam informações seqüenciais, com isso o cérebro pode acionar cerca de 10 quatrilhões de interconexões por segundo. De acordo com a nossa capacidade perceptiva, o sistema nervoso detecta estímulos externos e internos, tanto físicos quanto químicos desencadeando respostas musculares e glandulares. Responsável pela integração do organismo, com o meio ambiente e o acesso à diversidade.

A sua formação se dá basicamente, por células nervosas, que se interconectam de forma específica e precisa, formando os circuitos neurais. Por meio desses circuitos, o organismo produz respostas estereotipadas que constituem os comportamentos fixos e invariantes como os reflexos, ou produzindo comportamentos variáveis em graus diferentes.

Dentro das várias teorias educacionais, constata-se que todas se voltam para humanização do homem, cada uma do seu jeito. ‘Do ponto de vista filosófico, um ser que ontologicamente é “para si” se “transforma” em “ser para outro” quando, perdendo o direito de decidir, não opta e segue as prescrições de outro ser’. (Freire, 1994, p.55) Para essas relações Hegel chama de Consciência servil para a consciência senhorial, pois a decisão está no outro.

As suas contribuições teóricas e práticas nos levam a pensar de forma crítica sobre a aprendizagem. No entanto a revisão bibliográfica de diversos autores aprimora a visão respeito do assunto. Racionalmente as teorias deram a sua contribuição e fundamentação para se desenvolver a base da educação contemporânea. O nível de aprendizado atual permite desenvolver a ação reflexão, combinar a razão e a emoção. Para isso se faz necessário entender o contexto e a complexidade do ser em desenvolvimento.

Constata-se que todo ser vivo é dotado de um sistema nervoso e tem a capacidade de modificar o comportamento em decorrência das experiências. A essa modificação significativa do comportamento chama-se aprendizado. Ocorrem no sistema nervoso pela plasticidade cerebral numa interação constante entre o homem o ambiente e a diversidade. Comprova a lógica da realidade, de que não existe aprendizagem sem emoção.

3.1 A evolução do Projeto

O Projeto investiga a contribuição da metodologia da Recreação e Cidadania no processo de ensino aprendizagem da Educação Fiscal como um Tema Transversal. Aborda o desenvolvimento da cidadania numa perspectiva ética, estética inclusiva contextualizada, típica da Educação Contemporânea.

Resulta de uma experiência educativa que investiga as contribuições da Metodologia ”Recreação e Cidadania ” no processo de ensino aprendizagem na sala de aula, nos Ambientes de Recreação natural e informatizado. Na qual utiliza a Educação Fiscal como estratégia para desenvolver a cidadania com os (as) alunos (as) da primeira a nona série da Escola Municipal de Ensino Fundamental Edy Maia Bertóia e na qualificação de professores (as).

Uma Escola que recebe alunos (as) que apresentam dificuldade de aprendizagem e adaptação devido às condições sociais insatisfatórias em idade escolar entre onze a quinze anos na Cidade de Santa Maria, RS, Brasil.

A pesquisa já tem uma longa experiência neste tema. Apresenta como eixo temático a Escola, o Estado e a Cidadania. Tem o seu início no trabalho de conclusão do Curso de Pós-graduação em Psicopedagogia apresentado a Universidade Castelo Branco UCB/IESDE. A sua seqüência se dá na Dissertação de Mestrado em Ciências da Educação, apresentada na UNINORTE - Universidad del Norte em Asuncion, no Paraguai, oportunizado Pelo Acordo do Mercosul. Tem a sua seqüência na escola e na Defesa da Tese de Doutorado da autora junto a UTIC, Universidade Tecnológica Intercontinental, onde traça o perfil do (a) professor (a) envolvido na dinâmica.

