Citilab - Cornellà
Observatorio para la CiberSociedad
Espacio para la reflexión, el análisis y el debate sobre
el ciberespacio desde las ciencias humanas y sociales
Revista TEXTOS de la CiberSociedad
ISSN 1577-3760 · Número 4 · Temática Variada
Religião afro-brasileira e cyberespaço: estratégias da tradição na modernidade

Por: Cristiana Tramonte


Para citar este artículo: Tramonte, Cristiana, 2004, Religião afro-brasileira e cyberespaço: estratégias da tradição na modernidade, Revista TEXTOS de la CiberSociedad, 4. Temática Variada. Disponible en http://www.cibersociedad.net




INTRODUCCIÓN / RESUMEN

Este artículo valora la paradójica relación entre tradición y modernidad que supone la proliferación de espacios en Internet (aunque no sólo en Internet) sobre aspectos religiosos. En concreto, aborda el caso de las religiones afro-brasileñas (en especial, candomblé y umbanda) y de las múltiples páginas web que han surgido en los últimos años sobre ellas. La autora aborda la problemática que puede suponer un exceso o una falta de calidad como consecuencia de esta proliferación de información.


No início do III Milênio, as mais variadas configurações sociais, filosóficas e religiosas dos diferentes agrupamentos humanos questionam-se constantemente ainda sobre questões essenciais que sempre povoaram as grandes polêmicas da História. Percebe-se a permanência de indagações que assumem a forma de antagonismos e que dividem os grupos humanos, causando os grandes conflitos e posições irreconciliáveis que tem apontado, entre outras, para duas grandes tendências da modernidade: o individualismo, e seus poderosos aliados - o racismo, os fundamentalismos e os fanatismos de toda ordem.

Este grande caldeirão social e filosófico - no qual posições extremadas parecem radicalizar-se - coloca lado a lado barbárie e civilização: assiste-se, on line, a um intenso desenvolvimento tecnológico convivendo com formas brutais e primitivas de combate xenófobo, em cuja lógica prepondera a intolerância e a incapacidade absoluta de conciliar, dialogar e fazer conviver a diversidade quer seja ela de tipo cultural, religiosa, étnica ou social.

Apesar deste quadro aparentemente insólito que parece, à primeira vista, um labirinto sem saída, algumas alternativas vão sendo construídas por grupos humanos que buscam expandir sua influência cultural através de outras vias (que não a xenofobia e os extremismos) construindo processos de comunicação e democratização do conhecimento. Para exemplificar, poderia ser citada a atuação eletrônica dos terreiros de candomblé no Brasil.


ESTRATÉGIAS DA TRADIÇÃO NA MODERNIDADE

Pode-se examinar por quais caminhos expande-se a influência de vários grupos praticantes da religião afro-brasileira: os inúmeros e variados sites e home-pages dos terreiros de candomblé na INTERNET apontam para a convivência entre modernidade e tradição. Ao mesmo tempo em que grupos significativos de candomblé no Brasil buscam afirmar sua tradição - origens culturais e raízes "autênticas" (estas entendidas enquanto africanidade (1)), procuram também afirmar sua modernidade situando-se no cyberespaço, em vez de buscar afirmação fechando-se sobre si mesmo. Esta nova lógica resulta num esforço de convivência, que alia modernidade e tradição e aponta para uma atuação aberta ao intercâmbio com a sociedade como um todo, ao mesmo tempo em que potencializa a informatização e a comunicação eletrônica como um canal de diálogo, democratização do conhecimento e construção de processos de incorporação cultural (2).

Segundo o antropólogo Raul LODY (1987), o candomblé, originário da África, é uma congregação de sobrevivências étnicas que teve grande disseminação e reinterpretação como cultura afro-brasileira em nosso país. De acordo com o autor, a produção cultural constrói a aliança entre os planos do sagrado e do humano. Assim, a música, dança, canto, gestos e alimentos emanam a força vital e as máscaras, esculturas, adornos e pinturas contribuem na unidade do grupo social, simbolizando seus ciclos e passagens. A sociedade do candomblé é controlada e protegida por dois elementos fundamentais: a natureza, o meio ambiente, corporificados e santificados nos orixás e as expressões dos antepassados. "Assim, a energia da natureza e os heróis e reis divinizados são alguns dos principais motivos do plano do sagrado, íntimo e cotidiano para o homem africano. Esta presença está na casa, no santuário, no comércio, nas tarefas, nos campos, nos rios, no mar, no desenvolvimento das técnicas artesanais...desenhando dessa maneira o próprio ser cultural"(p.9).

