Este artigo tem como objetivo refletir as questões da inclusão/exclusão digital dentro do contexto de inclusão/exclusão social, levantando algumas de suas causas e conseqüências, a partir da analise da própria instituição escolar através do conceito de bullying e seus desdobramentos chegando ao cyberbullying e aos infoexcluídos.
Apontamos alguns caminhos de como analisar e implementar a inclusão digital através de alguns projetos existentes.
Incluído e excluído de que?
Acreditamos ser esta uma importante pergunta para nortear nossa reflexão. Ao analisarmos nossa trajetória de vida, poderíamos nos lembrar de muitas situações em que nos sentimos excluídos. Essa exclusão pode ser referente à oportunidade negada em relação a uma experiência, uma pessoa, um direito, uma possibilidade de escolha, um acesso etc. Como também nos sentimos incluídos em uma família, um grupo de amigos, no grupo do curso que freqüentamos um sentimento de pertencer ou não que constrói nossa identidade no transcorrer de nossas vidas. Mesmo nas mais diversas situações às quais somos pertencentes culturalmente, ocorrem situações de exclusão.
Perguntamos: estamos falando de inclusão, exclusão ou de identidades e diferenças, de pré-conceitos? Ou, ainda, em que medida nos incluímos ou nos excluímos das situações em que vivemos? Ou será que não percebemos e sentimos os mais variados acontecimentos de maneira embaralhada?
Faz-se necessário aclarar, depurar conceitos, idéias, percepções, para não refletirmos sobre o tema de forma assistencialista, infantilizada ou mesmo autoritária, sem escrúpulos. Basta nos reportarmos para trás e analisarmos a história da humanidade e do Brasil para identificarmos os mais inúmeros casos em que o ser humano foi desrespeitado ao extremo, violentado em sua dignidade. Segundo Chalita, “Erra quem diz que a criança é naturalmente preconceituosa. Erra porque ninguém é naturalmente preconceituoso. O preconceito nasce de uma distorção da aprendizagem, ocasionada pela aparente superioridade de um sobre o outro – superioridade falsa, mesquinha, cruel. A humanidade já deveria ter aprendido que todas as vezes que alguém teimou na existência de uma raça melhor que outra,isso só levou à barbárie, à incompaixão, à desumanidade” (CHALITA, 2008: 23).
Iniciaremos essa reflexão através do olhar para dentro de nós, da nossa história de vida escolar, utilizando assim nossa experiência vivida como fonte de conhecimento, o que é uma das mais novas tendências na academia em pesquisa-formação quando falamos em formação, especificamente de professores. Para sustentarmos essa nova tendência recorremos ao, atual reitor da Universidade de Lisboa, Professor António Nóvoa1, entre outros, que utilizam a experiência de vida refletida em suas pesquisas. O autor afirma que:
Identificar essas práticas de reflexão – que sempre existiram na profissão docente, é impossível alguém imaginar uma profissão docente em que essas práticas reflexivas não existissem – tentar identificá-las e construir as condições para que elas possam se desenvolver. Eu diria que elas não são inerentes à profissão docente, no sentido de serem naturais, mas que elas são inerentes, no sentido em que elas são essenciais para a profissão. E, portanto, tem que se criar um conjunto de condições, um conjunto de regras, um conjunto de lógicas de trabalho e, em particular, e eu insisto neste ponto, criar lógicas de trabalho coletivos dentro das escolas, a partir das quais – através da reflexão, através da troca de experiências, através da partilha – seja possível dar origem a uma atitude reflexiva da parte dos professores. Eu disse e julgo que vale a pena insistir nesse ponto. A experiência é muito importante, mas a experiência de cada um só se transforma em conhecimento através desta análise sistemática das práticas. Uma análise que é análise individual, mas que é também coletiva, ou seja, feita com os colegas, nas escolas e em situações de formação. (...) Mas, insisto neste ponto, a experiência por si só não é formadora. John Dewey, pedagogo americano e sociólogo do princípio do século, dizia: “quando se afirma que o professor tem 10 anos de experiência, dá para dizer que ele tem 10 anos de experiência ou que ele tem um ano de experiência repetido 10 vezes”. E, na verdade, há muitas vezes esta idéia. Experiência, por si só, pode ser uma mera repetição, uma mera rotina, não é ela que é formadora. Formadora é a reflexão sobre essa experiência, ou a pesquisa sobre essa experiência. (NÓVOA, 2001).
1.(Des)Construindo conceitos. Pensando a realidade.
Ora, refletirmos um pouco sobre esses conceitos ao olharmos para nós mesmos possibilita mapear o que vem a ser inclusão e exclusão. Acrescentaria a essa discussão, então, inclusão e exclusão de quê?
Primeiramente, pensemos se todos temos acesso a educação de qualidade, se estamos incluídos no acesso à informação, ao ensino, a professores capacitados e envolvidos em processos adequados de ensino-aprendizagem. Não cabe aqui discutirmos sobre as questões relacionadas ao professorado; vamos nos deter nas questões educacionais envolvidas nas instituições escolares ditas democráticas, para melhor compreendermos o contexto.