Para desenvolver o projeto organizou-se um programa envolvendo o currículo formal e a Educação Fiscal abordando o saber e o saber ensinável, na área das Ciências Humanas, que prevê a Educação formal do (a) aluno (a) e a sua Inclusão Social. No ano de 2004, trabalhamos as questões referentes à Cidadania na perspectiva do Sistema e da Ordem. No ano de 2005 organizou um passeio pela Cidadania e pela Democracia acompanhadas pela Educação Fiscal, no ano de 2006 se abordou as questões relativas à Prefeitura, ao Banco e ao Empreendedor salientando a importância do relacionamento humano. No ano de 2007 dá-se seqüência ao trabalho desenvolvido com a formação do autor nas séries de acordo com o potencial do (a) aluno (a). Salientando as noções sobre a redação oficial e o início de um projeto de vida pessoal.

O Projeto alcançou os seus objetivos e o reconhecimento social devido à relevância educacional da proposta. O Projeto foi selecionado no Premio Agrinho 2006 , como destaque regional pela experiência educacional. Participou do Cibersociedade , um Fórum Social Mundial que oportuniza a divulgação de trabalhos científicos e conta com a participação da Unesco.

O trabalho com a Recreação como metodologia para construir Cidadania, já se desenvolve na escola há quatro anos e justifica-se pelos estímulos, pelos motivadores e pelas oportunidades de ensino aprendizagem que proporcionou aos alunos e aos professores. O objetivo deste trabalho foi despertar no (a) aluno (a) a consciência sobre a Cidadania, salientando a importância da formação cidadã para participar do processo democrático de maneira saudável, reivindicando melhorias para a qualidade de vida.

No processo de ensino e aprendizagem o Programa da Educação Fiscal trouxe com ele o vínculo que faltava. O objeto do desejo, o foco da atenção e da concentração, “a moeda” e a oportunidade de aprender a lidar com o sistema de forma recreativa contextualizada, alegre e muito divertida.

A partir do Programa da Educação Fiscal, associado ao currículo se desenvolveram o tema, as ações e as atividades educativas para o desenvolvimento da cidadania. De forma recreativa, numa sucessão de ações e atividades educativas, a proposta foi desenvolvida, associada ao calendário escolar e aos conteúdos concomitantemente pelas vivencias.

O trabalho desenvolvido provocou uma mudança de atitude na linguagem e no comportamento dos (as) alunos (as). Devido as dinâmicas promovidas em sala de aula e nos Ambientes de Recreação naturais e informatizados com aqueles que apresentavam dificuldades de aprendizagem , condutas típicas e adaptação social.

A dificuldade de aprendizagem identifica os nossos alunos (as). A partir desse quadro se iniciou o nosso desafio, re-significar os saberes. Criar um novo método com técnicas diversificadas que pudesse encantá-los, despertando interesse, facilitando a compreensão das informações, dos conceitos e dos conteúdos. De forma a aprender a investigar os temas, a elaborar o material didático como o texto e outras produções, analisando e compartilhando com o grupo a sua reestruturação, pela ação reflexão ação.

A integralidade da pessoa humana foi o nosso objetivo. No entanto, o trabalho foi organizado atingindo as três áreas psicológicas que compõem a formação do ser. Na área afetiva social, salientamos as emoções e os sentimentos, na área cognitiva o saber e na área psicomotora o fazer sistematizando o aprendizado de forma recreativa para a formação cidadã.

O trabalho exigiu uma prática didática metodológica mediada pela educação dialógica problematizadora e pela Recreação e Cidadania. Desenvolvida na sala de aula, nos Ambientes de Recreação naturais e informatizados por meio da investigação ação escolar. Uma Educação Dialógica Problematizadora mediada pelo (a) professor (a) facilitando o desenvolvimento da aprendizagem e a resolução dos problemas.
A educação dialógica problematizadora estimulou a Investigação ação-escolar , possibilitando ao professor (a) a identificação dos problemas que enfrentava motivando-o na busca de soluções para a sua prática profissional.

A tecnologia utilizada como estratégia complementou a dinâmica, inovando a educação e desenvolvendo o capital humano de forma contextualizada. Assim, o projeto promoveu uma mudança de paradigma.