Claro está, pelas considerações acima, que elementos da tradição - natureza e conhecimento ancestral - permanecem como eixos essenciais da prática do candomblé desde seus primórdios. Num clássico artigo intitulado "Iansã não é Santa Bárbara" largamente difundido na INTERNET, várias Iyalorixás da Bahia reivindicam a pureza da tradição. Diz o documento: "As iyás e babalorixás (3) da Bahia não querem também permitir mais que sua religião seja tratada como folclore, seita, animismo ou religião primitiva como sempre vem ocorrendo nesta cidade" (4).


ENCONTRO, DEBATE E AFIRMAÇÃO NO CYBERESPAÇO

Uma força social significativa de afirmação da cultura afro-brasileira emerge da articulação dos terreiros de candomblé e umbanda. Como estratégia de expansão de sua influência, esta rede humana penetra a extensa rede de computadores - a INTERNET - que emerge como uma poderosa aliada na inserção e veiculação da sua prática. São inúmeros os grupos que possuem suas home-pages na rede. Alguns exemplos são: Ilé Axé Opô Afonjá (Bahia), Sociedade Africana Ilê Oxum Docô e Ilê Nagô Kaô Xangô Okanimô (Rio Grande do Sul), Axé Ilê Obá, Pai Celso de Oxalá e Pai Danilo do Ogum (São Paulo), Abassá de Odê (Santa Catarina) entre outros, em várias localidades do país. Existem ainda inúmeros links para bibliotecas e livrarias especializadas (5), editoras, programas de rádio (6), organizações não-governamentais, empresas alternativas (7), listas de bibliografia, boletins (8) e manifestos de apoio ou repúdio a iniciativas neste campo (9). Em âmbito internacional, também há vários outros exemplos de páginas de cultura de origem africana na rede (10).


ESPAÇOS DE LUTA E RESISTÊNCIA À GLOBALIZAÇÃO

A rapidez e conseqüente fluidez de acontecimentos e transformações em todas as áreas do conhecimento ocupa o nível "macro" da sociedade, mas resiste, em nível microssocial a vontade e a ação de grupos humanos no sentido de manter e/ou redefinir suas tradições sem abdicar totalmente delas. A convivência entre tradição e modernidade é um desafio para a época atual. Ao contrário, estes grupos parecem sentir a necessidade de expandir sua influência e assim, resistir à massificação globalizada. Esta redefinição e/ou luta pela manutenção das tradições culturais vê-se defronte a novas necessidades e demandas criadas pela modernidade e transmitidas pelas novas tecnologias, rapidamente popularizadas pelo mercado.

Embora freqüentemente estes grupos culturais polarizem-se na dualidade "aderir" ou "rejeitar" as mudanças tecnológicas, uma parcela significativa acaba optando pelo caminho da incorporação, qual seja, aproveitamento dos elementos facilitadores que as tecnologias carregam sem perder de vista a tradição.

THOMPSON (1990) afirma que a mudança tecnológica sempre foi crucial para a transmissão cultural ao longo da história, pois altera a base material e meios de produção e recepção dos quais depende este processo depende. Dentro desta concepção, a mudança tecnológica implica em alterações nos processos de transmissão cultural. Claro está porque os grupos humanos que organizam-se sobre bases e práticas culturais - como os praticantes do candomblé - vêem-se na contingência de assimilarem e adequarem suas práticas assentadas sobre bases tradicionais às novas tecnologias, equipando-se com fax e secretária eletrônica, criando home-pages na INTERNET, produzindo vídeos inclusive para veiculação em TVs a cabo, etc. THOMPSON lembra ainda que a comunicação de massa se interessa pela produção e transmissão de formas simbólicas produzidas e desenvolvidas por meio de tecnologias da mídia. Ora, se as formas simbólicas podem desta maneira propagar-se, porque os grupos culturais interessados em difundir suas práticas não estariam interessados nestas tecnologias? Porque opor, então, tecnologia e tradição? E neste sentido inverte-se a lógica mesma, intrínseca, do modelo de globalização hegemônico. Esta implica em descaracterização regional e cultural e submissão à lógica do consumo que ignora origens grupais e valores ancestrais e promove mudanças tecnológicas tão velozes que qualquer idéia de permanência se dissolve.