Atualmente, assistimos ao fenômeno denominado Bullying2, expressão que empregamos para nos referirmos à violência nas suas várias formas e ao assédio moral que atinge não somente os alunos, mas os professores também. Esse fenômeno é responsável por inúmeras situações sobre a inclusão e exclusão dentro da realidade escolar. A respeito do tema, o educador Gabriel Chalita fez um amplo levantamento sobre pesquisas na área, o qual está em seu livro Pedagogia da Amizade. O autor, nos mostra essa triste realidade, muitas vezes despercebida, ignorada, não valorizada pela comunidade escolar e confundida, segundo o autor, com indisciplina e agressão. Chalita afirma que podemos caracterizar o bullyuing como
toda forma de atos desumanos empregados para atemorizar, excluir, humilhar, desprezar, ignorar e perseguir outros. (...) Estratégia premeditada, que contribui para que a vítima seja desacreditada. Ou que a ação desencoraje a vítima a falar da dor a outrem, ou que se passe muito tempo até que alguém perceba. Tempo suficiente para registrar a dor da agressão vivida, o medo, para abalar a auto-estima, os processos de aprendizagem e a construção/afirmação da identidade. (CHALITA, 2008: 81-82).
Encontramos vários exemplos de bullying no livro do autor, que relata também a situação mundial e o panorama brasileiro. Entre os tipos apontado por Chalita (2008), existe o bullying direto, mais comum entre “agressores meninos. As atitudes mais freqüentes identificadas nessa modalidade violenta são os xingamentos, tapas, empurrões, murros, chutes e apelidos ofensivos repetidos” (CHALITA, 2008: 82). E o bullying indireto, mais comum entre meninas e crianças pequenas. “Caracteriza-se basicamente por ações que levam a vítima ao isolamento social. As estratégias utilizadas são difamações, boatos cruéis, intrigas e fofocas, rumores degradantes sobre a vítima e familiares, entre outros” (CHALITA, 2008: 83).
Importante ressaltar que dentro dessa categoria de bullying indireto temos o que o autor denomina de cyberbullying, que seria a crueldade virtual na qual encontramos os meios de comunicação contribuindo por mensagens de e-mail, torpedos, blogs, sites de relacionamento, normalmente de forma anônima. Assim como outros meios de comunicação, como televisão, rádio, jornal e outros, que divulgam boatos, comentários maldosos e maliciosos sobre pessoas públicas, entre outros.
Assim, temos um contexto social, econômico e histórico que, dialogicamente, afeta, interfere, sendo causa e conseqüência, simultaneamente, dentro da instituição escolar, provocando e levando os sujeitos envolvidos a situações de bullying e de tantas outras formas de exclusão conhecidas por nós, atingindo o ambiente digital, o ciberespaço3·.
Esse tema nos faz pensar nas origens de todo esse processo e, assim, a pergunta é inevitável para essa reflexão. De que maneira a EXCLUSÃO SOCIAL está relacionada com a EXCLUSÃO DIGITAL? Quando incluímos socialmente, estamos fazendo INCLUSÃO DIGITAL?

Ilustração 1: Relação entre exclusão social e consumo de droga
Fonte: http://ar2003.emcdda.europa.eu/pt/page073pt.html
1.2 Causas e conseqüências da exclusão social e digital
Todo esse primeiro momento da nossa reflexão foi elaborado com a intenção de provocar, sensibilizar, de nos tornarmos empáticos, ou seja, nos colocarmos no lugar que o outro ocupa.
Para poder re-lembrar, re-viver momentos em que vivemos situações de exclusão, e alargar o grande universo sobre quem são, quem precisa ser incluído, quem são os excluídos de hoje em nossa sociedade do conhecimento e da informação, fazem-se necessárias as reflexões e constatações a seguir.
Segundo os autores Martins e Pieranti,
A idéia de exclusão social surgiu em meados dos anos 1970, através da preocupação do governo francês em adotar programas de inclusão para os cidadãos desempregados há muito tempo, em consonância com o reconhecimento de que o governo não poderia lidar com o desemprego sem atacar as desigualdades de renda, educação, assim como itens relacionados a sexo do cidadãos, sua origem étnica e outras facetas da sociedade francesa. Desde então, muitos países europeus têm desenvolvido políticas de inclusão envolvendo vários setores governamentais, de modo a resolver os problemas sociais existentes. (O´Brien, 2001). Grupos socialmente excluídos há muito têm sido privados de oportunidades possuem capacidade muito limitada de participar do processo de transformação da sociedade na qual estão inseridos. Tal fato gera a necessidade de que iniciativas sejam desenvolvidas e possibilidades tecnológicas exploradas, de modo a promover melhorias na qualidade de vida ou defesa de seus próprios interesses (MARTINS & PIERANTI: 2006: 260).