O educer foi à comprovação do educare . Na primeira fase do projeto trabalhamos com ênfase o Educare, alimentando o (a) aluno (a) com informações e conhecimentos para que pudesse crescer. Manifestar o seu comportamento, a sua personalidade e o seu caráter para depois colaborar. Nessa perspectiva o (a) professor (a) que antigamente era visto como o detentor do saber absoluto se transformou num mediador do processo de ensino aprendizagem. Um parceiro no desafio da descoberta dos saberes.

A metodologia da Recreação e Cidadania e a Educação Fiscal servem como ferramentas potenciais para dar suporte pedagógico, pois desenvolvem os saberes dos cidadãos, aprimoram o seu espírito e o seu comportamento.

Atualmente a educação considera a Inclusão Escolar e Social como um processo cultural a ser construído com o auxilio da comunicação e da tecnologia. Percebida como uma ferramenta importante para a transformação da sociedade e o desenvolvimento da pessoa humana que nela atua.

A partir desses fundamentos surge a metodologia, como uma nova concepção de educação. Para executá-la foi preciso explorar as suas potencialidades nas situações de ensino aprendizagem de forma adequada com organização e sistematização. Para mediar à escolaridade o (a) professor (a) tem acesso ao conhecimento elementar das suas potencialidades e concomitantemente exercita a prática que permite a ação e o entendimento.

3.2 A contextualização

Aprender com essa metodologia exige um planejamento flexível com visão, missão, metas e objetivos. Organizado na forma de ações e atividades educativas que contemplaram uma avaliação do processo. Além dos saberes que formaram e emanciparam o (a) aluno (a), o (a) professor (a) os instiga a problematizar, a produzir e analisar de forma crítica, elaborando alternativas.

O diálogo e a problematização estimulam o desenvolvimento da afetividade, da aprendizagem e a elaboração de hipóteses, com sugestões para a resolução dos problemas educacionais e vivenciais, tendo como visão à vida futura. A educação constitui-se como um eixo significativo na vida de todo ser humano, pois é considerada como uma causa, formada por forças externas, que atuam de fora para dentro e de forças internas que evoluem de dentro para fora. A interação dessas forças modelam a pessoa humana.

Essa interação justifica a necessidade de unir as teorias de Piaget (1973), Wygotsky (1984), Wallon (1973) e Ausubel (1980), pois, no educare, “se hace referencia a la influencia de la sociedad sobre sus miembros para asimilación de valores, creándose de esta manera el proceso de socializacíon”. … no educere “se hace referencia al desarrollo interior del sujeto, produciéndose de esta forma el proceso de individualización”. (Villalba, 2007, p.3) O homem necessita da educação, da intra, da inter relação para aprimorar-se como pessoa. Para atuar de forma equilibrada e aprender a lidar com as situações e com os outros, desenvolvendo uma comunicação saudável.

A educação implica no desenvolvimento das potencialidades e constitui-se em um meio de realização. Auxilia na organização, na ordenação, na sistematização e na estruturação da pessoa e do social. Implica nos aspectos cognitivo, sócio afetivo e psicomotor num desenvolvimento integral.

Pela ação humana a educação influencia-nos uns aos outros, pois se trata de um fenômeno social. Apresenta um princípio dinâmico, com um grande poder de expansão e crescimento que sofre o princípio da ação dinâmica.

“El sujeto se realiza personalmente gracias a las influencias que recibe de su entorno y ante las que desarrolla sus capacidades. Así también la persona actúa sobre el medio externo contribuyendo a su cambio y evolución: de ahí que la sociedad no es estática sino dinámica.” (Villalba, 2007, p.6)

Percebe-se que a influencia é recíproca numa relação de trocas. Onde ambos precisam conhecer-se, respeitar as suas culturas, opiniões e valores. No entanto a educação é uma ação planejada e sistematizada, típica do desenvolvimento das faculdades humanas. Trata-se de um processo que pretende alcançar alguns valores de forma a estabelecer regras sociais saudáveis. Resulta de um processo educativo que se produz em cada pessoa de acordo com as suas características existenciais, pois o pensamento é fruto da sua existência, contestando a versão de Descartes.