DEMOCRATIZAÇÀO DA TECNOLOGIA COMO POSSIBILIDADE

A tecnologia pode ser utilizada a favor de uma outra concepção de globalização. Esta concepção pode ser o avesso da hegemônica - que pressupõe o reinado do mercado do consumo de bens e a massificação da informação e da comunicação - e repropor o contato interplanetário para a democratização cultural, política e social. CADOZ lembra que, pela tecnologia o ser humano pode, no passado, obter um prolongamento de si. Inicialmente a mão, estendida pelas primeiras ferramentas e depois, com signos, linguagens e escritas estendeu o alcance espacial, temporal, social e histórico de sua comunicação e conhecimento. E assim, através também da ferramenta, ou da tecnologia, modificou sua relação com o mundo. Ao modificá-la, alterou sua cultura. Entretanto, é bom salientar que não há fatalismos neste processo intra-influente: os grupos culturais não submetem-se simplesmente à lógica tecnológica; eles a transformam e sobre ela influem, num vaivém contínuo de receber e transmitir influências. O momento atual é marcado, porém, por uma singularidade, como analisa CADOZ: a informática é radical ao alterar a relação ser humano/mundo, porque intervém em três dimensões: ação, observação e conhecimento do real e da comunicação. "E por outro lado envolve todos nossos atos e problemas e os transforma em atos e problemas de informação" (1997:66). Ou seja, não é difícil aceitar que os recursos tecnológicos caracterizam-se atualmente por constituirem-se em realidade em si mesmos, interferindo em ações, emoções e opiniões. A vivência da possibilidade de constituição de uma realidade virtual, plena de complexidades é um exemplo de como ações, emoções e opiniões podem constituir-se num plano exterior à realidade concreta tal como se concebia há poucos anos atrás. A linha divisória entre real e virtual é cada vez mais tênue, de modo que virtual é parte do real mesmo, uma convivência cada vez mais cotidiana para aqueles que vivem em sociedades altamente desenvolvidas em termos tecnológicos.


RELIGIÕES AFRO-BRASILEIRAS NA INTERNET

A América Latina caracteriza-se por larga tradição de resistência popular e reproposição aos modelos hegemônicos excludentes que lhe foram apresentados ou impostos. Nesta longa luta pela democratização de bens materiais e culturais, formaram-se frentes de atuação social, econômica, étnica, ecológica e cultural que buscaram organizar grupos e setores baseados em concepções democratizadoras de atuação e convivência. No Brasil, são particularmente relevantes as iniciativas de afirmação cultural afro-brasileira organizadas em torno de ritmos e melodias, tais como grupos baianos Olodum e o tradicional Afoxé Filhos de Gandhi, as escolas de samba em várias cidades do país e outras, com preocupações francamente pedagógicas e comunitárias (11). No campo do sagrado, também os grupos de tradição religiosa afro-brasileira - umbanda e o candomblé - adquirem especial alcance ao buscarem transpor os limites geográficos e sociais de seus terreiros e grupo de adeptos e enviar para o cyberespaço suas mensagens, convites e cartas de intenções, numa clara tentativa de expandir seu campo de influência.

É nesse redemoinho de transformações tecnológicas que inserem-se os praticantes do candomblé buscando apresentar seu trabalho, suas propostas e intenções. É claro que, entre os inúmeros sites que surgem a partir das palavras-chave "candomblé", "orixás" "religião afro-brasileira" e outras é preciso fazer uma triagem cuidadosa, visando, por exemplo, a discernir os grupos que atuam em uma linha comunitária e de afirmação cultural e outros, com intenções preponderantemente comerciais e sensacionalistas. A dualidade e risco da inserção na rede eletrônica não foge à arguta percepção de lideranças de grupos ligados à religião afro-brasileira, como atesta este alerta dado pela organização baiana Ilé Axé Opô Afonjá, no documento "Algumas considerações": "Agora uma nova configuração se instala. Neste fim de século com a corrosão das instituições religiosas tradicionais... o candomblé, agora considerado religião é visto também como uma agência eficiente... Mais do que nunca as Iyalorixás e Babalorixás se questionam. As armadilhas, os caça-fugitivos, estão instalados. São os congressos, a TV - é a mídia - os livros, a web, em certo sentido. Tudo isto é transformado, por nós, em pinças para separar o joio do trigo... Diferenciação é conhecimento, candomblé é religião, não é seita". (grifo meu). Claro está, portanto que a rede é vista como um instrumento dual, multifacetado, em relação ao qual cabe o papel das lideranças dos grupos de religião afro-brasileira encaminharem, escolherem e decidirem as formas mais adequadas de sua utilização. Se, por um lado, há a crítica à tecnologia (mídia, web), por outro, há a relativização e a compreensão da complexidade do fenômeno tecnológico na atualidade, expressas na expressão "em certo sentido", do documento

Significa portanto, que a informatização dos terreiros de candomblé e umbanda é apenas um facilitador para todos aqueles que desejam contatos ou aprofundamento no conhecimento das práticas religiosas. O trabalho de seleção, compreensão e discernimento sobre concepções diferenciadas que embasam e sustentam os grupos que surgem, por exemplo, a partir de uma palavra-chave feita na "busca" fica a cargo do "internauta" que deve, portanto, munir-se de suficiente embasamento teórico-prático para distinguir entre diferentes propostas.