Sobre o tema, Habermas afirma:
Ora, em pondo fim ao compromisso constitutivo do Estado social, faz-se ressurgir a crises que ele tinha conseguido conter. Daí a reaparição das despesas sociais que uma sociedade liberal corre o risco de não suportar. Os indicadores que assinalam o aumento da pobreza e da precariedade social, ligados à disparidade crescente de renda, não têm antigüidade; não se pode desconhecer as tendências à desintegração social. Lá onde diversos tipos de exclusão acumulam seus efeitos – exclusão do sistema de emprego e da capacitação, das prestações sociais, da habitação, dos recursos familiares – surgem novas “classes inferiores”. Estes grupos empobrecidos, largamente cortados do resto da sociedade, não são mais capazes de mudar sua situação social pelos seus próprios meios. Ora, uma tal falta de solidariedade destruirá inevitavelmente, a longo prazo, a cultura política liberal sem a qual as sociedades com Constituição democrática dificilmente poderão desenvolver o universalismo que a caracteriza (HABERMAS, 2000: 28).
Desta forma, como falar em inclusão digital em uma sociedade que não inclui socialmente seus seres humanos? Que não oportuniza as mínimas condições para uma existência humana de forma digna?
Fomos buscar alguns estudiosos para entender melhor esta questão. Segundo Santos,
[...] a inclusão digital é uma faceta particular das questões de inclusão social, não se podendo empreender a primeira na ausência da segunda. Por outro lado, a inclusão (digital ou social) é par da exclusão (idem), sendo a própria exclusão social uma manifestação particular das desigualdades sociais, sobretudo das desigualdades que se expressam sob o rótulo da pobreza” (SANTOS, 2006: 14-15).
Ainda sobre o tema, Silva et al afirmam que:
[...] a exclusão digital concentra em si o reflexo de um problema no Brasil: a exclusão social. Exclusão digital é o termo utilizado para sintetizar todo um contexto que impede a maior parte das pessoas de participar dos benefícios das novas tecnologias da informação. Digital também porque hoje as conseqüências da exclusão social acentuam a desigualdade tecnologias e o acesso ao conhecimento o abismo entre ricos e pobres. (SILVA et al, 2005: 5)
Precisamos estar atentos à reflexão que fazemos, porque a relação de exclusão digital e social não é uma via de mão dupla. Sobre isso, recorremos a Macadar, que nos faz refletir:
Um ponto importante deve ser esclarecido quando se fala de exclusão digital: não há uma relação direta entre a exclusão social e a exclusão digital. Nem todos os excluídos digitalmente também são excluídos economicamente. O que se pode afirmar é que exclusão econômica pode levar a um exclusão digital, e que o economicamente incluído também pode ser um excluído digital. Portanto, não se pode reduzir o problema ao fator ‘poder aquisitivo’. (MACADAR, 2002: 2)
Não é somente esse o tipo de exclusão que encontramos. Encontramos muitas vezes políticas publicas de infoinclusão, como nas Oficinas do Programa de Educação Continuada (PEC)4, do qual tive a oportunidade de participar como multiplicadora. Nele, vivi esses entraves por meio das falas, relatos dos professores e de seu comportamento perante as novas aprendizagens que estavam sendo oferecidas a eles a través das TIC. Ficaram nítidas as dificuldades de ordem curricular, de formação técnico-pedagógica, financeira, ideológica e das relações de poder dentro da instituição escolar. A grande maioria dos professores não utiliza as Salas de Ambientes de Informática (SAI)5 e os poucos que o fazem têm dificuldade para superar algumas barreiras como equipamentos quebrados, diretores autoritários, falta de habilidade no uso dos computadores, entre outras. Ao fazer algumas experiências nas SAI, sentem-se completamente solitários, sem apoio das instâncias hierárquicas superiores e, principalmente, sem o apoio de seus pares. Ainda assim muitos professores não conseguiam ultrapassar suas próprias resistências em relação à uma nova aprendizagem que implicava naquele então em novas formas de ensinar e de se relacionar com o aprendizado dos alunos, nova postura ideológica, que não pertencia ao ensino tradicional habituados em suas práticas.
Silva et al., asseguram que:
[...] há outras formas de exclusão, que devem ser abordadas de forma sistêmica, numa política de infoinclusão. Para citar um exemplo, pode-se afirmar que há muitas pessoas com fortes resistências ao uso da Tecnologia de Informação e Comunicação, independente de classe econômica e das possibilidades de acesso. As gerações mais novas, normalmente, possuem maior facilidade e interesse em utilizar as TICs do que pessoas de mais idade. As formas de apresentar as Tecnologias da Informação e Comunicação de maneira adequada à população da terceira idade – que cresce, no país – é uma questão que não pode deixar de ser discutida. Outro fato excludente, ou que dificulta ou uso da Internet, é o idioma. Quase metade das páginas disponíveis na Web estão em inglês, enquanto apensa 6% estão em espanhol e 3% estão em português. Também não podemos deixar de mencionar as pessoas com necessidades especiais, normalmente excluídas socialmente e para as quais as TICs podem representar a abertura de novos espaços de expressão e inserção social. Estas pessoas com deficiências, requerem o desenvolvimento da tecnologias especificas que sejam adequadas às suas necessidades (físicas, visuais, mentais etc.), e o acesso facilitado a estas soluções e serviços (SILVA at el, 2005: 6-7).
2. Sociedade do Conhecimento e Inclusão Digital. Alargando o nosso olhar.
Precisamos entender o funcionamento desse mundo digital, virtual, onde um novo paradigma está colocado. Muitas vezes, corremos o risco de aumentar as diferenças sociais e digitais, se não prestarmos atenção no entorno que nos cerca.