A idéia do corpo pensante é uma das idéias principais que se estrutura a filosofia da educação Contemporânea. Há um rompimento radical com a visão dualista que acompanhou a nossa história e que ainda está presente no fazer. As ciências cognitivas nos ajudam a dissolver essa separação e entender melhor a relação entre mente cérebro e corpo. Dentro e fora, que tanto afetam a compreensão em diversas áreas, mais especificamente quando trata-se do objetivo e subjetivo, razão e emoção e do novo conceito da metáfora.

Damásio (1996) acredita que grande parte dessa confusão está numa das mais famosas citações da história da Filosofia, que aconteceu no século XVII, quando o filósofo francês René Descartes (1596-1658) afirmou: “penso, logo existo” (“Cogito ergo sum”). Para Damásio, a frase deveria ser “existo, logo penso”, pois para nós, o princípio foi à existência e só depois o pensamento. Assim faz a sua afirmação:
A afirmação sugere que pensar e ter consciência de pensar são os grandes substratos de existir. E, como sabemos que Descartes via o ato de pensar como uma atividade separada do corpo, essa afirmação celebra a separação da mente, a “coisa pensante” (res cogitans), do corpo não pensante, que tem extensão e partes mecânicas (res extensa). (DAMÁSIO, 1996:279)

Explica nessa citação o entendimento literal, onde a frase ilustra o oposto daquilo que acredita ser verdade sobre as origens da mente e da relação entre mente e corpo, pois antes do aparecimento da humanidade os seres existiam. A evolução traz a consciência elementar, a mente simples.

“Os fenômenos mentais se integram verdadeiramente ao corpo tais como eu os visualizo, são capazes de dar lugar às mais altas operações, como aquelas que revelam a alma e o nível espiritual. Sob meu ponto de vista, não obstante, todo o respeito que devemos concordar em noção da alma, podemos dizer que por último esta reflete somente um estado particular e complexo do organismo”. (Damásio, 1996)

Devido à complexidade do sistema surge a possibilidade de pensar e usar a linguagem para organizar os pensamentos. A evolução dos tempos modificou o pensamento, e gradativamente foi unindo a teoria com a prática. Adotando a idéia de corpo pensante, instigando o pensar global, integrando o individual ao coletivo e os conteúdos as necessidades.

A neurobiologia estudada por Damásio (1996) comprova a relação indissociável da mente cérebro corpo e ambiente da qual surgem às imagens visuais, auditiva, somatossensoriais, o pensamento. Nas situações em que as palavras ou símbolos arbitrários são incluídos, as representações ficam topograficamente organizadas, transformando-se em imagem. Na segunda fase de organização é que aparecem as palavras e a escrita.

A distinção feita por Damásio (1996) sobre as emoções e os sentimentos esclarece o fenômeno. São percepções diretas de nossos estados corporais e não algo imaterial que acontece fora do corpo, pois constituem um elo fundamental entre o corpo e a consciência. Etimologicamente, a palavra emoção sugere uma direção externa a partir do corpo, pois significa, literalmente, o movimento para fora.

Percebe a essência da emoção como:

“A coleção de mudanças no estado corporal que são induzidas numa infinidade de órgãos por meio de terminações nervosas sob o controle de um sistema cerebral dedicado ao qual responde ao conteúdo dos pensamentos relativos a uma determinada entidade ou acontecimento”. (DAMÁSIO, 1996:168)

Damásio (1996) percebe o sentimento modifica a resposta emocional. Existe a mudanças em justaposição com as imagens mentais que iniciaram o ciclo. A emoção e o sentimento fazem parte indissociável de qualquer processo racional, pois a emoção é passageira e o sentimento mais permanente. Defende que há sistemas reguladores básicos no organismo que preparam o terreno para o processo consciente, cognitivo e de tomada de decisões.