Esta análise aponta para o fato de que a informática e as tecnologias em geral não promoverão por si mesmas a democratização do conhecimento, mas apenas podem facilitar o acesso a este. O semiólogo Umberto ECO (12) aponta para o labirinto que se constitui a rede informatizada quando não existe, por parte do indivíduo, critérios, conhecimento ou formação cultural suficientes para realizar o trabalho de triagem e confronto de infomações. Ele vai ainda mais longe afirmando que o excesso de informações - sem critérios - pode significar um vazio equivalente a nenhuma informação. CHOMSKY (1998) acredita que a informação não é conhecimento. Como exemplo, ele afirma que a população intelectualmente subdesenvolvida não tem problema de falta de informação, mas sim de entendimento. Além disso, o uso da INTERNET abre muitas portas, mas há também o perigo do desaparecimento da singularidade cultural, alerta o lingüista.

A educação, a formação, os processos de construção do conhecimento e do espírito crítico são, portanto, progressivamente os elementos cada vez mais imprescindíveis na denominada Era da Informação, para a constituição de um cidadão que seja capaz de reconhecer, descobrir, escolher e exercer seu espírito crítico em meio à grande quantidade de informações que a informática e, crescentemente em especial a INTERNET, proporcionam. Do contrário, pode-se resvalar no perigoso terreno da apologização da tecnologia e conseqüente esvaziamento do ser humano, de sua história, cultura e possibilidades de construção do conhecimento de ação propositiva em relação à realidade.


BIBLIOGRAFIA

  • AMARAL, Rita Melo. Página Urbanitas.[on line]. Disponível na INTERNET via WWW.URL: http://www.aguaforte.com. Arquivo capturado em 7 de novembro de 1998.
  • BOLETIM AFRONOTÍCIAS. Informativo interativo sobre relações raciais, África e cultura negra no Brasil. Universidade Cândido Mendes/CEAA, nr.35, 23/10/98.
  • CACCIATORE, Olga G. Dicionário de cultos afro-brasileiros. Forense Universitária. Rio de Janeiro: RJ, 1988.
  • CADOZ, Claude. Realidade virtual. Ed. Ática. São Paulo: SP, 1997.
  • CHOMSKY, Noam. Jornal Em Tempo. Belo Horizonte: MG, 8.11.1198. pág.2.
  • ECO, Umberto. Entrevista concedida ao Programa Hipermídia. GNT, 1997.
  • FÓRUM DE ENTIDADES DE DIREITOS HUMANOS DO ESTADO DA BAHIA E COMISSÃO DE DIREITOS HUMANOS DA ASSEMBLÉIA LEGISLATIVA DA BAHIA. AXE, ZUMBI - ONGS DA BAHIA. Exposição de Museu agride cultura negra na Bahia. [on line] Disponível na INTERNET via WWW.URL: http://www.geocities. com/Athens/Acropolis/1322. Documento capturado em 17.10.98
  • GANTOIS, Menininha do. Iyalorixá do Axé Ilê Iya Omin Iyamassé; Stella de Oxossi, Iyalorixá do Ilé Axé Opô Afonjá; Tete de Iansã Iyalorixá do Ilé Nassô Oká e Olga de Alaketo, Iyalorixá do Ilé Maroia Lage. Iansã não é Santa Bárbara. Salvador:BA, 12.8.83. [on line] Disponível na INTERNET via WWW.URL: http://www.geocities. com/Athens/Acropolis/1322. Documento capturado em 22.10.98
  • ILÉ AXÉ OPÔ AFONJÁ. Algumas considerações. Oni Kòwé. Salvador:BA, outubro de 1996.[on line] Disponível na INTERNET via WWW.URL: http://www.geocities. com/Athens/Acropolis/1322. Documento capturado em 17.10.98
  • LODY, Raul. Candomblé. Religião e resistência cultural. Ed. Ática. São Paulo:SP, 1987.
  • MUNANGA, Kabengele. Negritude. Usos e sentidos. Ed. Ática. São Paulo:SP, 1988.
  • THOMPSON, John B. Ideologia e cultura moderna. Teoria social crítica na era dos Meios de comunicação de massa. Petrópolis:RJ, 1990.
  • TRAMONTE, Cristiana. O samba conquista passagem. As estratégias e a ação educativa das escolas de samba de Florianópolis. NUP/ DIALOGO/ Fondation pour le Progrès de L'Homme. Florianópolis:SC, 1995.