Segundo Vani Kenski,
[...] novas tecnologias da informação e comunicação, caracterizadas como midiáticas, são, portanto, mais do que simples suportes. Elas interferem em nosso modo de pensar, sentir, agir de nos relacionarmos socialmente e adquirirmos conhecimento. Criam um nova cultura e um novo modelo de sociedade. (KENSKI,1997: 59).
Estamos falando da Sociedade da Informação, Sociedade Tecnológica ou da Sociedade do Conhecimento?
Segundo Manuel Castells, sociólogo espanhol, a característica que mais representa a base material na Sociedade Informacional ou da Informação é “a lógica de sua estrutura básica em redes, o que explica o uso do conceito de 'sociedade em rede (...) agruparam-se em torno de redes de empresas, organizações e instituições para formar um novo paradigma sociotécnico" (CASTELLS, 1999: 46 [nota33] -77).
Castells afirma que as redes são a nova morfologia societária:
redes são estruturas abertas capazes de expandir de forma ilimitada, integrando novos nós desde que consigam comunicar-se dentro da rede, ou seja, desde que compartilhem os mesmos códigos de comunicação (por exemplo, valores ou objetivos de desempenho). Uma estrutura social com base em redes é um sistema aberto altamente dinâmico suscetível de inovação sem ameaças ao seu equilíbrio (CASTELLS,1999: 499).
Assim, para esse autor, redes podem ser mercados de bolsas de valores e suas centrais de serviços auxiliares avançados na rede dos fluxos financeiros globais, como assistimos, em 2008, ao que ocorreu na economia mundial. Rede política que governa a União Européia, rede de tráfico de drogas que invade as economias e sociedades, rede dos meios de comunicação. Segundo Kenski, ao citar Castells, as “redes são caracterizadas por três estágios: a automação de tarefas (racionalização dos processos existentes); a experimentação de usos (inovações) e a reconfiguração de aplicações (implementação de novos processos, criando novas tarefas) (KENSKI, 2007: 35).
Segundo Silveira, o que caracteriza a essência do mundo digital é:
“a capacidade de transformar a informação no produto de mais alto valor. É a centralidade da comunicação veloz para reduzir as enormes distâncias do mercado mundial. É o desenvolvimento da vocação da humanidade para virtualizar suas relações e sua existência. Todos os símbolos e representações são transformados em bits, em o e 1. A rigor, toda a produção simbólica humana (sonora, visual, escrita) pode ser rearranjada e armazenada em bits e bytes, em dígitos” (SILVEIRA, 2004: 97).
Assim, o “hipertexto6 e hipermídias7 reconfiguram as formas como lemos e acessamos as informações (...) a linguagem digital, expressa em múltiplas TICs(...) influência cada vez mais a constituição de conhecimentos, valores e atitudes. Cria uma nova cultura e uma outra realidade informacional” (KENSKI, 2007: 32-33).
O Livro Verde completa ainda que, “nesse contexto, impõe-se, para empresas e trabalhadores, o desafio de adquirir a competência necessária para transformação informação em um recurso econômico estratégico, ou seja, o conhecimento (TAKAHASHI, 2000: 17)”. Castells nomeia como a possibilidade que a “informação se torne produto do processo produtivo” (CASTELLS, 1999: 87).
Corremos o risco também de, segundo Silveira, estarmos “falando de tecnologias que ampliam a inteligência humana, e o que se pode observar é que elas podem alargar ainda mais as desigualdades sociais e planetárias e multiplicar exponencialmente as distâncias entre sociedade ricas e pobres” (SILVEIRA, 2004: 98).
Para que isso não ocorra e para tentarmos diminuir distâncias sociais e digitais, precisamos ter em mente os pressupostos de Jacques Delors (1998) em conferência para Unesco, em que, tratando das mudanças necessárias à educação, propõe que ela precisa basear-se em quatro aprendizagens fundamentais que devem estar presentes ao longo de toda a vida. Aprender a conhecer, aprender a fazer, aprender a viver juntos e aprender a ser.
Kenski acrescenta que “a viabilização das propostas encaminhadas por Delors requer muitas mudanças na educação. O acesso ao conhecimento proporcionado pelas tecnologias digitais de informação e comunicação pode oferecer caminhos para essas novas propostas educacionais, bem mais adequadas aos novos tempos sociais” (KENSKI, 2007: 111).
Assim, sistematizando as informações, de maneira mais didática, encontramos as Novas Tecnologias da Informação e Comunicação proporcionando, levando a Informação Digital que poderá levar o Ser Humano à construção de conhecimento e, portanto, a uma postura frente à aprendizagem própria de maneira continua, diferenciada, ou seja, ao Longo da Vida.8

Ilustração 2: As novas tecnologias e a informação digital
Elaboração da autora
Santarosa ao citar Vygotsky, diz que:
[...] é dentro de um determinado contexto social que o desenvolvimento cognitivo, e a formação de pensamento e linguagem ocorrem. Entretanto o valor intelectual do trabalho cooperativo (‘peer collaboration ou peer interaction) é ainda pouco entendido. Isto se deve ao fato de que a colaboração requer um ambiente de trabalho que é distante da organização comumente adotada em sala de aula. O ambiente de trabalho constituído por computadores e por redes é diferente e apresenta oportunidades para que esta colaboração aconteça, proporcionando, desse modo, uma mudança qualitativa na zona de desenvolvimento proximal”. (SANTAROSA, 2002).