Esse sistema é identificável quando surge um resultado associado a uma possível resposta, uma sensação visceral desagradável. Em grego, soma significa corpo e somático aquilo que pertence ao corpo, uma imagem, o “marcador somático”. Isto significa que a racionalidade é configurada e modulada por sinais do corpo, pois há doses de emoção e intuição proveniente do corpo manifesta no comportamento das pessoas.

Antes dos circuitos cerebrais realizarem uma análise mais detalhada dos fenômenos que nos afetam, o corpo já adquiriu suas primeiras emoções. O marcador somático avisa os processos de decisão quando um resultado é negativo ou positivo por meio de um incentivo. O corpo faz uma pré-seleção das inúmeras possibilidades e envia para o cérebro para serem analisadas.

A simbiose entre os processos cognitivos e os emocionais fica evidente. Inviável a separação da razão e da emoção no processo racional e fundamental a consciência do corpo no mundo contemporâneo. A metodologia da Recreação e Cidadania utiliza o corpo e a sua dramatização por meio das vivencias, instigando o pensamento e a reflexão. O agir com ele e não por meio dele. O seu movimento representa o próprio pensamento, a sua emoção, os seus sentimentos e seu raciocínio manifestam-se no externo.

Da união do corpo com o pensamento e a emoção surge o aprendizado contemplado pela metodologia da Recreação e Cidadania. A pessoa é percebida na sua integralidade com o seu espaço e o seu tempo. A Recreação e Cidadania caracterizam-se por ser uma metodologia muito alegre e divertida. Numa seqüência de ações e atividades educativas que instigam a aprendizagem numa relação de afeto, cognição e prazer de forma significativa.

Participar das atividades requer do (a) aluno (as) e do (a) professores (a) a necessidade de coordenar cada ação e os seus efeitos no pensamento, pois constantemente vão se defrontar com um problema a resolver. Os conflitos geram o funcionamento de um processo de aprendizagem nas estruturas do pensamento de forma mecânica, a nível piramidal e automático, no extra-piramidal a medida vai sendo exercitada.

Promove a aprendizagem e o desenvolvimento integral no ser humano de forma alegre e divertida. A metodologia Recreação e Cidadania na sala de aula nos Ambientes de Recreação naturais e informatizados apresentam dois ingredientes fundamentais: a ação e a interação biológica, psicológica, sociológica e emocional com o aprendizado numa relação de afeto, cognição e prazer. Sendo assim, a prática comprova a teoria de Damásio (2006), quando conclui que: “a percepção das emoções é há base daquilo que os seres humanos chamam, depois de milênios, a alma e o espírito”.

Nessa integração, à medida que o aluno (a) é desafiado pelo diálogo problematizador organiza as ações e o seu pensamento numa perspectiva ética, estética, inclusiva de maneira sensível e inteligente. A metodologia envolve um conjunto organizado de ações educativas e atividades recreativas, que utilizam o brinquedo, a brincadeira, os jogos educativos e o laboratório de informática, os softwares, a internet e outros para atender os objetivos.

A Recreação como metodologia para desenvolver a cidadania permitiu as práticas educacionais inclusivas na sala de aula, nos Ambientes de Recreação natural e informatizado. Para desenvolver a aprendizagem abordou a afetividade, a cognição e o prazer despertando as emoções e os sentimentos, facilitando as relações humanas e incluindo os (as) alunos (as).

A abordagem pedagógica do estudo situou-se numa linha Desenvolvimentista, Progressista, Construtivista e sóciointeracionista com aportes nas Teorias de Piaget (1973), Wygotsky (1984) Wallon (1973), Ausubel (1980) além da contribuição de outros autores e atores sociais, sem os quais este estudo não teria conseguido essas contribuições sócio-educacionais.

