Como podem as políticas públicas contribuir para uma melhor gestão dos resíduos tecnológicos?
Quais são as regulamentações existentes em diferentes países em relação à gestão dos resíduos eletrônicos e os diferentes resultados que se obtiveram?
Que tipo de ações comunitárias/locais (oficinas, cooperativas de reciclagem, etc) podem ser desenvolvidas para melhorar a gestão dos resíduos informáticos?
Como o desenvolvimento e a propagação da noção de obsolescência impacta na produção e gestão dos resíduos?
Desde o ponto de vista ambiental, a reutilização do hardware é sustentável? Se não, que seria necessário para que fosse?
Que falta à cadeia de logística reversa dos eletrônicos para que seja sustentável?
Integrando todos os temas, que caminhos devemos seguir para poder construir soluções de uma gestão econômica, social e ambiental satisfatória dos resíduos eletro-eletrônicos?
resíduos tecnológicos, Apropriação social da tecnologia, sustentabilidade, reciclagem, políticas públicas, regulação/legislação, software livre, ecologia
O desenvolvimento da CiberSociedade está relacionado com a ampla produção de equipamentos eletrônicos. Desde os computadores pessoais, acessórios e telefones celulares, até as grandes infra-estruturas dos servidores que compõem a complexa rede física de Internet, a produção e o consumo dos aparatos eletrônicos formam um papel central na economia na Sociedade da Informação.
Lixo eletrônico é a denominação geral pela qual se conhece todos os tipos de resíduos de equipamentos eletro-eletrônicos. Com o aumento exponencial da produção e do consumo desse tipo de aparatos, a quantidade de lixo gerada ano após ano resulta em um problema também cada vez maior.
Os problemas associados com o lixo eletrônico ocorrem em diversos momentos de seu ciclo produtivo, desde a etapa de design e produção, passando pelo seu consumo e uso, até sua reciclagem e descarte. É possível, por exemplo, discutir o papel dos meios de comunicação especializados e da indústria dos eletro-eletrônicos na construção do conceito de obsolescência. Isto leva os consumidores a terem a sensação de que necessitam trocar seus portáteis, celulares, câmaras e outros equipamentos cada vez com maior freqüência. Outro tema de interesse para a discussão é o fato de que o lixo eletrônico não pode ser descartado junto do lixo doméstico: a grande quantidade de substâncias tóxicas que os aparatos contêm podem contaminar seriamente o meio ambiente. Finalmente, qualquer eletrônico é por definição um produto com muito conhecimento aplicado, e jogá-lo no lixo é desperdiçar todo esse conhecimento.
Por outro lado, sempre se apontou como um dos problemas mais importantes em torno ao acesso igualitário à Sociedade da Informação o tema do acesso físico aos computadores e à Internet, principalmente entre os coletivos em risco social e nos países em desenvolvimento. O elevado custo de alguns dos equipamentos, serviços e aparatos do mundo informático é um fator chave para a existência da "brecha digital" e para a desigualdade na CiberSociedade. Nesse sentido, este segundo fator poderia beneficiar-se do primeiro.
Desta maneira, o tema do que fazer com os resíduos tecnológicos toca diferentes questões que necessitam ser discutidas e divulgadas e que poderiam resumir-se em duas questões amplas: como fazer desde o ponto de vista técnico para que o processo de resíduo seja o mais sustentável e tenha o menor impacto ambiental possível e quais seriam as diferentes estratégias de apropriação, resignificacção e reuso destes resíduos.
Nossa proposta para este grupo de trabalho é discutir estas questões sobre o lixo eletrônica. Compartilhar experiências e casos de como concientizar e envolver as comunidades, os diferentes governos e como gerar políticas públicas sobre o tema. Buscar e discutir possíveis soluções a ele.
Incentivamos o envio de comunicações tanto em formato de texto (artigos, relatórios, etc.), como em formato de vídeo (documentários, testemunhais, etc); Além disso, temos planejada a organização de mesas-redondas a distância ou por vídeo-conferência. Se têm interesse em participar, favor colocar-se em contato com os coordenadores do GT.
Os coordenadores deste grupo de trabalho fazem parte dos coletivos obsoletos.org, da Espanha, lixoeletronico.org, do Brasil, e da rede MetaReciclagem http://rede.metareciclagem.org