Segundo Valente, é necessário possibilitar que as pessoas experienciem:
“o sentimento do empowerment - a sensação de que são capazes de produzir algo considerado impossível. Além disso, conseguem um produto que eles não só construíram, mas compreenderam como foi realizado. Eles podem falar sobre o que fizeram e mostrar esse produto para outras pessoas. É um produto da mente deles e isso acaba proporcionando uma grande massagem no ego. (VALENTE, 1999: 106).
Devido a essa possibilidade de ir depurando e avançando através dos conhecimentos que vamos produzindo e, sucessivamente, resolvendo novos desafios e problemas, “onde o aprendiz sabe que poderá alcançar um nível de compreensão conceitual graças ao seu raciocínio e consciência de sua capacidade e não por adivinhação ou descoberta” (VALENTE, 1999: 106), o ser humano faz a Espiral de Aprendizagem9. O autor explica toda essa espiral e seu procedimento de forma detalhada quanto utilizamos a tecnologia de forma inteligente, podendo auxiliar esses processos mentais, de construção de conhecimento mediada pelas TIC.
No nível individual, e na realidade italiana, Francescato aplica o também o conceito de empowerment como sendo a possibilidade de:
“Potenciar o desenvolvimento dos cidadãos, especialmente daqueles menos privilegiados ou por causa de sua idade, sexo, renda, nível de escolaridade ou outros rasgos discriminatórios, num contexto sociológico como Itália, requer trabalhar simultaneamente em vários níveis. Significa revitalizar a pessoas que têm perdido a esperança e a auto-estima e ajudá-las a desenvolver seus pontos fortes em vez de centrar-se nas duas debilidades”. (FRANCESCATO, 1998: 272)
Percebemos que incluir digitalmente converge no sentido de incluir socialmente, de possibilitar cidadania e autonomia. Incluir digitalmente é um conceito que não pode restringir-se ao acesso ou à utilização de computadores e Internet, é o que chamamos de Infoinclusão digital.
As autoras Silva, Palhares e Rosa acrescentam à discussão que:
“A inclusão da sociedade e organizações em redes, é o desafio maior imposto pelas atuais tendências globais. Formar redes de informação e comunicação é um deafio estratégico que exige mudanças organizacionais e culturais que vão muito além de saber digitar num teclado ou dominar um software de navegação da Internet. A infoinclusão, surge então, como um neologismo, que antes era chamada de inclusão digital e trata da extensão a toda a sociedade dos benefícios do acesso às Tecnologias de Informação e Comunicação” (SILVA et al, 2005: 8).
As mesmas autoras prosseguem, citando Cabral, quando refere-se que:
Incluir da perspectiva tecnológica envolve aprender o discurso da tecnologia, não apenas os comondados de determinados programas para a execução de determinado fins, não apenas qualificar melhor aspessoas para o mundo do trabalho, mas sim a capcidade de influir na decisão sobre a importância e as finalidades da tecnologia digital, o que em si é uma postura que está diretamente relacionada a uam perspectiva de inclusão/alfabetização digital, de política pública e de construção de cidadadnia, não apenas de quem consome e assimila um conhecimento já estruturado e direcionado para determinados fins. (CABRAL, [200-?])
Assim, conceituamos infoinclusão no sentido de:
“ser amplo, que proporcione uma dimensão social e política para o papel que a tecnologia representa para a sociedade, visando fomentar o exercício da cidadania, para dar voz às comunidades e setores que normalmente não têm acesso à grande mídia e para apoiar a organização e o adensamento da malha de relações comunicativas entre os atores da sociedade civil que constituem a Esfera Pública” (SILVA et al., 2005: 9).
3. Panorama da Inclusão Digital – Incluir como?
“Um enorme ‘fosso tecnológico’, como diz Michael Lewis (2001), irá criar largas barreiras entre alunos e professores que usam e não usam os meios digitais para todos os fins. Crianças e jovens que fazem parte da geração net já exibem um perfil muito diferente dos excluídos digitais, e as diferenças não estão apenas na fluência com q ue usam computadores e redes. A conduta desse jovens em atividades diárias em seus computadores muda também a maneira como agem quando não conectados. Essas novas maneiras de pensar e agir das novas gerações digitais influenciarão o futuro das escolas e da educação de modo geral” (KENSKI, 2007: 115-116).
Sabemos que a “inclusão digital pode ser considerada como um processo facilitador no desenvolvimento e auxilio da promoção da educação, inserção social e desenvolvimento das economias locais da comunidade assistida” (LIMA, AUTOR, ano2005: 8) e, dentro desta perspectiva, o acesso às Novas Tecnologias da Informação e Comunicação – NTIC10, que vão além, há uma possibilidade concreta de diminuir, encurtar, proporcionar, contribuir, incluir os seres humanos envolvidos dentro das instituições escolares nos processos de ensino-aprendizagem, especialmente os alunos, em uma realidade que não era possível, inacessível e que, aos poucos, vai abrindo espaços para tornar-se cada vez mais presente e efetiva.