Além da LDB e de outras leis complementares, o ECA é parte da Fundamentação Legal que apóia esse trabalho. As crianças, os adolescentes são sujeitos de Direito e ao Poder Público cabe o dever para efetivar estas regras que a Constituição Federal Cidadã, o Estatuto da Criança e do Adolescente prevêem. A Democracia no Brasil é representativa, mas com a Constituição de 1988, aplica-se a Democracia participativa. A qual prevê as emendas populares e a instituição de conselhos para determinar Políticas Públicas que contemplem as necessidades da população brasileira.

A educação cabe o compromisso de criar métodos e técnicas educativas de forma a introjetar valores éticos, sociais e humanitários, bem como garantir as condições para a sobrevivência aos menos favorecidos. O que justifica este trabalho. No pensamento de Scoz (1994, p.22) “as ações sobre os problemas de aprendizagem devem inserir-se num movimento mais amplo de luta pela transformação da sociedade”. Para isso a escola adaptou o currículo com qualidade, permitindo o exercício da cidadania, valorizando os (as) professores (as) com a qualificação permanente de acordo com a Lei de Diretrizes e Bases.

Segundo o Dr. José Olimpio , cabe a população cabe acompanhar as Leis Orçamentárias, a elaboração do Plano Plurianual, a Lei do Orçamento e a execução da Lei Orçamentária. A Constituição de 1988 prevê aplicação de 18% dos Impostos Federais e 25 dos Estaduais em Educação. Portanto, Política sem recurso não existe. O lugar da criança é na escola, na família com responsabilidade e nos Orçamentos Públicos, para que assim se cumpram os Preceitos Constitucionais. Portanto, cabem as escolas, as universidades e a comunidade adaptar-se a essa realidade. Transformar-se em um fórum permanente de aprendizagem e de trocas. Um espaço para discussões e debate com interações físicas e virtuais para desenvolver cidadãos e gestores do conhecimento, vinculando teoria a prática concomitantemente.

4. A análise e os resultados

Este trabalho parece uma brincadeira, mas é coisa muito séria. Contemplam o desenvolvimento da cidadania pelo acesso as informações e ao conhecimento pelas oportunidades de participação. Estimula e motiva concomitantemente o (a) aluno (a) a um exercício da leitura, da escrita e da formação do autor. Instiga a perceber as noções de espaço e tempo. A descoberta da Matemática, a curiosidade das Ciências e dos Estudos Sociais. Abordou o (a) aluno (a) de modo integral, atingindo o intra e o interpessoal de acordo com o seu nível de desenvolvimento de forma transdiciplinar.

O processo de ensino aprendizagem promoveu a conscientização sobre os Direitos e os Deveres, os instigando a agir. Num trabalho colaborativo estimulou a cooperação solidária e inspirou a busca de alternativas de vida entre os alunos (as) e os professores (as). O convívio humanizado amenizou as dificuldades do dilema que se instaura entre o ser e o ter, neste complexo processo de sobrevivência ajustando as expectativas internas com as externas.

As atividades desenvolvidas no ano de 2004 trabalharam na perspectiva do sistema e da ordem. Os (as) alunos (as) perceberam brincando de forma recreativa como funciona o sistema socioeconômico em que vivemos. O trabalho desenvolvido abordou a arrecadação, os impostos, a redistribuição de renda, outros conceitos e conteúdos que ajudaram a desenvolver a cidadania.

O ano de 2004 encerrou-se com um circuito , promovido pelo Professor Mário da Educação Física. Nessa atividade cada estação estava associada a uma etapa da vida do cidadão. O ingresso na escola, à evasão e a repetência, o trabalho sem qualificação, a festa, à volta para a escola, uma nova profissão, a dignidade onde trocavam à moeda recebida pelo trabalho por outros bens de consumo, superando as frustrações e retornando novamente ao circuito.

Perceberam a função da escola no sistema e a sua importância em promover a aprendizagem e o apoio. A brincadeira foi tão divertida que não queria mais parar. Os que fracassavam buscavam a ajuda dos (as) colegas.