    NOTAS

     ^ 1. Poderíamos chamar ainda de "negritude". Segundo Kabengele MUNANGA (1988), há cerca de cinquenta anos nascia o conceito e movimento ideológico. O autor localiza ainda uma definição cultural segundo a qual negritude seria a "afirmação do negro pela valorização de sua cultura, a começar da poesia e outros".

     ^ 2. Entende-se cultura nas duas instâncias apontadas por THOMPSON (1990): a concepção descritiva e a concepção simbólica. A primeira refere-se a um variado conjunto de valores, crenças, costumes, e práticas de uma sociedade específica ou de um período histórico. A simbólica aponta para os fenômenos culturais como plenos de simbolismo e seu estudo está interessado na interpretação destes símbolos e na ação em que implicam.

     ^ 3. Iyá = O mesmo que "mãe" em yorubá. Especifica cargo hierárquico no candomblé. Babalorixá = Chefe de terreiro. CACCIATORE, 1988

     ^ 4. O documento contém a assinatura das seguintes lideranças do candomblé baiano: Menininha do Gantois, Iyalorixá do Axé Ilê Iya Omin Iyamassé; Stella de Oxossi, Iyalorixá do Ilé Axé Opô Afonjá; Tete de Iansã Iyalorixá do Ilé Nassô Oká e Olga de Alaketo, Iyalorixá do Ilé Maroia Lage. 12/8/83

     ^ 5. Vale conferir a excelente Biblioteca Comboniana da Bahia - comboni@ ongba.org.br, que possui consulta on-line e o acervo do Núcleo de Estudos Negros - NEN, de Florianópolis (SC) pelo endereço nen@ced.ufsc.br

     ^ 6. Pai Celso de Oxalá possui um programa de rádio denominado "O Nosso Cantinho", que vai ao ar de segunda a sexta-feira, com perfil informativo e "objetivo de desmistificar o candomblé", dirigido "Não só aos adeptos mas a todos aqueles que querem ouvir algo novo". BOLETIM AFRONOTÍCIAS, nr.35

     ^ 7. A empresa de WEB Aguaforte é um exemplo: oferece diversos serviços de cunho social, entre eles classificados gratuitos ( "Coisas do Brasil"), mensagens espirituais ( "mercador de palavras"), além de "hospedar" diversos sites de Candomblé. Mantém ainda, sob responsabilidade da Profa. Dra. Rita Melo Amaral, a excelente página Urbanitas que, entre outros assuntos, informa e atualiza sobre textos, endereços e notícias de terreiros de candomblé ( http://www.aguaforte.com)

     ^ 8. O Boletim Afronotícias, da Universidade Candido Mendes é um ótimo informativo interativo sobre relações raciais, África e Cultura Negra no Brasil.

     ^ 9. A rede informatizada é também utilizada como veículo de divulgação de idéias e posições políticas e culturais e como fórum organizativo dos grupos que atuam com religião afro-brasileira. Exemplo de articulação via eletrônica é o manifesto intitulado "Exposição de Museu agride cultura negra na Bahia - Campanha pela devolução de objetos sagrados aos terreiros de candomblé da Bahia", difundido por grupos baianos, entre eles AXÉ e a Organização Zumbi OnGs da Bahia, além do Fórum de Entidades de Direitos Humanos do Estado da Bahia e Comissão de Direitos Humanos da Assembléia Legislativa da Bahia. Este documento protesta contra a referida exposição, solicita a devolução de objetos expropriados em incursões violentas da polícia aos terreiros, principalmente no passado, e solicita o envio de telegramas de repúdio ao então governador do Estado Paulo Souto. Diz o texto: "o que se pretende ensinar às crianças e à juventude de várias escolas que freqüentam aquele museu? O desavisado visitante verá numa mesma exposição: máscaras mortuárias de criminosos decapitados, armas de fogo e outros instrumentos de homicídio, baralhos viciados, dados falsos, drogas diversas, testículos de bandidos, fetos deformados, cabeças decepadas...e belas criações de arte sacra negra".

     ^ 10. Por exemplo, o site da Botanica Lucumí, com sede nos EUA, que oferece desde produtos de cultos de origem africana a endereços e informes diversos sobre o tema.

     ^ 11. Em trabalho anterior, busquei analisar as estratégias e a ação educativa das escolas de samba de Florianópolis. TRAMONTE, 1995.

     ^ 12. Programa Hipermídia. Entrevista concedida ao canal GNT. 1997.