Luiz Antonio Joia (2006: 262), citando Norris (2001), que analisa as diferenças digitais mesmo após o acesso a Internet, aponta que há três tipos de divisão digital:
Divisão Global - Envolve as diferenças entre países desenvolvidos em desenvolvimento;
Divisão Social – Aponta para as desigualdades entre a população de uma nação;
Divisão Democrática – Refere-se às diferenças entre aqueles que usam/não usam tecnologias digitais para se engajar e participar da vida pública.
Para entendermos melhor, precisamos olhar para alguns dados estatísticos e compreendê-los. Os gráficos e a tabela a seguir foram obtidos pelo levantamento contido no livro Tecnologias da Informação e Sociedade: um panorama brasileiro, de Cláudio Nazareno, et al. (2007).

Gráfico 1: Local de acesso à Internet (Brasil)
Fonte: Instituto Ipsos-Opinion/CGI-BR, com base em 2.058 domicílios entrevistados – agosto/setembro 2005.

Gráfico 2: Percentual de domicílios com acesso às TIC – 2005 (Brasil)
Fonte: Instituto IpsosOpinion/CGIBR, com base em 8.540 domicílios entrevistados – agosto/setembro de 2005.
Percebemos que a população jovem é que mais acessa (o que reflete o número de jovens na pirâmide populacional brasileira) e que o número de mulheres aumentou de 25%, em 1997, para 47%, em 2003. Dentre os acessos, o local mais escolhido ainda é o ambiente doméstico, (Gráfico 1). Percebemos que, dentro do ambiente doméstico, o acesso às TIC na população de média e baixa rendas, ainda é menor, enquanto, nas classes A e B, o número é maior (Gráfico 2).
O percentual de usuários de Internet no Brasil obteve um avanço significativo de 13,9% (Gráfico 3) sob o ponto de vista interno, o que significa, segundo pesquisa de IBOPE de 2003, que o acesso à rede pelos usuários chega a 20,5 milhões de pessoas. Comparado a outros países desenvolvidos ou em desenvolvimento, estamos muito atrás. Liderando, com 68,7% de usuários de Internet /100 habitantes, encontram-se os EUA, e o Chile está em sexto lugar, com 42,8% de usuários por 100 habitantes, em 2005 (Tabela 1).

Tabela 1 – Índice de acesso digital (Mundial)
Fonte:http://www.teleco.com.br/ultdal.asp,com dados da UIT(União Internacional de Telecomunicações)

Gráfico 3: Percentual de usuários de Internet no Brasil
Fonte: http://www.ecommerce. org.br/STATS.htm#D, com fontes de InternetWorldStats, NielsenNetRating Computer Ind. Almanac, IDC e Brazilian ISC e IBGE, entre outras.
Verificamos que ainda há um enorme espaço para ser preenchido, sobretudo no que se refere à democratização do acesso para a população de média e baixa rendas neste país. Como possibilitar que todo esse Universo das NTICs chegue a todos sem provocarmos uma exclusão maior proporcionando a infoinclusão digital?
Recorremos a Wilson III (2000), citado por Joia (2006: 262), que aponta os quatro componentes necessários para a efetivação da infoinclusão:
- Acesso financeiro –indica se os usuários podem pagar pela conectividade;
- Acesso cognitivo –considera se as pessoas estão capacitadas para usar essa mídia, e encontrar e avaliar a informação que estão procurando;
- Produção de conteúdo de acesso –observa se existe material suficiente e adequado às necessidades dos usuários;
- Acesso político – considera se os usuários têm acesso às organizações que regulam as tecnologias que eles têm usado.
Outra forma de analisar o processo de infoinclusão é o citado por Joia (2006, p. 269), através do Modelo de Infoinclusão Dinâmica (I2D).

Ilustração 3: Modelo de Infoinclusão Dinâmica (I2D)
Afonso, C. A. (2000) in Joia (2006, p. 269)
Esse modelo procura capturar o círculo virtuoso derivado da participação e cidadania tornadas acessíveis a populações antes excluídas. Há uma preocupação, segundo Joia com a Educação, que precisa não somente incorporar treinamento, mas conscientizar as pessoas através das muitas possibilidades e oportunidades que a tecnologia oferece associadas a mudanças socioeconômicas. O autor cita Paulo Freire (1970) para dizer que a educação deve estar sempre interligada, associada à realidade, assim como deve produzir intervenções que possibilitem dar voz à cidadania, aos grupos socialmente excluídos. Tendo como ponto de partida sempre as necessidades educacionais e não a tecnologia pela tecnologia somente. A respeito disso, gostaríamos de citar como exemplo a proposta de Alfabetização Digital de Jovens e Adultos (MOVA)11, baseada nas premissas de Paulo Freire.
