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BRENNAND, Edna e LEMOS, Guido, 2007, Televisão Digital Interativa.
Vinhedo:Ed. Horizonte;São Paulo:Ed. Mackenzie

Autor/-a de la reseña: Olga Tavares



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Olga Tavares
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Datos a partir del 02.03.2004. Reseña en el OCS desde el 09/01/2008

A TELEVISÃO DIGITAL INTERATIVA E A SOCIEDADE DA INFORMAÇÃO
Por Olga Tavares
Professora-doutora do PPGC e do PPGCI da UFPB
olgatavares@cchla.ufpb.br


O século XX se configurou como o da primazia da TV, especialmente aqui no Brasil, onde existem cerca de 100 milhões de aparelhos para 98% da população brasileira. E, agora, no século XXI, tem-se a TV Digital que promete algumas funcionalidades que vão novamente revolucionar a relação aparelho-telespectador, como menu de programação diversificado, T-banking e T-commerce. O lançamento da TV Digital na capital paulista em dezembro de 2007 deu início à implantação da nova tecnologia que irá se expandir por todo o território nacional até 2013, com perspectivas de modificar bastante o cenário midiático brasileiro com a convergência de mídias.

O livro Televisão Digital Interativa – reflexões, sistemas e padrões [1], de Edna Brennand e Guido Lemos, professores da Universidade Federal da Paraíba, vem apresentar os percursos acadêmicos que ambos os pesquisadores desenvolveram para realizar suas pesquisas e, assim, participar dos debates que ora se iniciam no país. A primeira parte do livro discorre sobre essa nova sociedade da informação que deve ser compreendida “a partir de dois eixos fundamentais: as comunicações integradas e a engenharia do conhecimento”. E são estes dois pontos que os autores vão mostrar como se integram e como são, hoje, essenciais para as adaptações tecnológicas que a sociedade brasileira se propõe. Como salienta Edna Brennand, “a força das redes de comunicação multimídia reside nas possibilidades ricas de troca de fontes de informação”. Com este propósito, sua pesquisa foi desenvolvida na Université Catholique de Louvain, na Bélgica, onde foram estudadas as políticas de ciência e tecnologia denominadas eEuropa 2005-2010, sob os aspectos da televisão digital interativa e os novos contextos de utilização da web. O “fenômeno do cibermundo” é essa convergência tecnológica que também anuncia a emergência de um “novo tipo de sociedade” que deve estar em “permanente estado de aprendizagem”. Estes primeiros capítulos fazem uma panorâmica dos padrões internacionais de TV digital; das características dos principais projetos europeus; das ações propostas pelo programa eEuropa; e das novas tecnologias cognitivas, com aplicações em ITV e web, sempre sob uma visão da possibilidade da construção de uma inteligência coletiva, da qual a sociedade não pode prescindir para interagir com essa nova “paisagem audiovisual”.

E a ruptura com o atual mundo analógico se dará efetivamente na introdução da interatividade, que é a prima dona da TV digital. Com ela, ter-se-á a democratização das mídias e a capacidade de o telespectador se tornar produtor da informação. Edna Brennand expõe também conceitos teóricos sobre o tema da interatividade, como os de Jürgen Habermas e Pierre Lévy, bem como propõe uma reflexão sobre uma sociedade da informação associada ao desenvolvimento sustentável, cujas dimensões socioculturais e políticas são indispensáveis a essas novas concepções tecnológico-midiáticas.

A Televisão Digital Interativa é o foco da pesquisa do cientista Guido Lemos, no Laboratório de Vídeo Digital–UFPB, cuja participação no projeto SBTVD, que envolveu vários pesquisadores em todo o país, foi a de desenvolver o programa chamado midleware FlexTV, que potencializa a interatividade. Esta ferramenta foi batizada de Ginga, e apresenta características únicas, mais versáteis que o padrão japonês, escolhido pelo governo brasileiro, e que o atualizam. A diferença que o Ginga oferece é a do uso de outros aparelhos, além do controle remoto, o celular, por exemplo, para trocar informações com as emissoras. A segunda parte do livro aborda especificamente os padrões para codificação e transporte audiovisuais em formato digital. O autor explica que middleware “vem a ser o software que controla suas principais facilidades (grade de programação, menus de opção), inclusive a possibilidade de execução de aplicações, dando suporte à interatividade”. Nesta parte, os capítulos apresentam novos conceitos introduzidos no modelo de TV digital; a arquitetura de sistemas do STB interativo; padrões de middleware, entre outros. Anexos aos capítulos, um glossário de termos, cujo objetivo é o de “facilitar a consulta feita por colegas pesquisadores e outros interessados”; e uma lista de referências bibliográficas atualizada e extensa relativa ao assunto, o que torna o livro efetivamente uma leitura obrigatória para todas as áreas afins, bem como para todos os interessados em conhecer os processos, projetos e caminhos que têm sido organizados e pautados para que a sociedade brasileira participe desta nova revolução nas tecnologias de informação e comunicação, não mais na posição passiva que a atual televisão analógica a obrigou a ter nestes últimos 50 anos, e, sim, na participação ativa de poder interagir finalmente com este aparelho que, no Brasil, tornou-se uma espécie de totem familiar que poderá, finalmente, integrar esta nova socialização do cotidiano nacional.


1. BRENNAND, Edna e LEMOS, Guido. Televisão Digital Interativa – reflexões, sistemas e padrões. Vinhedo:Ed. Belo Horizonte; São Paulo: Ed. Mackenzie, 2007.

 

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