Na seqüência das atividades, no ano de 2005 se retomou o entendimento sobre o que significa “ser um cidadão” e como funciona o sistema sócio-econômico, com os (as) alunos (as) novos de forma recreativa. As ações educativas contemplaram o agir, a diversidade, as profissões e os interesses para que entendessem o funcionamento do sistema.

A crise no país é inegável, mas o desafio está sendo vencido, pois se trabalha além das questões educacionais, com a estrutura psicológica dos (as) alunos (as). De forma que não tenham apenas a consciência sobre a realidade, mas que saibam agir e atuar futuramente com o que foi aprendido.

Salienta-se a importância do conhecimento (saber), a necessidade das habilidades (saber fazer) e das atitudes (querer fazer). Para formar as competências necessárias para agir com flexibilidade no contexto, saber lidar com as ações e as situações, obtendo resultados desse processo.
Ao retomar os conceitos e conteúdos, foi preciso compreender que em todas as atividades, as operações e os produtos circulantes o estado arrecada um tributo, uma taxa, ou seja, uma pequena prestação para os cofres públicos. Para ser redistribuído posteriormente em salários e benefícios para as pessoas, formando um circulo. Percebendo que as verbas devem ser reinvestidas concomitantemente nas pessoas, na economia e nos bens públicos em função do bem estar social num processo de humanização.

Assim, os (as) alunos (as) brincaram, vivenciando e problematizando as situações. Associando as ações e as atividades com as figurinhas, ou vice versa, elaborando material e interagindo. Recrear é participar, sonhar desenvolver alternativas de acordo com o seu potencial. Resultado do educare, das informações e dos conhecimentos oferecidos pelos (as) professores (as) num processo que vem do externo para o interno e do educere, da sua produção que vem de dentro para fora. Justificando aqui a utilização dos autores, mesmo que contraditórios, formando uma convergência de interesses.

O exercício da cidadania se torna imprescindível para melhorar o sistema e a qualidade de vida da população. As atividades foram trabalhadas no concreto e no abstrato instigando o imaginário social dos (as) alunos (as).

Após essa retomada, o ano letivo de 2005 iniciou-se com uma viajem imaginária ao Rio de Janeiro, onde os (as) alunos (as) tiveram a oportunidade de comprar uma passagem e preencher o boleto. Chegando lá, pelos Ambientes de Recreação natural ou informatizado fomos ao Hotel, a lanchonete, ao Teatro e tantos outros lugares inéditos na nossa imaginação. Caracterizando assim, o DI – o desafio inicial das ações educativas.

Na seqüência, trabalhou-se em sala de aula as atividades, apontando a MSEM – melhor solução escolar para o momento. Onde se desenvolveram a leitura, a escrita, a interpretação da música “Cidade Maravilhosa” utilizando o batuque, o canto, a dança, a encenação e as problematizações apontadas.

Na seqüência, foram ao Teatro e ao Circo da Escola onde compraram o ingresso e trabalharam com a música “A barata diz que tem” e o “Circo da Xuxa”. Salientando a importância da comunicação, os valores, as emoções e a mentira. Brincamos de Livraria, de Mercadinho, de Correio, com Quebra-cabeça, Jogos, como o “Jogo da Vida” e tantos outros. Fomos aos bailes, dançamos Valsa, Vanerão, Rock, Funk, Capoeira e fizemos bolo na padaria .

Na Semana do Trânsito trabalhamos as regras, os acordos e as parcerias. Revisamos os Direitos, os Deveres dos (as) alunos (as) e dos (as) professores (as) como cidadãos e fomos visitar uma Loja no Céu, via e-mail.

A Oficina de Tatoo permitiu trabalhar de forma muito divertida com os impostos, o ISSQN e o IPTU . Os personagens das revistinhas, a Dona Formiga e o Compadre Tatu se tornaram amigos dos (as) alunos (as).
Além de recolher as notinhas e trocar por cautelas, nos dirigimos até a Câ

 



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(c) Lisete Maria Massulini Pigatto, 21/02/2008

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