A figura segundo o autor preocupa-se com a criação de uma ambiência legal e ética que torne possível a inclusão daqueles à margem da sociedade da informação, assim como os conteúdos e a interface (telas de toque, reconhecimento de voz, ícones desenvolvidos localmente etc.) devem estar apropriados para o usuário, infoexcluídos de acordo com a realidade local, de modo a motivar os usuários a acessá-lo, sem descontinuidade política. Através de modelos como esse, muitas iniciativas já foram tomadas ou estão em andamento, como o trabalho das ONG e iniciativas privadas e públicas e outros.
Acreditando que os projetos atuais de inclusão digital têm ênfase especificamente na tecnologia envolvida, no acesso, numa forma de tentar esclarecer o conceito de inclusão digital.
Segundo Lemos e Costa, os projetos de inclusão digital estavam voltados meramente a questões tecnocráticas, com ênfase no que eles chamam de capital técnico. , Assim, os autores propõem a Matriz de Análise de Projetos de Inclusão Digital, que “parte da premissa de que o processo de ‘inclusão’ deve ser visto sob os indicadores econômico (ter condições financeiras de acesso às novas tecnologias), cognitivo (estar dotado de uma visão crítica e de capacidade independente de uso e apropriação dos novos meios digitais) e técnico (possuir conhecimentos operacionais de programas de acesso à Internet). Nesse sentido, incluir é um processo amplo que deve contar com ações nos quatro capitais explicitados” (LEMOS & COSTA, 2005: 5).
Esse modelo coincide com a proposta de Wilson, dos quatro componentes para implantar a infoinclusão digital. Assim, incluir digitalmente é muito mais que permitir o acesso à tecnologia, é auxiliar os cidadãos a se apropriarem da tecnologia de forma completa, não há pedaços ou restos. A infoinclusão, acreditamos ser um conceito mais abrangente, porque reflete e pensa na possibilidade que o cidadão apropriar-se da sua capacidade de aprendizagem, da capacidade de construir e gerar conhecimento, de um movimento de conscientização sobre seu potencial criador.
Para nos auxiliar a analisar e avaliar se um projeto segue as premissas da infoinclusão, buscamos em Lemos e Costa uma matriz interessante, que sintetiza esse conceito.

Quadro 1: Matriz de Análise de Projetos de Inclusão Digital
Fonte: Lemos e Costa, 2005: 5
Assim, quando falamos em incluir digitalmente sobre essa matriz, estamos falando de inclusão digital espontânea, na qual, segundo os autores, “o cidadão que vive hoje nas grandes metrópoles utiliza, querendo ou não, diversos dispositivos eletrônicos – caixas de bancos, smart cards, cartões eletrônicos etc. – sendo, de alguma forma, obrigado a incluir-se/aprender a usar as diversas ferramentas da era da informação. (...) A forma induzida é aquela em que se criam espaços, projetos, dinâmicas educacionais por iniciativas governamentais, privadas ou do terceiro setor (telecentros, cibercafés, SACs, ONGS etc.) visando induzir a formação, o acesso e a destreza no manuseio das novas tecnologias de comunicação e informação” (COSTA &LEMOS, 2005: 5-6)12.
Não nos cabe entrar nas questões de provedores, tipos de acesso, custos de acesso neste módulo de estudo, pois nos estenderíamos muito, mas sabemos que esses fatores são importantes e têm o seu peso na inclusão digital. Assim como também não iremos discutir todos os projetos do governo brasileiro em prol da inclusão digital.
Importante ressaltar que, dentro do governo federal, temos um conceito sendo formado – Governo Eletrônico – que tem sido adotado em nosso país e em outros (e-government). De forma resumida, utilizaremos a equação sugerida por Balutis (1999 in JOIA, 2006: 263). Mais informações e detalhamentos sobre esse conceito estão disponíveis no Livro Estado e Gestão Pública, no capítulo Inclusão digital no Brasil: um modelo heurístico de natureza dinâmica.

Esse conceito teve origem em 1999, mas veio culminar e ter mais notoriedade com a publicação do Livro Verde, através do Programa SocioInf/Brasil, do Ministério da Ciência e Tecnologia (MCT), que, segundo Takahashi foi lançado no Brasil em dezembro de 1999 pela Presidência da Republica, com o objetivo de fomentar o uso intensivo de tecnologia da informação e comunicação em todos os setores e atividade da sociedade, buscando acelerar o desenvolvimento econômico e social do país.13
Temos muitas ações em prol da Inclusão Digital e/ou da Infoinclusão sendo praticadas atualmente no Brasil.
Nossas reflexões aqui relatadas pretenderam ser um momento de reflexão e aprofundamento frente ao quem tem sido divulgado na mídia e na academia.
NOTAS:
1 Sobre o tema encontramos António Nóvoa, Marie-Christine Josso, Pierre Dominicé, Fernando Hernandez , Zilda Kessel, Belmira Bueno, Denise Catani, entre outros.
2 Sem equivalência na língua portuguesa, adotamos no Brasil, o termo bullying, que segundo o autor, a palavra é de origem inglesa derivada do verbo bully, que significa tirano, valentão.
