Um evento como o Congresso da CiberSociedade implica tomar una série de opções socio-técnicas que determinarão o seu funcionamento e impacto.
A escolha das tecnologias que utilizamos ou o tratamento que damos às tecnologias que desenvolvemos nunca é neutral. Se não analisarmos criticamente as opções para poder decidir conscientemente também estamos a tomar uma posição que pode ser fruto da inércia ou do deixar-se levar nas correntes; esta posição não consciente também pode ter um impacto social ou inclusive político.
A organização do Congresso tem uma responsabilidade que deve enfrentar. De seguida expõem-se o seu posicionamento inspirado em critérios mínimos de neutralidade (tentar que nada fique excluído) mas inclinando a balança par as tecnologias livres e os projectos abertos para os reforçar a partir do Congresso, y que este se veja por sua vez reforçado através da sua implicação com eles.
A. Sobre as tecnologias para SEGUIR o Congresso. As tecnologias (ou sistemas socio-técnicos) para seguir o Congresso:
(a.1) - Serão (principalmente) de base web.
(a.2) " Devem poder ser utilizadas com um navegador que cumpra os standards W3C y que funcione com o maior número de sistemas operativos y plataformas. Tomando-se o Firefox como navegador de referência.
(a.3) " Far-se-á um esforço para que se possam utilizar vários navegadores e versões de estes (IExplorer, Opera, Safari, Konkeror, ...) e dispositivos de acesso.
(a.4) " Tais dispositivos devem poder ser utilizados desde diferentes sistemas operativos (Linux, Windows, MacOS, etc...). Não se usará nenhuma tecnologia que não se possa usar num sistema operativo livre.
(a.5) - Preferencialmente serão tecnologias com licenças livre. Entre duas opções equivalentes optar-se-á pela que seja livre. Havendo necessidade de se usar alguma tecnologia proprietária terá que verificar as condições da (a.2), (a.3) e (a.4).
B. Sobre as tecnologias COMPLEMENTARES à web do Congresso. Sobre os sistemas web ou serviços 2.0 que se utilizem ou que se possam "conectar" ao funcionamento do Congresso:
(b.1) " Não poderá haver nenhum sistema ou serviço imprescindível ou importante para o seguimento do Congresso que não se possa utilizar sobre o navegador de referencia (ver a.2) e/ou que não se possa utilizar sobre um sistema operativo livre. Uma pessoa que trabalhe só com tecnologias livres não pode ter menos qualidade e oportunidades de participação inferiores aos que não use tecnologias livres.
(b.2) " Faz-se uma distinção entre sistemas ou serviços corporativos e os impulsionados/mantidos por organizações sem ânimo de lucro. Faz-se também uma distinção entre sistemas ou serviços baseados em tecnologias livres e disponíveis para ser modificadas, em relação a serviços que utilizem tecnologias de códigos fechados. Valorizando-se positivamente os sistemas ou serviços inscritos em projectos de carácter aberto com mecanismos de participação. Toma-se uma atitude crítica e acentua-se a precaução em relação a sistemas ou serviços nas mãos de corporações que têm uma posição dominante, de monopólio ou de oligopólio, que acumulam poder em vez de distribui-lo e/ou que têm um historial de más práticas.
(b.3) " Ter-se-á em conta as "condições de uso" dos serviços ou sistemas a usar. Rejeitando-se os que tenham condições abusivas ou eticamente reprováveis.
(b.4) - Uma participação plena no Congresso não pode implicar ter que utilizar um sistema ou serviço corporativo.
(b.5) - Tentar-se-á dar possibilidades aos congressistas de ligar qualquer sistema ou serviço que utilizem habitualmente às actividades do congresso , desde que não se contrariem os pontos anteriores (um sistema ou serviço que os contrarie deve ser prescindível para um bom acompanhamento do Congresso, e os seus utilizadores não podem estar em posições de vantagem em relação a quem não os utilize)
C. Sobre a nota de PREFERENCIA de tecnologias livres e abertas. O Congresso e a sua organização promoverão e tentarão apoiar entre os congressistas o uso de:
(c.1) - Tecnologias livres.
(c.2) - Sistemas e serviços promovidos y mantidos por organizações sem ânimo de lucro, baseados em projectos abertos e em tecnologias livres.
D. Sobre a PUBLICIDADE e discussão de estes princípios. Estes princípios:
(d.1) - Far-se-ão públicos.
(d.2) - Abrirão canais de discussão específicos para que os congressistas os possam comentar, possam consultar ou apoiar-se mutuamente sobre as tecnologias a utilizar.
(d.3) - Abrir-se-á um grupo de trabalho para propor, procurar e discutir alternativas.
Antes do período de discussão de comunicações (12-29 de Novembro) preparámos uma serie de oficinas online para reflexão e participação que iremos publicando progressivamente.