3 Palavra empregada pela primeira vez pelo autor de ficção científica William Gibson, em 1984, no romance Neuromancer. O ciberespaço designa ali o universo das redes digitais como lugar de encontros e de aventuras, terreno de conflitos mundiais, nova fronteira econômica e cultural. O ciberespaço significa os novos suportes de informação digital e os modos originais de criação, de navegação no conhecimento e de relação social por eles propiciados. O ciberespaço constitui um campo vasto, aberto, ainda parcialmente indeterminado, que não se deve reduzir a um só de seus componentes. Espaço que existe (não no mundo físico) no interior de instalações de computadores em rede e entre elas, por onde passam todas as formas de informação (KENSKI, 2007: 134).
4 PEC Informática fui multiplicadora regional da Diretoria de Itu/SP no PEC Educação para o Futuro (www.conexaoescola.futuro.usp.br), ambos pertencentes ao Proinfo–MEC, do governo federal, cujo gerenciamento da implantação e da coordenação desses projetos e das ações desenvolvidas no Estado de São Paulo é responsabilidade da Gerência de Informática Pedagógica (GIP), órgão da diretoria técnica da Fundação para o Desenvolvimento da Educação (FDE).
5 Denominação utilizada na Rede Pública do Estado de São Paulo.
6 Hipermídias: A definição formal de hipermídia une os conceitos de hipertexto e multimídia, ou seja, um documento hipermídia contém imagens, sons, textos e vídeos, como qualquer título multimídia. Além disso, usa ligações de hipertextos para permitir que o usuário salte de um trecho para outro do documento ou até mesmo para um documento diferente. O termo hipermídia também é utilizado como sinônimo de multimídia (KENSKI, 2007: 136).
7 Hipertexto, tecnicamente, é uma rede composta de nós ligados por conexões. Os nós podem ser palavras, páginas, imagens ou partes de imagens, seqüências sonoras, referência a documentos complexos que podem ser eles mesmos hipertextos. Os nós não estão ligados linearmente, como em uma corda ou como nos elos de uma corrente; cada um deles, ou a maioria, estende suas conexões em estrela, de modo reticular. Juntamente com o visualizador (browser), representa um tipo de sistema para a organização de conhecimentos ou dados, aquisição de informações e comunicação (KENSKI, 2007: 136).
8 Segundo Valente, “desenvolver a predisposição de aprendizagem ao longo da vida (lifelong-learning-mindset). Isto significa saber alterar essas duas modalidades de aprendizagem, caçador-ativo e receptor-passivo, de forma complementar e não antagônica. As duas modalidades são necessárias para que o sujeito possa ser efetivo aprendiz. (...) . Neste sentido, aprender significa o aprendiz ser capaz de utilizar sua experiência de vida e conhecimentos já adquiridos na atribuição de novos significados e na transformação da informação obtida, convertendo-a em conhecimento” (VALENTE, 2005: 2-7, grifo nosso).
9 Espiral de Aprendizagem: A abstração mais simples é a empírica, que permite ao aprendiz extrair informações do objeto ou das ações sobre o objeto, tais como a cor e a forma do mesmo. A abstração pseudo-empírica permite ao aprendiz deduzir algum conhecimento da sua ação ou do objeto. Por exemplo, entender que a figura obtida é um quadrado e não um retângulo, pelo fato de ter quatro lados iguais. Já abstração reflexionante, possibilita a projeção daquilo que é extraído de um nível mais baixo ( por exemplo, o fato de a figura obtida ser um quadrado) para um nível cognitivo mais elevado ou a reorganização desse conhecimento em termos de conhecimento prévio (por exemplo pensar sobre as razões que levaram a descrição fornecida produzir um quadrado). No caso da abstração reflexionante, o aprendiz está pensando sobre suas próprias idéias” (VALENTE, 1999: 93, grifo nosso).
10 SegundoVani Kenski, consideramos “novas tecnologias de comunicação e informação” as mais utilizadas pelas pessoas e que são possíveis de ser utilizadas no ensino fundamental, como televisão, computadores e seus acessórios multimidíaticos e a Internet” (2004:. 23, nota 3).
11 Criado por Paulo Freire quando à frente da Secretaria Municipal de Educação de São Paulo, o Mova tem como finalidade possibilitar aos educandos, jovens ou adultos, o processo construtivo de ampliação do próprio conhecimento por meio de intervenção sistemática do educando e da vivência com os colegas numa relação de diálogo. Isto implica o acesso a níveis cada vez mais elaborados do saber discursar, saber ler, saber escrever, teorizar, contar, representar idéias, identificar relevâncias, resolver situações que envolvam o pensamento matemático e seus códigos, pesquisar as informações técnico-científicas indispensáveis à compreensão do ser humano e da realidade social. Fonte: http://www.movadigital.pucsp.br/
12 Telecentro: é o nome usualmente dado a espaços públicos de acesso com computadores conectados à Internet. “São sinônimos de telecentro os termos telecottage, centro comunitário de tecnologia, teletienda, oficina comunitária de comunicação, clube digital, cabine pública, infocentro, entre outros. Os badalados cibercafés também são telecentros,mas em geral cobram pelo uso da Internet e estão localizados em regiões mais nobres das cidades” (SILVEIRA, 2001: 33-34)
13 Para saber mais sobre o tema acessar as reportagens em: http://www.comciencia.br/reportagens/internet/net02.htm , http://www.comciencia.br/reportagens/socinfo/info01.htm
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